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Jessica Hilltout e a vida sem memória

Indo além do imaginário comum sobre a perda de memória, Jessica Hilltout nos mostra uma visão mais serena

via site da fotógrafa

Imagine esquecer alguns dos momentos ruins pelos quais você passou. Bom, não é? Imagine então isso acontecer com todos os momentos em que você fez algo péssimo. Ótimo? Mas tem uma ressalva: seguirão juntos para sua “lixeira mental” os momentos bacanas que você adoraria lembrar-se até morrer, e contar para os filhos, netos… Aliás, sequer reconhecerá seus familiares.

E aí, ainda sonha com essa memória bem mais limpa?

A pouca ou falta de memória já apareceu em diversos filmes nas telas: ora divertida em Dory, intrigante em Amnésia, e até provocando um eterno começo de namoro em Como se fosse a primeira vez. Buscando, no entanto, por uma referência cinematográfica que pareça mais realista deparamo-nos, por exemplo, com Para sempre Alice.

Embora sem a pesadíssima carga emocional desse último filme (compreensível, são linguagens diferentes), Jessica Hilltout em seu ensaio Eric dá um testemunho fotográfico de como é estar com alguém que perdeu a memória. Jessica conheceu Eric quando este mudava-se para uma casa de cuidados. Diz ela em seu site: 

“Eu o visitaria uma vez por semana com um membro da família. Eric forçou-me a desacelerar, respirar e observar. Eu precisava apenas estar ali, sem quaisquer planos ou projeções, sentindo meu caminho e seguindo minha intuição.

Foi meu primeiro relacionamento sem palavras, meu primeiro projeto sem uma meta predefinida.”

Ela diz ainda que a princípio pensava que o projeto seria uma abordagem bem diferente apenas sobre memória e tempo, porém logo percebeu ser sobre fragilidade e imperfeição. E resiliência. “Também celebra a força e o otimismo necessários para erguer um castelo dos destroços”.

Com Eric Jessica Hilltout mostra que a falta de memória pode divertir, aterrorizar, , entristecer, mas também pode mudar sua maneira de captar a vida. Como ela mesma completa: “às vezes os densos e mais negros frutos, [podem ser] os mais brilhantes feixes de luz”.

Abaixo algumas das fotos desse sensível trabalho…