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Para não dizer que não fotografei as flores 5/5 (1)

Perdi as contas de quantas vezes escutei algum fotógrafo criticar os tipos de registros “preferidos” pela maioria dos iniciantes, ou o simples fato de fotografarem demais.  O que sempre me incomodou foi o tom dessas observações, pouco construtivas, sarcasticamente destrutivas e na maioria das vezes feita por gente estagnada. Acho engraçado, principalmente porque não há como pular o amadorismo fotográfico, o que envolverá vários cliques, geralmente de assuntos comuns e pouco justificados visualmente.

Através das lentes o mundo se torna tão fascinante que empolga, vicia, e pode até fundamentar tantas fotos de flor, inseto, bicho de estimação, céu, denúncias urbanas, autorretrato privilegiando a máquina e não o autor…  Importante é digerir bem essa fase.

Melhor será se conseguir passar por todas essas etapas e tentações de uma forma criativa, afinal, o clichê não precisa ser chato e desgastante. Há um universo de ângulos, enquadramentos e possibilidades.

A questão não é incentivar trabalhos ruins, mal elaborados, vazios… Convenhamos, o determinante nunca foi o quão frequente um registro é, mas tropeçar nisso é fundamental.

Escalando o ponto comum o futuro profissional se identificará com a sua preciosa área, não é uma regra, mas será revendo os registros depois de um crescimento técnico e cultural, que muitos deles selecionarão sua linha, conduta, e desenvolverão seu trabalho, a partir disso, enfim “profissional”.

Nasce a reflexão prévia, mas instantânea, a cautela automática no disparador, o escape criativo, a captação essencial de conceitos técnicos, aquele que aposta menos na sorte e confia na própria capacidade, um profissional com vergonha do amador, exatamente porque foi um, e que busca se libertar de tantas regras.

Ninguém alcança o auge sem alguns deslizes e muito menos repetindo conceitos formados sem um bom argumento, ou ao menos sem entender, estudar, cultivar, e ainda assim não estaremos livres de praticar alguma tolice.

Alguns sequer conseguiram ultrapassar o tal amadorismo, mas imperam classificando o que é certo ou o que é deselegante.

A informação corre solta na internet, a liberdade de expressão é fabulosa, ajuda muito, mas perdemos o senso de classificação, em que acreditar? Nos que odeiam flash, nos que amam analógicas, nos que desprezam a edição de imagens ou nos que vangloriam Cartier-Bresson?

É hobby, entusiasmo ou profissão? Será que suas 100 fotos de hoje são tão aproveitáveis quanto as 300 de ontem? Ou será que se acostumou com a falta de qualidade e acreditou num potencial natural? Deu razão a todos os elogios, desprezando as críticas? Hoje começaria como a sua carreira?

Questione, resista, reflita, não se contente, valorize o poder das imagens.
Que sejamos sinceros, para as banalidades fotográficas já podemos usar o Instagram e culpar o celular.

Nada mais justo do que começar parafraseando Geraldo Vandré, e ainda finalizar com o famoso refrão, inspirando uma profunda reflexão:

 “Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer”.

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10 Comentários

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  • Costumo dizer que quem sabe o que faz, ensina e não debocha de quem 'ainda' não sabe…..e seu post só vem confirmar minha teoria. Parabéns!

  • Legal teu texto.
    Às vezes, me parece que ler muito sobre o assunto, principalmente na web, termina me "amarrando" ao invés de me ajudar. Todo mundo parece perfeito, sabido demais e diminuindo quem ainda patina bastante. Ainda erro muito no entusiasmo do "clic" e depois me arrependo de não ter pensado um pouco mais antes da foto, mas esse entusiasmo me faz levantar cedo e sair de novo no dia seguinte. Acho que o "papo-furado-fotográfico-artístico" tá me fazendo mais mal do que bem.
    De volta aos livros e ao despertador…

  • Que belo texto! Você me falou sobre tantas coisas.
    Que eu amadureça, sem jamais perder minha paixão. Não estou certo se quero me distanciar tanto assim da minha inocência. Tenho medo de me tornar experiente demais e atrofiar o meu vigor, a minha disposição.
    Chega o momento que em que devemos interromper a leitura, abrir mão dos "mapas" e continuar a viagem por conta própria, e somente um fotógrafo apaixonado tem vigor suficiente para prosseguir, e assim levantar voou.

  • Quantos dos fotógrafos de hoje já fotografaram só com câmeras analógicas só no modo manual(Tipo Zenit 35mm, com lente 44mm hélios) e de um rolo de filme de 36 poses,aproveitar 30 em fotografia de casamento?
    Ou seja, a era da camera digital facilitou muito as coisas!!

  • Oi Mariana, que legal o seu texto fala muito do que ando passando, e ele me ajudou a bastante em seguir em frente…

  • Como diria nos Fiodor Dostoievski: para que tenhamos experiencias é necessario que não cometamos erros, porém, para que tenhamos experiências é necessário que cometamos erros…

  • Muito bacana seu texto mariana, parabéns !!! Acho lamentável mesmo criticar por criticar e sem alguma base, quem está iniciando, pois todos um dias já passaram por esta etapa. Tem espaço, estilo e público para todos… quantos mais puder ajudar alguém melhor…quem ganha é a fotografia. pensar apenas em si próprio é muito pequeno. Viva aos erros e acertos..e melhor, quem sabe tirar o real proveito deles.

  • Adorei o artigo, amo a Fotografia desde muito criança, hj tenho alguma experiência graças a muitas bobagens e erros q cometi as custas de muitos disparos e experimentos q fiz. Abraço a todos.

  • Muito bom seu texto. Também acho chato demais pessoas experientes na arte fotografica tripudiando em cima de iniciantes ou de cliches. Não existe padrões ou limites, cada um sabe o que quer e até onde quer chegar. Valeu!

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