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Assinatura e Legendas em Fotografia

Comecei a realizar coberturas fotojornalísticas de eventos de dança há quase 20 anos (1997). Foi uma época onde a internet como conhecemos hoje dava seus primeiros passos. As fotos que eu fazia eram para alavancar os anúncios no meu portal dancadesalao.com, naquela época sites ainda eram importantes e eu conseguia uns 1.000 acessos diários. Em tempos onde poucos realmente acessavam a internet, esse número era muito bom para um site independente.

As fotografias eram postadas em tamanho bem reduzido, em qualidade e em dimensões em pixels (320×240 por exemplo). Era necessário que as páginas fossem bem leves para que o usuário comum que acessava com a “poderosa” internet discada de cerca de 1/4 de mega pudesse visualizar confortavelmente as fotos publicadas. Em 1999 comprei uma Kodak digital de um megapixel que dava e sobrava para o trabalho. Minha Nikon FE com lente 50mm 1.4 foi ficando apenas para momentos mais elaborados.

Mas mesmo antes de passar para a era digital eu, quando postava algo no site, já me preocupava com as informações da foto. Claro que eram postadas em páginas específicas em meu site montadas para o evento com sua descrição e nome de quem eu conseguia descobrir. Hoje em dia posto em álbuns das redes sociais que também permitem a colocação da descrição do álbum e tem o ótimo recurso de marcação de pessoas. Porém, desde aquela época os internautas já copiavam as fotos para si, e muito tempo depois já nas primeiras redes sociais, como o Orkut, eles as colocavam em seus próprios álbuns, que não eram álbuns só para as suas fotos do evento original. Conclusão, anos depois eles tinham dificuldade de saber do que se tratava e quem via essas fotos tinha mais dificuldade ainda.

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Já pensando nessa perda de informação eu logo lembrei de congressos de outras áreas que participei na década de 1990, onde o fotógrafo (ainda época de filme) colocava o nome do evento nas fotos já reveladas que vendia dentro do evento. Lembrei também daquela fotógrafa de restaurante ou ponto turístico que também colocava informações. Lembrei da data e hora estampada diretamente nos negativos, no momento do clique, nas máquinas analógicas e como eu gostava desse recurso (embora quase sempre a data ficasse errada por esquecimento de acertar o relógio). Antes de existir este recurso, após a revelação muitos laboratórios colocavam a data na borda da foto ampliada, e normalmente era o mês e o ano da realização do serviço e não necessariamente correspondia a data real.

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Na foto acima o recurso de data e hora de uma máquina de filme (negativo, data no canto direito inferior, embora pouco visível, com esforço se lê 23/11/2002).

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Na foto digital acima o mesmo recurso de data, estampada na imagem diretamente, da mesma maneira que se faria em um negativo.

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A foto acima tem a colocação de data na borda pelo laboratório que revelou e ampliou. Foto de minha autoria, sem assinatura.

Não tive dúvida, meu trabalho era cobertura fotojornalística documental de dança, então tinha que ter essas informações escritas na própria foto e desde então quase nunca deixei de colocar.

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Anos se passaram e a fotografia se disseminou graças à era digital e a internet. Muitos começaram a falar que era feio escrever na foto, que era coisa de amador etc. O que eu retrucaria dizendo que o amador justamente não coloca e que aqueles fotógrafos de congresso ou restaurante eram profissionais. Mas aí vão querer desmerecer o trabalho de nossos colegas, então…

Na época que comecei, o estudo da fotografia se fazia com máquinas de filme, SLR, e com livros técnicos, além de raríssimas revistas fotográficas, sendo que era obrigatório comprar alguma importada, mesmo caríssima. Então buscar referências fotográficas não era fácil como hoje e não tinha o vasto mundo de possibilidades que a internet nos apresenta. Em 1998 comecei a pesquisar sobre a história da dança de salão brasileira e em 2001 lancei um livro a respeito (referenciado nesta biblioteca: https://lccn.loc.gov/2004342326). No período de pesquisa recorri aos métodos da época que consistiam em garimpar livros em sebos e publicações na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, tudo sem os recursos atuais da internet. Nessa época descobri os fotógrafos Augusto Malta e Marc Ferrez. Não vou nem comentar a quantidade de pintores, gravadores, escultores entre outros, que pude conhecer ou me aprofundar em suas obras, nesse período. Mas, o que interessa para nós, neste artigo, são os fotógrafos e infelizmente, apesar de buscar em suas obras alguma referência para minha pesquisa, não achei nada. Claro que não se pode dizer que não exista nada, mas na época, procurando “analogicamente”, não achei nada. O que eu achei, além da obra desses grandes fotógrafos (que eu lembro muito bem e admiro) foram fotografias sociais feitas por Augusto Malta onde ele escrevia de próprio punho do que se tratava o evento, na frente da própria foto. Vendo uma fotografia de quase cem anos, perdida em sua obra, seria impossível saber do que se tratava se ele não tivesse feito isso. Então eu acho que estou em boa companhia quando coloco os dados do meu site, data, local e o nome do evento em cada foto documental/jornalística.

4301297Um Trecho da Av. Central (Rio de Janeiro), com data de 1907 e Assinado Augusto Malta
am_1906_01barra-aFoto em cartão postal de Marc Ferrez

Outros diriam que nunca viram ninguém colocar isso em fotos de revistas e jornais impressos e até o nome do fotógrafo ficava ao lado da foto e não dentro. Bem, jornal é papel, tem toda a descrição no entorno da foto, quem quer guardar a informação guarda a notícia toda. Ou seja, não é necessário colocar na própria foto porque vem toda a informação na notícia. Quem não quer informação, recorta, assim como muitos fazem em minhas fotos na internet e a informação então se perde da mesma maneira. Não se pode fazer nada em relação a isso, apesar de ferir o direito autoral tanto a retirada do nome como a alteração do corte da foto.

Ah, e a assinatura ? Malta e acredito que muitos dos fotógrafos de sua época e anteriores, colocavam seus nomes, a fotografia viajava de mão em mão, de caixa de sapato para caixa de sapato, da mesma maneira que hoje passeia pelos perfis das redes sociais, e o nome do autor precisava e precisa ser preservado.

Nos jornais impressos o nome ficava ao lado e era só recortar a foto com o nome do autor, na internet a comparação seria com um print screen (passar para um arquivo a imagem da tela/ecrã) e o nome estando ao lado ficaria então guardado se assim se desejasse. Mas, quem dá print screen quando é muito mais fácil salvar a foto ? Assim a pessoa normalmente só salva a foto e nada do que estava ao lado vai junto, daí a necessidade de estar na própria foto o nome do autor.

Outros vão comentar que as informações e autoria estão preservadas no exif (metadados da foto embutidos em seu arquivo) da foto. Bem, alguém sabe me dizer como encontrar exif em fotos copiadas de muitos sites da internet ? Grande parte desses sites, principalmente em redes sociais, a informação exif é retirada, então só “metadados” explícitos e impressos na própria foto se mantém (só saem se cortarem voluntariamente a foto). Fora que mesmo que o exif fosse mantido o usuário comum não teria a menor ideia de como ver o autor da foto nele.

Claro que estou falando em um tipo de fotografia e em publicação na internet. A colocação de informações impressas (legenda) na foto só tem sentido em alguns tipos de fotos. Já assinatura é necessária em quase qualquer foto para internet. Na fotografia de retrato sempre se fala na luz de Rembrandt e vale lembrar que os pintores assinavam suas obras e ninguém hoje reclama quando algum pintor moderno também assina. Claro que os pintores antigos também pintavam quadros por contrato e muitas vezes não se assinava por essa razão. Eram os retratistas de suas épocas e não se sabia que muitos ficariam famosos e seus quadros valeriam tanto. A fotografia também era e é assim, a assinatura depende do tipo de foto e do tipo de “contrato”.

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Posso afirmar então que colocar legendas impressas na própria foto é válido e depende exclusivamente do tipo de foto e como foi feito o acordo. Tomando o exemplo de fotografia de casamento eu diria que se fossem fotos puramente documentais, a colocação dos metadados explícitos seria válida, pois quando passarem décadas ou séculos poderíamos saber quem eram os noivos, onde e quando o casamento foi realizado. Mas hoje a fotografia de casamento passou a ser arte também e aí eu admito que ficaria muito feio a colocação dessas informações impressas, embora imprescindíveis no exif. Sobra a assinatura, já que a fotografia moderna de casamento é arte cabe assinar onde for possível. Normalmente no álbum impresso não existe a necessidade de assinatura em cada foto e ficaria feio, porém na internet no portfolio do fotógrafo, é bastante recomendável.

Cada estilo fotográfico e objetivo pede um procedimento diferente. Comentem qual seu estilo e porque deve ou não colocar informações ou assinatura. No final das contas vale fazer como se achar melhor.

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Marco Antonio Perna

Fotojornalista de dança desde 1997, publicando no portal dancadesalao.com e mídias especializadas em dança, para onde também escreve regularmente. Analista de Sistemas com mestrado com ênfase em processamento de imagens.

4 Comentários

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    • Não conheço esse. Depois de editar a foto, normalmente uso o Irfanview, que é gratuito, para colocar as informações em batch/lote. Acabo não mudando porque já uso tem muitos anos e atende bem para coisas rápidas.

      • O Mogrify tem o custo mínimo de uma doação à equipe (se você quiser emoldurar/marcar mais de 10 por vez) e permite também usar em lote, além de ser utilizado como plugin no Lightroom, ou seja, a foto já sai pronta com moldura e/ou etc para publicação.
        Dá uma experimentada! ;)

  • Erniquecedor. Eu não assino fotos. Mas já várias pessoas me recomendaram a fazer. De fato, uma foto assinada não assegura em nada a preservação da identificação do autor da foto, já que é muito fácil retirar a assinatura em editores de imagem.

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