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Câmera fotográfica: como escolher? — parte 1 4/5 (27)

Como fazer para escolher a sua máquina fotográfica entre tantas à vista?

Você certamente já passou por esta cena, ou viu alguém passar: a fim de comprar sua 1ª máquina fotográfica, ou trocar a atual, viu-se frente a inúmeras opções de variados tamanhos, uma porção de marcas e opções mil de acessórios, preços, megapixels, recursos… E percebeu que precisava talvez de um especialista para destrinchar todo o emaranhado. A má notícia é que, sim, assim como parecem, as opções de modelos de câmera, objetivas e etc são mesmo muitíssimas; a boa é que existem pontos comuns na grande maioria delas, e existem maneiras de encontrar as alternativas que atendem a seus desejos fotográficos, e não é preciso um especialista para dar uma boa peneirada no mundo das infindáveis máquinas fotográficas e dar bons passos para escolher a sua.

Até onde sabemos, não há um método rápido e bem simples para comparação de câmeras e diferenciação de câmeras boas e ruins. Ainda mais hoje em dia, com n recursos que não existiam há 10-15 anos, e esta evolução torna a comparação entre modelos semelhantes cada vez mais minuciosa. Por sinal, as câmeras andam cada vez mais semelhantes, e é preciso prestar atenção nisso, para não terminar se arrependendo ao fazer sua compra — principalmente se estiver comprando pela Internet, e não em loja física.

Seguir apenas a fama da marca não é boa ideia, visto que uma marca pode ser muito conhecida tanto pela sua eficácia quanto por suas numerosas propagandas, e mesmo boas marcas como as comumente utilizadas pelos profissionais podem cometer erros e produzir câmeras mal vistas por admiradores da companhia (e odiadas por profissionais que sofreram danos). É chato dizer isso, mas não existe marca boa, o que existe é câmera boa.

A seguir damos algumas dicas práticas de como embrenhar-se nesse mundo sem perder-se em meio a tantas informações desconhecidas ou modelos similares. Esperamos conseguir dar uma boa ajuda neste artigo — e, como sempre, disponibilizar os comentários para as dúvidas que sobrarem (que podem até, caros leitores e leitoras, contribuir pro texto!). Vamos lá?

Ah, antes de mais nada, um alerta: evitem considerar as informações que apresentamos aqui como imutáveis. No mundo da tecnologia (e a fotografia está inclusa) o que hoje é ‘lei’ ou fato aparentemente inalterável amanhã poderá ser passado. O mercado fotográfico está repleto de exemplos, assim como a História: lembrem-se do que acontece entre seguidores de ‘livros sagrados’. Aviso dado, prossigamos com nossa liturgia, digo, nosso guia.

foto: Junpei Abe, via Flickr

F/stop, shutter speed, bokeh, fps… quê?!

O primeiro truque é saber do que os fabricantes estão falando quando mencionam abertura, velocidade e etc. Para isso, vale ter em mãos um dicionário da linguagem do mundo fotográfico, um glossário como o que já publicamos aqui 1, ou um site com lições em linguagem bem acessível — indicamos alguns nos links de apoio 2.

Curiosidade sem busca de respostas é péssimo e contraditório, daí convém lembrar que boas informações hoje em dia são abundantes pela internet. Não custa procurar por ela pela web (e, antes ainda, no manual de sua câmera 3) — evite perguntas como “o que é abertura de diafragma?” para pessoas que já passaram há muito desse estágio e não estão sendo pagas para ensinar-lhe, ou se a a/o professor(a) não está dando aula de noções básicas, pois não são todos que têm o tempo, a paciência e a humildade para explicar. Por outro lado, se estiver em um curso básico de fotografia, não engula essa dúvida, solte-a sem vergonha alguma!

Quantidade de megapixels não define qualidade

Essa lenda de que mais MPs = melhor qualidade nasceu nos primórdios da fotografia digital, quando as câmeras tinham poucos megapixels e estes raramente tinham capacidade para boas impressões de fotos 10x15cm (cerca de 2MP bem definidos, o que as primeiras digitais não tinham). Fotojornalistas e fotógrafos de publicidade deviam adorar quando surgia um modelo que permitisse uma foto que pudesse ser capa do jornal ou ilustrar um anúncio sem sacrifícios na qualidade, ansiosos para quem sabe um dia utilizá-lo em seu trabalho.

Hoje essa corrida pelos megapixels e toda a ênfase dada a ela é enganosa e omite detalhes importantes na qualificação de câmeras, como os que citarei a seguir. Por isso, e não pelos milhões de pixels isoladamente, eu não compraria, por exemplo, uma típica câmera anunciada numa propaganda incessante da TV, que filma, fotografa, grava áudio, toca mp3, 4, 5, faz barba, cabelo e bigode com, digamos, 15 (supostos) megapixels, enquanto que uma Fuji GFX de 50MP, sim, eu compraria (se dispusesse de dinheiro, claro). São câmeras que diferem em várias coisas, não apenas nos pixels capturados e entregues.

Para ficar num exemplo bem mais acessível, basta verem a diferença entre as imagens de uma Sony NEX-3 (14.2MP) e uma W370 (14.1MP) da mesma marca em ISO 3200 4. Ambas da Sony e quase os ‘mesmos’ megapixels, mas resultados bem distintos! Aliás, essa sensibilidade ISO 3200 é a máxima da W370 (a NEX vai além), e um comparativo nesse nível serve para mostrar como em ISOs altos as boas câmeras podem diferir bastante das câmeras feitas para serem apenas ‘o lançamento da semana’ daquela marca que meio mundo fala, mas poucos verificam se é mesmo boa para o que tem em mente — seja que marca for, não pretendo de modo algum alfinetar alguma aqui). Ainda com as imagens abertas? Notem como a imagem da NEX-3 é bem menos manchada, limpa, e não apenas bem definida em relação à da W370.

E falando em mais ou menos pixels, publicamos já aqui no DG um texto bem claro sobre a questão, que deixarei recomendado ao final desta parte 5.

E o tal do zoom?

Já que falei em lentes, vale citar o fator zoom. Ter um zoom fabuloso nem sempre é uma ótima ideia, e isso vale tanto pra câmeras aponte-e-dispare (point-and-shoot) quanto pra quem usa DSLR top de linha, pelo mesmo motivo: lentes com maior capacidade de zoom costumam ter mais elementos ópticos e todos precisam atender a todas distâncias focais, o que por vezes acarreta em menor nitidez na imagem (exemplo grosseiro: olhe pelo lado de um copo, depois faça o mesmo com copos encaixados e repare na diferença).

Só conheço uma objetiva que cobre basicamente o mesmo que uma câmera superzoom e mantém uma qualidade bem decente (ou assim me parece): a 28-300mm da Canon 6. Mas passar de uma compacta pra uma DSLR somente para usá-la não vale a pena, pelo seu peso de mais de 1,5kg e o preço de mais de 5 mil reais — e isso usada! Juntando esses fatores de avaliação as aberturas máximas que ela possibilita, vê-se que seria mais vantajoso adquirir, por exemplo, uma 24-105 e uma 70-200mm, ambas f/4 e da série L (premium da Canon).

Para câmeras super compactas não existem lentes ‘compráveis’. O que existe são adaptadores para usar lentes ou apenas filtros junto com as lentes próprias da câmera. Se quiser ter a possibilidade de trocar de lentes de diferentes aberturas, zooms, pesos, tamanhos, o mínimo que deve cogitar adquirir é algo como uma NEX da Sony (a já citada NEX-3 ou a NEX-5) ou uma câmera do tipo micro-quatro terços (micro four thirds) da Olympus ou Panasonic 7 ou possivelmente um modelo mais compacto da Fuji (caso da X-A3, da X-M1).

Outra ‘casca de banana’ para quem está escolhendo sua câmera é o famoso zoom digital. Este zoom deve ser evitado, por ser um processo totalmente artificial em que a câmera obtém uma aproximação extra através de interpolação do centro da imagem capturada já no limite do zoom óptico. Ou seja, a câmera extrai uma área central desta imagem e através de semelhanças entre pixels tenta preencher espaços vazios deixados pelo “espalhamento” do pixels que antes não preenchiam todos megapixels da câmera (por serem de apenas uma parte central da imagem). E assim tem-se em geral uma imagem bastante ruim.

Por isso que algumas câmeras atualmente reduzem os megapixels ao ser utilizado o zoom digital – a câmera que faz isto não é enrolação da marca, pelo contrário, é um pequeno exercício de honestidade. ;)

Os extras

Nunca se esqueça de cotar os preços dos possíveis extras: lente(s), filtros, flash, cabo(s), parasol, protetor de LCD, proteção contra água/quedas e etc. Definitivamente não dá certo investir os tubos só na câmera e ignorar o restante: melhor deixar a poupança folgar um tanto antes para precaver-se das necessidades que possam ser percebidas com o tempo. E, claro, para não terminar percebendo depois da hora que a brincadeira que planejava é mais cara do que pensava.

Para cotação de preços, vale consultar boas lojas, tanto físicas quanto virtuais (as últimas são mais práticas, pela acessibilidade). Uma loja que eu pessoalmente recomendo é a D&M Photo 8.

…and one more thing!

Algo que também não pode ser esquecido é o seguro. Este se faz cada vez mais importante à medida que crescem os investimentos em seu equipamento de fotografia (e a insegurança em sua região — infelizmente as cidades nem sempre crescem direito) — trate de consultar uma boa seguradora antes de comprar uma câmera que vai lhe custar um bom quinhão de suas economias 9. Aliás, se puder, consiga um orçamento com a seguradora dos vários modelos/combinações que tem como candidatos e ponha o preço do seguro no seu orçamento, à medida que estiver analisando a compra de uma candidata.

Na próxima parte, indicarei onde comparar e principalmente por onde exatamente começar as comparações e peneiradas em busca da câmera da vez.

 

A parte 2 já está no ar, vejam aqui!

Links de apoio — 1ª parte:

  1. Nosso glossário fotográfico, por Adriana Cecchi (do Redatora de Merda)
  2. Sites de linguagem acessível que indicamos: o Dicas de Fotografia, o Papo de Fotógrafo, o Canon College, a versão em português do Nikonistas, iPhoto Channel (valeu Petrocco pela ajuda!) Mais: canais no YouTube legais para fotógrafos iniciantes ou mais avançados: Coisa de Fotógrafa, Dupla Exposição, Cara da Foto, Foto Dicas, Zona da Fotografia
  3. Não deixe de ser curioso, leia o manual de sua câmera
  4. Comparativo rápido entre câmeras Sony de 14MP: W370 x NEX-3 (ambas em ISO 3200)
  5. Mais ou menos megapixels? De quantos megapixels você precisa?
  6. A objetiva Canon 28-300mm f/3.5-5.6L IS USM (link oficial)
  7. Lista de câmeras Micro Quatro Terços (Wikipedia)
  8. Site da D&M Photo: http://dmphoto.com.br
  9. Nossa série sobre seguro de equipamentos fotográficos

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

Também estou no blog da D&M Photo.

10 Comentários

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  • Bom começo, mas agora vi minhas pretenções de adiquirir minha camera “DSLR” mais complicado. Quando tinha minha reflex de pelicula nao me preocupava com nada alem da qualidade do laboratorio que revelava minhas fotos. Vou continuar lendo para então ver se chego a alguma definição?

  • Olá! Excelente artigo. Veio de encontro à minha dúvida nesse momento.
    Minha fotografia está voltada pra paisagem e retratos.
    Gosto de muita definição na imagem. Gosto de observar cada pequeno detalhe bem capturado
    com nitidez e definição.
    E estou com essa dúvida… entre Canon, Nikon e Sony, que são as mais populares.
    Meu sonho maior de consumo é uma Hasselblad, uma Leica Monochrom (adoro P&B) enfim…
    só sonho pq essas máquinas são absurdamente caras (pra nós, simples mortais brasileiros…)

    Além da câmera, há ainda que se considerar as lentes – tão importantes quanto as próprias câmeras.
    Também são caríssimas…
    Mas fico no aguardo de um artigo também sobre lentes!

    Obrigada!

    • Uma bela opção seria adotar uma Sony A7R II ou uma RX1R II, ambas de 42MP. Não sairia barato, mas ao menos seria bem menos custoso do que uma médio formato.

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