fbpx

Review: Canon EOS 6D (WG) – parte 2 5/5 (3)

Quem não leu a primeira parte pode vê-la aqui

Mais uma diferença que justifica a diferença de preço entre a Canon EOS 6D e as outras FF da Canon: a ausência de um segundo slot para cartão de memória. Muitos fotógrafos por certo, especialmente de eventos, sentirão falta da possibilidade de ter um segundo cartão, seja tipo SecureDigital (SD) ou CompactFlash (CF), gravando arquivos menores, de backup, ou mesmo estando ali como reserva para quando acaba o espaço no primeiro cartão. Como um dos mandamentos desses fotógrafos é priorizar o uso de cartões de menores capacidades para evitar grandes perdas em caso de falha de um deles, esse é um ponto a ser bem pesado: trabalhar agilidade na troca de cartão ou adquirir uma câmera com slot duplo? O pessoal videomaker não deve sentir tanto, já que a gravação de vídeos ocorre em um cartão apenas, sem backup, nas DSLR. Idem para os fotógrafos hobbistas.

Canon EOS 6D

Por falar em detalhes do “mundo” das FF, ou a parte azul do sangue da 6D, há que se notar que não há flash pop-up, assim em todas full-frames da Canon. Não que isso vá ser lá tão fundamental, na verdade na maioria das situações pode-se considerar mais do que verdadeira a classificação deste item como “acessório”, graças a seu desempenho em ISOs altos. Como a comparação com a Canon 5D mark III é inevitável (até por questão de custos), vale citar um recurso que foi inaugurado justamente na “irmã” mais cara: o HDR in Camera. O HDR in Camera pode por alguns ser tido como bobagem, para outros como algo meio impreciso, e para terceiros um recurso útil para seu hobby/treino em fotografia. De qualquer forma, assim como nos panoramas feitos automaticamente em certas câmeras, o resultado é menos interessante do que uma fusão detalhada feita via software em um computador a partir de imagens produzidas por bracketing.

Mais uma prova de que a 6D, embora seja uma intermediária entre as cropadas e as FF “de verdade” (como alguns devem estar chamando as outras) é sua qualidade em vídeo, que não só não fica muito aquém das outras, como há quem prefira justamente a 6D. Para os fotógrafos bem atentos e que gostam de ser precisos, lá está também o microajuste de foco que facilita a vida de quem gosta de adquirir objetivas de marcas alternativas e com isso precisa lidar por vezes com maior frequência com objetivas mal calibradas (alô, usuários da Sigma! =P).

Falando em lidar com itens de outras marcas, aqui vai uma observação séria: a Canon EOS 6D não reconhece baterias genéricas: ela dispara normalmente com uma, mas mostra a unidade como descarregada. Ou seja, se você adquirir, por exemplo, uma bateria LP-E6 da Vivitar e colocá-la na 6D, ela provocará um alerta de encaixe irregular. Mas a mesma bateria poderá ser vista como totalmente carregada numa das outras câmeras que utiliza a mesma bateria (60D, 5D II, 5D III ou 7D), digamos, e não será exibido nenhum aviso. Por outro lado, ao que tudo indica, não há problemas em relação a uso de objetivas de outras marcas, como a Sigma (que a propósito, anda melhorando!) ou a Tamron: uma conhecida minha chegou a testar uma velha objetiva que lhe dava problemas com o foco numa 5D mark II (ora era imprecisa, ora era lenta, ou os dois) e espantou-se como a objetiva mostrou-se perfeita! Não me perguntem o porquê da 6D “estranhar” uma bateria genérica, mas aceitar uma objetiva idem. Falha da Canon ou mostra de que ela quer fechar o cerco a itens de outras marcas em suas câmeras? Recentemente fui testar uma objetiva Canon FD (com adaptador) em uma Rebel T4i e a câmera não aceitou, então não duvido que a Canon esteja investindo esforços para isolar-se das outras marcas e até mesmo de suas lentes analógicas.

Por outro lado, “fechar cerco” é uma expressão incompatível com um dos grandes diferenciais da EOS 6D: seu  sistema WiFi. Em teste que fiz aqui com um iPhone 3GS, a câmera ainda teve conexão mesmo estando a cerca de 8m e com duas paredes e um guarda-roupa entre o celular e a câmera, e somente assim o sinal da conexão sem fio celular-câmera ficou seriamente debilitado. E ao contrário do que chegou a ser dito na revista Fotografe Melhor, em sua edição nº 198, não é necessário um roteador para realizar conexão entre um smartphone e a EOS 6D. A informação foi corrigida (com um número de atraso, mas foi) na edição nº 200, porém fica o toque.

Ainda sobre o WiFi da Canon 6D: fico feliz em ver que apesar da Canon oferecer um manual à parte só para os recursos de WiFi e o GPS (que comentarei logo mais), algo que deve assustar alguns que podem achar que utilizar tais recursos é complicado, e não é. Bastam no máximo duas leituras no manual (que encontra-se em português aqui no Fotografia-DG), uma normal e outra para confirmar o procedimento em que você está especificamente interessado(a), e boom!, tem ambas partes perfeitamente conectadas sem fio. Em outras palavras, não há o que temer em relação à dificuldade (ou falta dela) em conectar seu celular ou tablet via WiFi à Canon EOS 6D. E como se não bastasse, o aplicativo para realizar tanto o reconhecimento das imagens já gravadas no cartão quanto para disparar a câmera remotamente, o EOS Remote, é gratuito e disponível para sistemas Android e iOS.

IMG_7855 red

Outros pontos sobre o WiFi na EOS 6D: 1 – a senha gerada especificamente para seu dispositivo, para evitar invasões, o que será bem útil para fotógrafos de esportes, por exemplo, que deixam muitas vezes câmeras na beirada do campo e disparam remotamente, mas preocupam-se com o disparo acidental por outro(s) fotógrafo(s); 2 – falando em disparo remoto, é bom notar que usar o recurso de WiFi nativo da câmera para tal fim certamente não será o mesmo que utilizar um acessório dedicado a isto, se pretende disparar a longas distâncias, mas serve muito bem para quem não necessita de metros e metros de distância, além de permitir ver o que está sendo capturado na tela (diferente de vários controles remotos e cabos tão abundantes no mercado). O alcance sem obstáculos, inclusive, segundo teste feito por um de meus amigos que me ajudaram pra este review, é de cerca de 30m

E o GPS? Assim como qualquer dispositivo GPS que eu conheço, tem suas falhas, mas é sem dúvida um recurso que vai ser (e deve estar sendo, já) imensamente aproveitado, especialmente por fotógrafos viajantes. É fabuloso não precisar perder um bom tempo marcando suas fotos num mapa, principalmente quando se viaja para um local com o qual você não está familiarizado, e pode ter até mesmo uma língua diferente — imagine procurar um ponto específico numa cidade em que você não sabe nem perguntar que horas são na língua nativa, ou perdido entre colinas de um local que você nunca trilhou antes… pois é. Imagine a câmera fazendo isso por você. Mas como eu disse, há poréns, como em qualquer GPS: locais fechados têm recepção ruim, e dias muito nublados também não ajudam. Além dos poréns de praxe, também há outro que é bom salientar: com o GPS ativado, não adianta desligar a câmera, o GPS continua ativo e registrando pontos por onde você passa — esses pontos podem ser depois (facilmente) transferidos para o cartão, para o caso de querer registrar o roteiro de uma viagem ou saber por onde seu marido fotógrafo andou (ops…). A propósito, menos que dois minutos de reatualização além de gastar mais bateria é desnecessário, a não ser que você queira ser extremamente preciso no registro de uma rota corrida cheia de curvas, entradas…

Ao final, os preços da “brincadeira”? Podem sorrir mais: uma objetiva 24-105 sozinha sai na B&H por US$ 1150, e o corpo da câmera sai por US$ 2.000. Já o kit é vendido a US$ 2.700, ou seja, uma economia de US$ 450! E isso sem considerar os descontos que estão vigorando na mesma loja — contando com eles, um kit da EOS 6D é comprado por 2.400 dólares, mesmo preço (também com desconto) da concorrente Nikon D600, e 1.500 abaixo da 5D mark III (idem). Esses são os preços nos EUA — e no Brasil? No Brasil, terra dos impostos altíssimos para eletrônicos e de lojas por vezes bastante vorazes, o que temos de preços bons vem de vendedores como a Daniela Sales (atualização 18/04: ver nota de rodapé): entre R$ 4.800 e R$ 5.100 pelo corpo da câmera e pouco mais de R$ 2.000 pela objetiva. Já o kit na época que comprei a minha saía entre R$ 6.200 e R$ 6.900, a depender do vendedor.

Não se enganem, a Canon EOS 6D não é um modelo de câmera com crise de identidade, e sim um modelo que fica bem entre as APS-C e as FF (evidentemente estou desconsiderando as APS-H, como a 1D mark IV). Ela tem características de um “lado” e do outro, e por isso não deve ser considerada concorrente direta de nenhuma outra câmera das gerações atuais da Canon, e sim estudada como toda câmera deve ser: considerando o que ela tem, o que não tem, o que pode fazer para atender suas necessidades/objetivos e o que não pode. Muito do que provavelmente já foi/será citado como defeito em comentários por aí não é defeito, e sim diferença.

Canon EOS 6D – principais características:

  • Lançamento: 17/set/2012
  • Resolução: 20.2 MP via sensor CMOS de 36 x 24 mm (full-frame)
  • Sensibilidade ISO: 100-25600 (expansível  para 51200 e 102400)
  • Processador: Digic 5+
  • Monitor: Clear View II LCD de 3” e 1.040.000 pontos
  • Selamento: sim, contra respingos e poeira
  • Vídeo: até FullHD, formato H.264, microfone estéreo
  • GPS com modos tagging e tracking
  • WiFi para vários tipos de conexão (entre câmeras ou com smartphone/tablet, desktop, serviço web ou para impressão sem fio)
  • Cobertura do viewfinder: 97%
  • Velocidades máximas: 1/4000, 4,5 fotos/segundo
  • Bateria: Canon LP-E6 (mesma da 7D e das 5D mark II e mark III)
  • Memória: cartões SD/SDHC/SDXC
  • Peso e dimensões: 770g (+ bateria) / 145 x 111 x 71 mm (versus Nikon D600)

fontes: Câmera versus Câmera e Dpreview

agradecimentos especiais a:

Alex Barbosa Nóbrega, Cristiano Freitas dos Santos e Flávio Alves, por comentários e testes,
a Alessandro Veeck pelo mesmo e as fotose, e a Rodrigo Jordy, pela leitura prévia

Nota — 18/04/16: Sinto-me na obrigação de informar-lhes com pesar a infeliz morte da vendedora Daniela Sales, que foi tristemente arrancada do mundo dos negócios e da vida. Em respeito a ela, deixo as recomendações de outro(s) possível(is) vendedor(es) nos comentários, quando questionado. Grato pela compreensão desde já.

Ajude-nos! Avalie, compartilhe e deixe um comentário mais abaixo:

Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

Chat

Este site usa Cookies & Política de Privacidade para lhe proporcionar a melhor experiência. Clique em "Aceitar" para consentir a sua utilização.