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Para não dizer que não fotografei as flores

Perdi as contas de quantas vezes escutei algum fotógrafo criticar os tipos de registros “preferidos” pela maioria dos iniciantes, ou o simples fato de fotografarem demais.  O que sempre me incomodou foi o tom dessas observações, pouco construtivas, sarcasticamente destrutivas e na maioria das vezes feita por gente estagnada. Acho engraçado, principalmente porque não há como pular o amadorismo fotográfico, o que envolverá vários cliques, geralmente de assuntos comuns e pouco justificados visualmente.

Através das lentes o mundo se torna tão fascinante que empolga, vicia, e pode até fundamentar tantas fotos de flor, inseto, bicho de estimação, céu, denúncias urbanas, autorretrato privilegiando a máquina e não o autor…  Importante é digerir bem essa fase.

Melhor será se conseguir passar por todas essas etapas e tentações de uma forma criativa, afinal, o clichê não precisa ser chato e desgastante. Há um universo de ângulos, enquadramentos e possibilidades.

A questão não é incentivar trabalhos ruins, mal elaborados, vazios… Convenhamos, o determinante nunca foi o quão frequente um registro é, mas tropeçar nisso é fundamental.

Escalando o ponto comum o futuro profissional se identificará com a sua preciosa área, não é uma regra, mas será revendo os registros depois de um crescimento técnico e cultural, que muitos deles selecionarão sua linha, conduta, e desenvolverão seu trabalho, a partir disso, enfim “profissional”.

Nasce a reflexão prévia, mas instantânea, a cautela automática no disparador, o escape criativo, a captação essencial de conceitos técnicos, aquele que aposta menos na sorte e confia na própria capacidade, um profissional com vergonha do amador, exatamente porque foi um, e que busca se libertar de tantas regras.

Ninguém alcança o auge sem alguns deslizes e muito menos repetindo conceitos formados sem um bom argumento, ou ao menos sem entender, estudar, cultivar, e ainda assim não estaremos livres de praticar alguma tolice.

Alguns sequer conseguiram ultrapassar o tal amadorismo, mas imperam classificando o que é certo ou o que é deselegante.

A informação corre solta na internet, a liberdade de expressão é fabulosa, ajuda muito, mas perdemos o senso de classificação, em que acreditar? Nos que odeiam flash, nos que amam analógicas, nos que desprezam a edição de imagens ou nos que vangloriam Cartier-Bresson?

É hobby, entusiasmo ou profissão? Será que suas 100 fotos de hoje são tão aproveitáveis quanto as 300 de ontem? Ou será que se acostumou com a falta de qualidade e acreditou num potencial natural? Deu razão a todos os elogios, desprezando as críticas? Hoje começaria como a sua carreira?

Questione, resista, reflita, não se contente, valorize o poder das imagens.
Que sejamos sinceros, para as banalidades fotográficas já podemos usar o Instagram e culpar o celular.

Nada mais justo do que começar parafraseando Geraldo Vandré, e ainda finalizar com o famoso refrão, inspirando uma profunda reflexão:

 “Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer”.

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