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Fotografia é arte ou não? 5/5 (4)

Quando se vê uma foto do mestre Henry Cartier Bresson, falamos: “que obra de arte!!!” E quando vemos uma foto de Richard Avedon, que revolucionou a fotografia de moda, exclamamos: “nossa, que foto maravilhosa!!!”

Ambos fotógrafos são craques no que fazem e seus trabalhos resultam em imagens emblemáticas, impactantes, originais, bem compostas e, principalmente, comunicam um conceito, uma intenção. Mas são resultados de demandas diferentes.

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Trabalhando diariamente com marketing e publicidade por quase 30 anos, falo muitas vezes para meus colaboradores: “aqui a gente realiza demandas de criação, não é arte… Quer fazer arte, vai para casa pintar um quadro, ou compor uma música”.

Por que isso? Assim como na publicidade, onde se usa o conhecimento artístico para realizar peças de criação, na fotografia também se usa elementos da arte, principalmente da pintura. Mas existe uma diferença que deve ser considerada: a demanda. O desejo e a necessidade de expressar vieram de onde?

Vou tentar explicar. Você pega sua câmera e sai por aí, sem compromisso, para uma praia e “senta o dedo”, ou melhor, fotografa tudo que vê: água, ar, terra, sol e pessoas. E vai experimentando, testando, errando. No fim, em casa, você faz uma edição. Das 600 imagens, você tira de cara 500, ficando com 100 para olhar melhor. Das 100, você realmente gostou de 10 e resolve editar cinco que realmente te chamaram a atenção e se destacam. Fotos realmente belas que todos que as veem ficam impressionados e falam que são obras de arte. Ora, ouvir isto não tem preço. É o reconhecimento de um trabalho que realiza e te traz felicidade. E esta felicidade vem porque foi um trabalho essencialmente feito por sua vontade, pelo seu desejo. Não foi ninguém que mandou, ou te contratou para isso.

Agora, quando você é contratado para fazer um serviço, seja ele qual for a sua liberdade é relativa. E a “arte’’, então, não existe. O que há é uma demanda externa aos seus desejos, e mesmo que você imprima um estilo pessoal, que é muito importante, não será um trabalho que você tenha toda a liberdade de um trabalho artístico autoral. Você pode usar toda a capacidade criativa inspirada por grandes artistas, mas não pode deixar de registrar aquilo para o qual você foi contratado por achar que não ficaria bom. “Não fiz a foto do beijo, pois acho que é muito piegas…” Bem, pode procurar outra profissão.

A diferença entre a fotografia de arte e a comercial não está no envolvimento de uma relação com dinheiro, pois a arte também “dá grana”. Mas, sim, na liberdade de poder fazer o que o teu sentimento pede e correr o risco de ser bom ou não. Na fotografia comercial você não pode ser ruim…

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  • Gilberto Peres

    Realmente, o seu raciocínio é preciso.
    Sou professor de arte, e quando abordo sobre fotografia é isso que explico aos meus alunos.
    Explico que fotografem ao máximo e a questão do olhar é que faz a diferença, ângulos,fundo,
    centralizar, um pouco mais para a direita, ou para a esquerda, isso é olhar, como você mesmo
    disse…”E vai experimentando, testando, errando.” Embora não seja formado em marketing,falo
    sobre o assunto no ensino médio para mostrar a profissão e como a criação artística a envolve.
    A diferença está justamente na questão de que é um trabalho e ao fotografar as exigências do cliente,
    limitam a criatividade. Parabéns pelo artigo. claro e objetivo.

  • walcyr

    Fernandus, penso que o poque coloquei em discussão não são os conceitos sobre arte ou não arte, mas sim, que que se deve considerar arte… Quando a demanda vem do autor e dele somente, para mim isso é arte. Quando você é contratado para fotografar você usa certamente técnicas artísticas de composição, iluminação, etc. Mas a demanda é externa e certamente você não tem toda a liberdade de expressão pois corre o risco de não ser pago pelo trabalho…
    abs e obrigado pela opinião. Walcyr Mattoso

  • Fernandus Sá

    No século XIX, já se discutia sobre isso, o movimento conhecido com pictorialismo defendia a fotografia como uma arte. O fato de manipular imagens com negativos tipos de papel de impressão considerava-se como uma arte, pintores como Edgar Degas, Cézanne que tiravam fotos e depois transformavam em pinturas, essas pinturas onde nasceu o movimento artístico impressionismo. Hoje o photoshop cria essa arte onde a muitos anos os pictorialistas já faziam essas manipulações.

  • walcyr

    Carlos, eu concordo com você… A nossa "discordância" é conceitual… O que você chama de arte eu chamo de trabalho… Percebo arte com uma demanda única, interna e própria do executor… Somente isto… Eu trabalho a maioria das vezes fotografando gastronomia com o cliente, agencia, publicitário, marketing, todos a volta dando palpites, opiniões, etc… E eu sou publicitário, tenho uma agencia de web e trabalho neste mercado há mais de 25 anos… Mas sei perfeitamente onde irei atuar: na técnica… No conhecimento técnico da fotografia. Se fosse arte, eu poderia jogar a comida no chão, fazer uma foto desfocada conceitual colocando um título "esdrúxulo" e venderia com fineart… Mas certamente o cliente que me pagou não usaria em sua embalagem, campanha ou rede social…

  • Um grande exemplo onde técnica e arte andam juntas é na arquitetura. Basta ver as obras do Niemeyer. Quando lhe encomendavam um trabalho, por exemplo, um prédio que serviria de hospital, por mais que o cliente lhe ditasse regras, tipo: deverá ter tantos andares, não sei quantos leitos, frente pra não sei onde e blá, blá, bla, sempre sobraria espaço para que ele colocasse sua visão artística na obra.
    Assim é também a fotografia. Mesmo que em um trabalho fotográfico seja encomendado, cheio de regras e tal, sobrará espaço para o fotógrafo exercer seu lado criativo. A encomenda de um serviço fotográfico não é igual a um projeto de engenharia onde qualquer deslize ou distanciamento na hora da execução deve ser evitado.
    A encomenda de um serviço fotográfico normalmente tem várias etapas que passam pelo viés da subjetividade.
    Em moda, por exemplo, a locação, a roupa e os acessórios podem estar definidos. Até o clima que deve ser passado pelo trabalho pode ser definido. Mas a luz a ser usada, os ângulos e os recursos técnicos para conseguir o objetivo somente o fotógrafo pode escolher. Essa escolha é que vai diferenciar um fotógrafo de outro.
    Se escolhemos dois fotógrafos para fazer o mesmo trabalho, com certeza sairá tudo diferente e poderemos ver as características de cada um em seu trabalho.
    Já com a construção de um prédio baseado num projeto, não. Mesmo mudando a construtora o prédio será o mesmo. Nesse caso, a parcela de criação dá-se somente no momento da criação do projeto. E mais, o projeto pode ser repetido inúmeras vezes em vários lugares.
    Em fotografia não há projeto. O resultado será sempre diferente. E isso ocorre porque a fotografia abre espaço para o lado criativo tanto de quem fotografa quando de quem é fotografado. Há uma interação única e que jamais será repetida. A fotografia abre o espaço para a criação tanto por parte do fotógrafo quanto por parte do modelo que empresta seu corpo e "interpreta" o que lhe é pedido. E se interpreta, é arte também.

  • walcyr

    Carlos, obrigado por seu comentário. Expressei minha opinião partindo da premissa que arte é a manifestação de uma demanda íntima, própria e personalizada do artista (fotógrafo) e não de uma necessidade de uma cliente ou de um briefing… É claro que esta última usa técnicas, bom gosto, composição que estão "dentro" do artista, mas não o trabalho não é uma demanda de seu desejo…
    Se ela é pessoal, intima para mim é arte… Se não, é atividade comercial que não existe pra mim nenhum demérito, somente não é arte… Mas usa processo criativo e técnicas. grande abraço

  • Para mim, arte é aquilo que permite que o ser humano expresse seus sentimentos, suas emoções, sua indignação e outras coisas mais.
    Se é por encomenda ou não, não é um fator decisivo, mas meramente quantitativo. Ou seja, um bom fotógrafo que foi contratado para fazer um trabalho deve atender seu cliente e ainda assim poderá empregar no trabalho algo de artístico. Tem-se a ideia de que quando é a trabalho a fotografia fica totalmente cerceada por regras, mas não é bem assim. Mesmo sob encomenda há muito o que se explorar, aproveitar e manifestar em termos artísticos. Por ser por encomenda, não quer dizer que a fotografia seja mecânica e previsível.

  • walcyr

    Vitor, você esta citando três coisas diferentes: arte, técnica e processo criativo… O que falo no texto é sobre a demanda.. Se ela é pessoal, intima para mim é arte… Se não, é atividade comercial que não existe pra mim nenhum demérito, somente não é arte… Mas usa processo criativo e técnicas. grande abraço

  • Como fotografia não é arte? Não é arte apenas disparar ao acaso. Quando um fotografo seleciona um tema, escolhe uma lente, seleciona um diafragma, uma velocidade de obturação, enquadra um tema e gere uma profundidade de campo, esta a reinventar pelo seu olhar, para mim é um processo criativo.

  • Acredito que a arte é a capacidade de despertar sentimentos em outras pessoas. Seja através da fotografia, um discurso ou algo mais estabelecido como a música, do momento que a obra estimula a percepção do obeservador e é capaz de estimular algo nele, creio que seja arte. Claro que nem toda fotografia é arte.

  • walcyr

    Em fotografia existem também dois enfoques que separam registradores de imagens e fotógrafos e na minha opinião não tem nada haver com arte: os que se são dominados pelo tema e os que dominam o tema. Já escrevi sobre isto mas dou e exemplo de uma por do sol (um dos temas mais batidos da fotografia mundial) qual que um que colocar a câmera no auto fará um por do sol… Contudo se precisar registrar nesta contraluz um casal fazendo um piquenique na grama com uma garrafa de vinho e uma cesta de pães, onde devem aparecer todos os detalhes, quem tiver no auto e sem conhecimento técnico suficiente para dominar o tema, não fará a imagem… Mas quem tem um bom conhecimento de iluminação conseguirá exito. E isto não é arte, é técnica. abs

  • Fotografia

    Fotografia não é arte, é uma imagem da arte. A arte é a criação. A maioria dos fotógrafos captura tudo o que já está lá – muito ver projetar o conteúdo de suas fotos. Tirar uma foto de um belo campo é apenas uma imagem – a arte é o campo. Fotógrafos capturar arte, eles não são artistas.

    Fotografia de casamento

  • walcyr

    É isso ai Bruno! Eu também penso assim: se vê muito pouca arte hoje em dia…

  • Fui ver o significado de arte no dicionário: 4 Execução prática de uma ideia. 5 Saber ou perícia em empregar os meios para conseguir um resultado. Estes são alguns deles. Arte para mim vem não do acaso e da sorte de uma foto bonita, mas da intenção de alguem em expressar algo conscientemente. Assim muito pouco do que vemos é arte de fato, o que não desmerece as milhares de fotos estonteantes que vemos no dia a dia.

  • Walcyr

    Acho que estamos alinhando os pensamentos… Principalmente quando vagamos pelo mundo das definições pessoais, ainda quando o assunto é arte. Mas, te garanto: existe arte fotográfica SIM! Grande abraço e bons cliques!

  • walcyr

    LeoAngst, devemos considerar o contexto histórico e social dos exemplos que você dá… Na verdade estamos vivendo uma outra realidade onde as ferramentas da tecnologia estão "facilitando a fotografia e tornando preguiçosos os fotógrafos"…
    Será que Leonardo da Vinci pintou realmente o que queria? O que coloco em discussão é o papel do fotografo diante de suas demandas internas ou de seus clientes… Não se pode confundir as coisas sob pena de nós termos conceitos errados levando pessoas a acreditar que tudo é arte… Como dizia o saudoso Tim Maia "onde vale tudo, tudo é tudo e nada é nada".

    • LeoAngst

      Walcyr, penso que uma fotografia pode ser "altamente artística" seja ela provinda exclusivamente de demandas internas do fotógrafo ou de demandas do seu cliente. Não acho que um trabalho fotográfico deva ser sumariamente excluído do olimpo artístico apenas por haver relação comercial. Quanto a generalização atual de que "tudo é arte", concordo plenamente com você, temos que ter muito cuidado e minúcia ao classificar algo como arte.

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