Fotometria + Flash – parte 2 de 9 – O Fotômetro da Câmera 4.86/5 (7)

Depois de dar inicio à série de artigos sobre Fotometria + Flash, hoje vou dar continuidade ao trabalho iniciado dando a conhecer e a compreender o funcionamento do fotômetro da câmera. Caso não tenha lido o artigo anterior clique aqui para perceber o que vou explicar neste artigo.

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O Fotômetro da Câmera

O primeiro passo para o estudo da fotometria e do funcionamento do flash dedicado é compreender como funciona o sistema de medição TTL que existe dentro de cada câmera fotográfica.

A sigla TTL vem de through the lens, que significa através das lentes. O fotômetro da câmera mede a luz que entra pela objetiva fotográfica para tentar determinar a correta exposição. No passado existiram câmeras cujo sistema de medição ficava do lado de fora do equipamento e que não levavam em consideração aquilo que estava sendo enquadrado pelo fotógrafo. Hoje praticamente todas as câmeras, de reflex digitais a compactas utilizam-se da medição da luz que entra pelas lentes.

Fotos: O sistema TTL já existe há anos e podia ser encontrado em câmeras de filme totalmente manuais como a Canon F1, um equipamento lançado na década de 1970. Vemos ainda o moderno sensor de medição da Canon EOS 7D, que recebe luz da mesma maneira que acontecia na antiga F1. A luz entra nas lentes sendo refletida de diversas formas até que chegue tanto ao visor no qual o fotógrafo enquadra a cena como nos sensores de foco e de medição de luz. Fonte das imagens

Considerando que o sensor de medição de luz fica dentro da câmera, ele só pode mensurar a luz que reflete dos objetos e cenas fotografados. Uma quantidade de luz, como a emitida pelo sol, ilumina a cena e uma parte dessa luz é refletida e captada pela câmera. O fotômetro da câmera não sabe a quantidade de luz que incide sobre um objeto ou cena, apenas a quantidade que reflete daquilo é mensurada.

O fato da câmera medir a luz refletida determina as características boas e ruins do sistema TTL de medição e isto acontece pois existem objetos ou cenas que refletem muita ou pouca luz conforme suas características físicas.

É fácil perceber que um objeto claro, como uma noiva vestida de branco, reflete mais luz do que um noivo em seu terno preto. A mesma lógica se aplica a qualquer objeto ou situação que apresente extremos de reflexão de luz.

O ponto fundamental é que temos cérebro e isso nos faz capazes de compreender o que é claro ou escuro, brilhante ou fosco, o mesmo não é válido para a câmera que por mais moderna que seja não é capaz de distinguir o que está à sua frente, ela apenas reage às quantidades de luz que chegam ao sistema de medição.

Para que as câmeras fossem capazes de interpretar a luz, foi embutido nelas um padrão de medição, inicialmente uma tonalidade de cinza que reflete 18% da luz que recebe, conhecido como cinza médio 18%. Hoje há nas câmeras um leque de condições pré programadas com complexos algoritmos de cálculo mas mesmo assim as câmeras ainda são incapazes de avaliar as características de reflexão de objetos e por isso o que fugir dos padrões acaba sempre por gerar um erro de exposição.

Em resumo: se o objeto for claro, como a noiva de vestido branco, a câmera não entenderá como um algo branco mas sim com excesso de luz, orientando o fotógrafo a utilizar uma combinação de diafragma e obturador que terminarão por gerar uma fotografia escura, subexposta. Veja o exemplo a seguir:

As duas fotos foram feitas no mesmo horário, apenas com a luz de uma janela à direita da mesa sobre a qual foram apoiadas as taças de sorvete. As duas fotos feitas com a mesma câmera e mesma objetiva. A da esquerda foi feita com 1/320s, abertura f2 e ISO 100, e esta é a regulagem que minha câmera, uma moderna EOS 7D, com seu fotômetro TTL disse estar correta. A da direita é minha intervenção sobre a leitura da câmera, abri um ponto e dois terços chegando em 1/100s e mantendo a abertura f2 e o ISO 100. É fácil notar que a correta é a imagem à direita pois a da esquerda está completamente subexposta.

O inverso acontece com objetos escuros, a câmera irá entendê-lo como algo pouco iluminado e irá sugerir regulagens que culminarão em uma uma fotografia sobre exposta.

Veja os exemplos:

Novamente as duas fotos foram feitas no mesmo horário, apenas com a luz da janela à direita da mesa. As duas fotos feitas com a mesma câmera e mesma objetiva. A da esquerda foi feita com 1,3s de tempo, abertura f4 e ISO 100, e esta é a regulagem que minha EOS 7D disse estar correta. A da direita é minha intervenção sobre a leitura da câmera, fechei dois pontos chegando em 0,3s e mantendo a abertura f4 e o ISO 100. É fácil notar que a correta é a imagem à direita pois a da esquerda está completamente estourada.

Como visto nos exemplos, toda vez que apontamos uma câmera para algo que reflita muita ou pouca luz, a medição da câmera sofrerá desvios tentando tornar o resultado mediano. Quando você centraliza (costumo usar o termo “zerar” o fotômetro, ou seja, quando ele não aponta necessidade de abrir ou fechar nenhuma regulagem) seu fotômetro está obtendo um resultado que tende ao cinza médio, algo que só é certo se o que for fotografado de fato for mediano.

O fotógrafo que usa modo M (manual) na câmera mas sempre centraliza o fotômetro está fazendo o mesmo que a câmera faria sozinha em modo P (program), que é obter a tonalidade mediana das imagens, isso mostra que o real papel do fotógrafo é saber quando sua câmera erra e como corrigir, abrindo ou fechando pontos, seja de diafragma, de obturador ou do ISO para compensar as falhas de medição da câmera.

Isso se aplica a todos os modos de medição presentes na câmera: spot, matricial, ponderada, parcial etc. O que muda é a metodologia e a área considerada na medição mas mantendo a essência.

Na medição spot você medirá a luz em uma área pequena enquanto na matricial um grande número de pedaços da cena é medido e os resultados de cada uma dessas múltiplas medições colocados numa equação que dará um resultado final mediano. Tanto um como outro buscam o resultado de tonalidade média e irão apresentar erros se o objeto fotografado for claro ou escuro.

Fica a regra básica, se o objeto for claro sua câmera tende a escurecê-lo, então você deverá de compensar a exposição abrindo o diafragma ou o obturador e assim clarear o objeto para dar-lhe a aparência correta. O inverso se aplica a objetos escuros, sua câmera tenta clareá-lo, você deve compensar escurecendo a imagem.

Um exemplo seria fotometrar no vestido branco da noiva e sabendo que sua câmera tenta escurecer a cena, abrir um ponto de luz sobre o que a câmera lhe indica como certo, ou fotometrar no terno preto do noivo e sabendo que sua câmera está buscando clareá-lo, fechar algo como um ponto e dois terços de luz para devolver sua tonalidade correta.

O maior passo dado pelo fotógrafo em termos da melhoria de sua medição de luz é quando ele entende que a câmera erra e aprende o quanto ele deve corrigir para obter o resultado de exposição correto.

Nos vemos em breve, até lá.

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Armando Vernaglia Jr

Armando Vernaglia Jr tem mais de dez anos de experiência como fotógrafo publicitário e diretor de arte. Graduado em Publicidade e Propaganda e especializado em Comunicação Organizacional, é também professor de fotografia e palestrante. Seu trabalho pode ser conhecido em seu site - www.vernaglia.com.br . E você também pode seguí-lo no Twitter @VernagliaJr

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