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Revelando as 7 principais importâncias da fotografia 4.67/5 (33)

Fotografia não é só mais uma fruta na feira — mas qual a importância da fotografia? Melhor: quais as importâncias? Reges Pineze explica as sete principais

Muito se discute sobre ser ou não ser um profissional na fotografia, sobre valores de produtos e serviços, sobre os melhores equipamentos e sobre uma infinidade de picuinhas que, no fundo, não fazem o menor sentido se discutidas isoladamente como vejo acontecer.

Ao mesmo passo em que se permite aos novatos cobrarem o que quiserem por uma foto, estes mesmos permitem aos já estabelecidos fotógrafos fechar o cerco e dificultar sua entrada no mercado da fotografia. Tudo isso pela falta de informação e respeito pela profissão e pelos profissionais. É uma reação óbvia e já esperada de um mercado que possui o medo como seu principal combustível. Sim, muitos profissionais já estabelecidos tem receio da concorrência. O brasileiro, de forma geral, tem medo da concorrência. Talvez por conhecerem a desleal competição do negócio desde muito cedo, quando eram eles que estavam chegando no mercado. Talvez, simplesmente por não estarem preparados para o que se propuseram a fazer. Independente disso, esse tipo de coisa é comum e frequente em várias áreas profissionais e não seria diferente na fotografia.

Como mudar isso?

Estudando, se atualizando, investindo, se preparando para o mercado, fazendo bons contatos, mantendo uma relação de amizade e companheirismo até com os concorrentes, estimulando os colegas, desafiando seus medos, pedindo ajuda, parando de permitir que seu EGO domine seu bom senso e sendo autocrítico com sua própria fotografia, sendo sensato e tendo, acima de tudo, uma postura mais honesta em relação à fotografia.

Uma das principais queixas que tenho percebido em “profissionais” (de todos os tipos) é que o negócio está cada vez mais difícil e que os clientes não dão mais importância à fotografia quanto antigamente, que se seduzem facilmente por um preço mais baixo. De certa forma, concordo com isso sim, afinal, havendo a possibilidade de fazer registros que antigamente não eram possíveis ou viáveis de serem feitos por qualquer um é natural que haja uma diminuição da procura por determinados serviços ou profissionais. Porém, há muito caminho nessa estrada para dizer que é somente isso o motivo.

Pensando a respeito, fui além. Organizei meu pensamento e coloquei-o no papel. Discuti com algumas pessoas a cerca da importância da fotografia e sempre fazendo os mesmos questionamentos:

Qual a importância da fotografia na sua vida?

Qual a importância da fotografia na vida dos seus clientes?

Qual a importância da fotografia para a existência humana?

O que me preocupou foram as respostas. Quase sempre, silenciosas, vazias, acompanhadas de sons indefinidos, gagueira ou alguma brincadeira que fizesse a situação de resposta desaparecer. Conclusão: Nem os fotógrafos, hoje em dia, sabem ou direcionam seu trabalho pautado nas importâncias que a fotografia tem. Ai sim podemos prever, claramente, que tudo só vai piorar se continuar assim.

Quer saber se algo é realmente importante na sua vida? Exclua isso da sua vida e veja se você consegue sobreviver sem ele. Esta é a importância das coisas na nossa vida e é claro que a fotografia não está nas primeiras colocações. Eu viveria tranquilo sem fotografia. Não quero desmerecer a fotografia, de maneira alguma, mas tê-la em seu devido lugar é justo! É claro que a fotografia tem sua importância sim, mas não adianta dizer que ela é a coisa mais importante em um casamento, por exemplo, porque não é! O padre, pastor ou juiz é mais importante. A religião e a lei, portanto, mais importantes. Que por consequência, as testemunhas, também mais importantes. Os noivos, ora, sem eles nada daquilo existiria. São os mais importantes… e por ai vai. E a fotografia está lá… no seu devido lugar. Tentar empurrar uma ideia de que ela está acima de coisas que não está é, no mínimo, insensato.

Frutas têm sua importância, mas quais as da fotografia? - (c) Reges Pineze

A fotografia tem várias importâncias e vamos vê-las agora:

Importância histórica – o registro

A fotografia é mais um dos vários métodos de registro de informações. Há a pintura, a escrita, as artes plásticas, os vídeos ou cinema e a fala. Através de todos esses métodos é possível que se registre informações para serem passadas de geração a geração. O fato de podermos transmitir informações aos nossos filhos, netos e gerações futuras, de deixarmos algo para a história posterior é que faz a importância do registro. As primeiras fotografias, fotografias das guerras, escravos, estilo de vida de muito tempo atrás, são importantíssimas para a compreensão de como tem sido nossa evolução.

Importância genealógica – a herança

Ter uma prova de que se esteve com alguém ou um grupo é algo muito importante para o ser humano. Os grupos familiares reunidos em frente a uma câmera, os grupos de trabalho, o casal apaixonado passeando por seus lugares prediletos. Os netos, os filhos, os pais, os avós e a confirmação de que aquele membro realmente pertenceu àquele grupo. Isso nos trás um sentimento de pertencer verdadeiramente àquela história em particular, naquele dado momento e lugar. Esse entendimento de quem conheceu quem, através de quem e com quem é algo muito importante para sabermos mais sobre nossa dinâmica e a das pessoas próximas a nós.

Importância cognitiva – a memória

O mudo é feito de memória. Eu vivo dizendo isso. A memória é tudo no meu ponto de vista. Sem memória não há interpretação ou sentido em absolutamente nada. Seja a memória física, genética, energética, virtual ou cognitiva, não importa. Tudo só existe por causa da memória. E quando digo tudo, digo tudo mesmo! Mas aprofundar aqui é algo um pouco mais complexo, então, fixemos o pensamento na questão de que a memória do que vivemos, do que sentimos, de quem conhecemos é o que será, na maior parte, responsável por quem seremos no futuro. Portanto, vamos nos lembrar daquilo que é bom e da melhor forma possível. Isto se tornará importantíssimo na formação do “quem sou eu” no futuro.

Importância psicológica – o estímulo

Para nos lembrarmos de algo ou alguém é necessário que sejamos estimulados. Geralmente conseguimos esse estímulo por vontade própria mesmo, desejando lembrar e lembrando, simples assim, pois tudo que vivemos, tudo que conhecemos no passado, está guardado na nossa cachola e só não nos lembramos de tudo por falta de estímulo, porque está lá… está sim! Guardado em algum lugar. Seja bom ou ruim, está lá. Basta termos um estímulo para nos lembrar. A fotografia é um ótimo estímulo visual para nos recordarmos de pessoas, lugares, situações, etc. Com ela vem o cheiro, o tato e toda a sorte de memórias sinestésicas possíveis. Além disso os estímulos proporcionados pelas imagens servem ao mercado de forma extraordinária, estimulando-nos a escolher, decidir, sentir, comprar, investir, vender, comer, amar, etc. Se há um lugar na fotografia onde esses estímulos se fazem presentes a todo momento é na fotografia publicitária.

Importância sentimental – a emoção

Como já foi dito, ao se ter acesso às memórias passadas e/ou detalhes de memórias recentes, nossa memória sinestésica entra em ação e podemos até reproduzir a situação em nossa mente, sentindo o cheiro do local, da pessoa, lembrando do toque do vento na pele, dos olhares que se encontraram e isso tudo nos faz sentir emoções (salvo algumas pessoas que tem problemas e não sentem emoções com essas coisas… rsrsrsrs). Estas emoções podem ser responsáveis por momentos depressivos sim, porém, podem ser responsáveis também por aquela força extra que conseguimos não sabemos de onde para superar obstáculos e seguir em frente, melhores e mais fortes.

Importância criativa – a expressão

Ser, apenas, não é suficiente. Você tem que ser para os outros. Sozinho não há sentido em ser muita coisa, mas quando temos quem reconheça quem somos, ai sim muita coisa faz sentido em nossas vidas. Para sermos é preciso nos expressarmos e quanto melhor nos expressarmos, melhor seremos interpretados, o que pode ser bom ou ruim dependendo da forma de expressão. Independente disso, quando nos expressamos temos algo mágico que é o poder de concentrar todo nosso conhecimento e modificá-lo à nossa maneira antes de exteriorizá-lo, sendo assim, seres criativos, que criam coisas diferentes a partir de outras coisas iguais ou diferentes e a matriz disso tudo é quase infinita de possibilidades.

Importância profissional – o negócio

Sendo assim, enquanto fotógrafos, deveríamos conhecer muito bem todas essas importâncias para comercializá-las, pois como profissional desta área acredito que não seja necessária, com tanta importância assim encontrada em uma fotografia, a utilização de métodos desleais de concorrência e utilização de cursos fajutos que vendem um título magnífico acompanhado de um conteúdo medíocre, pobre ou até enganoso; de um serviço baseado em status ou no nome da pessoa e não na forma ou qualidade do produto em si; de postagens infinitas de fotos estúpidas, mal feitas, com uma marca d’água horrível e desprovidas de zelo, seguidas de justificativas fúteis, egocêntricas e ameaçadoras quando recebem o primeiro comentário de alguém que achou aquilo uma merda; de profissionais que conhecem, que sabem, mas não compartilham, nem mesmo em seus eventos pagos, as informações importantes com aqueles sedentos por conhecimento. Enfim, não precisaríamos de muitas coisas que andam acontecendo no mercado da fotografia.

O fato é que pouca importância se dá quanto às importâncias da fotografia e em meio a um mundo onde um kit de presets ou actions novo é lançado a cada semana, onde um DVD de açúcar refinado é vendido como sendo a cereja do bolo, onde aventureiros adentram ao mundo da fotografia vendendo seus “serviços” sendo que não tem a mínima noção do que é ser um profissional ou trabalhar com fotografia ainda. E adivinha só quem é que sai perdendo no final dessa triste história!?

Espero que com esta reflexão a cerca dessas importâncias que, ao meu ver, são fundamentais para a existência de uma fotografia mais honesta, autêntica e útil para nossa sociedade, possamos desenvolver cada vez mais nossos sentidos e entender, captar e saber utiliza-los para o bem, para algo melhor, para ter um maior comprometimento com a fotografia, maior responsabilidade para com nossos clientes e mais esperança para com o futuro.

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Reges Pineze

Sou formado em Psicologia pela PUC-GO, trabalho como freelancer na fotografia há uns 12 anos aqui em Goiânia e faço stock photos em casa.

14 Comentários

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  • Reges, parabéns, fazia algum tempo que não lia um artigo tão interessante. Neste passo, penso, que você tem se subestimado ao utilizar o termo "coisas" excessivamente, ao invés de tentar aplicar o sentido por você mentalizado. Abraço, tudo de bom.

  • A questão, para mim, não é só o valor da fotografia, mas o que ela representa para os clientes de seu segmento. É muito difícil criar cultura nas pessoas para que elas percebam os valores citados e optem por investir um pouco mais em qualificação. Já passei por essa problemática no mercado de design. Ficou fácil e barato criar qualquer coisa, mas consegui manter e melhorar o valor de meus serviços de consultoria, porque trabalhava com empresas que precisavam de design, que estão em franca competição e qualquer coisa não atende. Não consigo vender serviços de design para quem não precisa, não consigo vender serviço de fotografia para quem não gosta de foto. Quem gosta, tem algo para fazer com ela, e normalmente, elas se encaixam nas opções do texto do Regis Pineze. Abraços para todos.

  • Texto muito bom. Porém, estou começando na fotografia, estudando e lendo tantos artigos quanto posso, mas ainda não entendo por que a maioria dos fotógrafos profissionais desmerece os iniciantes. Todos foram iniciantes um dia. A maioria iniciou sem recurso, como é o meu caso, que estou fazendo dívidas e mais dívidas para comprar cursos, materiais, equipamentos etc. Tenho e sempre tive (até mesmo muito antes de pensar em trabalhar com fotografia, que hoje penso) muitas opiniões em comum com você, sobre a importância de cada coisa e a posição que fica o registro fotográfico dentro disso, mas me desaponto quando leio um artigo que tenta fazer com que eu me identifique como apertador de botões, aventureiro, metido a fotógrafo ou coisa do tipo. Quando leio que fazer fotografias para amigos ou amigos de amigos de graça, pelo prazer de fotografar e pelo estudo que aquilo permite, é prejudicar o mercado, não entendo, não concordo.

    • Olá Bruno! Primeiramente muito obrigado mesmo por expor sua opinião. Você enriquece os outros leitores com ela!

      Mas vamos lá… rsrsrsrs. Bom, não se trata de "desmerecer" os iniciantes mas sim de alertá-los sobre os perigos e tê-los em seus devidos lugares como deve ser com tudo que é organizado em nossa vida, mas isso nada tem a ver com fazer fotos de graça ou não.

      Veja, em um outro texto meu aqui eu discorro sobre isso e minha opinião resumidamente, é a seguinte: O problema não é fazer a foto de graça. O problema é de onde vem a solicitação. Só isso! Um exemplo: Vc pode convidar quem vc quiser pra fazer fotos de graça. Pode inclusive passar o resto da sua vida fazendo excelentes fotos de graça de quem vc quiser como um hobby, porém, "você" é quem vai escolher a pessoa, o local, a hora e como vai fazer essa foto. Isso não tem problema nenhum. Agora, a coisa muda de figura quando quem solicita é a outra pessoa. Ora, ela está em busca de um serviço, como vc busca o eletricista quando precisa dele, o dentista, o advogado, o mecânico… não importa. E se ela está em busca de um profissional para executar um serviço para ela então você deve cobrar sim e não fazer fotos de graça ou estará sim prejudicando o mercado de quem vive por vender este serviço. Se a busca partir de você, tudo bem… mas se a solicitação de ter uma foto vier da outra pessoa, ai não é oportunidade de fotografar, é um serviço e deve ser cobrado. Só isso.

      Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato de vc ter dito que está se endividando para adquirir equipamentos e conhecimento. Olha, cuidado viu! Muito cuidado com isso ou a fotografia pode se tornar um pesadelo pra você.

      E independente do que eu ou qualquer outra pessoa diga sobre fotografia ou como agir ou deixar de agir, siga seus instintos. Não conhecemos a situação de todos e podemos dizer coisas que simplesmente não condizem com sua realidade ou não servem pra você. Acredite, continue, siga em frente e conte com toda ajuda possível.

      Um abraço!

  • Sei que não foi a intenção desmerecer a fotografia, mas gostaria de ressaltar que, além dos usos mais comuns e dispensáveis citados, existem ramos da fotografia onde ela é essencial, sem a qual o trabalho em questão simplesmente não poderia ser feito: fotografia pericial, biologia, astrofotografia, direção de fotografia (cinema, televisão, etc), e talvez outros que não me recordo agora. Portanto, em certas situações ela não é opcional, e talvez não viveríamos tão tranquilos sem ela. Me corrijam se acharem que eu estou equivocado.

    • Muito obrigado pelo seu feedback Rodrigo Santos!
      Sim, de forma nenhuma quis desmerecer mesmo a fotografia… apenas enfatizando aqueles profissionais que tentam comercializá-la como sendo a parte mais importante de um processo em que ela não é. É como já ouvi gente dizendo que a fotografia é a parte mais importante de um casamento e sabemos que ela não é… antes vem os noivos, a religião, a lei, o padre ou juiz, as testemunhas, as alianças e por aí vai… inclusive a comida é mais básica e essencial do que a fotografia.
      Nos exemplos que citou eu concordo plenamente com vc. Tem coisas que simplesmente não poderiam acontecer sem a fotografia. É só uma questão de atender as necessidades de um cliente… se é uma mamãe que vai ter um filho ou um investidor que quer construir um observatório… só as importâncias é que vão mudar.
      Adorei seu comentário! Muito obrigado… :)

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