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Admirando a Paisagem: Equipar-se a Rigor – O Essencial Parte 2 5/5 (1)

- Última Atualização a: 20/10/2010

Para quem não leu o meu artigo anterior, “Admirando a Paisagem: Equipar-se a Rigor – O Essencial Parte 1”, aconselho a sua leitura antes de prosseguir com a parte 2 do artigo.

Lentes

Em conjunto com a câmara, as lentes são as peças de equipamento mais importantes do sistema de qualquer fotógrafo.  Há quem defenda que a qualidade das lentes é o factor mais importante no resultado final de qualquer imagem e a minha experiência pessoal diz-me que esta teoria tem fundamento. Se no formato full-frame a qualidade das lentes é fundamental para a qualidade final da imagem capturada, já no formato APS-C a escolha deve ser realizada com conta, peso e medida. Existem lentes que produzem os seus melhores resultados dependendo do sensor onde são usadas e esse factor deve ser tido em conta na hora da compra. Ainda assim, a minha recomendação é que se compre a melhor lente que o orçamento possibilitar, ainda que para isso se tenha de comprometer a escolha da própria câmara. Na minha opinião, é melhor comprar a lente mais capaz do que a máquina mais cara e com mais funções.

Canon EOS 5D Mark II * Canon EF 17-40mm f/4 L USM a 26mm

Segue-se a lista das lentes essenciais no kit de qualquer fotógrafo de paisagem natural.

  • Lentes Ultra Grande Angular: se é, como eu, um amante dos grandes espaços, de uma sensação de profundidade intensa e de céus ricos e envolventes, não tem como escapar à compra de uma lente deste tipo. Distâncias focais de 14mm a 28mm (10mm a 18mm no formato APS-C) são os mais habituais neste tipo de lentes. São os mais usados na fotografia de paisagem natural e é a minha lente de eleição. Cerca de 75% da fotografia que faço é realizada através do recurso a lentes deste tipo. Os elementos no primeiro plano conduzem o olhar pela imagem até ao cenário que se vislumbra lá atrás. Quanto maior for a amplitude angular, mais perto terá de estar do elemento no primeiro plano e este elemento constituirá, na maior parte das vezes, o elemento fundamental da foto. A perspectiva conseguida por uma lente ultra grande angular empresta uma forte sensação de profundidade (especialmente quando combinada com aberturas muito pequenas) e uma visão tridimensional muito própria. Quem está a contemplar a imagem tem a sensação de poder andar sobre ela. Lente no meu saco: Canon EF 17-40mm f/4.0 L USM.

 

  • Grande Angular moderada ou Normal: lentes no intervalo 28-70mm (18-55mm no formato APS-C) possibilitam a obtenção de imagens que mais próximo se identificam com aquilo que o nosso campo de visão está habituado a ver. A dominante da cena será sempre o segundo plano e um elemento no primeiro plano pode ser usado mas nunca será o elemento primordial. Utilizo-as fundamentalmente para registar imagens na floresta, cascatas ou para planos de detalhe, onde a tridimensionalidade da cena não é importante. Lente no meu saco: Canon EF 24-105mm f/4 L IS USM.

 

  • Telefoto: As lentes de distância focal superior a 70mm não devem ser deixadas em casa e, surpreendentemente, são mais usadas por mim no terreno do que as lentes do tipo anterior. Têm a possibilidade de compressar a perspectiva e conseguem isolar um determinado elemento na cena com alguma facilidade. São também as ideais para capturar o sol ou a lua numa cena sem os tornar muito pequenos – como acontece com as grande angular –, conseguindo assim imagens de rara beleza e fora do comum. Hoje em dia, é a lente que me acompanha sempre ao lado da ultra grande angular. As lentes deste tipo podem ser também utilizadas como substitutas de uma lente macro. Embora não produzam o mesmo nível de reprodução 1:1, são suficientes para registar aquilo a que se chamam paisagens íntimas, ou seja, pequenos detalhes da natureza num enquadramento mais aberto do que o mundo miniatura conseguido através de uma lente macro. Para ser sincero, também tenho uma lente macro, mas essa fica em casa na maior parte das vezes e não me lembro da última vez que a usei. Escolho, então, deixá-la de fora desta minha lista de essenciais. Lente no meu saco: Canon EF 70-200mm f/4.0 L IS USM.

 

Canon EOS 30D * Sigma 10-20mm F4-5.6 EX DC HSM a 20mm (APS-C)

Estas são as três lentes que deve equacionar ter no seu saco e as que normalmente deve transportar consigo sempre que possa. Mas qual delas deve comprar primeiro se estiver agora a começar?

A resposta a esta questão tem muito a ver com o seu estilo de fotografia. Eu, por exemplo, sou amante da fotografia de grandes espaços e a sensação de profundidade e diálogo entre planos é fundamental no meu trabalho. Para isso, preciso de uma ultra grande angular e é essa lente que me acompanha sempre, por vezes sozinha. Por outro lado, se é amante dos detalhes, a telefoto deve acompanhá-lo sempre. A sua visão perante a arte é essencial nesta escolha e, se tiver orçamento para apenas uma, deve concentrar-se neste ponto antes de fazer a sua escolha. Depois, à medida que for evoluindo e criando novas necessidades pessoais, poderá ir juntando ao seu arsenal novas opções que lhe permitirão novos estilos no âmbito da sua própria fotografia. Mais uma vez, atendendo à minha convicção pessoal, é preferível comprar a melhor lente que o seu orçamento permita, para associar a um determinado estilo dentro da paisagem natural, do que comprar duas menos boas para que possa abraçar dois estilos. Desta forma, não sentirá que o seu investimento foi em vão quando perceber que a qualidade das lentes que adquiriu já está aquém daquilo que almeja.

Tripé

Para terminar a lista de equipamento essencial ao fotógrafo de paisagem natural falta adicionar o tripé. O tripé, muitas vezes descurado por alguns, é peça chave na obtenção de imagens de elevada qualidade. O entusiasta de fotografia típico tem a noção – errada – de que a escolha da câmara é o factor número um a ter em conta no que diz respeito à qualidade da imagem.  Na realidade, a escolha da máquina a utilizar é talvez o menos importante dos três que apresento neste artigo, quando estamos a falar na qualidade final da imagem. Uma câmara barata montada sobre um tripé firme terá sempre a possibilidade de produzir melhores imagens do que uma câmara de topo “segura” por um tripé que baloiça…

Na fotografia de paisagem natural, a utilização de tempos de exposição longos impossibilita a realização de imagens sem o recurso a um tripé. A utilização das aberturas de maior qualidade das lentes já apresentadas, e que na maior parte das vezes se situa no intervalo f/8 a f/16, implica também a utilização de exposições não compatíveis com a trémula mão humana. Além disso, experimentar fazer uma boa fotografia ao nascer ou por do sol sem o uso de um bom tripé é tarefa impossível. Um tripé permite ainda concentrar o fotógrafo no cenário que tem perante si e dar-lhe o tempo necessário para pensar no melhor enquadramento da realidade natural que tem de “aprisionar” no visor da sua máquina. Como podemos ver, a qualidade da imagem está muito dependente do tripé que se usa, por isso não olhe a meios para comprar o melhor que o seu orçamento possibilitar.

 

Canon EOS 30D * Sigma 10-20mm F4-5.6 EX DC HSM a 10mm (APS-C)

Normalmente, os tripés são adquiridos sem a cabeça que suporta a máquina. Para o “trio de pernas” há que ter em conta os seguintes aspectos:

  • Quanto mais leve melhor, mas não sacrifique a qualidade pela leveza. Materiais como o carbono absorvem melhor a vibração do que o metal e são muito mais leves, isto tudo sem sacrificar a robustez. Tenha em atenção o peso que tem de suportar (corpo mais lente) e some 2,5kg de reserva;
  • Se vai fotografar na praia (e em Portugal vai de certeza) evite os tripés que usam trancas por torção. Estas tendem a estragar-se com a areia e a água, mesmo as de marcas prestigiadas como a Gitzo. Prefira as de mola que, embora sejam mais lentas a fechar/abrir, duram anos no nosso meio ambiente;
  • Deve ter um gancho para pendurar um objecto pesado (por exemplo a mochila) para aumentar a estabilidade nos dias mais ventosos;
  • Uma bolha de nível na base da câmara é fundamental para manter o tripé nivelado para fotografar panoramas;
  • As pernas devem abrir independentemente umas das outras e poder ser estendidas ou encolhidas de forma independente também. Por esta razão, não deve haver qualquer ligação entre as três pernas;
  • Se puder comprar um tripé de 3 secções será preferível. Alem de serem mais rápidos a montar, são mais estáveis. Têm no entanto a desvantagem de ser mais longos quando recolhidos.

A cabeça que suporta a máquina deve ser escolhida tendo em conta o equipamento que esta vai suportar. Deve pesar o corpo e a lente mais pesada que vai usar (adicionando uma margem de segurança para acessórios) e adquirir uma cabeça certa para o peso indicado. Existem vários tipos de cabeça, desde bolas hidráulicas, joysticks, manípulos que permitem regular os vários ângulos… A minha preferência vai para as do tipo bola que permitem uma maior liberdade na escolha do ângulo e um manuseamento mais rápido. Deve escolher uma cabeça que permita a rotação da máquina na horizontal (panning) e nos restantes ângulos e que tenha uma placa de ligação à máquina de rápida libertação (quick release plate). Os botões de controlo devem também ser rápidos de operar, visto que vão ser usados milhares de vezes. Se puder, experimente a cabeça antes de a adquirir.

No que diz respeito à altura do tripé, é muito importante que a combinação tripé/cabeça faça com que a sua máquina chegue ao nível dos seus olhos sem a necessidade de elevar a coluna central. A minha experiência diz-me que isto é muito importante. Durante alguns anos usei um tripé que não tinha esta característica e fui confrontado com situações no terreno que exigiam um ângulo de visão superior.

Actualmente, utilizo um Manfrotto 055CXPRO4 que é feito em carbono e uma cabeça 488RC2. Este tripé é leve o suficiente para o levar comigo nas minhas caminhadas de horas, onde tenho de subir terrenos muito inclinados e onde convém caminhar leve, ao mesmo tempo que me dá a segurança necessária no que diz respeito à firmeza com que suporta o meu equipamento.

Recomendações: Manfrotto, Slik, Velbon (tripé); Kirk Ball head BH-1, Acratech, Really Right Stuff BH-55 (cabeças), entre outros.

Apresentadas que estão as três peças fundamentais a figurar na lista de equipamento de qualquer fotógrafo de paisagem natural, não se esqueça que, antes de puxar do cartão de crédito, é fundamental definir quais são os seus objectivos em termos fotográficos e qual a sua visão perante o mundo que o rodeia. O equipamento deve submeter-se à sua arte e não deve ser este a fazer tocar a orquestra. E lembre-se, o equipamento mais importante para a prática desta apaixonante actividade já viaja consigo: os seus olhos.

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Luis Afonso

Luís Afonso nasceu em 1972 e reside actualmente em Lisboa. Comprou a sua primeira SLR em Janeiro de 1997, mas foi apenas em 2005 que começou a fotografar com mais intensidade. Já publicou as suas fotos em várias revistas e jornais portugueses, bem como na mais prestigiada revista Checa de fotografia. Também já foi premiado pelas suas fotografias de natureza. A sua primeira exposição a solo teve lugar em 2009 em Inglaterra. Desde 2008 dedica-se exclusivamente à fotografia de paisagem natural.

15 Comentários

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  • boas… estou prestes a viajar pela 2a vez para Iceland e da 1a vez que la estive usei a lente que veio com a minha Nikon D3200 (18-55mm) …senti uma certa limitação na maioria das vezes em que queria capturar algo mais panorâmico e como ja deves saber la a paisagem e de ir as lagrimas…desta vez estou pensando alugar uma lente boa para paisagem,não e preciso ser nada prime basta ser melhor que a minha actual…o que recomendas?

  • Olá Luis.
    Fantástico o seu texto. Obrigado por disponibilizá-lo para nós leitores.

    Tenho um Nikon D7000 com uma lente 18-105mm DX VR. Viajo para a Africa do Sul e gostaria de saber se conseguirei boas fotos da paisagem apenas com esta lente.

    Obrigado pela atenção.
    Daniel

  • Marcos, a razão pela qual apenas uso lentes de f4 é simples. Em primeiro lugar são muito mais baratas do que as suas congéneres f2.8 e a relação qualidade/preço é muito maior. Depois, como fotográfo 100% das vezes com tripé raramente desço abaixo da abertura f8, por isso não necessito de f2.8 na fotografia que faço. Eu não faço fotografia de animais e para macros uso a 105mm f2.8. Abraço

  • Sérgio, dei uma vista de olhos ao seu site e tenho a dar-lhe os parabéns pelo seu trabalho. Tem fotografias de muita qualidade. Continue a deixar-se cativar pela natureza e a registar a sua beleza. E não se esqueça de ser cada vez mais crítico do seu trabalho, pois só assim conseguirá evoluir.

  • Kiko, peço imensa desculpa por só agora responder à sua questão… Eu nunca experimentei a 16-35mm, mas pelas críticas que já li e pelas palavras que já troquei com um técnico aqui de Lisboa que faz assistência à Canon, tudo me leva a crer que a 17-40 é uma melhor compra que a 16-35. Em termos de relação qualidade-preço não tenho a menor dúvida, a 17-40 é sem dúvida a melhor opção. Mas se quiser ler uma boa comparação experimente aceder a este site: http://www.luminous-landscape.com/reviews/lenses/…. Quanto à lente para retratos, qualquer uma das duas serve, desde que possua uma full-frame. A 85mm da Canon é uma lente de referência. Eu já usei a 100mm e também é muito boa em retratos e como é macro torna-se mais versátil. Mas a 85mm L da Canon é realmente um sonho de lente.

  • Olá Marcos, já que o Luiz não respondeu à minha pergunta, gostaria de saber se essa 17-40 é realmente boa ou se vale cada centavo adquirir a 16-35 2.8

    Quanto a 100 2.8 macro, diga uma coisa: ela serve para retratos também ou melhor seria a 85 1.8?

    Abraço,

    Kiko

  • Concordo q as lentes são fundamentais, mas pq tantas opções por f4 ao invés das 2.8?

    Seria pelo peso da lente ou pelo peso no bolso?

    Eu tenho a 17-40 e a 100 macro. E tb fotografo natureza. A q deixo em casa é justamente a 17-40 e a macro é a minha queridinha. A 70-200 é muito util com tubos de extensão (ai fica show) e se o interesse for por animais, não deixem de atentar para a 100-400, que tb esta no saco da maioria dos fotógrafos.

    E ainda atentem para a 8-15 da canono q acabou de sair.

    Esta tb vai para o meu saco

  • Moro em Porto Velho-Rondonia (Amazonia) e há mais de 15 anos que fotografo a natureza amazônica. A nossa Amazônia é a coisa mais bela que e3xiste na Natureza. Não tenho equipamento de ponta; porém produzo excelentes imagens. Caso houver interesse em vê-las, mandarei prá você.

  • Olá Luis, parabéns pelas fotos e obrigado pelas dicas. Vi que usa muito a lente 17-40. Sabe dizer-me se a qualidade da 16-35 2.8 seria muito melhor ou pelo preço não compensaria?

    Abraço e até o próximo post.

    Kiko

  • Viva Luis.

    Belo artigo, bem estruturado e com infolmação extremamente útil.

    Não sei se irá aborbar mais algum artigo sobre equipamento essencial para a fotografia de paisagem, de qualquer forma deixo a sugestão de um artigo sobre os filtros.

    Visualizei no seu site e gostei bastante das fotografias. Os meu parabéns.

    Abraço

  • Caro Adelino, obrigado pelas simpáticas palavras.
    Não querendo estragar a surpresa, digo-lhe apenas que este capítulo I – “Equipar-se a Rigor” – da minha série “Admirando a Paisagem” ainda vaí ter mais dois artigos. Quem sabe se num deles não há espaço para falar de filtros? ;)
    Abraço