O flash eletrônico foi desenvolvido pelo Dr. Edgerton com o intuito de conseguir uma fonte de luz de duração extremamente curta. O primeiro nome dado a esses flashes foi o de speed lamps (lâmpadas de velocidade), que chegaram a atingir exposições de um milionésimo de segundo.
Seu uso foi muito desenvolvido na Segunda Guerra Mundial, quando fontes de alta potência, de 60.000 watts-segundo, eram empregadas para fotografias noturnas de reconhecimento aéreo. No entanto, o flash eletrônico de alta velocidade tem muita utilidade para fotografia técnica, mas é de pouco interesse para a fotografia geral.
Os flashes atuais são de duração relativamente longa (1/800 a 1/1000 de segundo), e consistem de tubos de vidro ou quartzo cheios de um gás inerte – como o xenônio – com eletrodos em ambos os lados. A energia elétrica é armazenada em um condensador que, quando acionado, gera uma descarga de alta voltagem. Esta corrente passa pelos dois eletrodos, ionizando o gás, que produzirá um relâmpago brilhante. A duração efetiva do flash é medida entre os dois pontos em que a potência de luz atinge 1/3 da potência máxima e a luz contida entre estes dois pontos representa 90% da luz total produzida no momento do seu disparo.

Exemplo: uso de disparo remoto com fotocélula, infra-vermelho ou sinal de rádio.
Flash Profissional
Os amadores em geral costumam condenar as fotos tiradas com flash por apresentarem efeitos artificiais. O profissional, ao contrário, não o dispensa, chegando inclusive a usá-lo de forma criativa, não deixando nenhuma pista ou evidência do emprego desse acessório. Já que os modelos de Flash variam muito de marca e tipo, tenha sempre à mão seu respectivo manual.

Velocidade de Sincronismo
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Para usar qualquer tipo de flash, seja ele portátil, acoplado à câmara, de estúdio ou de algum outro tipo, temos que, primeiramente, observar a sua velocidade de sincronismo. Este sincronismo refere-se ao intervalo de tempo entre a abertura do obturador e o disparo do flash. Ambos devem acontecer dentro do mesmo momento. Já que o relâmpago do flash é muito rápido, variando entre 1/1000 a 1/30.000 de segundo, o obturador deverá estar totalmente aberto para que o filme seja sensibilizado de maneira homogênea. Para isto, necessitamos de uma velocidade específica que dispare o flash no exato momento em que o obturador esteja totalmente aberto para conseguir, assim, atingir o pico máximo de luz..
No caso do manual de sua câmara informar que o sincronismo do flash está regulado para 1/60 de segundo se acidentalmente utilizarmos uma velocidade mais rápida, como 1/125 ou ainda 1/250 de segundo, a foto sairá gravada somente parcialmente. Isto acontece porque a velocidade estará fora do pico e, desta forma, a cortina do obturador estará cobrindo parte do filme durante a exposição. Veja o exemplo da seqüência fotográfica a seguir:

Portanto, quando há sincronismo, a fenda entre as duas cortinas que acionam o obturador estará totalmente aberta, permitindo uma exposição homogênea em toda a área do filme.

As câmeras manuais mais modernas permitem sincronismo do flash até 1/250 de segundo. As modelos High Tech, permitem até 1/800 ou mesmo 1/1000 de segundo. Isto depende do projeto de construção de cada cortina e também do respectivo material utilizado (cortina metálica, que possui funcionamento vertical, ou cortina de tecido ou borracha, cujo funcionamento é horizontal).
Entretanto, o que importa realmente saber é que a velocidade de sincronismo é a velocidade máxima permitida a operar com flash eletrônico. Qualquer outra velocidade mais lenta, abaixo desta, mesmo em B (bulb), é possível fotografar, pois em todas elas a cortina estará totalmente aberta para receber a luz do flash.
Número Guia – Flash Manual
Cada tipo ou modelo de flash tem uma potência, um poder de iluminação, medida em watt/segundo. Este valor é o número guia - indicado no manual do seu flash, e é a partir desse valor que o fabricante elabora a tabela distância/abertura do diafragma em função da sensibilidade do filme empregado.
Em outras palavras, a luz que parte do seu flash se espalha e chega até o assunto com maior ou menor intensidade. Portanto, toda vez que mudar a distância, é necessário mudar o diafragma para uma correta exposição.
Cada flash tem um número guia, uma potência diferente. Para facilitar o manuseio, cada tipo ou modelo vem com uma tabela de orientação impressa no próprio corpo. Veja abaixo uma amostra de tabela:
Tabela do número guia (distância x abertura)

Esta tabela é para uso exclusivo do flash em função MANUAL (M). Observe que quanto mais próximo ao assunto, a intensidade da luz do flash aumenta, solicitando, assim, um diafragma mais fechado. Em contrapartida, quanto mais longe, o inverso ocorre, sendo necessário uma maior abertura do diafragma. Operar o flash em modo manual significa que estamos utilizando sua potência máxima, seu número guia.

Tabela digital do número guia do Flash Nikon SB 800. Observe a faixa de alcance do flash TTL (0,6 a 6,7 metros).
Flash modo TTL
TTL significa “through the lens”, ou seja, “leitura através da objetiva”.
Esta é a leitura fotométrica de todas as câmaras monoreflex. A luz passa pela objetiva e chega ao plano do filme ou sensor digital, onde será medida por um sensor que, por sua vez, medirá a luz refletida da própria superfície do CCD, CMOS ou filme. Parece meio complicado, mas o importante é entender que a intenção do fabricante é tentar captar o sinal de luz com a maior fidelidade possível.
As duas maiores e mais utilizadas marcas (Nikon e Canon) têm formas diferentes de medição. Apesar de ambas serem denominadas, genericamente por TTL, há diferenças sutis. A Nikon possui um sistema que denominou de tridimensional, pois implica em dois sensores, posicionados nas laterais internas das lentes, o que possibilita leitura em terceira dimensão – como a lateral de um rosto, por exemplo. Combinado com flashes avançados que trabalham TTL, permite preenchimento homogêneo de todo o rosto, por exemplo.
A Canon emprega sistema semelhante, com outras variações, mas com resultados muito próximos. A cada dia as medições ficam mais apuradas. Recomendamos a consulta do manual de instruções.
Quando operamos o flash em TTL, a intensidade da luz do flash está subordinada à leitura do fotômetro. Desta forma, após ter analisado a luz no plano do filme da cena a ser fotografada, o sensor fotométrico vai enviar ao flash (a ele conectado, via sapata ou cabo TTL) a quantidade de luz necessária para uma exposição próxima do normal, visando o padrão cinza médio.
Apesar de parecer muito prático, pois o fotômetro detecta a quantidade de luz exata que falta para obter uma exposição normal e comanda o flash para suprir essa iluminação, este modo só é possível nas câmaras tipo High Tech. Mesmo assim, devemos primeiramente ajustar a High Tech em P (Programa), para que o fotômetro esteja totalmente liberado para efetuar a leitura da cena, e ajustar o flash em TTL.
Dessa forma, o sistema TTL, está conectado com o fotômetro. Este mede a quantidade de luz disponível, “lê” a distância pelo sistema auto focus e informa ao flash qual a quantidade de luz necessária para complementar a exposição. Este recurso, quando operado com câmaras manuais, é conhecido como “luz mista” ou ainda “flash de preenchimento”, conforme veremos a seguir.
Os modelos mais avançados ainda contam com um programa de sub ou super expor intencionalmente, tanto o primeiro plano, iluminado pelo flash, como a luz ambiente do fundo, utilizando ajustes de EVs distintos (Flash + luz Ambiente).
Exemplos de TTL com uso de programa (P) e compensação de EV:

As fotos inferiores foram feitas com WB SOL, para aquecer mais as cores.
Lembre-se de que nas funções combinadas P e TTL podemos, simultaneamente, determinar a intensidade de luz do ambiente, alterando o EV e o ISO (caso necessário), bem como a potência de luz do próprio flash. Faça alguns testes, para compreender melhor estes recursos.
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4 Comentários
Comentário
Fiquei (messssmo!!!!!) muito satisfeito (e orgulhoso) em ver o Professor Ênio Leite que é um dos maiores (e melhores fotógrafos!!!) cérebros fotográficos do Brasil e fundador da FOCUS que é, assim como ele, uma dos mais competentes centros de formação e quando eu comecei a desenvolver minha formação autodidata lá pelos anos 80, a FOCUS já tinha o seu lugar no podium dentro do mercado. Com o Ênio Leite por aqui, tenho absoluta certeza que os fotodgnianos vão ter um motor turbo a acelerar seus avanços técnicos através de alguém com muiiiiiiita experiência profissional e pedagógica. Aqui em Portugal vc tem o Doutor antes do nome que é algo muito significativo (e merecido!!!). Agora quero ver se trago outro BamBamBam para essa roda que o incansável (e muito jovem!!!) Diogo Guerreiro está formando que é o Clicio Barroso (outro fera!!!). Abraço, Mestre!!!!!
De fato, Fernando, Enio Leite, Clicio Barroso e Diogo Guerreiro são referencias da fotografia em lingua portuguesa.
Super abraço!
Carlos moreno
Viva Carlos, obrigado pelo seu comentário e pelas suas palavras muito motivadoras. É um orgulho enorme ficar nesse patamar.. Fernando, Enio Leite, Clicio Barroso. Abraços
Também estudei na Escola Focus, com o prof. Enio Leite. Pude constatar em loco, que o aluno recém formado pela pela Focus Escola de Fotografia está melhor preparado e compete em nível de igualdade com fotógrafos profissionais autodidatas, que atuam no mercado há mais de 10 anos