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Fotógrafo é desligado de agência por adulteração

Adulteração foi considerada contra os princípios da agência para a qual o fotógrafo trabalhava como freelancer.

via Resumo Fotográfico / Associated Press

 

Uma foto feita no dia 29 de setembro de 2013 e distribuída pela Associated Press foi adulterada pelo fotógrafo freelance Narciso Contreras. Na imagem um rebelde sírio é retratado durante uma troca de tiros com as forças do governo na vila Telata em uma linha de frente localizada no topo de uma montanha na província de Idlib.

Na imagem original (abaixo) uma câmera de vídeo de um colega jornalista é vista no canto esquerdo da fotografia. Na imagem distribuída pela agência de notícias, a câmera foi substituída por uma ‘clonagem’ parecida com a superfície de pedras ao redor do rebelde sírio.

(c) AP Photo / Narciso Contreras - adulteração em destaque
Comparação publicada no blog da agência Associated Press, após desligamento do fotógrafo.

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Como se não bastasse, o código de Princípios & Valores Jornalísticos da AP é bem claro quanto a essa questão:

“AP pictures must always tell the truth. We do not alter or digitally manipulate the content of a photograph in any way … No element should be digitally added to or subtracted from any photograph.”

(ou traduzindo…)
“Imagens da AP necessitam dizer a verdade. Nós não alteramos ou manipulamos digitalmente o conteúdo de uma fotografia de forma alguma … nenhum elemento deverá ser adicionado a ou subtraído de qualquer foto”

Aí fica a pergunta: será que o fotógrafo virou uma personificação do mito de Narciso (tendo, inclusive, o mesmo nome), em busca de uma foto esteticamente perfeita — estimulado talvez até pelo Pulitzer que a AP ganhou pela cobertura na Síria? Ou será que o fotógrafo não viu maiores problemas na remoção da câmera de vídeo que aparecia no canto, mas também não atentou para os termos da agência?

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

Também estou no blog da D&M Photo.

6 Comentários

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  • Fotos jornalística não devem ser alteradas,incluir ou retirar algum elemento. No caso deste Repórter Fotográfico, ele não deveria retirar a câmera ou no máximo não deveria ter enviado a foto adulterada para a AP. Ele descumpriu as regras do bom jornalismo.

  • Eu teria feito o mesmo, Alexandre. Sou muito perfeccionista com minhas fotos e muitas vezes descarto a possibilidade de utilizar determinada foto porque existe algum "elemento" destoante. Isso é inquietante pra mim.
    E nessa foto específica então! O rosto sutilmente aponta para o "objeto estranho", é inevitável o incômodo.

    • De fato, Mitsy… a bronca é a AP ter esse código que proíbe absolutamente qualquer manipulação do tipo. Chega a ser estranho como é escrito e rigorosamente aplicado (ou pelo menos foi, nesse caso). Como vi nos comentários no Facebook: o contexto não foi alterado, a essência da foto continuou lá.

      Torcerei pelo fotógrafo…

    • Mitsy, você falou de objetos destoantes, mas existem manipulações de foto que removem o sentido da foto. Fiquei mais fã ainda da AP porque não deixa que manipulações removam a verdade dos fatos. Se existiu ali uma câmera é porque algo anterior aconteceu, certo? Então, partindo disso, o fotografo deveria dizer o porquê daquela câmera lá ao invés de simplesmente remover o elemento.

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