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Fotografia científica: Mercado de Trabalho

Em tese, o mercado de trabalho para o fotógrafo de imagens com temática científica deveria ser amplo, pois entende-se por Fotografia Científica a produção de imagens que se relacionam a temas como a astrofotografia, fotografia aérea, fotografia por satélite, macrofotografia, microfotografia. Além disso, qualquer que seja o gênero fotográfico, podemos consider fotografia científica imagens presentes em trabalhos científicos e materiais de divulgação científica de diversas áreas do conhecimento; tais como a Biologia, Física, Geologia, Medicina e Odontologia.

Nesse contexto, fui convidado pela coordenadora do projeto BIODIVERSIDADE NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA: HOTSPOT OU ARTEFATO?, a bióloga Dra. Leila Teruko Shirai, a compor sua equipe em uma expedição amazônica. Dentre os objetivos do projeto, constava a documentação de espécimens animais encontradas na viagem e, por 18 dias, entre os meses de setembro e outubro de 2016, registrei elementos da fauna e da flora da região visitada (Figura 1).

Figura 1: A rota da expedição se extendeu entre os municípios de Presidente Figueiredo (ao Norte) e Beruri (ao Sul).
Figura 1: A rota da expedição se extendeu entre os municípios de Presidente Figueiredo (ao Norte) e Beruri (ao Sul).

O uso da expressão “em tese”, no início desse artigo, pretende dar indícios de que, apesar da fotografia ser utilizada em quase todos os trabalhos científicos, no Brasil, as relações de trabalho no meio científico têm características próprias e afetam as possibilidades de interações dos pesquisadores com profissionais da fotografia.

Figura 2: Trecho de floresta amazônica fotografado a partir de torre de observação, com 45m de altitude, localizada na área do parque do Museu da Amazônia (MUSA) – Manaus/AM.
Figura 2: Trecho de floresta amazônica fotografado a partir de torre de observação, com 45m de altitude, localizada na área do parque do Museu da Amazônia (MUSA) – Manaus/AM.

Hegemonicamente, a pesquisa no Brasil se dá em universidades públicas e algumas particulares. Assim, um pesquisador brasileiro será, na sua maioria, um professor-pesquisador de uma universidade pública (seja ela federal, estadual ou municipal). O cargo de professor-pesquisador no Brasil é alcançado por meio de concurso público e o regime de trabalho mais comum desses profissionais é a Dedicação Exclusiva (DE).

O professor-pesquisador, submetido ao regime de trabalho DE se compromete a obter remuneração exclusivamente oriunda de suas atividades na universidade. Isso impede, por exemplo, que um professor-pesquisador tenha atividades paralelas de venda de serviços fotográficos. Assim, toda atividade desempenhada por um profissional dessa natureza está relacionada à sua pesquisa, docência ou projetos de extensão universitária.

Esse é o meu caso. Como docente da Universidade Federal de São Paulo, coordeno o Grupo de Pesquisas e Extensão Universitária, “Núcleo de Fotografia Científica”, no campus Diadema. Faz parte das minhas atividades de coordenador e pesquisador do Núcleo a produção imagética para o Ensino de Ciências e Bioquímica. Portanto, na referida expedição amazônica, não fui remunerado e os custos da viagem e aquisição de determinados equipamentos para a produção das imagens ficaram a cargo do fomento cedido pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela agência da National Geographic Society.

No entanto, fotógrafos não pesquisadores também podem colaborar com acadêmicos, bastando que façam parte de projetos de pesquisa submetidos a agências de fomento, que em determinados casos consideram a contratação de serviços de terceiros.

Para os fotógrafos que desejem colaborar com pesquisadores, é fundamental que eles permeiem o universo acadêmico, se façam conhecerem e apresentem os seus portfolios. Eles devem possuir conhecimentos básicos da área que desejam retratar, para facilitar o diálogo com os pesquisadores. Assim, quando um pesquisador redigir o projeto de sua pesquisa, se lembrará do nome do fotógrafo, sua experiência e competência na produção de imagens com temática científica e terá referência para inclui-lo na lista de profissionais contratados para a realização de serviços pagos pelas agências de fomento à pesquisa científica.

É fato que os recursos para a pesquisa científica no Brasil são excassos e, muitas vezes, os pesquisadores não recebem verba para arcar com os custos de serviços terceirizados, sendo obrigados a produzirem suas próprias imagens. Nesses casos, o fotógrafo ainda pode interagir na área acadêmica por meio da oferta de cursos de fotografia a pesquisadores.

A competência, o conhecimento teórico e a titulação são muito valorizados no meio acadêmico e o fotógrafo que pretender empreender cursos de fotografia científica deverá ter em mente que o seu público exigirá dele conhecimentos técnicos em fotografia e em ciências. Pesquisadores buscam técnicas que permitam a produção de imagens com características peculiares exigidas pela comunidade científica. A arte é valorizada, mas a apresentação de elementos que permitam inferir hipóteses científicas é prioritária.

O fotógrafo científico deve dominar o uso dos equipamentos necessários à realização de imagem que apresentem os elementos desejados pelos pesquisadores. No projeto que me envolvi, os pesquisadores (biólogos da Unicamp e da University of York) necessitavam de imagens de animais de grande porte, para contrastar com as imagens de seus objetos de pesquisa – borboletas. Para obter as imagens das Figuras 3 e 4, realizei pesquisas sobre a região que visitei e a fauna local.