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Tamina-Florentine Zuch e uma longa viagem de trem pela Índia

Tamina-Florentine Zuch corre o país de ponta a ponta a bordo de vagões cheios para conhecer sua gente (e ganhar o Zeiss Photography Award)

de Ivan Sánchez, via Quesabesde

 

Algo tão cotidiano como uma viagem de trem pode converter-se em uma fascinante aventura quando o périplo tem lugar na Índia. A estudante alemã de fotografia documental Tamina-Florentine Zuch viajou ao país asiático entre novembro de 2014 e março de 2015 em um programa de intercâmbio do National Institute of Design. Em Gandhinagar, ao norte de Nova Délhi, achou nos vagões de trem um dos lugares onde melhor se sintetiza a idiossincrasia e a riqueza humana dos indianos. A grande viagem reservou outra agradável surpresa a esta jovem autora: ganhar há alguns dias o Zeiss Photography Award, cujo prêmio em sua primeira edição chegou a nada menos que 15 mil euros.

Durante os meses que passou na Índia, Zuch teve tempo de correr quase 20 mil quilômetros acima e abaixo, de um lado a outro do país — desde Shimla, ao norte, perto da fronteira com a China, até Kanyakumari, o ponto mais meridional, desde as terras desérticas do Rajastão até o leste do país.

Tanta distância, completada a um ritmo bastante lento, deu tempo para que Zuch desenvolvesse seu trabalho. “Minha intenção era ter uma ideia da variedade dos viajantes”, explica-nos. “Passar tanto tempo em um lugar tão reduzido, com pouca privacidade, deu-me a oportunidade de estar realmente perto das pessoas.”

Zuch descobriu que os indianos continuam com sua via diária no trem: “Falam, comem, dormem, riem e discutem, jogam cartas, tiram umas selfies… Em algumas ocasiões, faziam-se novas amizades, e às vezes havia uma disputa a resolver-se.” Um vagão é como um microcosmo que condensa, na medida do possível, a essência da Índia. Contudo, a autora deixa claro a dificuldade que acarreta tentar decifrar a sociedade indiana: “É um país tão diverso e grande que para um estrangeiro é muito difícil compreender parte de sua cultura.”

As fotografias de Zuch destacam precisamente essa confluência de diversidades. Imagens banhadas pela tênue luz do entardecer, enriquecidas pelo colorido tipicamente indiano e com uma edição que iguala a luminosidade ocre de muitas partes da cena para mostrar a riqueza humana que reúne nos vagões.

Zuch, que diz encontrar inspiração na luz e na atmosfera do trabalho de Joakin Eskildsen, relata como a borboleta que aparece retratada em uma das fotos mudou por completo o humor que havia dentro do vagão: “O ambiente era bastante frio e pouco amigável, e o tempo chuvoso não ajudava muito. De repente apareceu uma borboleta que revoou com graça por todo o compartimento, pousando de pouco em pouco tempo no ombro de alguém ou deixando suas pegadas no vidro manchado da janela. Aquilo melhorou o humor de todo mundo e começamos a sorrirmos entre nós. Em certo momento, um homem começou a cantar. Tinha a aparência de um homenzinho pequeno e frágil, mas sua voz era poderosa e profunda. Um a um os passageiros se uniram à canção.”

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Links adicionais:

Site da Tamina-Florentine Zuch
Júri do Zeiss comenta as fotos (em inglês)

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Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

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