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Review do filme “O fotógrafo de Mauthausen”

Embora não tão conhecido, o campo de concentração Mauthausen é digno de nota. Aos menos para fotógrafos(as)

Onipresente em listas de recomendações audiovisuais para fotógrafos, a série Tales by Light, produzida pela Netflix (em parceria com Canon e National Geographic), mostrou, desde sua primeira temporada, a competência da rede de streaming em atender um público mais específico — no caso, dos praticantes da fotografia. Não foi a única produção do tipo nem a primeira, assim como não deve ser a última.

Produções mais documentais, no entanto, serão sempre minoria no imenso catálogo: a especialidade da casa são os filmes ou séries que contem mais uma história do que um estudo ou compilação biográfica. Assim sendo, não é de se espantar a chegada d’O fotógrafo de Mauthausen. O mais novo lançamento, aliás, carrega não apenas a dramaticidade de um Mil vezes boa noite (2014) como também o peso da reflexão em McCullin (2012). É possível fazer até um leve paralelo com A fotografia oculta de Vivian Mayer (2013), onde a protagonista começa a ser vista mais atentamente pelo mundo após sua morte.

Assim foi com Francisco Boix, ex-combatente em grupo socialista catalão que, após uma série de acasos um tanto infelizes, tornou-se prisioneiro dos nazistas na França, indo parar afinal no campo austríaco Mauthausen. Aproveitando experiências anteriores como repórter fotográfico e imensa sorte numa oportunidade, teria trabalhado no laboratório com um oficial das forças alemãs, sua contraparte na história. A história (real) foi relatada em 2015 no livro El fotógrafo del horror, de Benito Bermejo, sendo exibida no filme três anos depois. 

O filme, por sua vez, é repleto de dualismos, parte enredo possivelmente criado para a produção; parte percepção por entre os fatos. O primeiro deles é justamente o contraponto entre o fotógrafo nazista e o fotógrafo prisioneiro do campo, quase confundindo a quem refere-se o título. A esse seguem-se vários outros, apoiados nesse antagonismo.

A cumplicidade e a responsabilidade de um fotógrafo. Fotos como extrato da realidade versus a visão de que “a realidade não existe”. A fotografia como narrativa criada ou um registo de memórias. Por fim, retratos do horror utilizados em ato de redenção. Uma bela produção com uma ótima história recheada de sutis reflexões filosóficas sobre a natureza e o valor da fotografia. 

Desde já obrigatório no repertório cinéfilo daqueles e aquelas que amam essa arte.

Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

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