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Entrevista a Aaron Farley

Aaron Farley nasceu num lar em que a arte era parte do seu dia-a-dia. Sua mãe era ilustradora e pintadora e influenciou os filhos a fazerem arte. Depois de crescido e dentro da faculdade, Denny, um amigo do fotógrafo explicou o funcionamento da câmera 35mm e não deu outra, Aaron pediu uma câmera de presente de aniversário, ganhou e se apaixonou. Aaron largou a faculdade e depois de uma temporada no Hawaii, voltou para casa com a perna quebrada devido ao skate e começou então um curso de fotografia. Aaron Farley gostou da parte técnica e assim decidiu o que realmente gostaria de fazer. “… E é mais fácil do que desenhar e pintar.” afirma o fotógrafo.

Todos tem seu próprio jeito de fotografar, sua própria técnica. Você  tem alguma que você mesmo criou?

Eu tentei várias técnicas. Eu gostei do desafio da iluminação, mas nunca fui bom nisso. Eu sempre volto para uma luz mais natural ou o mínimo necessário de flash de enchimento, porque eu gosto das coisas parecem real, não muito trabalhadas, apenas capturadas.

Qual seu fotógrafo favorito e porque?

Eu tenho estado um pouco obcecado por Hedi Slimane durante toda a semana. William Eggleston é claro, mas isso muda muito. Eu realmente acho que os meus favoritos são meus amigos. Bryan Sheffield, Jeremy e Claire Weiss, Dan Monick, Emily Shur, Noe Monters, Noah Kalina, RJ Shaughnessy, e por aí vai, ser rodeado por pessoas inspiradoras sempre ajuda.

Você tem trabalhado com muitos artistas famosos. Como eles se comportam num ensaio fotográfico? É mais fácil ou difícil trabalhar com eles?

Eu acho que é sempre diferentes, algumas pessoas sempre querem ser fotografadas e outras tem que ser convencidas. A grande diferença é o quão mais famoso eles são, mais pessoas estão a volta entre você a pessoa antes do ensaio fotográfico e isso pode tornar o trabalho difícil. No ensaio no entanto, eu nunca tive nenhum problema.  Algumas vezes, quando a pessoa está lá pra ser fotografada torna o trabalho mais fácil do que tentar convencer a pessoa a deixar ser fotografado.

Muitas pessoas questionam se a fotografia é arte ou não. Qual sua opinião.

Eu não escuto muito isso… Eu acho que arte é a ideia não o que a tecnologia que você usa, então fotografia é outra forma visual de mostrar uma ideia. Parece que se encaixa na minha definição de arte. Eu acho que a dificuldade das pessoas é com essa ideia de reprodução de massa da fotografia. Você tem que parar de produzir impressões para eles para ter algum valor no mundo da arte, 1 em 5, 1 em 8 etc. Eu sempre achei que seria muito difícil de entender, mas isso não diminui a arte de jeito nenhum, ou o que o fotógrafo está dizendo, apenas o valor em dólares.

Eu tenho a impressão que cada uma de suas fotos contam uma história, elas me fazem imaginar o momento. Você tem uma que que diz muito ou alguma a qual você quis contar uma história através dela?

Essa foto no Kuwait conta uma história perfeitamente. Esses jovens de 18-19 anos estão prontos para ir à guerra em algum lugar no Iraque e eles tem que ter as armas prontas o tempo todo. Então eles colocaram as armas para baixo e trocaram para ouvir as músicas em seus ipods. Foi a primeira vez que eu estive tão perto da guerra e pude notar as constantes contradições envolvidas.

Qual foi sua viagem fotográfica predileta e porque?

A mais memorável foi indo para a base militar no Kuwait. Mesmo que eu estive lá por apenas 48 horas, foi muito intenso conversar com todos esses jovens de apenas 18 anos que estavam indo lutar no Iraque. Muito surreal, eles não tinham ideia pra onde eles realmente estavam indo, eles estavam apenas trocando músicas e conversando sobre filmes e video games. E eu estava lá para fotografar um show que o Myspace estava organizando, então a coisa toda foi muito esquisita. Mas foi a primeira vez que eu estava numa situação para comprar um pequeno camelo de bronze.

Descrição foto 1:

Em pouco menos de 15 minutos depois de chegar a base militária, eles pediram para todo nosso grupo fazer prática de tiro ao alvo. Todos instantaneamente pegaram uma arma e começaram a atirar naqueles vídeos de tiro ao alvo, no qual nos vídeos os homens dirigindo e correndo no deserto.Eu só tirei fotos. Foi muito interessante como eles conseguiram todos para a guerra, ninguém questionou nada.

Descrição foto 4:

Resumindo, fotografar Neil Young foi óptimo. Foram 2 horas de espera por 5 minutos de ensaio fotográfico. Certo momento ele disse: “Você não acha que fotografou o bastante? Como você sabe quando já conseguiu?” Eu respondi: “Eu não sei, como você sabe que conseguiu alcançar a nota certa?” Ele disse: “Você nunca sabe”.

Aaron não é só um fotógrafo, ele é pai e marido e também um dos criadores da galeria THIS Los Angeles. A galeria que foi criada juntamente com mais 5 amigos é um lugar para expor peças artística e compartilhar experiências.

Visite os sites de Aaron Farley em www.aaronfarley.comwww.thislosangeles.com

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Jéssica Tavares

Aprendiz de fotógrafa, futura jornalista, Jéssica Tavares divide seu tempo entre estudar para o curso de comunicação social e aprender mais sobre fotografia que é sua paixão. Ler, escrever, criar,fotografar, fazer arte é o que move o seu dia a dia. Antenada às novidades tecnológicas e do mundo da moda, seu aprendizado se recicla a cada dia. Sonha em conhecer todos os lugares, capturar diversos momentos, cores e sentimentos e expressá-los através da fotografia. Mineira de nascimento, com experiência no Paraná, Espírito Santo, São Paulo e Estados Unidos. “O mundo não é o bastante para ela.”

4 Comentários

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  • Caramba, me identifiquei muito com esse cara (que por sinal eu não tinha ouvido falar…).

    Só discordo em parte da questão da iluminação extra, acho que ela pode acrescentar coisa boa, e nem sempre deixando a foto parecendo artificial/trabalhada/estranha. Mas de resto me parece que esse fotógrafo tem uma cabeça muito boa em relação ao que faz.
    Obrigado por compartilhar a entrevista, Jéssica!

    PS: eu tava me perguntando com quem ele se parece, achei meio familiar. Agora me lembrei: é com o ator Alec Baldwin!

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