Jorge Bispo revela: “Gente. Só sei fotografar gente”

Ele não se importa com técnica, estilo ou qualquer outra coisa. O que o fotógrafo brasileiro e carioca Jorge Bispo, 35, quer, é ser absorvido pela imagem. Filhos de diretores de teatro e formado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele conta nessa entrevista que a fotografia surgiu em sua vida muito naturalmente, que tudo que aprendeu foi na prática e com a ajuda do fotojornalista Alcir Baffa e afirma que considera a troca de informações na rede divertida e estimulante.  Seu sonho? Ter uma revista só sua.

FOTOGRAFIA DG – O que te levou à fotografia?

Jorge Bispo: De certa maneira fui criado em volta de arte. Meu pai e minha tia eram diretores de teatro. Do teatro pra fotografia foi uma passagem natural. Algo que começou como hobby ganhou cada vez mais espaço e quando vi era fotógrafo.

DG – Fez algum curso específico de fotografia ou não? Se fez, onde e por quê?

JB: Nunca estudei fotografia. Aprendi na prática e com a ajuda de um grande fotojornalista que muito me estimulou, Alcir Baffa.

DG – Qual foi seu primeiro trabalho profissional? O que sentiu e o que sente ainda ao falar dele?

JB: Honestamente não tenho a menor ideia… Mas deve ter sido um book de ator ou um evento sem grande importância. Mas na época deve ter sido muito útil para pagar meu aluguel…

DG – Como surgiu a ideia de fazer o Ensaio “Vestido de Noiva”? E o “Unself Portrait”?

JB: O “Vestido de noiva” partiu de uma encomenda de um ensaio para uma revista feminina. Tive essa ideia com um parceiro e amigo Edu Roly, stylist. No fim guardamos essa ideia pra gente e produzimos outro trabalho para a revista. Quanto ao “Unself Portrait” é algo que pensei em fazer de tanto as pessoas solicitarem fotos minhas. Com minha timidez foi uma ideia que tive para não ter que posar e trabalhar um pouco essa questão. Mas não considero ele um trabalho realizado e tenho bastante dúvida sobre algum mérito que ele tenha. Parei de fazer e deixei na gaveta. Já tá lá tem alguns anos.

DG – Como começou com seus trabalhos para Trip, Vogue, Playboy Brasil , Trace Urban… e ai por diante? Como é trabalhar para todas essas revistas de referência?

JB: A minha entrada com força no mercado editorial se deu depois de fazer o Curso Abril de Jornalismo. Depois disso com portfólio debaixo do braço as coisas começaram a rolar. E uma revista vai puxando a outra. Eu adoro revista, sou apaixonado. Adoro um jornaleiro. Pra mim é sempre um prazer. Meu sonho ter uma revista minha.

DG – E as exposições, qual marcou mais? Por quê?

JB: Duas marcaram muito. A do “Vestido de noiva” em Buenos Aires, 2004. Participei de uma leitura de portfólio e o convite da galerista nasceu daí. Foi ótimo levar esse trabalho pra lá e só descobrir no dia da vernissage que a galerista não sabia que aquelas pessoas eram atores conhecidos no Brasil. A outra foi uma coletânea de retratos meus  “Portraits du cinema Bresilien” em Bruxelas, Bélgica no ano de 2007

DG – O que considera essencial em uma fotografia? Explique seu ponto de vista.

JB: Fundamental pra mim é força, energia. Não me importo com técnica, estilo ou qualquer outra coisa. O que me prende em uma foto é seu poder. Quero ser absorvido pela imagem. É subjetivo. Mas pra mim é fundamental.

DG – Que equipamento usa na hora de fotografar? Com qual começou?

JB: Hoje em dia trabalho com uma Canon 5D Mark2. Comecei com uma Nikon F4 e trabalhei muitos anos com uma Hasselblad 501.

DG – Como o advento digital modificou a fotografia? O que ela ganhou? E o que perdeu?

JB: Mudou muito o processo de trabalho e principalmente o tempo. Ganhamos em agilidade. Hoje em dia finalizo um trabalho em um dia, antes poderia levar uma semana… Essa agilidade foi o principal ganho ao lado da popularização da fotografia e da diminuição dos custos. Acho ótimo que mais e mais pessoas fotografem.

Acho que a principal perda também vem dessa popularização e dos baixos custos: a vulgarização e banalização do clique. Antes tínhamos que fazer dois retratos com um rolo de filme. Hoje em dia as pessoas fazem oito gigas de foto pra tirar um retrato…  Ninguém aguenta ver tanta foto.

DG – O que mais gosta de fotografar? Por quê?

JB: Gente. Só sei fotografar gente. Preciso da troca no momento do clique. Adoro esse momento. O desafio, o jogo de interesses. Essa energia.

DG – O que acha da troca de informações que acontece na rede?

JB: Acho divertido e estimulante. Adoro ter esse retorno imediato que a internet proporciona. É sempre bom discutir opiniões e perceber as diferenças que existem.

DG – Qual sua mensagem/dica para os leitores do Fotografia DG?

JB: Não sou o tipo de cara que gosta e acredita em dicas. Mas o que acho mais importante pra um fotógrafo é bagagem cultural e cultura visual. Esqueçam técnica e equipamento. E o velho conselho do Nelson Rodrigues é sempre bom em qualquer área da vida: Envelheçam.

Saiba mais sobre Jorge Bispo no seu site pessoal em www.jorgebispo.com e siga-o no twitter @jbispo.

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

  • Acontece. ;-)

  • Oi Flávio, tudo bem? Obrigada por ter passado por aqui ;) E obrigada também do comentário. Sei que há uma diferença entre as devidas pontuações. Sei que não é desculpa, mas na correria de final de ano, acontece. Hahaha. Vou pedir pra arrumarem aqui! ;) Beijos

  • O Jorge Bispo é ótimo. Suas fotos passam um silêncio próprio.

    Ao editor: há uma diferença enorme nas frases "Gente, só sei fotografar gente." e "Gente. Só sei fotografar gente."

  • carlos

    fantástica entrevista. adorei cada pedacinho e quero sublinhar a última resposta. fiquei fã :D

  • Bispo é um profissional sensacional e um cara que ensina muito na rede. Merecido destaque aqui.
    parabens

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