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Noivo com noivo ou noiva com noiva pode? — toques sobre amor e ensaios com homossexuais 4.29/5 (7)

Não é de hoje que existem os homossexuais, mas infelizmente o preconceito também é antigo. No entanto, vale mantê-lo ao fotografar?

 

Já não é novidade para quem acompanha o meu trabalho e também para os meus clientes que eu sou fotógrafa de família e que a minha maior paixão é a fotografia infantil, mas já faz algum tempo que tenho refletido muito sobre a fotografia de família com os novos tipos de família… E isso começou quando pensei se deveria ou não misturar fotografia infantil com fotografia de casais homossexuais.

O meu medo? Perder os meus clientes por um possível julgamento.

A minha motivação? O amor.

Acontece que o medo, por vezes, se sobrepõe à motivação, mesmo que a motivação seja muito maior que o medo, porque este paralisa. Por fim, resolvi pesquisar, o assunto também surgiu em grupos de fotografia que participo, busquei referências e nada disso foi o suficiente para me convencer sobre seguir nenhum dos dois caminhos por uma questão bastante clara: há tanto preconceito espalhado entre algumas pessoas quanto há consciência emocional presente em outras.

E eis que surge uma questão, que me fez tomar um partido: Até que ponto é valioso relevar àquilo que se é e que se acredita por medo do “comercial”? Isso também é ter preconceito (velado, certamente) pelo mundo em que se vive.

Sobre ensaios com homossexuais

E eu passei a observar…

… Observei a quantidade grande de casais homossexuais que têm se formado, ao número de homossexuais que eu vejo lutando pelos seus ideais, direitos e cumprindo o seu papel de cidadão no mundo e observei proporcional quantidade de heterossexuais que também têm buscado as mesmas coisas.

… Observei a alegria de famílias tidas como “convencionais” pela sociedade ao gestar e conceber um bebê, da mesma forma que vi homossexuais criando crianças com tão vasto amor.

… Observei a fila enorme de crianças para adoção, frutos de famílias convencionais, sendo procurada e auxiliada por homossexuais, assim como vi a grande procura por formas de se ter um bebê por parte das novas famílias.

… Observei carinho na fila do supermercado das novas e das convencionais famílias.

… Observei princípios por parte de ambas também.

… Observei lares muito bem estruturados por heterossexuais e por homossexuais também.

… Observei o amor. O amor que transcende à existência e que forma famílias: Famílias de dois, famílias de duas, famílias deles, famílias delas, mas famílias, no sentido mais bonito dessa palavra e então eu pensei:

Sobre ensaios com homossexuais

Como o amor pode prejudicar alguém? Não há nada de negativo nisso! Uma criança perto de um homossexual continua sendo uma criança. Uma criança perto de um heterossexual continua sendo uma criança. Uma criança criada por um homossexual continua sendo uma criança. Uma criança criada por um heterossexual continua sendo uma criança.

O carinho e o amor são os mesmos, se não forem até mesmo maiores, porque, uma vez que você precisa lutar para ter voz, que você precisa relevar muitas coisas para ter respeito e que você sente na pele o quanto esse mundão pode ser desumano, você é capaz de ter ainda mais amor por você, por quem você ama e por quem você gera…

Logo pensei que as novas famílias são incríveis e que não existe exemplo maior de resignação que as novas famílias e então percebi: Não existem “famílias convencionais” ou “novas famílias”, existem “Famílias”, que criam lares por amor… e qual o sentido de eu, homossexual,  fotógrafa de família, com paixão por crianças, separar uma coisa de outra? Não existe sentido em separar as pessoas em grupos, uma vez que eu fotografo o amor.

E o amor?

Bom, o amor não tem sexo, é simplesmente amor!

Eu acredito e defendo isso e acho que, por ser assim, devo fazer minha pequena parte de não fazer divisões e tentar conscientizar as pessoas próximas a mim a pensar assim também.

Sobre meus clientes, acredito não ter problema nenhum com os que já são, e aos novos, se houver algum preconceito e apenas por isso não se interessarem pelo meu trabalho, apenas sinto muito. Não por “perder” um cliente, mas por me deparar com pessoas assim.

Por isso então, eu digo a todas as famílias (novas, convencionais, famílias de 2 ou de 5, com animais ou sem ou seja lá como for):

Noivo com noivo ou noiva com noiva pode? Claro! Sejam bem vindos às minhas lentes!

Sobre ensaios com homossexuais

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  • Maykon Douglas

    Fotografar casais é trabalho, não importa se o casal heterossexual, homosexual, casal de jovens ou de idosos, de perfil atlético ou sedentário, portador ou não de deficiência física ou mental. Cabe a nós fotógrafos, ter criatividade, e aperfeiçoar nosso olhar sobre as diferentes formas de afeto, e não julgar clientes. O que é avanço? O que é retrocesso? É mais, o que estas duas palavras dizem a respeito da vida das pessoas? O que vale afinal, uma vida politicamente correta e bem vista aos olhos da sociedade? Ou uma vida de felicidade, autenticidade, singularidade e VIDA?

    Termino com a seguinte reflexão;
    Se o olhar de um fotógrafo não é igual ao de outro, porque as pessoas deveriam ser umas iguais as outras?

  • Ana Paula

    Sem se alongar também, essa normalidade da Grécia antiga nada tem a haver com uma visão igualitária do direito de amar, e constituir família com quem se ama independente da orientação sexual, isso, a meu ver, nunca existiu como nos dias atuais, logo a comparação é válida. E não existe obrigatoriedade no assunto, existe um número maior de pessoas que falam sobre aquilo que as interessam, não há nada de forçado nisso, e falam pra quem se interessa em ouvir, e isso ninguém é obrigado. De qualquer forma não deixa de ser interessante ouvir os incomodados, que também parecem ser uma obrigatoriedade do tema.

  • Paulo Henrique

    Sem querer me alongar, mas convém explicar melhor. A "praga" aqui é no sentido de "pauta obrigatória", forçada, nada além.

    A propósito, se analisarmos a história, ela toda, veremos que já houve épocas muito liberais em termos sexuais, inclusive no que tange à aceitação do homossexualismo. Na Grécia antiga as relações homossexuais eram vistas com normalidade, aliás, inclusive entre homens maduros e garotos (tangenciando, senão incorrendo, em pedofilia). Digo isto para que possamos ter claro que essa temática nada tem a ver com uma suposta evolução do ser humano ou de seus costumes. Tanto não tem que, a depender da época e do lugar no passado que adotarmos como referencial teremos não um "avanço" nos costumes, mas um "retrocesso", uma volta.

    Fico por aqui,

    Abç.

  • Entendo, mas acho complicado quando se trata uma diminuição de preconceito, seja lá qual seja, como um "tema que virou praga".
    A aceitação de certas coisas na sociedade é difícil e leva tempo, um dia mulheres não tinham direito de votar, e tenho certeza que na mudança de pensamento da época tinha gente que achava o assunto uma praga, uma coisa chata e desnecessária. Hoje, o que se pensava naquela época é completamente absurdo, e um dia a discriminação contra casais gays também será, questão de tempo.
    Desculpe Paulo, não quero transformar o assunto num debate, mas troca de ideias são sempre bem-vindas. Sei que teu comentário não teve má intenção.
    Abs.

  • Paulo Henrique

    Esse tema virou uma praga. Agora, até em site sobre fotografia. Francamente, afora os homossexuais – que naturalmente tenderão a gostar de fotos de pessoas do mesmo sexo abraçadinhas e coisa e tal – não passa de hipocrisia ou vontade de ser politicamente correto um heterossexual dizer que consegue ver qualquer beleza em duas pessoas do mesmo sexo em "poses românticas".

    Agora, para o fotógrafo profissional é mais um nicho, mais $, portanto, tá valendo.

    • Por que hipocrisia? Não seria prepotente da sua parte achar que o mundo todo pensa igual a você?

      • Paulo Henrique

        Não me leve a mal, Rodrigo. Não li sua opinião antes de postar, de modo que não pretendi me dirigir a você.

        De qualquer modo, penso que não seja prepotência, mas simples constatação da realidade. De qualquer forma, fui precipitado ao escrever "hipocrisia", pois generalizei, deixando de lado as exceções. Aproveito, então, para emendar o que escrevi acima desta forma:

        Onde se lê "- não passa de hipocrisia …" leia-se "- com raras exceções, não passa de hipocrisia…"

        Abç.

  • Excelente! Já fotografei alguns casais gays e posso dizer que a sintonia deles é melhor que a maioria dos casais ditos convencionais, pois eles enfrentam muita coisa para poderem estar juntos como um casal.
    Quem quiser dar uma olhada nos ensaios: http://www.nadalinfotografia.com.br/blog/

    • Graziela

      É isso mesmo, Rodrigo.
      Muito bacana suas fotos! Parabéns!

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