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Como fotografar flores 4.76/5 (54)

Fotografar flores sem o uso de luzes complementares, rebatedores e tantos outros recursos para preencher ou suavizar, e ainda assim conseguir um resultado final que não precise de muita pós-produção é sempre um sonho, ainda mais para pessoas que como eu não tem muita paciência com a parte da pós-produção.

Então sempre aparece a pergunta, “mas tem como fazer”? Eu, com o pouco tempo que tenho na fotografia digo que sim, tem como fazer ou ao menos diminuir muito o trabalho da pós-produção, já que algumas vezes é necessário cortar e fazer pequenos ajustes. Isso envolve ter paciência na fase inicial, naquele momento entre definir qual flor fotografar e apertar o botão.

Acredito que fotografar flores é se permitir ser dirigido pela natureza. É observar a luz e entender como a luz suave e a luz dura incidem na flor, para conseguir o resultado final esperado. Vale lembrar que a luz mais suave dará um ar mais nostálgico à foto, já que não dá para capturar toda vibração da cor, mas é possível captar a tranquilidade e delicadeza da flor, isto também é possível ao fotografar na sombra, principalmente em lugares com árvores altas, pois a luz tende a ficar mais difusa e homogênea; já fotografando com a luz dura é possível capturar as cores com mais intensidade, a imagem fica mais forte, com traços mais definidos ou até mesmo com detalhes de desfoque de fundo que lembram uma pintura.

F2.8 1/60 ISO100 85mm Sony A37 (sem pós-produção) luz suave
F2.8 1/3200 ISO100 85mm Sony A37 (sem pós-produção) luz dura
F5.6 1/400 ISO100 200mm Sony A37 (pós-produção vibratilidadade / corte) luz dura

Com a composição definida é mais fácil configurar a câmera. Trabalhando com uma câmera Sony A37, eu utilizo a objetiva do kit 18-55mm 5.6, uma 85mm 2.8 e uma 70-300mm 5.6 com a função macro 180-300mm, porém nunca carrego as três comigo, sempre defino antes de sair para fotografar qual delas levar de acordo com os resultados que estou esperando. Emprego na câmera o modo Manual, sempre em RAW, no maior formato permitido, que no caso é 16:9 e foco manual; para medição da fotometria opto pelo modo ponto, assim o fotômetro considera apenas a intensidade luminosa que atinge uma determinada área do sensor e não toda a luz que está entrando e para fazer a foco eu utilizo a área pontual que possibilita a liberdade de escolher uma das quinze áreas de focagem que a minha câmera possui, o equilíbrio do branco fica sempre entre sombra e nublado.

Gosto de manter a maior abertura da objetiva e o ISO 100, alternado mais a velocidade para fazer o ajuste da fotometria, quanto maior a incidência da luz mais rápido será o disparo e vice-versa, principalmente quando estou utilizando a objetiva mais clara, no entanto não fico presa a regra que o fotômetro deve estar zerado, o meu trabalha muito mais próximo ao +2 e -2 do que do zero. Zerar o fotômetro seria o ideal, mas não me dá a liberdade de trabalhar a cor praticamente estourando como na segunda foto, e nem de captar uma atmosfera mais nostálgica. Outro fator que me incentiva a deixar o obturar sempre na maior abertura possível é o desfoque de fundo, a profundidade de campo ficará bem menor e que estiver em segundo plano ficará desfocado e em primeiro plano ficará em foco. Este ponto acaba também sendo considerado na composição porque as cores do segundo plano influenciam muito na finalização da foto. É preciso manter harmonia entre as cores para que o excesso de informação não acabe por poluir a foto.

F5.6 1/1600 ISO400 300mm Sony A37 (pós-produção Photoshop – correção dos níveis)

Como esta foto foi feita no final da tarde a luz não estava tão intensa e para conseguir o desfoque de fundo optei por aumentar o ISO ao invés de diminuir a velocidade do obturador, pois fazendo isso eu não estava conseguindo chegar ao desfoque desejado.

Mesmo que na maioria das vezes a intenção seja não necessitar de pós-produção, nem sempre isso acontece e acabo por me render a ela, como é possível ver nas fotos acima, mas nunca fazendo grandes modificações. Para trabalhar a foto eu utilizo o Image Data Converter que vem junto com a câmera, neste programa eu seleciona as fotos, as que eu julgo não precisar de nenhuma alteração eu simplesmente transformo o RAW em JPEG ou então o RAW em TIFF para abrir a foto no Photoshop e sigo este processo por não gostar da perda da vibração das cores que ocorre quando abro o RAW direto no Photoshop. As alterações são mínimas, trabalho apenas na aba de ajustes, alterando brilho, contraste, níveis de entrada e saída, vibratilidade, exposição e corte, porém raramente todas na mesma foto.

Enfim, não há segredos, não é preciso um super equipamento, até mesmo porque o custo de algumas lentes é muito alto e algumas vezes, dependendo da marca e modelo da câmera, ainda esbarramos na dificuldade de conseguir comprá-las aqui no Brasil. É mais interessante conhecer muito bem o equipamento, suas funcionalidades, pontos fortes e limitações, explorar um pouco o lugar que iremos fotografar, assim conseguimos determinar o que pode ficar bom ou não na composição da fotografia, quando possível conhecer minimamente a estrutura das flores, não é fundamental, mas pode ajudar ao escolher o que ficará em foco no caso de fotos macro; e o principal, como em qualquer área da fotografia,  conseguir observar a luz e como incide no ambiente, os desenhos e reflexos que ela cria no espaço e compensar a falta ou excesso de luz a partir da nossa própria posição, pois um passo para o lado ou abaixar um pouco pode significar mais ou menos luz e fazer toda diferença no efeito final.

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Virginia Maronese

Formada em Letras e em Fotografia pelo IIF, apaixonada pelas músicas de Luiz Tatit, literatura russa, Van Gogh, semiótica e girassóis. Quanto a fotografia, um caso de amor que se pretende eterno.


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