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Review: Fujifilm X-M1 – parte 2 0/5 (1)

Continuando o review da Fuji X-M1, vejam aqui mais diferenciais da câmera, impressões de uso e apps.

Na parte 1 deste review sobre a câmera X-M1 da Fujifilm comentei como há câmeras menores hoje em dia que são tão boas quanto câmeras mais “profissionais”, sendo esta aqui uma das compactas notáveis no mercado atual. Agora, veja um pouco de como é usar esta câmera e explorar, por exemplo, seu ótimo desempenho em ISO alto.

Valem aqui duas observações aqui quanto à questão ISO na X-M1:

Uma é um alerta e refere-se ao uso de ISOs altos, que muitas vezes pode ser superestimado, tornando-se um dos provocadores da chamada Síndrome de Necessidade de Comprar Equipamentos (SNCE ou equipamentite aguda). Para entender bem a questão e desfazer o mito de que nunca uma imagem com “sujeirinhas” é boa, recomendo dois artigos do Dicas de Fotografia, um sobre o que é ruído e como lidar com ele, e outro sobre uso de ISO alto sem medo.

A outra observação refere-se ao ISO automático. Embora a extensão do mesmo seja muito boa, ela não é como a de uma DSLR full-frame nem é personalizável. Explico: o limite é de 6.400 e não pode ser alterado. Logo, necessitando fotografar em ISO mais alto, é preciso sair do auto ISO e alterá-lo manualmente, seja pelo menu ou pelo botão Q, que por sinal, funciona à mesma maneira que o botão de mesmo nome das DSLRs Canon. Não sei quem copiou de quem, mas foi bacana ter esse botão na Fuji, que na G1X, minha compacta anterior, não existia.

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Outra diferença em relação à G1X é a ausência de visor ótico. Mas nesse caso, há uma ressalva: o viewfinder da G1X não é perfeitamente utilizável, com um severo erro de paralaxe, e assim acostumei-me a não utilizá-lo. Assim sendo, ao buscar por uma nova compacta, não fiz questão alguma de que houvesse um visor ótico, por já ter me habituado ao uso do monitor. Não me arrependi, por dois motivos: o LCD da X-M1 é grande, mostra bem as cores e ainda existe na Fuji o ótimo recurso de focus peaking para auxiliar na focagem manual, e obviamente é bem mais interessante focar manualmente com auxílio do LCD e um recurso como este do que na maioria dos viewfinders (não experimentei ainda o de uma Fuji X-Pro1, por exemplo). Falo um pouco mais sobre o focus peaking adiante.

Mas, afinal… e quanto a fotografar com a Fuji X-M1, qual a sensação, na prática? É bem interessante, ainda que com ressalvas.

Ligá-la é rápido: não há botão para apertar e segurar, seu on/off é no mesmo estilo de boas DSLRs, e logo após alterná-lo ela está pronta — pode ocorrer apenas uma limpeza de sensor ao ligar, mas esta limpeza pode ser desativada, para ocorrer apenas ao desligar. Nada como ter uma câmera que fica logo preparada para horas cruciais, sem propaganda da marca ao inicializar, ou algum atraso. Curti bastante isso!

Como eu já explicitei na parte 1 deste review, não há o que temer quanto ao uso de ISO alto nesta Fujifilm, pois ela definitivamente está milhas à frente das antigas Fujifilm com sensores minúsculos — vide a foto abaixo, produzida com ISO 6400 e finalizada com um corte mostrado logo após. Mas isso em termos de imagem limpa — e quanto ao disparo, por exemplo? Não é discreto, tenho que admitir, é meio barulhento. Não espere, portanto, a discrição de uma Canon 6D em modo silencioso. Por sinal, a X-M1 possui um modo silencioso, mas este refere-se ao desligamento do flash e da luz auxiliar de foco, não há redução, que eu tenha percebido, no ruído do clique, que especialmente quando na velocidade máxima da câmera — de 5.6fps, bacana, por sinal — torna-se bastante indiscreto se você for fotografar num teatro, por exemplo (lembrando que nem sempre é permitido clicar durante espetáculos), já que pessoas próximas podem ficar incomodadas com o ruído ao disparar. É possível que isso seja apenas característica da objetiva do kit, não da câmera em si, mas de qualquer forma, para Nada que manter cerca de 1,5m de distância de pessoas próximas não resolva, quando for possível fazê-lo, mas fica o aviso.

Eclética Times Squarefoto: Alexandre Maia

Captura de Tela 2013-12-21 às 00.35.37 - red

Outros dois pontos interessantes quanto a fotografar com a Fujifilm X-M1, ambos detalhes que em certas situações podem fazer uma diferença crucial: um é a possibilidade de configurar uma velocidade mínima de disparo, quando em Auto ISO, para o caso de se estar fotografando com velocidade não especificada (ou seja, deixando que a câmera decida que tempo de exposição será usado na exposição da fotografia — modo A, por exemplo); o outro ponto é a gama dinâmica (dynamic range), que não só pode ser expandido como sua expansão pode ser, assim como o ISO, automatizada, de forma que a câmera suba seu índice DR (100 a 400, passando pelo 200) quando a cena tiver um contraste grande entre as áreas sombreadas e as mais iluminadas no quadro.

Por sinal, a gama dinâmica personalizável da X-M1 é apenas um dos pontos que tornam essa pequena câmera fantástica em termos de captura de luzes e entrega de imagens. Junto com a DR, a configuração de altas-luzes, sombras, nível de colorido e nitidez, a DR expansível torna a câmera que à primeira vista poderia parecer para amadores uma câmera bastante interessante mesmo para profissionais exigentes. Sem dúvida um dos grandes destaques deste modelo.

Um fator que pode ser meio decepcionante para uns e para outros pode ser um trunfo é o pequeno flash pop-up. Por um lado é positivo que ele exista, ao menos, e possa ter sua potência configurada (além do que a câmera regula — e sim, ela regula), além de poder ser disparado mais rebatido. Por outro lado, sempre vão existir os que não vão ver utilidade nos pequenos flashes, mesmo presentes em DSLRs, ou vão dar atenção demasiada ao detalhe de que o flash da X-M1 não vira para cima por si só, precisando de algo que o segure (seja seu dedo ou uma pequena gambiarra), ou ficarão simplesmente rindo do jeito como ele sobe (definição bacana de um amigo meu: parece um Transformer!). Fato é: o flash incorporado está ali, e ele é utilizável, se você não possui um flash externo e precisa de uma luz extra, mesmo que pouca e indireta, e saber usá-lo bem pode dar um up interessante em suas fotos, mesmo que — e especialmente caso — sejam apenas fotos casuais.

Quanto ao monitor, muito bom saber que tem a mesa quantidade de pontos do LCD de uma Canon G1X (920 mil), tendo esta última também monitor de 3”. Mas diferentemente da G1X e muitas compactas, seu monitor é do tipo tilting, e não totalmente articulado, ou seja, é possível posicioná-lo para cima e para baixo, mas não para os lados. No entanto, ainda é vantagem frente a várias mirrorless das mais novas, e equipara-se a outras — vejam comparativo com algumas. Obviamente é uma característica mais voltada a amadores, já que um fotojornalista de hard news, por exemplo, não costuma ter muito tempo para ficar ajustando ângulo de monitor. Quanto à fidelidade de cores, verificadas com auxílio de um Mac com tela Retina e o laboratório onde costumo mandar imprimir minhas fotos, achei boa, bem digna, mesmo com foto produzida em ISO considerável (de 12.800).

Falando em clicar e no monitor, uma das maravilhas da X-M1 é seu sistema de focus peaking, que realça de forma bastante nítida as bordas dos elementos em foco — como se pode ver foto abaixo (demonstrando o recurso com a capa do livro Composição, de David Präkel). Esta foto aí, por sinal, foi só para demonstração (não dei o clique), mas abaixo dela está uma outra que tirei testando na prática o uso de um adaptador FotodioX e uma Canon EF 50mm f/1.4 USM*¹, feita à mão (sem tripé). Não tive grandes dificuldades em fazer uso do auxílio de foco bastante claro e preciso da Fujifilm. E é sempre bom lembrar que quem produz vídeos costuma usar mais o foco manual, e ter um realce de pico de foco (como é chamado o focus peaking no menu em português) auxiliando nesta tarefa é de uma ajuda imensa.

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Foto realizada com focus peaking em Fujifilm X-M1 + Canon EF 50mm f/1.4 adaptadafoto: Alexandre Maia

Sobre vídeo, esse recurso está lá, como já é quase de praxe nas câmeras compactas (nas DSLRs, nem tanto). É possível gravar até em Full HD (1080p, 30fps) e a focalização pode ser tanto manual quanto automatizada para a cena em geral, ou centralizado. Assim como nas fotos, as cores são bem captadas. E é sempre possível gravar um vídeo, bastando apertar o já padrão botão vermelho de REC — não existe no dial de modos de captura um específico para vídeo. Como o DG não é um site sobre a área, e sim sobre fotografia, deixo impressões mais detalhadas para os especialistas. Mas fica aqui um curta-metragem que encontrei, feito, diz a descrição, com uma X-M1 — chama-se Spring.

Visualizar as fotos já gravadas é fácil como deve ser, inclusive para ampliar ou reduzir na tela. Por outro lado achei um pouco estranho a redução de fotos visualizadas passar de 4 a 9 e daí já para 100, o que torna prático pular muitas fotos, mas não tanto quanto poderia ser, se o número não fosse tão ampliado e/ou a miniatura da foto selecionada no momento fosse um pouco maior. A “reciclagem” dos menus de modelos não tão novos (como a HS20, de 2011) pecou um pouco nesse ponto. A definição ajuda bastante nessa hora, mas não resolve de todo uma decisão que não foi tão bem acertada, a meu ver.

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A transmissão via wifi, um dos motivos porque optei pela X-M1 em detrimento de outras, como a X-E1 (na época não havia a X-E2 ainda), é fácil e rápida, pelo que constatei. Assim como na Canon EOS 6D, não é necessário roteador intermediando a comunicação smartphone-câmera e é possível tanto enviar (upload) da câmera quanto “puxar” as fotos (download) pelo celular. O download é feito com o auxílio de um dos aplicativos da marca, o Fujifilm Camera Application, gratuito e disponível na iTunes Store (iOS) e na Play Store (Android).

O mesmo app é usado para georreferência indireta, captando a informação do GPS do celular e repassando para a câmera, que marca o local na foto. Definitivamente não é tão prático quanto ter um GPS embutido na própria câmera, e não creio que a Fujifilm tenha deixado de incluir um do tipo por falta de espaço, já que a Canon já incluiu esse tipo de recurso em compactas mais modestas como a PowerShot SX280, e a própria Fujifilm já deu seus passos na área. Creio ser por questão de patente, apenas.

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Existe ainda o Fujifilm PhotoReceiver, também disponível na iTunes Store e na Play Store, muito útil para quem gosta de passar fotos de um dispositivo a outro (para um amigo, por exemplo), especialmente se os dispositivos forem de sistemas distintos — quem usa um “iDevice” sabe como é frustrante não poder se conectar via bluetooth com seu amigo que usa Android. A pessoa que vai receber a(s) foto(s) instala em seu portátil e você envia de sua Fuji com WiFi para o dispositivo, fácil. É basicamente o fim do “depois tu me manda por e-mail as fotos, né?!”

Somado a esses aplicativos para gerenciar via celular as imagens que estão na câmera, existe ainda um outro bem bacana com informações de câmeras da linha X, chamado Fujifilm X-Series — por ele é possível acessar manuais e infos gerais. Tem também dados sobre acessórios da marca. Lá tem, por exemplo, uma lista de objetivas utilizáveis com o M Mount Adapter, já citado na parte 1 deste review.

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Como se não bastasse, a Fujifilm latino-americana já disponibiliza em seu domínio páginas sobre os modelos da linha X, até as mais recentes. Tais páginas são bem completas, tanto com informações técnicas quanto práticas, incluindo manual de uso (a X-M1 não tem link para tal, mas o software MyFinepPix Studio está lá). E pelo que vi apenas uns poucos links bem específicos levam a páginas em inglês, o que demonstra um bom esforço da marca em atender bem aos seus usuários, possíveis ou já efetivos. A página dedicada à Fujifilm X-M1 é esta aqui.

Nós do Fotografia-DG temos já em nosso fórum um tópico voltado especialmente à Fujifilm X-M1, então se quiserem discutir sobre ela além dos comentários deste artigo, cheguem mais aqui! ;-)

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*¹: Ignorem uma certa perda de nitidez provocada tanto pelo upload da imagem no sistema do DG quanto o uso de adaptador que, mesmo sem elemento óptico, provoca alguma perda de qualidade, se usado em abertura máxima ou próxima disso.

Artigos recomendados para quem estiver inseguro quanto a comprar ou não uma nova câmera:

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

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4 Comentários

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  • Bem , depois de praticamente 3 meses , devo confessar que estou impressionado com a qualidade da câmera . EXTREMAMENTE leve , com uma bateria de excelente duração , e uma qualidade de imagem EXCEPCIONAL , além de muito discreta , a camera se sai muito bem em qualquer situação . Já estou com a terceira lente … 16-50 do kit , 14 f 2.8 equivalente à uma 20mm e a 35 f 1.4 … essa em especial , piece du resistance do sistema fuji X . A câmera é fantastica MAS não substitui uma DSLR , mas complemente com chave de ouro . Um abraço a todos .

  • Recebi a minha XM 1 com uma 16-50 …. minha primeira impressao foi de um equipamento extremamente fragil . Reconheco que a culpa PODE SER que seja minha pois estou acostumado com aco e aluminio e sei que existem plasticos com resistencia igual a esses dois materiais . A lente e muito leve , e tambem usa plastico demais para o meu gosto MAS a qualidade de imagem ficou bem acima do esperado . O visor e grande mesmo para quem e meio ceguinho como eu , e o programa da camera muito facil , mesmo para velhinhos como eu . Gostei muito dos resultados ate agora , e ainda estou tentando entender por completo a logica da camera . O auto focus e bem rapido e o enquadramento com aquele visor enorme realmente facilita demais . E uma camera bastante discreta e leve , muito leve , propria para se colocar no bolso do paleto ou se nas maos , voce sempre estara praticamente desapercebido . Mas , nao e uma camera para quem queira rapidez , mas sim para quem quer ser discreto . Nao acredito que ela possa substituir uma DSLR mas sim , complementar o equipamento e a vida do profissional . Infelizmente , as lentes sao excessivamente caras , o que com certeza deve diminuir um pouco o interesse pelo equipamento . No meu caso em particular , considerei a compra como tendo sido BOA . Um abraco a todos .

  • Olá Alexandre.

    Estou pensando em comprar essa mirrorless, mas tenho uma dúvida. Você sabe se o auto foco dessa X-M1 é rápido? Pergunto isso pois na Cannon T3i, o auto foco é rápido quando utilizado somente o viewfinder, mas bem lento quando visto pela tela de LCD, e como a X-M1 não possui um viewfinder…

    Obrigado

    • Basicamente o tipo de foco da X-M1, assim como de todas câmeras mirrorless, é por contraste, enquanto que o foco das DSLRs é por detecção de fase — tem uma explicação sobre isso no texto "Mirrorless vs. DSLR", que vou pôr link abaixo. Por isso rola essa diferença entre focar pelo viewfinder de uma DSLR e focar por uma mirrorless, ao mesmo tempo que é semelhante com o foco pelo Live View, que tem basicamente o mesmo sistema de foco.

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