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Brasileiro André Liohn ganha Robert Capa Gold Medal 0/5 (1)

André Liohn é um cara de princípios bem definidos, objetivo e usa suas fotografias para tentar ajudar as pessoas que vivem na bárbarie da guerra. Esta é a impressão que tive na palestra que o fotojornalista fez na noite de ontem na Imã Foto Galeria, em São Paulo.

A série de imagens da cidade sitiada de Misrata, na Líbia, rendeu ao paulista o Robert Capa Gold Medal 2011, um dos mais importantes prêmios de fotografia do mundo. Liohn é o primeiro brasileiro – aliás, é o primeiro sul-americano – a ser contemplado pelo Prêmio que existe desde 1955.

Na sexta-feira passada, 27/04, o fotógrafo decidiu vir ao Brasil quando foi convidado a participar do programa Roda-Viva, da Tv Cutura. Aproveitou e fez contato com a Imã para fazer a palestra.

Com o prêmio, identificou a visibilidade que passaria a ter e com isso a possibilidade de ajudar o povo Líbio por meio de suas fotos. Mais do que retratar uma guerra, André quer ajudar o povo Líbio. Ele e os fotógrafos Lynsey Addario, Eric Bouvet, Bryan Denton, Christopher Morris, Jehad Nga, Finbarr O’Reilly and Paolo Pellegrin criam o projeto Almost Dawn In Libya, o ADIL.

O projeto consiste em uma mesma mostra exposta em quatro cidades da Líbia. Sobre o objetivo da exposição, Liohn explica “Em algum momento eu pensei que  talvez as fotos possam ajudar a promover a conciliação do povo de lá. Não sei se vamos conseguir, espero que sim”.  Serão 100 fotos as quais os fotógrafos abriram mão dos diretos autorais. A impressão e molduras serão feitas na Líbia. Mais informações sobre o projeto aqui

Enquanto o fotógrafo mostrava suas fotos e as do projeto, a conversa se desenrolou em torno de experiências da cobertura de guerra, jornalismo, a Primavera Árabe e até questões culturais do Brasil.

Ficou claro que o que importa para ele não é fotografia. “Eu não penso em fotografia, não estou ali fazendo arte. Eu estou ali para mostrar o que aconteceu com aquelas pessoas” disse ontem, assim como na entrevista do programa da TV Cultura, em que compara fotografar com dirigir. “Quando você dirige, não pensa ‘agora vou mudar de marcha’. O que importa é o objetivo, que neste caso é chegar do ponto A ao B. E a minha fotografia ou video tem o objetivo de contar aquelas histórias”. Sobre a decisão entre filmar e fotografar,  explica “As vezes eu sei que filmar vai contar melhor a história, vai mostrar melhor o começo, meio e fim”.

Quando questionado sobre equipamento, revelou que usa só uma lente 28mm.  “Não porque Cartier-Bresson disse isso, ou aquilo. Não importa o que ele dizia. Claro, o que ele disse é válido, mas o tempo dele foi outro”, diz gesticulando, para mencionar que passado e o presente são muito diferentes e hoje, o mundo é outro.

Além do projeto ADIL, Liohn não tem planos de novas coberturas, mas revelou seu desejo de ir para o Sul do Sudão, envolvido em combates na fronteira com a norte e vizinho Sudão desde março.

Egberto Nogueira, da Imã Foto Galeria, filmou tudo e vai disponibilizar o vídeo no Youtube em breve. Enquanto isso, você pode ver um teaser que a Imã publicou.

Sobre o prêmio

As imagens de  Liohn “são verdadeiramente o espírito de combate da fotografia de Robert Capa” diz a notícia que anuncia o vencedor no site do prêmio.

Abaixo o ensaio merecidamente vencedor. Não me surpreende que tenha sido contemplado com o prêmio. É fotojornalismo de alta qualidade. Mesmo que Robert Capa não o tenha influenciado, as fotos levam àquela famosa frase: ‘Se sua foto não está boa o suficiente é porque você não está perto o suficiente‘. Definitivamente Liohn estava perto, bem perto.

Rebeldes entram na cidade de Sirte, o último reduto principal de Kadafi. Durante a batalha,
Sirte ficou quase completamente em ruínas. Soldado pró-Kadafi mortalmente ferido é preso em Sirte.

Rebeldes entram em confronto com soldados do governo dentro de um prédio. A batalha de Misratah durou
quatro meses e se tornou um símbolo da revolta de nove meses de duração armada contra a ditadura da Líbia.

Rebeldes prontos para invadir uma casa que era base dos soldados das forças pró-Kadafi depois que os rebeldes
conseguiram tomar o controle da maioria das áreas controladas pelas forças militares, em 24 de abril de 2011.

Rebeldes em confronto com os soldados pró-governo em Misratah.

A batalha de Misratah durou 4 meses e se tornou uma das batalhas mais importantes e
mais simbólicas dos 9 meses de duração da revolta contra a ditadura da Líbia. Durante o cerco,
a cidade viu intensos combates e assaltos diários.

Em Trípoli, na sede da 32 º Brigada de Khamis, forças rebeldes encontraram 53 corpos carbonizados dentro
de um armazém utilizado como um centro de detenção por soldados leais ao coronel Muammar Kadafi.
Alguns corpos apresentavam sinais de execução. Rebeldes chegam ao armazém.

Um soldado pró-Kadafi gravemente ferido é capturado por rebeldes em Misratah.
Os motoristas de ambulâncias e médicos muitas vezes recebiam ameaças de rebeldes e
moradores em situações que tiveram de resgatar e tratar soldados pró-Kadafi.

Soldados feridos pró-Kadafi são presos em Misratah. Não havia na cidade uma instalação própria
para o tratamento de soldados pró-governo feridos. Neste local apenas um médico, sem suprimentos médicos,
era responsável por receber e tratar dezenas de feridos.

Rebelde Hamid Shwaili pede ajuda depois de ter sido mortalmente ferido em uma batalha
contra os soldados leais ao governo de Muammar Kadafi.
A batalha teve lugar em uma das últimas partes controladas pelo governo na Rua Tripoli, em Misratah.

Uma ambulância com um rebelde morto pronta para partir do Lanuf Ras Hospital durante os primeiros dias de combate.
Sem experiência de guerra, motoristas de ambulância, vários deles voluntários, arriscaram suas vidas
para resgatar pacientes nas linhas de frente de confrontos na Líbia.

Rebeldes entram na cidade de Sirte, o último reduto principal de Kadafi.
Durante a batalha de Sirte, a cidade ficou quase completamente em ruínas,
com muitos edifícios totalmente destruídos ou danificados.

Rebeldes posando em frente ao corpo de um soldado pró -Muamar Kadafi morto em Sirte.

Liohn foi entrevistado no programa Roda Viva por Mauricio Lima (fotógrafo freelancer do jornal New York Times), Eduardo Nicolau (editor de fotografia do jornal O Estado de S.Paulo), João Wainer (editor de fotografia do jornal Folha de S.Paulo), Leão Serva (jornalista e ex-correspondente de guerra e autor de livro e ensaios de jornalismo de guerra) e Roberto Cabrini (jornalista, apresentador do programa Conexão Repórter, do SBT). Abaixo o programa na ínegra.

Vale a pena assistir.

Nascido em Botucatu e de família pobre. Saiu do Brasil 1994 em busca de um futuro melhor. Depois de passar pela Suiça, se estabeleceu na Noruega onde trabalhadou como lenhador e depois de um curso, passou a trabalhar com comércio exterior. Hoje mora na Itália e tem dois filhos.

Frequentemente André Liohn tem suas fotos publicadas por veículos do mundo todo como Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, The New York Times, The Guardian, El Pais, Time, entre muitos outros. Além disso, também atua como cinegrafista e suas imagens são transmitidas por redes como BBC, CNN e Al Jazeera english.

Newborn Experience

Sobre Amanda Perobelli

Formada em jornalismo, começou a fotografar na faculdade e trabalha com fotojornalismo desde então. Trabalhou para jornais, revistas, e sites e em 2008 morou em Londres. Quando estava na terra da rainha, teve uma publicação na revista Millionaire de Toscana, Itália. Além do fotojornalismo, hoje também faz retratos.

Um comentário

  1. Obrigado Amanda pelas informações. Parabéns ao grande fotógrafo que foi justo, justíssimo o prêmio!
    Abraço,
    Marco A.

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