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Entrevista com Thiago Ramos – Buiu

O Thiago Ramos, também conhecido por Buiu, é fotografo retratista de São Paulo, que é conhecido por fotos analógicas com uma grande carga emocional. Com uma linguagem simples, uma das suas maiores características são fotos que tem o foco no cotidiano melancólico. Mulheres ou casais em suas casas sendo retratados em um clima bastante intimista, com luz natural e o charme dos filmes.

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Tivemos um bate papo com ele pra saber mais as sua fotografia:

Quem é Thiago Ramos:

Enfermeiro, amante da arte em suas diversas apresentações e fotógrafo amador nas horas vagas.

Como e quando a fotografia entrou na sua vida? E por que da escolha pelo analógico nos dias atuais?

Em casa ninguém tinha câmera fotográfica e antes mesmo de começar a fotografar passava horas do dia admirando fotos em sites. Comprei minha primeira câmera em 2007 e desde então não parei mais. Comecei com digital e três anos depois já estava cansado da estética do digital. Comecei a fazer lomos e para cair no analógico propriamente dito foi bem natural e rápido. Alem da estética do filme me agradar, o processo analógico me completou por inteiro. Desde a escolha de qual filme comprar, a elaboração das fotos e a expectativa pelo resultado final.

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Como você define o teu estilo fotográfico?

Não gosto muito de rótulos, mas em alguns momentos são necessários. Tem gente que diz que faço ensaios fotográficos. Se for verdade ou não, não sei. Prefiro falar que fotografo pessoas sem me prender a regras. Seja retrato ou ensaios.

Podemos notar claramente que a simplicidade é um ponto forte no teu trabalho, e que mais que isso, a maioria das pessoas que fotografa são pessoas normais, que não são modelos. Você conseguiria sair desse estilo para fazer algo comercial?

Tudo é questão de adaptação, mas não me sentiria bem se fosse seguir esse caminho e iria enjoar muito rápido. É meu natural a atração pelo simples e ao mesmo tempo incomum. Tudo vai do que a pessoa busca através da fotografia. Tem gente que paga as contas com fotografia, eu não.

Como é o seu processo de criação?

Sem muitos mistérios. Dou preferência para fotografar na residência do retratado ou ambientes internos quando a primeira opção não é possível e vou criando tudo na hora mesmo. Não tem luz artificial e nem mega produções. Uma breve conversa com o retratado explicando tudo alguns dias antes e só.

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O que mais te inspira?

Música, cinema, o meu estado de espírito e o jeito peculiar de cada pessoa.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade e o maior prazer em atuar nessa área?

Fotografo nas horas vagas, então tenho tudo como um hobby. Talvez o acesso a diferentes filmes e o valor pago por eles seja uma dificuldade. Encontrar bons laboratórios com preço honesto também. O maior prazer é fotografar o que quero da maneira que eu quero sem me preocupar com regras e em agradar terceiros.

Quem são seus fotógrafos favoritos?

A lista é grande! Resumidamente entre amadores e profissionais: Jan Scholz, Annette Pehrsson, Magdalena Lutek, Ryan Muirhead, Ezgi Polat, Els Vanopstal, Heiner Luepke, Tamara Lichtenstein, Mariam Sitchinava e Teresa Queirós. Aqui no Brasil gosto do trabalho da Carolina Krieger, Fabio Stachi, Leonardo Cardoso, Susi Godoy, Luiza Cavalcante, Isabel Kwon e Derek Fernandes.

O que você procura transmitir em suas fotos?

Tenho como um dos objetivos ao fotografar que o observador analise o retrato, pense na cena e se questione sobre o que se passa ali despertando algum sentimento.

Tua especialidade são fotografias analógicas, tem alguma câmera e filme preferido?

Por um bom tempo usei uma Kiev-19 para fotografar em 35mm. Além dela gosto da Olympus OM-1. Médio formato Hasselblad e Pentax 6×7. Filmes: Fuji Pro 400 H (35mm), Kodak Ektar 100 e Ilford Delta 400 (formato 120).

Qual seria a dica pra quem quer se iniciar com fotografia analógica?

Não se prenda a regras e equipamentos. Câmeras e filmes inferiores podem fazer lindas fotos!

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Susi Godoy

Sou fotografa de retratos. Fotografo há pouco mais de 2 anos quando comprei minha Canon T1i e uma lente 50mm 1.8, conto apenas com esse equipamento. E desde então faço trabalhos na área comercial e projetos autorais. Comercialmente tenho trabalhos publicados na Revista VIP e Revista Status. Já na fotografia autoral meu foco é inserir algum tipo de carga emocional em cada foto, focando em expressão corporal para que as imagens não fiquem vazias ou falem apenas de beleza. Utilizo o nu artístico em muitos dos casos, com uma linguagem simples e sem apelo. Procuro fazer fotos que tenham equilíbrio que nada seja gritante, que tudo esteja em harmonia.

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