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Fotometria + Flash – parte 8 de 9 – Flash como luz principal 4.5/5 (2)

No artigo anterior tratamos do flash como luz de preenchimento, se unindo à luz do ambiente para criar um efeito homogêneo, agora trataremos da primeira situação que havia sido descrita para a necessidade do flash – veja as três situações no sexto artigo desta série – , quando o local é tão escuro que o flash será luz principal, não há regulagem de diafragma obturador e ISO que torne possível a foto sem o flash.

Outra maneira de entender essa situação é a de existência da luz, mas que de alguma maneira, por decisão do fotógrafo, essa luz tenha que ser anulada para que só reste a luz do flash, isso é a terceira situação descrita, o uso do flash quando sua estética e forma de iluminar são desejadas em detrimento de qualquer outra iluminação que haja no lugar. Assim sendo, tanto a primeira quanto a terceira situações fazem do flash a luz principal.

Se não há luz, iremos decidir nosso tempo de obturador de forma a ter o tempo mais longo possível antes de prejudicarmos a imagem com tremidos, o diafragma mais aberto possível antes que tenhamos problemas com profundidade de campo muito estreita e o ISO mais alto possível antes que tenhamos ruído demais. Essas três medidas são tomadas para poder aproveitar ao máximo o pouco de luz ambiente que haja no local e também aproveitar da melhor forma possível a potência do flash, afinal quanto mais luz a câmera puder receber usando regulagens mais abertas, menor será a carga necessária ao flash para iluminar a cena.

Nas modernas câmeras digitais é possível trabalhar com tranquilidade em ISO 800 sem grandes problemas de ruído, enquanto diafragmas da ordem de f4 ou f5.6 e obturadores da ordem de 1/40s ou 1/60s costumam ser suficientes para tomar fotografias sem a necessidade de apoio de um tripé ou monopé, e sem que a profundidade de campo seja muito prejudicada.

Outra coisa que o fotógrafo pode fazer se possível é usar lentes grande angulares pois assim terá menos problemas com profundidade de campo mesmo em aberturas como f2.8.

Tendo feito os ajustes possíveis, a cada foto feita o sistema TTL irá disparar o pré flash, calcular o retorno de luz recebido e então calcular a força final do disparo do flash para cada fotografia.

Sob o ponto de vista da câmera, as regulagens nela colocadas estão subexpondo a cena, na verdade há pouquíssima luz mas ela não entende corretamente isso, então ela irá disparar o flash com força suficiente para que o registro final tenha uma tonalidade mediana.

Aqui entra novamente a compensação de exposição do flash para controlar o processo. Se à frente da câmera tivermos objetos escuros, digamos uma festa noturna na qual todos estão vestidos de preto, o reflexo captado pela câmera será pouco e esta tenderá a disparar o flash com força demais – lembrem-se de que a câmera sempre tenta clarear os escuros e escurecer os claros – , prevendo isso o fotógrafo pode ajustar a compensação de exposição para menos e evitar o disparo com força excessiva.

Por outro lado, numa festa na qual todas as pessoas estejam de branco, assim como as paredes do lugar sejam brancas, a câmera tende a receber um reflexo forte e imaginar que pode disparar o flash com menos força do que o ideal, prevendo isso o fotógrafo pode compensar previamente para mais e garantir o registro dos brancos como são, e não como cinzentos que é o que a câmera faria por conta própria. Cada fotógrafo deve fazer testes com seu equipamento para descobrir o quanto sua câmera gera de desvios em fotometria e assim criar um dicionário mental sobre o quanto deve ser corrigido em cada situação.

Essa lógica pode ser aplicada mesmo em situações nas quais haja luz suficiente para fotografias, mas que o fotógrafo opte por ignorá-la completamente, a citada terceira situação para uso do flash que mencionei no início deste artigo.

Imagine que o fotógrafo está em um ambiente no qual exista luz, mas que ele queira ignorá-la e só ter registrada a luz de flash. Neste caso é necessário medir a luz ambiente através dos processos já vistos de fotometria, vamos imaginar um caso hipotético no qual o fotógrafo encontre as seguintes regulagens que possibilitariam a fotografia com luz ambiente: f4, 1/30s, ISO 800.

Caso ele faça uma foto com essas regulagens e acrescente o flash, este será luz de preenchimento pois já existe luz no ambiente sendo aproveitada na foto. Por outro lado, sabemos que a latitude de exposição da câmera impões limites e que se formos fechando nossas regulagens, cedo ou tarde teremos preto total, sem registro da luz ambiente.

Se temos que a latitude de exposição é tipicamente de 3 pontos para mais e 3 pontos para menos em relação ao tom médio, podemos imaginar que ao fechar 4 pontos, ou seja, a latitude mais um, teremos que a luz do ambiente ou não será registra, ou será muito pouca, os tons médios ficarão pretos ou quase pretos, o que nos levaria a seguinte regulagem f4, 1/60s e ISO100.

Como o que foi dito e feito acima, temos certeza de que algo que era de tom médio na medição da luz ambiente agora sairá bem escuro ou não mais aparecerá na foto, mas há a chance de que informações que eram mais claras que o médio continuem aparecendo, ainda que escuras. Aí vale lembrar novamente da latitude de exposição, em conjunto com a amplitude tonal. Ao medir a parte mais clara da cena que era iluminada pela luz ambiente saberemos quantos pontos mais clara que o médio será esse ponto da cena, e teremos que subtrair também esses pontos para ter certeza que essa informação também fique preta e não saia na imagem.

Se no nosso exemplo hipotético a alta luz aparecesse três pontos mais clara que o médio, ainda temos 3 pontos para tirar da exposição e assim ter certeza que tudo sumiu. Chegaremos então em f8, 1/125s e ISO 100. Neste momento, dentro da situação de nosso exemplo, nenhuma luz ambiente está sendo registrada e só sobrará a luz do flash.

O sistema TTL se encarregará de iluminar com o flash a ponto de obter o registro mediano, e com a compensação de exposição fazemos os ajustes. Veja o exemplo seguinte:

 

Esta foto foi feita em um mini estúdio que montei na sala de minha casa, que estava com janelas abertas, portanto havia luz no ambiente.

O primeiro passo foi verificar quanto de luz ambiente existia, para tanto utilizei um fotômetro de mão, mas poderia ter feito com o fotômetro TTL da câmera apontando para uma superfície de tonalidade mediana.

A medição que obtive foi de 0,5s (meio segundo, 1/2s), com diafragma f11 e ISO 200. A abertura f11 foi selecionada pelo tanto de profundidade de campo que eu queria na fotografia. A partir daí, eu precisava ajustar meu tempo de obturador até que não registrasse nada da luz ambiente.

Minha experiência sobre latitude de exposição – veja o quinto artigo desta série para mais dados sobre latitude de exposição – diz que devo fechar pelo menos 4 pontos para que os tons médios estejam muito escuros ou pretos, com 5 pontos há certeza de que qualquer tom médio sairá preto, ou seja, não será registrado na foto, e se você tiver qualquer receio ou quiser realmente ter certeza de que ficará preto, basta fechar 6 pontos, não há tom médio que sobreviva a isso. Como sempre quero ter muita certeza de sumir com a luz ambiente e só deixar a luz do flash quando trabalho em estúdio, procedi ao ajuste levando meu obturador a 1/125s (6 pontos mais fechado que a luz ambiente).

Não havia grande necessidade de verificar amplitude tonal checando as partes mais claras da cena neste caso, pois se houvesse registro de altas luzes elas iriam interferir só no fundo branco (que deve ser branco mesmo) e nos reflexos nos produtos, que também deveriam ser um pouco estourados que era como eu imaginei a fotografia e como o cliente havia aprovado, então caso houvesse algum registro ali, não seria problema. Pelo sim ou pelo não, e como sou preciosista, acabei fechando mais um pouco e fiz a foto com 1/200s, f11 e ISO 200, mas confesso que não havia necessidade de ter fechado mais esses 2/3 de ponto.

Tudo o que foi dito pode parecer um pouco complexo, mas ficará tanto mais simples quanto mais você treinar a avaliação de amplitude tonal das cenas que você fotografa, o que foi feito nada mais é do que ir subexpondo a luz ambiente até que ela desaparecesse, e pois é adicionado o flash. O histograma é fundamental aqui, pois ele irá lhe ajudar para ver se ainda há informação visível ou se tudo definitivamente fechou e sumiu da foto.

[]’s
Armando Vernaglia Jr
www.vernaglia.com.br
armandovernaglia.wordpress.com
@VernagliaJr

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Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

5 Comentários

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  • muito boa a suas dicas gostaria que me respondesse uma pergunta quanto fotografo em modo TTL é disparado um pré flash para ajuste automático da câmera e quando o flash é usado como rebatido como é feito essa leitura da mesma forma ? obrigado.

  • Olá Alexandre! Obrigado pelo comentário.

    Não tem janela nem luz natural nessa foto, só flashes! Mesmo por que minha janela estava à direita do set montado para a foto. =^)

    Flash principal à esquerda, com um difusor grande (como um hazy light, só que redondo), um flash à direita para preencher sombras, um flash por baixo para clarear o fundo (que é translúcido), mas sem zerar as sombras.

    []'s

    Armando

  • Vernaglia sempre primoroso…

    Sou meio contra usar flash como luz principal quando se tem uma luz especial preparada pra ocasião, como é o caso de uma festa. Acho terrível ver um fotógrafo simplesmente omitir a existência das luzes do evento, por mais que o efeito não seja ruim, mas o registro, a meu ver, fica incompleto. Isso pra não dizer simplesmente enganoso, mentiroso.

    Agora quando não se tem luz suficiente, aí não tem jeito, temos que realmente nos virar com nosso "cão" (como chama o Renato Miranda, do I Love my Job).

    Até um dos últimos eventos que fotografei eu fazia uso de subexposição proposital para obter mais contraste, mas depois percebi que é mais interessante subexpor menos e acrescentar contraste depois – afinal é mais prático acrescentar um pouco de contraste do que tentar clarear as sombras que por vezes mal têm informação e onde tem muito ruído, caso tenha usado ISO muito alto (justamente pela subexposição). ;-)

    PS: as janelas de sua sala ficaram à esquerda na foto, correto? A luz delas estourou nos objetos e a sombra gerada pela janelas você preencheu com o flash, estou certo? Se não, explica como foi o esquema dessa foto do artigo!

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