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George Eastman – o Fotógrafo e o Homem 3.5/5 (2)

Desde cedo que o mundo da fotografia se fazia propor apenas àqueles que poderiam possuir materiais caríssimos como eram as câmaras fotográficas ou até os produtos químicos que permitiam proceder a todo o processo de sensibilização e revelação, no entanto a persistência de um desses homens e os conhecimentos que desenvolveu permitiram-lhe dar esse acesso ao mundo por quantias que por mais pequenas que fossem, foram a rampa de lançamento para aquilo que acontece nos nossos dias.

George Eastman, considerado em novo “um rapaz sem talento” e por isso mesmo deixou a escola muito cedo, começou a trabalhar aos 14 anos como Office Boy numa companhia de seguros e mais tarde passou a trabalhar num banco local onde se destacou pela criatividade e pela facilidade de superar adversidades financeiras. Esta mesma mente que aos poucos se tornou cada vez mais fabulosa, trabalhava noites inteiras desenvolvendo projectos relacionados com fotografia, e em 1879 patenteou uma máquina de sua invenção que aplicava de forma homogénea o gelatinobrometo sobre chapas de vidro, e começou a comercializar estas mesmas chapas. Este processo, já de algum modo industrializado, permitiu que os custos das câmaras fotográficas baixassem sensivelmente.

Em determinada altura da sua vida, George Eastman resolve deixar o seu emprego como bancário de modo a poder dedicar-se a tempo inteiro àquilo que começou como um prazer e que viria a torná-lo famoso, a fotografia.

A grande revolução que viria a notar-se estava relacionada com a sensibilização do papel, ao invés da chapa de vidro. Com isto George Eastman criou rolos de papel sensibilizado que aplicou na sua primeira câmara, a “Kodak 100 vistas”.

Esta sim foi a primeira grande revolução industrial na fotografia. Eastman vendia esta mesma câmara carregada com um rolo de papel, que fazia fotogramas circulares de 5cm de diâmetro por 25 dólares. Uma vez impressionadas as cem imagens, o utilizador da câmara entregava a câmara à fábrica que por apenas 10 dólares revelava o rolo, entregava ao cliente os negativos, as cópias positivas e a sua câmara recarregada com um novo rolo.

“You press the button, We do the rest “, o slogan da marca, dizia tudo, pois agora a fotografia estava ao alcance de quase todos e se para a maioria da população esta revolução fotográfica foi fabulosa, para outros já não aconteceu.

Fotógrafos profissionais da época queixaram-se de modo a pedirem até taxas de utilização para qualquer amador que quisesse fotografar, de modo a reduzir o seu número, uma vez que muitos dos seus trabalhos eram agora feitos por aqueles que tinham um acesso alargado à indústria fotográfica. Por outro lado ainda o processo feito agora pela Kodak vinha tirar e revelar a magia do fotógrafo e corromper os seus conhecimentos como aquilo em que eram realmente bons a fazer.

A magia da fotografia pura, feita por fotógrafos, químicos físicos e Homens ricos talvez tenha morrido, mas no entanto, a magia da fotografia nascera agora para o mundo.

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João Alves

João Marques Alves é fotógrafo freelancer, com visão alargada do mundo e do que o rodeia, tem plena consciência, acima da vontade de fazer imagens, que elas são um meio de comunicação e como tal devem ser usadas como uma ferramenta de intervenção, consciencialização, apresentação, etc. A imagem, nunca é imagem por imagem, mas sim uma fundamentação de algo.

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