Flange, o segredo por trás da tecnologia Mirrorless 4.68/5 (28)

Você já deve saber que uma câmera Mirrorless é quase como uma DLSR – troca de lente e pode ter sensor bem grande – mas que, diferente delas, as Mirrorless não tem espelho. Portanto, elas são câmeras digitais com lente intercambiável sem o visor ótico reflex. Então no espaço reservado ao espelho não existe? Não, e melhor que isso: não existe a necessidade do espaço.

Mas antes de aprofundar esse assunto, vamos nomear as coisas. O espaço entre a lente e o sensor fotográfico se chama flange. Uma câmara reflex precisa de uma flange equivalentemente grande como seu sensor. Isso por que, o espelho precisa – quando inclinado – cobrir a área do sensor para que você veja tudo o que será fotografado. Então, no final das contas, ele precisa ser maior que o sensor, pelo menos na altura, já que ele fica inclinado a 45 graus.

Legenda: Esta é a diferença de flange entre uma Nikon DSLR e uma Mirrorless Olympus MTF. Fonte: Livro Mirrorless – A evolução das câmeras fotográficas.

Vamos considerar uma DLSR que tem um sensor fullframe, este sensor tem 36 x 24mm. Por isso, quando o espelho precisa ter pelo menos uns 36 x 30mm. Assim, essa câmera precisa ter pelo menos 30mm de flange. Contudo, isso não pode ser assim tão justo – é preciso espaço para o engate da lente, para o obturador e uma folga para permitir o movimento livre. Somando tudo isso, temos a flange total e atualmente a menor delas em uma DSLR está nas câmeras da Canon – com 44mm.

Sem a necessidade de todo esse espaço para o espelho, as Mirrorless acabam tendo uma flange muito menor. Por exemplo, a Sony E, mesmo sendo fullframe, tem só 18mm de flange. Mas ela poderia ser ainda menor. Se você considerar a flange da Canon, sem o mínimo do espaço para o espelho, ou seja: 44mm menos 30mm, sobram 14mm para o engate da lente, o obturador e a folga. Seguindo essa lógica, teoricamente, a Sony E tem 4mm a mais do que precisaria realmente.

Legenda: Nesta tabela você tem os principais engates de lente (mounts), suas respectivas flanges e os tamanhos de sensor ou filme disponíveis. Fonte: Livro Mirrorless – A evolução das câmeras fotográficas.

As implicações disso são enormes, algumas muito óbvias como: câmeras mais finas, mais leves e a possibilidade de pôr um adaptador nesse espaço que sobra, possibilitando usar lentes feitas para flanges grandes em câmeras de flange menor. Mas outras implicações não são tão triviais, porém, podem ser ainda mais importantes. Por exemplo, a formulação de lentes para flanges curtas é muito mais simples e isso resulta em projetos mais equilibrados, com maior potencial de qualidade.

Então, a simples ausência do espelho, significa um avanço gigantesco em termos de tecnologia. É incrível como algo que parece tão trivial pode ter tantos reflexos na prática. Dedico boa parte do meu livro, Mirrorless – A evolução das câmeras fotográficas, para explicar profundamente todas as implicações dessa diferença de flange. Por isso, as Mirrorless tem alto potencial para evoluir além do que as DSLR já fizeram pela fotografia até hoje.

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Romulo Lubachesky

Romulo Lubachesky é geólogo e fotógrafo, mas dedica-se principalmente a perpetuar o conhecimento sobre os processos do universo fotográfico através de aulas, palestras, artigos e livros. Autor dos livros A Tríade da Câmera Fotográfica e Mirroless - A evolução das câmeras fotográficas. E apresentador dos programas Assunto Principal e Odisséia Fotográfica na photostv.com.

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