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Impressão Fine Art – Parte 1 4.6/5 (5)

Já falei a respeito de fotografia Fine Art e até comentei um pouco sobre impressão Fine Art aqui. Mas nesse post pretendo aprofundar mais o assunto “Impressão Fine Art”. Afinal, o que é impressão Fine Art? Basta imprimir uma foto, ou reproduzir uma obra de arte, para que se tenha uma impressão Fine Art? Claro que não, aliás, muito pelo contrário.

Apesar da fotografia, ao longo de sua história, ter sido reconhecida como uma forma de arte; até alguns anos atrás ainda era vista como o patinho feio das artes, não sendo considerada como parte do seleto grupo das Belas Artes. Não só pela sua curta existência, comparada com a escrita, pintura, escultura, e outras formas de artes já existentes por algumas centenas ou milhares de anos. Mas também pela curta “expectativa de vida” de uma fotografia. A fotografia até então durava muito pouco tempo; em alguns anos já apresentava sinais de degradação que outros objetos de artes não apresentam com centenas, até milhares de anos de vida.

Um objeto de arte para ser valorizado, precisa ser artisticamente valioso, exclusivo de alguma forma e, ser duradouro. A fotografia pode ser artisticamente valiosa e exclusiva, mas infelizmente não era duradoura. Infelizmente, a lógica por trás desse argumento está inteiramente baseada nas regras de mercado, e não em aspectos culturais. C’est la vie.

Impressão Fine Art

Wanderers II – Jorge Sato

Com o invento recente de técnicas de impressão muito precisas, usando tintas baseadas em pigmentos minerais e papéis a base de algodão, se tornou possível a produção de fotos que durem pelo menos uma centena de anos ou mais. Essas técnicas de impressão avançadas são a base da impressão Fine Art, que possibilita a fotografia alcançar o mesmo patamar das Belas Artes. Aliás, a tradução adequada de “Fine Arts” em português seria “Belas Artes”.

Mas a ideia aqui é aprofundar o assunto das impressões Fine Art, então vamos a ela. Com a ajuda de profissionais do ramo, experientes e altamente qualificados, tentei sintetizar os aspectos principais da impressão Fine Art e principalmente, como nós fotógrafos devemos interagir com essa etapa tão importante do processo que vai desde a captura da imagem até a exposição da mesma.

Eu contei com a ajuda de Clício Barroso, Marina Neder e Alex Villegas nesse artigo. O Clício é, entre outras coisas, um fotógrafo renomado de editorias de moda e publicidade, autor de livros sobre Adobe Lightroom e, sócio-proprietário do ADI – Atelier de Impressão. A Marina é sócia-proprietária do Estúdio 321, especializado em tratamento, digitalização e impressão de imagens. E o Alex é fotógrafo e retocador especializado em moda e retrato, ministra workshops e cursos sobre fotografia e retoque, além de autor do livro “O Controle da Cor – Gerenciamento de Cores para Fotógrafos”.

Pont de l'Archeveche

Pont de l’Archeveche – Carlos Alexandre Pereira

A primeira questão a ser entendida é tecnológica. Como dito anteriormente, foi o invento recente de novas tecnologias que permitiram a fotografia impressa alcançar esse novo patamar de qualidade e durabilidade. Segundo a Marina, “os materiais que possibilitam a durabilidade já estavam disponíveis e eram utilizados, há muito tempo nos trabalhos artísticos. O grande diferencial foi conseguir a resolução necessária para a reprodução fotográfica e a precisão no gerenciamento de cores para que os resultados pudessem ser controlados e reproduzidos com fidelidade.” Ou seja, os avanços tecnológicos foram apenas na qualidade das impressoras jato de tinta e nas tintas utilizadas por estas impressoras.

O outro componente desse conjunto são os papéis utilizados. Papéis especiais e a base de algodão já existem a centenas de anos, mas somente agora eles estão sendo utilizados na impressão de fotografias. A razão para essa demora também foi explicada pela Marina. “Os papeis de algodão, assim como os de celulose, são materiais porosos e de absorção variada, dependendo da fibra e da trama. O diferencial foi o ‘coating’ (revestimento) que é aplicado na superfície dos papéis, possibilitando um controle do espalhamento das gotas de tinta (ganho de ponto), permitindo a impressão em alta resolução. Além disso, o ‘coating’ tem a função de fixar melhor a tinta aumentando a resistência e durabilidade das impressões feitas nos papéis preparados para jato de tinta.

Bom, ainda há muito que se falar sobre impressão Fine Art. No próximo artigo irei detalhar os cuidados que nós fotógrafos precisamos ter no momento da captura e depois no tratamento das imagens para que a imagem final seja a mais adequada possível para uma impressão de qualidade. E na parte final irei, finalmente, comentar sobre a fase de impressão; como escolher os papéis mais adequados para cada tipo de impressão e como os profissionais de impressão podem auxiliar os fotógrafos nesta fase. Até a próxima!

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  • O conceito de "fine art" antes de chegar ao Brasil já estava consolidado nos maiores mercados, obviamente até em função da "antecipação" das novas técnicas de impressão (gerenciamento de cores, pigmentos e papéis …) em relação ao Brasil. Não necessariamente o fenômeno relacionou-se à fotografia em si, mas também à reprodução de desenhos, ao estilo do que se fazia previamente com gravuras, ou seja, reproduções com "qualidade museu".
    Obviamente as tecnologias de gerenciamento e impressão trazem uma nova dimensão tecnológica, ou seja, o conceito em si de "qualidade museu" por esses aspectos tem seu valor. Questiona-se porém o termo "fine art" aplicado a esse contexto tecnológico ao qual, obviamente poderiamos acrescentar os conceitos estéticos. Contudo o conceito contraria a própria evolução das artes ou "belas artes". Ora, a arte pode ser efêmera e a arte não implica necessariamente em gerenciamento físico de matizes, contrastes, etc … A arte conceitua-se hoje em dia por critérios bem diversos e não se limita ao horizonte temporal de duração da obra e menos ainda da tecnologia aplicada. A saber, tão artístico e belo … ou se quisermos "refinado" pode ser o trabalho produzido com a tecnologia ótica e quimica dos lambe-lambe quanto com a produzida com o arsenal tecnológico de renomados e grandes fabricantes. Há que separar o conceito de arte do conceito de produção atrelada à grande indústria e suas tecnologias especialmente ao preço de menosprezar a verdadeira arte. Cabe ressaltar que muitos dos trabalhos fotográficos importantes armazenados com zelo e catalogados em museus de renome foram produzidos com Polaroid. Mais delicado ainda é, separar arte de interesses comerciais. Nada contra a qualidade das modernas teccnologias, mas quanto ao uso abusivo e apropriação injustificada da palavra arte.

    • calexandrep

      Olá Flavio, obrigado pelo comentário, sem dúvida acrescenta bastante à discussão.

  • Carlos A Pereira

    Olá Pepe, vou abordar esse assunto na parte 3 (final) do artigo. Obrigado pelo comentário!

  • Um aspecto interessante, pois os adeptos da fotografia química garantem que essa é mais duradoura do que a impressão de imagens usando técnica em jato de tinta. Mas o problema vai além da impressão, a forma de apresentar a imagem – em quadros, pasta e ou caixas muito influencia a durabilidade delas, é preciso saber e usar os meios de conservação adequados para garantir longevidade a imagens impressas com tecnologia jato de tinta em papeis adequados. Abs

    • Jorge Lemos

      Boas Pepe, eu penso que a forma de apresentar – manuseio e tratamento – muito influenciam na longevidade das imagens. Abs

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