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Até qual tamanho posso imprimir a minha foto com qualidade?

Quando olhamos um banner pendurado numa vitrine com a foto de uma modelo divulgando uma marca, estamos a cerca de mais de um metro de distância, e por outro lado quando pegamos um book de uma modelo estamos a cerca de 30cm dos nossos olhos. Para nós fotógrafos, uma das observações que costumamos fazer mentalmente é sobre a percepção da qualidade de impressão utilizada.

Notoriamente, se chegarmos perto do banner perceberemos que a qualidade talvez não seja tão boa se compararmos ao book da modelo (e normalmente não é), mas é suficientemente aceitável para ser vista a mais de um metro de distância.

Assim, precisamos começar a entender que cada tipo de impressão terá suas características e necessidades individuais. Por outro lado, esse artigo tem o objetivo de facilitar a relação do seu equipamento com a fotografia que pretende imprimir.

Será que a minha câmera permite qualidade para imprimir o tal banner que falamos acima e também o book da modelo? Essa pergunta preocupa os novos fotógrafos que muitas vezes acreditam que precisam investir em câmeras com mais megapixels e formatos de sensores maiores como o Full Frame, tendo isso como primordial para atuarem profissionalmente.

Se você não está atuando por medo de apresentar um trabalho de impressão não satisfatório, esqueça! Vamos clicar, imprimir e mostrar que é possível com conhecimentos simples. Falaremos sobre pixels e um pouco da influência em relação ao tamanho do seu sensor.

O que é Pixel?

O pixel é a menor parte de uma foto e cada pixel representa um fotodiodo do sensor.

Complicou? Calma, a função do fotodiodo é converter um sinal luminoso (luz ou sombra) num sinal elétrico que possa ser processado por um circuito eletrônico. Assim começa o processo para formar a nossa imagem com milhões de cores. Sei que isso é muito técnico e não é o que mais importa agora.

Abaixo segue a foto da cabeça de um pequeno réptil de no máximo 2cm que fotografei com uma lente macro 105mm e com uma câmera com sensor Full Frame com 24.3MP. Reparem na ampliação que fiz perto do olho do réptil onde podemos ver uns quadradinhos… Bingo, esses são os pixels!

É correto dizer que quanto mais pixels mais detalhes teremos na imagem? Apesar da lógica ser essa eu prefiro dizer… Depende, imagine um celular com 41MP e um sensor bem pequeno. Apesar de uma quantidade enorme de pixels o sensor do celular terá um tamanho fotodiodo muito pequeno que não conseguirá captar informações de luz importantes e prejudicará o resultado criando ruído na imagem.

Mas calma, hoje todas as marcas de renome possuem excelentes equipamentos com sensores fantásticos que permitem trabalhos profissionais, até mesmo com as câmeras que o mercado chama de entrada.

Sensores e seus formatos

Até pouco tempo atrás era comum ouvir falar apenas sobre os sensores Full Frame e APS como padrões na fotografia de entrada e profissional. Após o surgimento das Mirrorless (câmeras sem espelho), começamos a ouvir falar então sobre as Micro Four thirds 4/3” também no mercado profissional. Estes sensores possuem praticamente a metade do tamanho do sensor Full Frame, porém tem apresentado ótima qualidade de imagem permitindo impressões muito boas. Veja o comparativo de tamanhos de sensores na ilustração abaixo a direita.

Obs.: Também existem câmeras Mirrorless com sensores APS e Full Frame.

Se partirmos do princípio que temos duas câmeras com a mesma quantidade de Megapixel e cada uma tendo um tamanho de sensor diferente, fica mais fácil entender que o tamanho do fotodiodo onde será capturada as informações será proporcionalmente maior conforme o tamanho do sensor, e assim câmeras com sensores maiores tendem a ter uma qualidade melhor.

Dica: Mais megapixels exige mais espaço de armazenamento, cartões maiores e o uso de processadores mais rápidos. Você está preparado para isso?

Vamos analisar as duas fotos a seguir clicadas com duas câmeras com sensores de tamanhos diferentes e quantidades de megapixel também diferentes.

A foto da esquerda foi capturada com uma Nikon com sensor Full Frame e 24.3MP gerando um arquivo com 69 megabytes e a foto da direita foi capturada com uma Olympus Micro Four Thirds 4/3” com 16.3MP gerando um arquivo com 43 megabytes

Obs.: O sensor Full Frame tem praticamente o dobro do tamanho do sensor 4/3”

Full frame 24.3MP    X    Micro Four Thirds 4/3” 16.3MP

Repare a seguir que coloquei lado a lado três sequências de fotos, a primeira com 100% de ampliação, a segunda com 700% e a terceira com 2000%.

Na segunda sequência abaixo (700% de ampliação) percebemos que entre e em volta das letras “H e A” na foto da direita já começa a perder a definição e conseguimos ver alguns pixels com cores mais escuras do que o dourado da superfície.

Na terceira sequência abaixo (2000% de ampliação) a letra “H” na foto da direita já se percebe totalmente a perda de definição, onde a câmera criou um a interpolação tentando achar a cor que deveria ser correta, criando vários tons.

Mas pera aí, estamos mostrando uma ampliação de dois mil por cento (2000%), e mais ainda, essa foto desse selo onde se encontra as letras “H e A” com um pedaço do pano quadriculado também está “cropada“ pelo Photoshop. As fotos originais seguem abaixo e não foram editadas (diretamente da câmera para o Photoshop sem nenhum ajuste).

O que quero com isso é mostrar que sim, o tamanho do sensor e a quantidade de megapixel fazem a diferença na qualidade da foto, mas o que você realmente necessita?

Qual o tipo do seu trabalho: esporte, moda, gastronomia, vida selvagem, macro fotografia, foto jornalismo, casamentos…? Qual a ampliação de impressão que pretende fazer: uma foto 20x25cm ou um painel de 2m de altura? Pontuar as necessidades de cada trabalho é primordial para definirmos como devemos executá-lo.

Apesar de eu trabalhar com duas câmeras Nikon Full Frame na grande maioria das vezes quando faço casamentos e ensaios, eu optei em alguns casos utilizar uma Olympus OM-D EM-1 com sensor 4/3” com apenas 16.3MP para ensaios onde sei que o resultado me permite imprimir “fotolivros” com formato aberto de 30x60cm com qualidade incrível.

E voltando ao início desse artigo quando comparei a impressão de um banner com a de um book, talvez você já deva ter ouvido falar que o mercado gráfico pede 300dpi reais no tamanho da foto que pretende imprimir, mas talvez você ainda não saiba é que no mercado de impressão de grandes formatos, as impressoras possuem um RIP de software ou de hardware que permitem que a imagem esteja com 72 a 100dpi no tamanho real, pois esses RIPs irão fazer uma interpolação criando novos pixels em volta dos pixels originais permitindo que a ampliação não fique com pixels “enormes”. E quando falamos do mercado de gigantografia (outdoor, grandes letreiros…), muitas vezes são utilizadas imagens com apenas 25dpi no formato final.

Olhe a tabela abaixo que fiz uma relação entre megapixels / quantidade de pixels / e o tamanho para impressão com 300dpi e 100dpi que cada uma oferece.

  • 16 MP / 4608×3456 pixels / Em 300 dpi = 39x26cm / Em 100 dpi = 117x78cm
  • 20 MP / 5472×3648 pixels / Em 300dpi = 46x31cm / Em 100 dpi = 138x90cm
  • 36MP / 7630×4912 pixels / Em 300dpi = 62x41cm / Em 100 dpi = 186x123cm
  • 51MP / 8688×5792 pixels / Em 300 dpi = 73x49cm / Em 100 dpi = 219x147cm

Repare que eu mencionei que imprimo “fotolivros” com o formato aberto de 30x60m utilizando uma câmera que me dá o formato de 39x26cm com 300 dpi. Obviamente, nesta situação, imprimo com menos de 300dpi e ainda assim tenho um resultado altamente satisfatório.

Normalmente temos mais do que precisamos e muitas vezes não sabemos utilizar todos os recursos. Aprendemos todos os dias com erros, acertos, com amigos, em artigos, vídeos, e vivemos uma busca incansável para a cada dia podermos oferecer resultados melhores aos nossos clientes.

Hoje temos softwares fantásticos que muitas vezes nos salvam dos nossos próprios erros e nos ajudam a editar nossas fotos com maestria e obter resultados muitas vezes altamente artísticos. Podemos melhorar nitidez, corrigir altas e baixas luzes, tirar sombras, alterar brilho, contraste, reduzir ruídos e tantas outras ferramentas… “Shoot RAW”.

A mensagem que quero deixar para todos é que um bom equipamento já é suficiente para resultados e impressões fantásticas, não precisamos nos endividar para termos o último lançamento. Prefira investir em lentes claras e deixe que o trabalho pague seus novos equipamentos.

Lembro que no meu casamento, há 10 anos atrás, as câmeras digitais tinham qualidade muito inferiores do que as atuais e mesmo assim o fotógrafo fez fotos incríveis que estão impressas no meu álbum.

Um grande e fraterno abraço !!!

Claudio Castanhola

Cláudio Castanhola é formado em Análise de Sistemas, com pós graduação em gestão empresarial, marketing, publicidade, design e fotografia. Há quase 30 anos no segmento gráfico, foi pioneiro nos mercados de impressão digital de grandes formatos e fineart no Brasil. Atua principalmente no mercado de moda, casamentos e ensaios, além de ministrar cursos e workshops de fotografia. Atualmente morando nos Estados Unidos tem desenvolvido um projeto de inclusão social com a fotografia nas igrejas de Orlando – FL.