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Entrevista: David Burnett, o fotógrafo analógico nas Olimpíadas 4/5 (1)

De John F. Kennedy à revolução iraniana, as Olimpíadas de Sochi e de Londres — David Burnett fotografou de tudo

por Vanda Biffani — Manfrotto School of Excellence

 

Seu trabalho em territórios em guerra influenciou sua fotografia?

Qualquer hora em que você esteja num local onde pessoas são vítimas da guerra, isso te faz um fotógrafo mais cuidadoso, algo que perdeu-se pelo meio do caminho. Há um sentido adicional para drama e necessidade de compreender o que está realmente acontecendo. Não consigo te dizer o momento exato quando mudei de método, eu trabalho, ou vejo o mundo, mas tenho certeza de que assim como a maioria dos fotógrafos, tudo que faço é produto do que eu fiz anteriormente.

Como você descreveria seu estilo?

Estou tentando encontrar alguma outra técnica ou local físico que poderia entregar a foto que é um pouco surpreendente. Isso é que é minha meta, buscar algo que possa ter uma pequena diferença na visão daquilo. Isso é mais uma motivação, tecnicamente falando, não faço tantas coisas que sejam diferentes ou incríveis ou tudo isso junto que sejam diferenciais em relação ao que outras pessoas fazem. Sou apenas alguém que sente um grande barato em tentar capturar os elementos do mundo à minha volta. Tento não ter uma forte opinião sobre o assunto antes de ir. Quero apenas reagir ao que vejo.

Quão difícil é a fotografia de esportes?

Fotografia de esportes pode ser muito desafiadora. É fácil tirar fotos de ação interessantes, mas levar a foto ao próximo nível é que chega a ser bem complicado. Isso requer uma certa compreensão do que esta para acontecer e que você pode antecipar. Fotógrafos possuem poderes de observação, você olha por um instante e daí decide se está indo daquela forma. O aspecto mais difícil dos Jogos Olímpicos é ser capaz de concentrar-se. Você é levado pela energia quase magnética de todos aqueles diferentes eventos ocorrendo ao mesmo tempo. É muito desafiador desanuviar e enxergar onde estar e quais eventos cobrir, e ao estar lá ficar cercado de grandes fotógrafos que você de alguma forma conhece e estão já produzindo um grande trabalho.

Você parece trabalhar mais com objetivas rápidas. Por que essa preferência?

Geralmente tenho uma ƒ2.8 ou 4, costumo gostar da forma como grandes aberturas isolam o motivo, isso lhe dá uma pequena vantagem técnica em termos de tentar destacar o motivo de tudo ao redor dele, e o fato de que, se você pretende usar uma velocidade de obturador mais alta, você tem que abrir bastante suas lentes, e com uma câmera de grande formato eu realmente amo a forma como tudo fica visualmente com essas objetivas abertas.

Como você alcança o espírito retrô em suas fotos?

Uma das maneiras de fazer com que algo tenha visual retrô é utilizando uma câmera antiga. Gosto da ideia de tentar mimetizar e produzir fotos que tem o mesmo tipo de qualidades físicas das fotos de 50 anos atrás. Isso não funciona sempre, a roupa e os atletas são bem diferentes dos passados, então quando olho para eles, não importa o quão diferente seja a câmera — talvez a interpretação do que você tem visto tenha mudado bastante lá das gerações anteriores. Qualquer um que tenha crescido no mundo digital faria um imenso favor em comprar uma câmera antiga, apenas para ter a experiência de clicar em filme. É algo que minha geração teve, uma atitude bem diferente sobre clicar. Acho que todos vão beneficiar-se com uma falta de garantia e abraçar a ausência de certezas que o filme necessariamente entrega.

Você tem as imagens finais planejadas antes de ir clicar ou você as produz pelo caminho?

Ocasionalmente eu tento planejar algo, mas sou terrível nisso, apenas chego e olho pela área. Gosto da energia da descoberta das coisas. Às vezes deixo passar algo muito óbvio que eu veria ou compreenderia, mas em geral gosto da descoberta do que estou adentrando para maximizá-lo. Acho que há muitíssimas coisas que você precisa apenas reagir ao mundo como ele é, porque quando os eventos acontecem à sua frente, não há como dizer o que pode ocorrer. Temos que estar prontos.

Melhor conselho de todos que já recebeu sobre fotografia?

Faça sua tarefa de casa, conheça tanto quanto possa sobre o local para onde vai, e se forem terras estrangeiras, tente falar algumas palavras da língua. Fotografia não é apenas sobre apertar um botão, é sobre esses relacionamentos.

Existem milhares de fotógrafos que clicam esportes. O que você enxerga que outros perdem?

Porque eu uso câmeras mais antigas sou forçado a desacelerar. Estou buscando por uma foto, não uma série completa. Ouço todas aquelas câmeras passando por mim e realmente não entendo porque elas não disparam tanto, quando uma delas o faria. Se você tenta tirar uma foto, toda sua atenção está envolvida. Esse é o tipo de pessoa que sou.

fotos: Manfrotto School of Excellence, Anastasia Photo,
David Burnett, Subodh Shetty

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  • Amo as fotos deste artista. O analógico me fascina….

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