Review: Fujifilm X-M1 – parte 1 4/5 (1)

Mais um review de câmera por aqui, dessa vez fora da briga Canon x Nikon, mas nem por isso desinteressante!

Fujifilm X-M1 - kit

texto: Alexandre Maia
fotos: Alessandro Veeck (exceto assinaladas)

É, sem dúvida, um fato: as câmeras compactas hoje em dia não são mais sinônimo, necessariamente, de baixa qualidade, ou que esta seja insuficiente para propósitos de fotógrafos mundo afora, mesmo que profissionais com certo grau de exigência — que o diga, por exemplo, meu xará Alexandre Urch com seu premiado ensaio Everyday people*¹. Inclusive, recentemente traduzi um artigo de um outro fotógrafo, Barney Britton, sobre porque não faz mais tanto sentido obrigar-se a carregar uma DSLR para ter uma qualidade bem satisfatória (leia aqui), e assim como ele, o Dennis Berti teve uma boa experiência com uma Fuji X100S, clicando um casamento. Somando-se a estas demonstrações, existe ainda aqui no DG um artigo sobre compactas premium, que pode ser lido aqui.

Tive recentemente a oportunidade de viajar aos EUA e adquirir uma Fujifilm X-M1, para uso próprio e para fazer review aqui (ainda não recebo câmeras só para reviews, as Fujis seriam super bem-vindas). Mas antes de discorrer sobre ela, quero deixar claro que não pretendo deixar ninguém olhando feio para sua câmera atual, que talvez lhe atenda sem problemas em suas necessidades fotográficas. Digo de cara que gostei imensamente da X-M1, mas se não estiver bem certo de que precisa de uma câmera nova, passe nos artigos que vou deixar marcados no rodapé da parte 2, OK?

Para ser bem direto, Seguem os preços previstos pela Fujifilm quando perguntei-lhes, em meados de agosto:

X-M1 kit  com objetiva XC 16-50mm =  R$ 3.599,00
X-M1 corpo =  R$ 2.999,00
lente XF 27mm =  R$ 899,00

No final das contas, ela sairá mais barata, tanto o corpo quanto (e principalmente) o kit: a X-M1 já disponível para pré-venda na Loja Fuji (que, apesar do nome, é da Ponto Frio, atentem para isso), por preços um pouco mais módicos. O kit ficou R$ 300 abaixo da previsão e o corpo, R$ 100 a menos. [nota: nós do DG recomendamos pesquisar pela idoneidade de quaisquer lojas onde pretenderem fazer compras]

Captura de Tela 2013-12-14 às 18.07.11

Evidentemente quem esteve de olho nas notícias aqui no DG percebeu que depois da Fuji enviar-me a previsão de preços que havia feito, a marca ainda lançou a X-A1, a X-E2 e a XQ1, mas como eram lançamentos que ainda estavam por vir, não me foram passados preços/previsões. Nos EUA os respectivos preços eram, na época em que comprei e comecei a escrever estes comentários, de US$ 800 (o kit), US$ 700 (somente o corpo) e US$ 450 (a 27mm). Não vou julgar os preços previstos (ou, no caso de agora em relação à X-M1 em pré-venda) praticados pro Brasil, pois sabemos que os impostos aqui são bem onerosos, e além do mais o mercado brasileiro de câmeras mirrorless e as compactas premium em geral ainda não é tão consistente — a discussão de causa e consequência aqui seria longa, deixo para os comentários e/ou outro artigo. De qualquer forma, algumas outras da linha X já estão disponíveis para venda normal na Loja Fuji.

A primeira coisa que nota-se ao comprar a X-M1 é como sua caixa é compacta, bem menor que a de uma Canon EOS 6D, por exemplo. O corpo da câmera não acompanha de todo a impressão inicial, mas é apenas um pouco maior que uma Nikon 1 J3 e consideravelmente mais compacta que uma Leica M9 (fonte) e mais leve que uma Canon PowerShot G16 (e também a M9 – fonte) — na foto seguinte veja-a comparada a uma Canon 110D/SL1 com uma 40mm pancake. Quanto à portabilidade, achei semelhante à de uma Sony NEX, porém com uma “pegada” menos chata (já “degustei” uma NEX C3) e uma objetiva um pouco menos desproporcional à câmera.

 IMG_1065

Aqui uma nota: comprei meu exemplar da X-M1 todo preto, mas existem também outros modelos. No entanto, todos, de uma forma geral, possuem um ar retrô, lembrando bastante câmeras de filme 35mm, inclusive até mais do que as XE (como a recente XE-2, já citada), ainda que não tanto quanto as X_0 (X10, X20), mas penso não ser nada que vá desagradar a quem planeja sair às ruas com uma câmera que parece analógica, seja por hype ou por segurança.

Como aparência não é tudo e, afinal, câmera é pra fotografar, não para aparecer (por mais que fotógrafo por aí ande com DSLR só pra se “impor”), vamos às minhas impressões de uso…

Como já citei antes, a pegada da câmera é boa, tem certa firmeza. Claro que manejar uma compacta como ela é uma coisa, manejar uma DSLR, mesmo que seja uma pequena como a Nikon D3200, é outra coisa. Mas é fato que é facílimo deparar-se com câmeras compactas com baixa ergonomia, empunhaduras quase inúteis, espessuras que combinadas a suas objetivas não dão certo, enfim… não é bem o caso dessa Fuji, que tem um conjunto bacana de se ter em mãos com sua objetiva de kit, a 16-50mm f/3.5-5.6 OIS.

 IMG_1034

Falando na objetiva do kit, ela é só uma das que existem para a linha X e compatíveis com a X-M1, segundo consta no LensHero. O conjunto de objetivas vai de super-angular a teleobjetiva, numa abrangência total de 14 a 230mm, o que para quem lida com sensor APS-C só é um pouco faltoso na área das grande-angulares, já que é comum clicar paisagens com distâncias focais abaixo de 14mm quando não se tem em mãos uma full-frame. Quanto à qualidade de tais objetivas, seja opticamente falando ou em termos de abertura, velocidade, deixo para posteriores comparações mais dedicadas. Somando-se às objetivas X, existe ainda um adaptador para usar objetivas de encaixe M (M-mount), como as famosas Leica e algumas Voigtländer — incluindo, por exemplo, uma 50mm f/1. O lado ruim é que só com adaptador se pode fazer uso de uma teleobjetiva clara, já que a Fujifilm não lançou nenhuma do tipo, não sei se para fazer um carinho aos fotógrafos que possuem objetivas das marcas anteriormente citadas ou Carl Zeiss etc, ou se por não saber ainda como fazê-lo a contento. O fato é que existem já vários adaptadores para variados mounts, incluindo um para objetivas Canon digitais*² (como a ótima EF 50mm f/1.4 USM), e o focus peaking ajuda bastante, quando é preciso focar manualmente.

O fato é que a 16-50mm, que utilizei quase sempre com seu parasol — que vem junto com ela, não é comprado à parte — e um filtro UV (um B+W) atendem muito bem ao grau de nitidez (maior) esperado por quem adquire uma câmera que não possui filtro anti-aliasing. Fiquei bastante contente em ver como deu certo a combinação do sensor com a objetiva do kit e a resolução dos arquivos (4896 x 3264): deu-me a sensação de não ter errado na compra, considerando minhas impressões prévias ao ler alguns comentáros sobre o modelo e minhas demandas/desejos em termos de especificações técnicas.

 
DSCF5885-2foto: Alexandre Maia
DSCF5885foto: Alexandre Maia (sem acréscimo de nitidez)

Por falar em ausência do anti-aliasing, é bom notar que enquanto Nikon e Canon optaram por colocar ou não em determinado modelo o tal filtro, a Pentax optou por criar uma câmera com a qual você o “liga/desliga”. Porém, a Fuji optou por não apenas retirar o filtro de suas câmeras estilo rangefinder (exceção da X-A1), como também impedir ainda certos problemas que costumam ocorrer quando o filtro não está presente de uma forma criativa, embora trabalhosa: criando um novo tipo de sensor para esses modelos, o X-Trans. A “mágica” criada pela Fujifilm é bem interessante, e vale um pulinho no Foto Fácil, do nosso colunista Rodrigo Jordy, para ler sobre sensores sem filtro*³.

Quanto ao tal sensor, é outro destaque: o X-Trans de 16MP não só faz contrapeso à ausência de anti-aliasing (evitando moiré e cores falsas) como, mesmo com um fator de corte de 1.5x (como nas Nikons), entrega imagens que rivalizam com câmeras full-frame — a minha Canon 6D mesmo não fica tão à frente em termos de definição, fidelidade de cores e baixo ruído em ISO alto (falo de 3200 pra cima). Não foi difícil desfazer-me da Canon G1X e da possibilidade de utilizar flashes e outros acessórios que se encaixem numa hot shoe da Canon, apesar de, ao que me parece, a venda de tais acessórios para Fujifilm serem ainda escassas em termos de disponibilidade em lojas ou entre vendedores, justamente pela capacidade da X-M1 entregar boas imagens em ISOs altos, permitindo-me deixar sem maiores problemas a sensibilidade em modo automático, sem medo.

Na próxima parte verão mais algumas comparações, comentários sobre o uso da câmera, suas conexões sem fio e aplicativos para celular. Link após as notas de rodapé.

Fuji X-M1 - traseira

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*1 – por falar neste ensaio, ele foi feito com smartphone. Já publicamos um texto sobre câmeras compactas X celulares, aproveitem e dêem uma olhada.

*2 – como verifiquei com o pessoal da B&H, via twitter.

*3 – por sinal, não consta neste artigo do link, por ele ser menos recente, mas há rumores de que a Sony tem um sensor não-Bayer em mente

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Review Fujifilm X-M1 — parte 2.

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Alexandre Maia

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