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Está na moda a fotografia autoral?

A arte de maneira geral inspira à criação, há quem diga que nas fotografias realizadas apenas com o intuito de entregar um produto ao cliente – alguém te contrata, você realiza o trabalho, entrega o trabalho e é remunerado por isso, não deixe espaço para o exercício pleno da arte, da criação. Não iremos entrar no mérito desta discussão, não aqui neste artigo.

Vamos nos ater à investigar sobre o artista. O artista – fotógrafo, precisa se expressar e se reconhecer em sua arte – a fotografia de uns tempos pra cá, tornou-se lugar comum a exigência que todo fotógrafo desenvolva uma fotografia autoral (pessoal) que desse conta de expressar seu ser interior e toda sua criatividade artística.

Uma vez na moda, nas massas, generaliza-se e o que deveria ser um projeto de autodescoberta, cura e libertação se transforma num embrólio para inglês ver (ou para outros fotógrafos verem), pois bem, o que isso implica?

Primeiramente, um equívoco no que seja autoral, no dicionário autoral significa ….. e o que vemos são cópias.

Não há uma clara apreensão da distinção do que seja inspiração e o que seja referência.

As pessoas não estão dispostas a fazer um movimento de dentro pra fora, reaprender a fotografia do jeito certo (pra mim) que é do seu íntimo para o mundo exterior, o que justifica tanta coisa igual e sem graça.

Ao se propor a realização de um projeto pessoal deve estar muito claro para o fotógrafo o que ele objetiva com isso: é expressar um sentimento pessoal ou coletivo? Envolve um tema único? É para amenizar ou ressignificar alguma dor? É para descobrir e descortinar confusões no terreno da subjetividade? É para denunciar algo? Enfim, há inúmeras possibilidades, mas é impreterivelmente necessário que se tenha muito claro qual é o bjetivo!

Minha experiência:

A fotografia pra mim desde o começo sempre significou a possibilidade de me entender no mundo e com ele me comunicar, minha forma genuína de expressão. Fazia um tempo que estava frustrada com os meus resultados, uma sensação de total perda de foco, ou melhor com focos em tantos lugares que não me achava em nenhum. Sentia que precisava fazer o caminho de volta, voltar para minhas raízes, para o que há de mais simples e verdadeiro.

Depois de passado o primeiro momento da constatação de que estava em meio há uma grande confusão, sosseguei, respirei fundo e consegui continuar com mais leveza olhando com mais calma as minhas possibilidades e isso me levou ao Projeto Quintal do Davi.

O projeto trata-se do registro amoroso do cotidiano do meu filho, da nossa casa brincante e pelo mundo a fora. Não se trata de técnica, de conceito x ou y, trata-se de apenas sentir, viver, crescer, experimentar e registrar as relações, as vivências do meu filho, deixando em segundo plano toda técnica de luz, de regras, de composição da fotografia.

Resultado, um trabalho simples mas que me move todos dos dias. Que conseguiu me dar aquela leveza que acho que nunca experienciei. O projeto não tem um cronograma definido, um plano de postagem , nada! Ele simplemente acontece quando tem que acontecer…

Algumas fotos para vocês conhecerem um pouquinho:

Novos caminhos a percorrer…

A fotografia é uma arte que nos permite sempre ir além e voltar quando é preciso. O projeto autoral pode ser uma boa saída pra você que ainda não sabe o que quer, ou que está frustrado com seus resultados, precisando se redescobrir, fechar feridas, encontrar novas linguagens.

Mas por onde começar?

Primeiramente, não tenha medo, se arrisque e nem por um minuto pense no que os outros irão achar, apenas faça!

Depois, amadureça sua ideia, não tem problema se ela for se modificando com o andar do projeto, elas são por sua própria natureza mutáveis.

Pesquise em novas fontes, em livros de arte, livros de história, leia e pesquise sobre lugares distantes, inusitados ou que você sonhe em um dia conhecer. Descubra fotógrafos que você nunca ouviu falar e se interesse curiosamente pela obra deles.

Não há caminho certo ou errado, há simplesmente caminhos…

PS: Se vocês quiserem conhecer mais um pouquinho do projeto, ele está aqui ó: quintaldodavi.tumblr.com

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Alessandra Barreto

Sou mãe, arteterapeuta, fotógrafa. Gosto do que é simples, verdadeiro, gosto de cheiro de terra molhada, de andar descalça, de batata frita. Gosto de sorrisos, olhares e mãos. Ser fotógrafa pra mim é um ato de liberdade e transgressão!

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