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Arsenal: um assistente ou sua câmera independente? 4.72/5 (29)

- Última Atualização a: 30/05/2017

Essa não vai agradar em nada aos puristas: vem aí um assistente (?) que automatiza tudo em sua câmera. Conheçam o Arsenal.

 

O que aconteceria se alguém decidisse automatizar praticamente todo o trabalho de fotografar cenas complexas para muitos iniciantes? Seria uma afronta aos professores e ‘padrinhos’ fotográficos mundo afora, além dos profissionais da área; ou uma belíssima mão na roda que pode agilizar trabalhosas criações fotográficas?

Eis que foi criado tal invento — que em nada lembra geringonças dignas do Inspetor Bugiganga —, e já ultrapassou imensamente sua meta de campanha no Kickstarter, site de financiamento coletivo. Os 50 mil dólares que o programador e fotógrafo amador Ryan Stout pedia ao público para lançar sua invenção foram irrisórios frente ao interesse massivo dos doadores, que doaram mais de 10 vezes a quantia.

 

De proporções bastante amigáveis e, apesar disso, um sugestivo nome de Arsenal, a pequena caixinha anunciada por Stout conecta-se ao seu celular (seja iOS ou Android) via WiFi ou Bluetooth e funciona como um modo automático turbinado (como bem classificou o Gilson Lorenti, do MeioBit). A diferença é que ao contrário do que acontece no famoso modo verdinho — aquele do quadrado verde que automatiza tudo — o Arsenal permite-lhe sim que você tenha controle, tudo pelo móvel, e vá ainda além dos resultados que você conseguiria normalmente apenas com uma longa série de exames de luz e circunstâncias, ajustes e um bom tempo gasto para poucos cliques. Em suma, é tecnologia em sua essência: algo criado para facilitar, seja melhorando a eficiência; seja assegurando a eficácia (ou ambos).

O que exatamente o Arsenal leva em conta na hora de ajustar completamente a câmera, quando se seleciona o modo de inteligência artificial? Uma longa série de aspectos técnicos e circunstâncias da hora do clique, como vento, distância hiperfocal, movimento do motivo, questões óticas da objetiva… Segundo o informe da campanha, o Arsenal considera 18 pontos e, tendo como referências milhares de ótimas fotos, procura a melhor forma de produzir uma bela imagem no local onde o fotógrafo posicionou a câmera. E, claro, a localização, a composição, além da escolha do equipamento evidentemente ainda são papeis do(a) fotógrafo(a) (não chegamos ainda fase Jetsons da evolução e difusão tecnológica).

 

Assim, encaixando o Arsenal na sapata para flash da câmera e conectando-o ao celular pode-se produzir rapidamente, numa distância de até pouco mais de 30 metros (!) uma imagem em high dynamic range (alta faixa dinâmica — as famosas HDR), empilhamento de foco (focus stacking) e exposições longas, beeem longas — com direito a pré-visualização ao vivo. Depois de tudo isso, estarão lá as imagens prontas no celular para serem examinadas em resolução total e compartilhadas na mesma hora pelas redes sociais.

Reparem só no vídeo de divulgação e vejam se não é interessante…

 

E abaixo podem ver fotos publicadas como produzidas com o dispositivo:

 

Como ficam os fotógrafos profissionais? Bom, os de paisagem podem se complicar um pouco, talvez. Por outro lado vejam, por exemplo, os de eventos: como usariam um Arsenal? Pouquíssimo provável que façam uso intenso desse dispositivo. E assim como eles, fotógrafos de várias outras áreas ainda terão sua expertise extremamente valorizada — e nem falo do preço do ‘brinquedo’. Então não vejo motivo para maiores temores.

Prevê-se que o Arsenal estará disponível para câmeras Canon, Nikon, Fujifilm e Sony. Se quiser desde já ver se sua câmera é suportada pode conferir aqui. Ah, a campanha está rolando ainda!*

Para mais informações sobre o dispositivo, visitem o site oficial.

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* Só não esqueçam que campanhas tão bem-sucedidas como essa nem sempre saem como esperado, como bem lembrou o MeioBit aqui e aqui.

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

Também estou no Atelliê Fotografia.

13 Comentários

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  • A única pergunta que faço é a seguinte:
    Preço, e para quando a disponibilidade no nosso Portugal?
    É que para ter a sensação real é preciso ter o equipamento, porque a ser assim, quem é que não vai querer fotografar?
    Logo que não se perca aquilo que marca o bom fotógrafo, que é saber responder no momento certo sem as tecnologias!
    Mas gostei bastante do artigo!
    Parabéns pela simplicidade e compreensão

    • A campanha de financiamento, segundo verifiquei aqui, ainda está em andamento, então acho difícil sair já um preço fora dos EUA. Mas podes doar $1 lá e ficar atualizado! ;)

      Ah, e obrigado, é um prazer entregar um artigo que as pessoas entendam! =)

  • Olá Diogo, como está, espero que bem.
    Muito bom sobre a materia sobre o Arsenal, gostaria de tirar uma dúvida, este aparelho conectado
    na camera pode-se fotografar eventos como casamento, festas, etc. Ou só trabalha conectado
    com um celular, ou trabalha independente com a camera fotografica.
    Um grande abraço Diogo, parabens.

    • Olá, Sidonio, vou responder pelo Diogo, já que estou por aqui, hehe (e, afinal, sou o autor).

      Bom, o Arsenal não pode trabalhar independentemente pois não é uma câmera, e sim um acessório para uma. Quanto à conexão com ela, é física, diferente da conexão com o celular, que é sem fio.

      Sobre clicar eventos com o Arsenal… bom, seria possível, porém não acredito que seria muito prático. Afinal clicar um casamento, por exemplo, exige uma agilidade no fluxo, daí se dar ao luxo de aguardar o dispositivo avaliar a cena a cada clique não me parece proveitoso ou seguro.

  • Viva Alexandre … acredito que haja aqui uma “não notícia” em função da chamada que você fez como se esse equipamento: “O que aconteceria se alguém decidisse automatizar praticamente todo o trabalho de fotografar cenas complexas para muitos iniciantes? Seria uma afronta aos professores e ‘padrinhos’ fotográficos mundo afora, além dos profissionais da área; ou uma belíssima mão na roda que pode agilizar trabalhosas criações fotográficas?”

    Primeiramente, isso não tem nada a ver com “verdinho” que, ai sim, valeria para o seu parágrafo inicial … mas não tem qualquer ligação formal com o arsenal de funcionalidades que o Arsenal trará quando for lançado porque é praticamente um controle à distância onde o fotógrafo faz aquilo que o seu cérebro entender como configuração correta onde faz todo o sentido a definição “a better way” ou seja, uma maneira melhor de controlar a fotografia tendo alguma facilitação no processo de configuração através das sugestões do Arsenal.

    “Afronta aos professores (afinal sou um destes), profissionais da área ou padrinhos mundo afora”, no meu entender é algo que não se enquadra aqui já que é algo que vai depender incondicionalmente de uma vasta experiência técnica para poder extrair do Arsenal aquilo que o inventor promete no video.

    É, sim, um assistente e não um “automatizador” que ponha em risco a inteligência cerebral … é como um carro com câmbio automático, simplesmente, onde quem comanda no final é o raciocínio humano. A chamada, no meu entender, não desagrada em nada os puristas e também não automatiza tudo como vc sugere: “Essa não vai agradar em nada aos puristas: vem aí um assistente (?) que automatiza tudo em sua câmera1. Conheçam o Arsenal.”
    Esse tom carrega um pouco da idéia com uma pitadinha sensacionalista de “ódio” tecnológico por parte de quem enxergar a Fotografia de outra maneira distinta do Arsenal e que considerar “your own better way”.

    Distância Hiperfocal … Velocidade x Efeito “borrado” Pretendido … Focus Stacking … Profundidade de Campo x f/stop … Timelapse … Hyperlapse … são encontrados em muitas aplicações gratuitas há vários anos para smartphone ou pós produção profissional (Photoshop ou Lightroom) … o Arsenal só conjuga isso tudo numa app … nada mais além disso.
    A sua chamada faz lembrar de quando chegou o foco automático no mercado profissional e foi um susto gigante que aos poucos entrou de vez na vida de todos nós e não automatizou nada além do rodar do anel de foco.

    Aqui o mais importante que não foi abordado no artigo é o fato desse “assistente” virar um “atrapalhante” ao tomar posse da sapata hot shoe da camera o que acabará por ser um limitador no interesse pelo invento para aqueles que usam flash portátil ou radio flash o que destrói a idéia de que é uma “better way to make a perfect photo”.

    Finalizando, acho que há ali algo de enganoso no texto do site do Ryan Stout que diz que ninguém mais vai precisar comprar (ou usar, pior ainda) Filtros ND (Neutral Density) que, ai sim, é uma afronta aos que entendem profundamente da técnica de fotografia de paisagens no mais alto nível … ai o menino Ryan Stout escorregou no discurso fotográfico amador porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa … da mesma forma que uma Real Doll por mais bela e realista que pareça e por mais inteligente artificialmente que seja, nunca vai substituir a beleza de uma Mulher de verdade com inteligência feminina, assim como o seu perfume.

    Abraço! É NÓIS!!!

    • Bom, a questão de automatizar ou não acredito que é porque não deixei muito claro que o Arsenal tem um modo de exposição automática, em que ele decide tudo que será feito.

      E, realmente, quem precisa da sapata hot shoe não vai adotar esse dispositivo que a ocupa.

      Quanto à afirmação do Stout de que com o Arsenal poderíamos abrir mão dos filtros ND, bom, pelo que me pareceu vendo os vídeos e as imagens finais o Arsenal faria uma soma de imagens seguidas, basicamente como a Sony já anunciou que já é possível fazer com suas Alpha, permitindo simular um ND graduado ou algo do tipo: https://www.youtube.com/watch?v=iJ8tzmqXXEk

  • Bom, achei muitissimo interessante o artigo, o Arsenal, querendo ou nao é o avanço da tecnologia no nosso campo, achei muito legal o fato de que ele funciona como um fotometro com display “ao vivo”, que trás beneficios claros, porem, perde-se um pouco do entusiamos de conhecer seu equipamento a ponto de “usa-lo de olhos fechados”, contudo, para os que amam tecnologia é uma otima, mas ainda me encontro com bons livros e boas horas de click.

    • De fato quem utilizá-lo vai perder parte da alegria que é descobrir os pormenores de seu equipamento e etc, mas é preciso ter em conta duas coisas: uma é a de que você não pode obrigar outra pessoa a fotografar da forma X ou Y por gosto pessoal; e a outra é a de que ninguém será obrigado a comprar o Arsenal.

      No mais, bons cliques! =)

  • Sinceramente, não sou contra a tecnologia.
    Hoje estamos na onda da Indústria 4.0 onde a mão de obra é substituída por robôs e serviços simples são substituídos por robôs colaborativos.
    Ou isso, ou o fim da fábrica como conhecemos hoje.
    O que quero expressar é o prazer que a fotografia traz quando somos obrigados a enxergar o que estamos vendo.
    Por um instante, o tempo para e aguarda o disparar do obturador.
    Só para quem tirou foto com filme sabe o que eu estou falando.
    Em tempos online esse momento para mim é muito importante para me fazer lembrar que ainda sou humano.

    • Bom, mesmo os fotógrafos de paisagem com esse Arsenal acredito que ainda terão que acertar uma boa época para estar no local, um bom ponto de vista e possivelmente a hora certa para dar start no clique com o dispositivo. E sempre poderão abrir mão dele para voltar a sentir todo o prazer possível que a fotografia nos dá. =)

  • O artigo é interesante, mas como será na pratica, e a beleza da fotografia esta nos acertos e erros e na casualidade que só um olhar pode ter….