Review: Canon 6D (WG) – parte 1 5/5 (1)

Comentários sobre a mais barata das full-frames, a Canon 6D. Saiba pra que vale e pra que não vale a pena.

Na segunda metade do ano passado tanto a Nikon quanto a Canon lançaram as suas chamadas “full-frame de entrada”: a Nikon sua D600; e a Canon a EOS 6D. Hoje, como vêem, vou comentar sobre uma delas, a da Canon 6D, que adquiri do final de março para o começo de abril. Escolhi comprar o modelo da Canon por ele possuir GPS, WiFi e eu já fazer uso de câmeras Canon (utilizava uma EOS 7D, e ainda hoje tenho uma Canon G1 X), além de possuir objetivas e flash para a marca. Logo, continuei com o sistema que me satisfaz, e me é confortável.

Antes de começar a discorrer sobre qualidades, defeitos e comentários gerais sobre a câmera, vale uma observação: o modelo que eu e alguns colegas adquirimos foi o Canon 6D (WG). O “WG” refere-se a WiFi e GPS, já que existe um modelo denominado Canon 6D (N) que não possui tais recursos. É com base no primeiro que comentarei a Canon 6D.

Review Canon 6D WG

Lançada para ser a câmera full-frame (FF) mais “básica” que a recente 5D mark III (atualização da histórica 5D mark II), tem poucas diferenças de peso e medidas em relação à sua irmã mais “top”. Promete sacudir o mercado de fotografia de casamentos e eventos em geral, apresentando ruído relativamente baixo mesmo em ISO 6.400 (em certas situações o 12.800 ainda é bem aproveitável — leia mais sobre ruído aqui), tem uma boa fidelidade de cores em condições que normalmente numa 7D, por exemplo, deixariam as imagens bem amareladas mais facilmente (como observou meu amigo Flávio Alves).

Já que com certeza o menor ruído será certamente um dos grandes motivos para a compra desta bela câmera, reproduzo aqui um trecho de uma relação que o pessoal do Imaging Resource fez com bons tamanhos para impressão de fotos da EOS 6D, desde o ISO mais baixo (50) até o mais alto (102.400). O trecho que escolhi colocar aqui foca nos ISOs altos:

Qualidade de impressão Canon 6D – high ISOs

  • ISO 1.600: permite uma excelente impressão de 16×20 in (40,64 x 50,8 cm), enquanto uma de 20×30 in (50,8×76,2 cm) mostra perda de contraste meio perceptível no componente vermelho texturizado usado para os testes;
  • ISO 3.200: faz uma atraente impressão de 13×19 in (33,02 x 48,26 cm), tendo uma de 16×20 in (40,64 x 50,8 cm) com certa perda de contraste em nossa garrafa de mosaico, mas ainda boa para impressões para exibição em parede;
  • ISO 6.400: rende uma boa impressão em 11×14 in (27,94 x 35,56 cm), com boa entrega de cores para um ISO elevado;
  • ISO 12.800: imprime bem em 8×10 (20,32 x 25,4 cm), no entanto começando a ter perda de fidelidade nas cores, e um pouco de ruído em algumas áreas de sombra;
  • ISO 25.600: produz uma impressão satisfatória de 5×7 in (12,7 x 17,78 cm);
  • ISO 51.200: imprime uma boa 4×6 in (10,16 x 15,24 cm), apenas com um pouco de grão;
  • ISO 102.400: não imprime sequer uma 4×6 in (10,16 x 15,24 cm) utilizável, é melhor evitar.

Em seguida a estas avaliações, o Imaging Picture comentou:

“Com um sensor full-frame e 20 megapixels, não era de se surpreender que a Canon 6D faz impressões excelentes em comparação a nada menos que todas melhores câmeras lançadas até agora. Mas com essa etiqueta de preço relativamente baixo [vide mais à frente neste review] para uma câmera full-frame, esse modelo vai certamente vai chamar a atenção de todos que estào querendo subir para este nível de qualidade sem quebrar o banco para tal.”

Camera-Canon-6D

Outro trunfo dela é a ótima objetiva EF 24-105mm f/4 L IS USM (pra quem não se dá bem com siglas, veja aqui): boa e constante abertura, ainda que não seja uma fabulosa 2.8, mas é mais interessante que a 24-85mm f/3.5-4.5 da Nikon D600, pelo menos em termos de extensão do zoom e de aberturas. O peso é bom, mas não considero aconselhável para quem vai passar vários dias viajando com ela ao ombro ou no pescoço, a não ser, talvez, que seja bem treinado fisicamente — eu não sou, daí tive problemas ao final de uma viagem recente de mais de uma semana com o kit da 6D, mesmo sendo já bastante habituado a carregar DSLR comigo em viagens, e tendo sido usuário da 7D, cujo peso (816g o corpo) é sempre mencionado em reviews, por justa causa. A propósito, o da 6D é de 770g, mas o peso extra da 24-105 contra o de uma EF-S 18-135mm põe esta vantagem a perder. Portanto, se for viajar por vários dias, e tiver que escolher uma objetiva, não escolha a 24-105 se não tiver ótimas sessões de musculação e/ou pilates em dia (para quem vem do exterior, salvo engano meu, a Receita Federal do Brasil só deixa passar quem tiver uma câmera com apenas uma objetiva montada, nada de lentes extras). Escolha, por exemplo, uma EF 28-135mm, que apesar de não ser f/4, é mais leve, versátil e assim como a 24-105, possui IS e USM.

Mas e o autofoco, o estabilizador, a qualidade óptica? O AF é indubitavelmente bom, e há quem diga que só falta dar foco no escuro (vejam este teste), mas para quem veio da 7D ou ajusta a câmera para usar mais do que usar apenas o ponto central pode ser decepcionante lidar com os mesmos 11 pontos de uma Rebel, ao contrário da já citada 7D e da 5D mark III — por sinal, é absurda a diferença entre os sistemas da 6D e da 5D III, mesmo a 6D estando apenas um degrau abaixo, se generalizarmos as câmeras APS-C como sendo “abaixo” das FF. Se considerarmos APS-C tops como apenas diferentes (sendo o sensor cropado só um detalhe, o que seria mais justo), ainda é curioso notar que a Canon decidiu dar mais ênfase ao “de entrada” e não ao “full-frame” na EOS 6D. Isso é confirmado num outro ponto que vou abordar mais à frente. De qualquer forma, é muito bom ter como objetiva do kit uma objetiva com USM, possibilitando foco especialmente ágil. Para os fãs de objetivas fixas, vale lembrar da 35mm IS USM e das também grande-angulares 24 e 28mm IS USM, além da sempre ótima 50mm f/1.4. Dentre as teles, a compacta 85 1.8 é uma boa pedida, junto com a maravilhosa 135 f/2 L.

A qualidade óptica da 24-105 da Canon já é bem conhecida: a objetiva não é nova, e tem já uma boa legião de adeptos, que vêem nela uma ótima walk-around, e a tendência é ganhar mais admiradores, com a qualidade das câmeras melhorando, especialmente em ISOs altos (compensando a abertura máxima f/4, e não f/2.8). Já o estabilizador achei bom, mas notei que não é recomendável ignorar a velocidade, mesmo em dias relativamente claros, se você for, por exemplo, fazer uma panorâmica apressada (aquela que você dá seus vários cliques numa volta ligeira sobre si mesmo para depois juntar no computador). Em outras situações ajuda bastante e vale a pena fazer uso dele (a não ser, por exemplo, em fotografia com tripé). Mais sobre a objetiva pode ser visto em alguns links que separei.

Como afirmei antes, a Canon visivelmente preferiu apostar mais no “para iniciante” e menos no “full frame” ao lançar esta câmera. A primeira prova, como disse, é o sistema de AF, no mesmo estilo das EOS Rebel (como a recente T5i / 700D), embora com uma eficiência maior. A segunda prova são os modos mais automatizados de captura. Nada contra o famoso verdinho em que você deixa configurada a sua câmera para sua avó poder fotografar, já que de eletrônico ela só tem jeito com aparelhos auditivos, e olhe lá (um brinde às vovós e vovôs que ouvem bem! =D). Mas não deixa de ser no mínimo curioso quando é lançada uma câmera feita para quem está saindo de câmeras mais “básicas” com não apenas o modo A+, mas também modo de cenas e o Creative Auto (CA). Que a Canon mantenha o sistema de foco da 6D com apenas 11 pontos para não canibalizar as vendas da 5D mark III, entendo, mas ter três modos automáticos para quem investiu mais de R$ 6000 me parece uma decisão estranha.

Canon EOS 6D

Outro sinal de que a marca optou por manter a 6D bem voltada aos iniciantes no “mundo full-frame”, estendendo velhos hábitos que estes têm de suas câmeras anteriores, é a ausência de joystick. Assim como nas Rebels, não existe o bom e velho joystick da 7D e das FFs mais caras. Pode ser que tenham retirado como parte da estratégia para que a 6D não roubasse indevidamente mercado de sua irmã 5D mark III e ficasse bem acomodada entre as Rebels e as FF não “entry level”, mas o fato é que para quem veio de uma 7D é meio incômoda a falta do joystick. Como evidentemente não é o foco da marca, é compreensível. Porém não deixa de ser estranho um outro detalhe: a ampliação/redução de imagens gravadas se dá com um toque no botão de ampliação e depois rodando para um lado ou o outro o dial principal (que fica junto ao botão disparador). Sem dúvida é bem mais prático ampliar/reduzir através dos botões que já eram utilizados nas xxxD (ex: T4i/650D) ou mesmo na 7D, que eram os de bloqueio AE/FE e o de seleção de ponto de AF (os dois no cantinho superior direito da traseira dos modelos citados). Na 5D mark III certamente é menos incômodo que na 6D, já que a lupa fica junto aos botões à esquerda do monitor; já na 6D fica num ponto que achei muito pelo meio da câmera, sem motivo, ergonomicamente falando. Entendi que a intenção de pôr o botão de lupa seria como detalhe das câmeras FF, mas fazê-lo da forma como foi feita, diferente da 5D mark III e ao mesmo tempo nem lembrar aos que vêm das Rebels onde eles ampliavam/reduziam suas fotos e entregar uma ergonomia meio estranha para a operação penso que foi algo que a Canon deveria rever na 6D mark II.

E a segunda parte está aqui!

agradecimentos especiais a:
Alessandro Veeck, Alex Barbosa Nóbrega, Cristiano Freitas dos Santos
e Flávio Alves, por comentários e testes, e a Rodrigo Jordy, pela leitura prévia

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Alexandre Maia

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