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4 razões para nunca usar o botão Excluir da câmera

Estava eu andando por um pasto de cavalos selvagens em Utah no último verão, voltando atrás, em dúvida entre um jeito e outro, buscando por meu clique, compondo e recompondo, quando quase tropeço nisto:

Me assustei. Bem calmamente, uma vez que estava quase em cima de uma cobra e não queria perturbá-la mais do que já o tinha feito, mas esse era um momento Xanax. Meu colega fotógrafo assegurou-me que era uma bullsnake tomando um banho de sol e não uma cascavel de respeito, o que me permitiria um close sem levar um bote. Após algumas palavras murmuradas que não posso repetir aqui e um pouco de respiração profunda, minhas mãos estavam novamente estáveis o suficiente para produzir o que qualquer fotógrafo ávido de vida selvagem faria: eu a fotografei.

Por eu estar num pasto de cavalos selvagens, estava com o modo contínuo ativado. Assim cada breve aperto no disparador gerou 5 a 6 imagens. Alguns segundos depois havia 50 fotos de uma serpente enrolada tomando sol. As cobras não se movem tanto e algumas tomando banho de sol realmente não se movem, então parecia ser uma quantidade excessiva de captura. Para salvar espaço de memória no cartão, pensei brevemente sobre deletar algumas das imagens. Forcei-me a não deletar nada, todavia. E os motivos seguem abaixo: tratam-se das quatro razões para nunca usar o botão excluir na câmera.

Razão 1: ficar chimpando e deletando rouba a presença do fotógrafo do momento

Enquanto o fotógrafo está chimpando (olhando as imagens na traseira da câmera) e deletando imagens, o mesmo não encontra-se mais naquele momento. E retira-se do presente, começando a rever imagens do passado. Se você tinha um momento de unicidade mágica com a própria câmera e o motivo, isso simplesmente foi interrompido.

Quando você começa a pressionar o botão de excluir, ocorre também a pressão no ‘botão’ de desconectar. Você parou de ser um artista para deletar e salvar espaço no cartão de memória. Será capaz de imediatamente se reconectar com seu artista interior quando terminar de encarar e deletar?  A maioria das pessoas não consegue retornar ao lugar criativo rápida ou facilmente, então uma vez que chegue lá, é melhor ficar focado ali.

Razão 2: Você perderá grandes imagens olhando pra baixo

© por Lara Joy Brynildssen

O que você estará perdendo com sua cabeça enfiada no LCD da câmera? Pense sobre isto. Você viajou percorrendo todo o caminho até [insira um lugar favorito aqui] para fotografar [inclua um motivo preferido], e ao invés de fotografar, deixou a obsessão assumir controle e começou a limpar o próprio cartão de memória. É um bom retorno pro seu investimento? Está fazendo o melhor uso do tempo e dinheiro que gastou? Ou, enquanto está observando e deletando imagens, está perdendo a oportunidade de capturar a imagem acima?

Ou essa?

© por Lara Joy Brynildssen

Ou essa?

© por Lara Joy Brynildssen

Quando você inunda sua cabeça com coisas técnicas da câmera, perde muito. Sim, um rápido olhar no histograma é bom. Sim, é possível rapidamente verificar novamente o foco para certificar-se que acertou direitinho, mas a partir daí mantenha-se clicando antes de perder o encanto.

Se estiver preocupado com espaço no cartão de memória, a dica é encher os bolsos com cartões de memória e trocá-los com freqüência. Não seja o fotógrafo que perde o melhor momento do dia porque não consegue parar de chimpar e deletar imagens.

Razão 3: Você não pode realmente ver o que está deletando

Com a marca do protetor solar e o brilho do sol no LCD da câmera, era difícil ver os detalhes de cada imagem feita. Estava fotografando a cobra com uma profundidade rasa de campo, mas não tão superficial que a cobra inteira não estivesse em foco. Eu focava nos olhos da cobra, mas os olhos da cobra são muito pequenos e eu não tinha certeza se tinha cravado bem. Além disso, eu estava ainda sentindo um pouco de ansiedade.

Minhas mãos não estavam realmente muito firmes. E estava quente, e toda vez que me baixava para colocar a câmera tão próxima do nível do olho da cobra quanto possível, começava a me sentir ainda mais instável. Não conseguia ficar com os joelhos tão dobrados por mais do que alguns segundos. A grama ao redor da cobra também estava discretamente se movimentando e eu não tinha certeza se a câmera estava acertando o foco nos olhos ou na grama. Quando subi todas as imagens, eis o que encontrei:

© por Lara Joy Brynildssen

© por Lara Joy Brynildssen

Nesta imagem, os olhos da cobra não estavam nítidos.

© por Lara Joy Brynildssen

© por Lara Joy Brynildssen

Nesta imagem, a grama obscureceu os olhos e a boca da cobra.

© por Lara Joy Brynildssen

© por Lara Joy Brynildssen

Nesta imagem, os olhos estavam nítidos e não obscurecidos pela grama, e Sunny, a serpente estava mexendo a língua pra mim. De longe a vencedora. Eu não poderia ver em absoluto esses detalhes na tela LCD da minha câmera.

Razão 4: A formatação é melhor para o cartão de memória do que deletar

Ao invés de excluir as imagens, o padrão ouro é fazer download do cartão inteiro, reformatá-lo, e na seqüência tirar fotos novamente. Cada fotógrafo tem opiniões variadas sobre isso, mas este método parece evitar desgaste nos cartões de memória.

Enquanto eles não são mais tão caros para substituição quanto costumavam ser, duram mais tempo com mais cuidado. Reformatar ao invés de excluir também parece prevenir corrupção de dados em seu cartão, o que economiza tempo e gasto — e pânico — em lidar com este problema. Nunca é agradável fazer o download de um cartão e perceber que metade das imagens do dia está corrompida e não carregará. Normalmente, um software de recuperação funciona e é possível eventualmente recuperar aquelas imagens. Mas se você ignorar a exclusão na câmera ajuda a evitar corromper, então de qualquer maneira pare de fazer isso. 

Essas são minhas maiores razões para não apagar quando estou em campo clicando. Por favor, compartilhe nos comentários se você possui alguma outra razão para não deletar imagens na câmera. Amaríamos saber.

escrito originalmente por Lara Joy Brynildssen
tradução revisada por Alexandre Maia

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Alexandre Maia

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33 Comentários

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  • Muito importante se dar conta desta conexão, ja perdi e vi muitos fotógrafos perderem momentos importantes so pelo fato de ficar observando as imagens no LCD e perder a conexão com o memento a ser fotografado.
    Wellington Barbosa.
    Studio Wellington Barbosa

    • Ficar “chimpando” é um hábito terrível mesmo. Concentração na hora do job é a grande palavra-chave.

  • Faz todo sentido, já me vi a perder momentos importantes em eventos grandes porque estava com o olho no lcd da camera….com estes conselhos agora nao cometo mais esses erros…anotado

    • Dá um dor, né? Pior que não ter feito backup, porque aí não tem mesmo como recuperar, voltando o momento.

  • Concordo com a matéria e ainda reforço. Tem um vídeo no Youtube que um prédio ia ser implodido, então uma senhora se abaixa para pegar o cachorrinho dela e fica de costas para o prédio, neste exato momento o prédio é implodido e ela perde a cena pela qual estava ali para ver.

    • Muito bem lembrado! Conheço este vídeo, é mesmo um ótimo exemplo de como não devemos nos distrair em horas importantes (como quando estamos fotografando em situações únicas — ou seja, quase sempre).

  • como iniciante achei muito interessante as recomendações, pois em seguidas vezes nos encontramos na situação de dar mais atenção ao equipamento que a fotografia ou ao motivo. Excelente.

  • Destacaria também: só formatar o cartão quando além de descarregar no hd, atualizar os backups, vai que o hd pare…

    • Sim, é sempre bom lembrar. Inclusive já aconteceu comigo de comprar um HD novo mas não testá-lo direitinho antes de começar a jogar montes de coisa nele…

  • Concordo. Como fotografo festas infantis e 15 anos tenho que estar 99% atento para não perder nenhuma cena importante. Por esse motivo é que chego com alguma antecedência aos eventos para verificar a luz do ambiente e já deixar a câmera preparada (como comecei a fotografar com câmeras analógicas já tive base para saber como sai uma foto sem ter que vê-la após clicar); não esquecendo que hoje em dia, com as digitais, não se tem aquele problema de gastar cliques (“queimar filme” no linguajar fotográfico). Então, na dúvida, é recomendado fazer mais de um clique daquela foto que não se quer perder.
    Grande abraço em todos.

    • Faz muitíssimo bem, Francisco!
      E é sempre bom ter o depoimento de alguém mais experiente por aqui! Muito obrigado!

  • Dica super valiosa!!! Realmente não temos como avaliar de forma exata na telinha da camera. Gratidão pela ajuda!!!

    • Disponha, Ana!
      É um prazer nosso trazer artigos que ajudem a todos, dos mais iniciantes aos experientes! ;)

  • Interessante esta orientação. Quando li o título pensei em algo como “perigo de corromper o arquivo ao deletar”. Na verdade até o autor comenta sobre este risco mas o cerne do texto fala na distração e na impossibilidade de avaliar com absoluta certeza se o que estamos deletando é realmente descartável. Tenho esta mania de deletar na hora as fotos que acho ruins e sempre avaliando pela telinha do LCD da câmera, nem tão confiável assim. Vou reconsiderar a partir de agora.

  • embora já tenha recebido essa observação por esses motivos
    nunca será demais recebela de quem tem uma vivença direta nesse assunto

  • meu filho fez algumas fotos minhas em meu aniversário e deu zoom em uma delas em que eu saí com uma cara de morto kkkk, aí ele deletou , quando ele mudou para ver a próxima foto a câmera não sai do modo zoom no LCD e o que ele enxergou fez ele pensar que tinha disparado sem querer, pois era só um pedaço de persiana, e assim ele fez com 4 ou 5 fotos….resultado, perdi todas as fotos espontâneas do momento do bolo

    ele não se perdoa , mas coitado, só tem 13 anos

    • Poxa… tentou recuperar do cartão depois?
      Terrível essa perda justo por um bug na câmera (ao que parece)!

  • Muito bom o texto e as dicas. Um outro ponto que eu não fico deletando imagens e que depois de analisar as fotos eu posso ver erros que talvez eu tenha cometido, e desta forma posso me corrigir e melhorar onde estou errando. Muito bom, parabéns pela matéria!!!