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COMO USAR O SISTEMA DE ZONAS NA RÉGUA DO FOTÔMETRO

O que é o sistema de zonas

Primeiramente vamos explicar o que é o sistema de zonas criado por Ansel Adams.

O Sistema de Zonas é uma técnica fotográfica para determinar a exposição ideal da sua fotografia e seu processamento, formulado por Ansel Adams e Fred Archer em 1941.[1] O sistema de zonas possibilita que o fotógrafo possa usar um método sistemático de definir com precisão a relação entre a forma como visualiza o assunto a ser fotografado e o resultado final. Embora o sistema tenha originado com chapas de filme preto e branco, o sistema de zonas também funciona com rolo, tanto em preto e branco como em cor, negativo e diapositivo e fotografia digital.

Pt.wikipedia.org. (2019). Sistema de zonas (fotografia). [online] Available at: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_zonas_(fotografia) .

Usando este método, o fotógrafo consegue relacionar como vê a cena e a exposição.  Como falamos no post de fevereiro, é muito melhor entender isso, do que apenas “zerar” o fotômetro.

Segundo Ansel Adams, a cada faixa tonal é atribuída uma zona. Cada zona difere da anterior em um f:stop, e da seguinte em um f:stop. Então, toda mudança de zona é igual a diferença de 1 ponto de diafragma, para mais ou para menos. As zonas são identificadas por números romanos, com o tom médio (com 18% de reflectância) sendo uma zona V que é a zona 5.

Apenas algumas câmeras digitais top de linha conseguem, hoje em dia, ter um range dinâmico melhor muito parecido com o filme. Chegando quase a zona I e X. Para os demais mortais, a parte mais escura de uma cena cairia na zona III, enquanto a parte mais brilhante de uma cena cairia na zona VII. Qualquer coisa mais escura que a zona III renderia como preto puro sem nenhum detalhe (sub-exposto), enquanto qualquer coisa mais brilhante que a zona VII renderia como branco puro sem nenhum detalhe (sobre-exposto).

Algumas pessoas podem argumentar que o sistema de zonas não se aplica à fotografia digital, mas a verdade é que pode e deve ser aplicado sim. Talvez, não exatamente da mesma maneira que foi planejado para ser usado (os filmes tinham muito maior range dinâmico), mas certamente faz uma grande diferença para você e sua fotografia. Obrigando você a pensar sobre a exposição e planejar melhor a luz da sua cena.

Algumas coisas que você precisa entender, para usar de forma eficaz o método:

  • Câmeras não podem ver da mesma maneira que nós vemos.
  • Sua câmera não sabe para o que você está olhando.
  • Definir a exposição para cinza médio(18%) sempre produzirá resultados insatisfatórios.
  • Sistema de zonas não é ciência espacial…

Uma vez dito isto, vamos lá.

Entendendo a régua do Fotômetro

A imagem abaixo é a representação de uma régua de fotômetro

Vemos pela imagem que, o cinza 18 % ( o “zero” do fotômetro) trabalha dentro de uma faixa de -2/3 até +2/3.

Cada variação de +1 ponto dobra a quantidade de luz ao passo que cada variação de -1, reduz a quantidade de luz pela metade. Lembrando que o fotômetro TTL (que mede a luz refletida) sempre vai tentar trazer a exposição para o cinza 18%. Clareando as coisas escuras e escurecendo as claras…

Vamos a um exemplo:

Como vemos na imagem. Uma taça de cristal transparente contra um fundo branco. Vemos que a exposição zerada tornou os brancos cinzas. Mesmo dobrando a exposição (+1) nossa parede não ficou tão branca como deveria. É claro que alguns dirão que podem fazer isso na edição. Mas eu digo: É melhor aprender a fazer correto na câmera, pra não ter que ficar tentando salvar depois.

Vejam como ela ficaria se for corrigida usando o sistema de zonas na régua do fotômetro, colocando a exposição em +2

0                                                                            +2

Vejam o próximo exemplo quando existem Pretos, Brancos e Cinzas:

O fotômetro zerado  deixa o branco bem cinza . Quando dobramos a exposição os cinzas ficam mais claros mas não chegam ao Branco puro. E o preto do óculos começa a ser um preto com detalhes. Se eu tentar deixar o Branco bem branco perderei o preto dos óculos para um cinza escuro.

Aí o fotógrafo começa a interpretar a cena:

O que eu quero mostrar? Como eu quero interpretar esta cena?
Entendam o exemplo de como o fotógrafo deve interpretar a cena:

Esta cena é de uma guerra no deserto. A imagem à esquerda está com o fotômetro “zerado”. Passa a sensação que os soldados não estão enfrentando nenhum calor. Já a imagem da direita, ao super expor +2,  começamos a notar que estão realmente numa região de muita insolação e calor.


Não há certo nem errado. O fotógrafo prefere mostrar os detalhes das pedras ou a aridez do deserto???

A prática fará você se aperfeiçoar, desde que você não se prenda a “zerar” o fotômetro,  e sim a interpretar a cena.

Vejamos como funciona o sistema de zonas da régua do fotômetro.

Uma noiva com vestido branco cheio de detalhes, o fotômetro vai tentar colocar na zona 5. Caso eu queira deixar o vestido branco mesmo devo superexpor +3 pontos (zona 10). Mas neste caso os detalhes se perderiam, então eu deveria ajustar de  +1,5 a +2 no fotômetro, que seria aproximadamente Zona 7 e 8.

 

Vejamos de novo o caso dos óculos de aro preto.

 

zona 5                                                                zona 8

Podemos perceber que o zero do fotômetro é apenas um parâmetro para me orientar e colocar os tons da cena do jeito que eu quero. O sistema de zonas criado por Ansel Adams não se prendia apenas na hora da exposição, mas também na hora da edição, que no caso dele era feita no ampliador do laboratório.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pra você que expõe de qualquer jeito porque usa .RAW, quero dizer que, mais de 3 pontos de superexposição seu arquivo .RAW NÃO  vai recuperar os detalhes não. Ele é muito melhor que arquivos .JPG mas não é milagroso. E quem usa JPG sabendo expor não terá muitos problemas. Os problemas do JPG começam na edição, quando se expõe errado. Mas cuidado, se você usa .RAW,  não se acostume a expor de qualquer jeito e salvar depois na edição. Isto é um péssimo hábito.

Um abraço e até abril…

Ricardo Galvão

Sou fotógrafo há mais de 40 anos. Formado pela Escola de Especialistas de Aeronáutica em Fotografia Aérea. Hoje, trabalho com: Boudoir, Moda, Fotografia de Rua. Também faço consultoria e sou instrutor de Fotografia Básica e Avançada, Estúdio, Edição de imagem. Há dois anos sou CEO da IRG - uma revista de fotografia criada por mim.

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