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A fotografia perfeita 4/5 (1)

Os artigos que escrevo sempre nascem das minhas próprias experiências, das minhas reflexões, conversas com amigos e com foco naqueles que concebem a fotografia como algo macro, para além de câmeras e lentes…

Sempre tive a determinação de desenvolver um trabalho com qualidade, perfeição e desde então vinha perseguindo este ideal, mas como tudo na vida é mutável num constante devir, num “indo e vindo infinito”, essa determinação se metamorfoseou em ser fiel ao que acredito e estar “sentindo” cada sentimento, emoção do ato de fotografar.

Amo fotografar pessoas, mas também nutro uma forte relação com os elementos da natureza e é aqui que nosso artigo de fato começa! (rs rs rs)

Preciso levantar de madrugada para ir trabalhar e hoje, dia 11/01/2017, me deparei com uma imagem monumental da lua que parecia estar à poucos metros de mim, o primeiro impulso foi pegar o celular e foi o que fiz, mas depois fiquei com medo de parar o carro, e continuei seguindo maravilhada com o que via e pensando no lugar que costumo estacionar o carro vai dar pra vê-la e ai eu a fotografo!

A lua começou a se distanciar e para meu desespero ela sumiu!!! Estacionei o carro e fiquei procurando igual louca, onde ela está? Pra onde ela foi? E nesse momento veio a frustração e a pergunta: Por que eu não a fotografei no instante em que a vi e ela me tocou??? Pensei por alguns instantes na resposta e a reflexão que me veio divido com vocês: porque fiquei esperando pela foto perfeita, nas condições em que eu havia colocado como ideais! E acabei sem foto nenhuma, o que me levou à outras reflexões…..

Lembrei do Juliano Coelho, que  em seu livro A obra-prima do Criador – um guia sobre retratos femininos, trás uma série de dicas e exercícios para desconstrução do olhar “velho” e construção do olhar “novo”, o que propõe é um processo de aprendizagem que costuma dizer de dentro pra fora, o qual eu compartilho e acredito, enquanto tivermos pessoas pensando a fotografia como um processo físico e mecânico o que teremos são fotos iguais de apertadores de botão. Pensar na fotografia como algo que vem de dentro é trazer pra fora uma riqueza inigualável que cada um guarda em seu mundo particular, no seu EU!

Minha reflexão me levou também para o filme A vida secreta de Walter Mitty com o ator Ben Stiller, mais especificamente à “cena do Leopardo” em que está com o personagem Sean O’Connell (interpretado pelo ator Sean Penn),  em que Walter questiona à O”Connell  (que é um fotógrafo de vida natural) se ele não vai fotografar o animal maravilhoso que está à sua frente e ele apenas diz:

“Se eu gostar de um momento.
Quer dizer, eu … pessoalmente.
Eu não gosto de ter a distração de uma câmera.
Só quero ficar nele.
Bem ali … bem ali.”

E como já disse à cima, não consegui tirar nenhuma foto da tal lua, mas tenho a plena certeza que aquele momento foi fotografado em minha memória, e que sensação!!! Sensação incrível de ver aquela bola imensa, brilhante, de uma cor única, ainda agora posso fechar os olhos e a sua imagem vem lúcida à minha mente e isso me basta!!!

A fotografia perfeita é aquela que ultrapassa o uso correto da técnica, passa por uma relação muito íntima entre fotógrafo e fotografado e nem sempre precisa de uma câmera para acontecer.

Para terminar, deixo uma frase também atribuída ao filme do Mitty:

Ver o mundo, as coisas perigosas por vir, ver por trás dos muros, se aproximar, encontrar o outro e sentir. Esse é o propósito da vida.

Sentir e nada mais!!!!!!!

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Alessandra Barreto

Sou mãe, arteterapeuta, fotógrafa. Gosto do que é simples, verdadeiro, gosto de cheiro de terra molhada, de andar descalça, de batata frita. Gosto de sorrisos, olhares e mãos. Ser fotógrafa pra mim é um ato de liberdade e transgressão!

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