Criatividade: ainda é possível? 4.86/5 (7)

A internet mudou tudo. A forma como temos acesso a conteúdo de todo tipo mudou radicalmente. Somos bombardeados constantemente por um mundo – ou mundos – de mais e mais informação, e para nós, fotógrafos, informação visual é o que não falta. O que acontece é que, por muitas vezes, no meio dessa enxurrada, algumas coisas caem na graça popular e com isso começam a ser reproduzidas de maneira indiscriminada.

Eliseu Fiuza 2

Não estou falando qualquer novidade. O assunto é mais que recorrente. De tempos em tempos aparece uma avalanche de fotos da moda. Na fotografia de casamento, nicho de mercado no qual estou mais inserido, as modinhas são muitas: são os splashes e as fogueiras nas alianças, os lightpaintings e as exposições duplas, múltiplas… O problema não está nestas linguagens em si, mas no fato de que, de um modo geral, não vemos criações ou releituras, mas meras repetições de imagens famosas.

Todos sabem que a linha que separa a inspiração e o plágio é extremamente tênue. O que difere o criador? Ele se nega a se repetir, mesmo quando está sendo repetido pelos demais. Está sempre se reinventando, mesmo quando parece ter atingido seu ápice criativo. Então me parece óbvio: a melhor forma de seguir os passos de um grande criador não é copiando sua obra, mas usando-a como orientação para definirmos nossos próprios caminhos. Aliás, o mesmo acesso à informação que cria as modas, deveria servir também para estimular a experimentação.

Cada fotógrafo, mesmo que de um determinado mercado, pode buscar referências em outros nichos da fotografia e mesmo em outros suportes de mídia ou artes, como o cinema e a pintura. Tá bem, eu sei: tem aquela fotografia que deu uma vontade louca de fazer igual. Então redirecione sua energia! Experimente não tentar reproduzi-la, mas estudá-la, entendê-la, compreender seus fundamentos técnicos, experimentar e enumerar as sensações que ela te passa. Depois, pense em como reproduzir estas experiências e não a imagem em si. Substitua elementos, mude a composição, repense a luz e crie uma releitura única. Isso é se inspirar, não imitar.

Se você experimentou e chegou num resultado parecidíssimo com aquela foto famosa, seja honesto com você e com os outros e não finja que é sua criação. Aproveite e use este conhecimento para repetir de muitas outras maneiras até chegar a novos resultados. Lembre-se que você não precisa ser o outro. A inspiração genuína é aquela que te torna cada vez mais você.

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  • Isaias

    Penso um pouco diferente com relação ao aprendizado. Acredito que tentar copiar uma foto é benéfico para se aprender as técnicas aplicadas. Era assim que os grandes pintores da antiguidade aprendiam.

  • Paulo Sales

    Penso que é possível criar variações de uma ideia criativa, porém as ideias criativas se colocadas numa escala de temas e propostas, não vamos encontrar tantas variações assim.
    Vejo fotos dos ícones da fotografia, principalmente os antigos e nas pesquisas que faço vejo fotos de gente que provavelmente nunca viram tais fotos e mesmo assim o trabalho contém enfoques semelhantes.
    Enfim, opções fotográficas se mostram esgotadas a bastante tempo, e já foram superadas pelo marketing, ou seja, o marketing para fotógrafos superou a fotografia, por melhor que ela possa se mostrar no campo da criatividade.
    Isso posto, é fácil observar que alguns ao radicalizar essa criatividade no esforço de se diferenciar, criam nichos de clientes. Mas fica a pergunta, como o nome já diz, são nichos, ou seja, pequenos grupos de clientes num universo de consumidores, é possível sustentar por muito tempo tais propostas?
    Outra pergunta, até que ponto o universo de clientes, independente da faixa social compreende o excesso de criatividade como diferencial?
    Lembrando que excesso de criatividade é tudo aquilo que foge do padrão estético que agrada a maioria.

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