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Até qual tamanho posso imprimir a minha foto com qualidade? 4.77/5 (87)

Quando olhamos um banner pendurado numa vitrine com a foto de uma modelo divulgando uma marca, estamos a cerca de mais de um metro de distância, e por outro lado quando pegamos um book de uma modelo estamos a cerca de 30cm dos nossos olhos. Para nós fotógrafos, uma das observações que costumamos fazer mentalmente é sobre a percepção da qualidade de impressão utilizada.

Notoriamente, se chegarmos perto do banner perceberemos que a qualidade talvez não seja tão boa se compararmos ao book da modelo (e normalmente não é), mas é suficientemente aceitável para ser vista a mais de um metro de distância.

Assim, precisamos começar a entender que cada tipo de impressão terá suas características e necessidades individuais. Por outro lado, esse artigo tem o objetivo de facilitar a relação do seu equipamento com a fotografia que pretende imprimir.

Será que a minha câmera permite qualidade para imprimir o tal banner que falamos acima e também o book da modelo? Essa pergunta preocupa os novos fotógrafos que muitas vezes acreditam que precisam investir em câmeras com mais megapixels e formatos de sensores maiores como o Full Frame, tendo isso como primordial para atuarem profissionalmente.

Se você não está atuando por medo de apresentar um trabalho de impressão não satisfatório, esqueça! Vamos clicar, imprimir e mostrar que é possível com conhecimentos simples. Falaremos sobre pixels e um pouco da influência em relação ao tamanho do seu sensor.

O que é Pixel?

O pixel é a menor parte de uma foto e cada pixel representa um fotodiodo do sensor.

Complicou? Calma, a função do fotodiodo é converter um sinal luminoso (luz ou sombra) num sinal elétrico que possa ser processado por um circuito eletrônico. Assim começa o processo para formar a nossa imagem com milhões de cores. Sei que isso é muito técnico e não é o que mais importa agora.

Abaixo segue a foto da cabeça de um pequeno réptil de no máximo 2cm que fotografei com uma lente macro 105mm e com uma câmera com sensor Full Frame com 24.3MP. Reparem na ampliação que fiz perto do olho do réptil onde podemos ver uns quadradinhos… Bingo, esses são os pixels!

É correto dizer que quanto mais pixels mais detalhes teremos na imagem? Apesar da lógica ser essa eu prefiro dizer… Depende, imagine um celular com 41MP e um sensor bem pequeno. Apesar de uma quantidade enorme de pixels o sensor do celular terá um tamanho fotodiodo muito pequeno que não conseguirá captar informações de luz importantes e prejudicará o resultado criando ruído na imagem.

Mas calma, hoje todas as marcas de renome possuem excelentes equipamentos com sensores fantásticos que permitem trabalhos profissionais, até mesmo com as câmeras que o mercado chama de entrada.

Sensores e seus formatos

Até pouco tempo atrás era comum ouvir falar apenas sobre os sensores Full Frame e APS como padrões na fotografia de entrada e profissional. Após o surgimento das Mirrorless (câmeras sem espelho), começamos a ouvir falar então sobre as Micro Four thirds 4/3” também no mercado profissional. Estes sensores possuem praticamente a metade do tamanho do sensor Full Frame, porém tem apresentado ótima qualidade de imagem permitindo impressões muito boas. Veja o comparativo de tamanhos de sensores na ilustração abaixo a direita.

Obs.: Também existem câmeras Mirrorless com sensores APS e Full Frame.

Se partirmos do princípio que temos duas câmeras com a mesma quantidade de Megapixel e cada uma tendo um tamanho de sensor diferente, fica mais fácil entender que o tamanho do fotodiodo onde será capturada as informações será proporcionalmente maior conforme o tamanho do sensor, e assim câmeras com sensores maiores tendem a ter uma qualidade melhor.

Dica: Mais megapixels exige mais espaço de armazenamento, cartões maiores e o uso de processadores mais rápidos. Você está preparado para isso?

Vamos analisar as duas fotos a seguir clicadas com duas câmeras com sensores de tamanhos diferentes e quantidades de megapixel também diferentes.

A foto da esquerda foi capturada com uma Nikon com sensor Full Frame e 24.3MP gerando um arquivo com 69 megabytes e a foto da direita foi capturada com uma Olympus Micro Four Thirds 4/3” com 16.3MP gerando um arquivo com 43 megabytes

Obs.: O sensor Full Frame tem praticamente o dobro do tamanho do sensor 4/3”

Full frame 24.3MP    X    Micro Four Thirds 4/3” 16.3MP

Repare a seguir que coloquei lado a lado três sequências de fotos, a primeira com 100% de ampliação, a segunda com 700% e a terceira com 2000%.

Na segunda sequência abaixo (700% de ampliação) percebemos que entre e em volta das letras “H e A” na foto da direita já começa a perder a definição e conseguimos ver alguns pixels com cores mais escuras do que o dourado da superfície.

Na terceira sequência abaixo (2000% de ampliação) a letra “H” na foto da direita já se percebe totalmente a perda de definição, onde a câmera criou um a interpolação tentando achar a cor que deveria ser correta, criando vários tons.

Mas pera aí, estamos mostrando uma ampliação de dois mil por cento (2000%), e mais ainda, essa foto desse selo onde se encontra as letras “H e A” com um pedaço do pano quadriculado também está “cropada“ pelo Photoshop. As fotos originais seguem abaixo e não foram editadas (diretamente da câmera para o Photoshop sem nenhum ajuste).

O que quero com isso é mostrar que sim, o tamanho do sensor e a quantidade de megapixel fazem a diferença na qualidade da foto, mas o que você realmente necessita?

Qual o tipo do seu trabalho: esporte, moda, gastronomia, vida selvagem, macro fotografia, foto jornalismo, casamentos…? Qual a ampliação de impressão que pretende fazer: uma foto 20x25cm ou um painel de 2m de altura? Pontuar as necessidades de cada trabalho é primordial para definirmos como devemos executá-lo.

Apesar de eu trabalhar com duas câmeras Nikon Full Frame na grande maioria das vezes quando faço casamentos e ensaios, eu optei em alguns casos utilizar uma Olympus OM-D EM-1 com sensor 4/3” com apenas 16.3MP para ensaios onde sei que o resultado me permite imprimir “fotolivros” com formato aberto de 30x60cm com qualidade incrível.

E voltando ao início desse artigo quando comparei a impressão de um banner com a de um book, talvez você já deva ter ouvido falar que o mercado gráfico pede 300dpi reais no tamanho da foto que pretende imprimir, mas talvez você ainda não saiba é que no mercado de impressão de grandes formatos, as impressoras possuem um RIP de software ou de hardware que permitem que a imagem esteja com 72 a 100dpi no tamanho real, pois esses RIPs irão fazer uma interpolação criando novos pixels em volta dos pixels originais permitindo que a ampliação não fique com pixels “enormes”. E quando falamos do mercado de gigantografia (outdoor, grandes letreiros…), muitas vezes são utilizadas imagens com apenas 25dpi no formato final.

Olhe a tabela abaixo que fiz uma relação entre megapixels / quantidade de pixels / e o tamanho para impressão com 300dpi e 100dpi que cada uma oferece.

  • 16 MP / 4608×3456 pixels / Em 300 dpi = 39x26cm / Em 100 dpi = 117x78cm
  • 20 MP / 5472×3648 pixels / Em 300dpi = 46x31cm / Em 100 dpi = 138x90cm
  • 36MP / 7630×4912 pixels / Em 300dpi = 62x41cm / Em 100 dpi = 186x123cm
  • 51MP / 8688×5792 pixels / Em 300 dpi = 73x49cm / Em 100 dpi = 219x147cm

Repare que eu mencionei que imprimo “fotolivros” com o formato aberto de 30x60m utilizando uma câmera que me dá o formato de 39x26cm com 300 dpi. Obviamente, nesta situação, imprimo com menos de 300dpi e ainda assim tenho um resultado altamente satisfatório.

Normalmente temos mais do que precisamos e muitas vezes não sabemos utilizar todos os recursos. Aprendemos todos os dias com erros, acertos, com amigos, em artigos, vídeos, e vivemos uma busca incansável para a cada dia podermos oferecer resultados melhores aos nossos clientes.

Hoje temos softwares fantásticos que muitas vezes nos salvam dos nossos próprios erros e nos ajudam a editar nossas fotos com maestria e obter resultados muitas vezes altamente artísticos. Podemos melhorar nitidez, corrigir altas e baixas luzes, tirar sombras, alterar brilho, contraste, reduzir ruídos e tantas outras ferramentas… “Shoot RAW”.

A mensagem que quero deixar para todos é que um bom equipamento já é suficiente para resultados e impressões fantásticas, não precisamos nos endividar para termos o último lançamento. Prefira investir em lentes claras e deixe que o trabalho pague seus novos equipamentos.

Lembro que no meu casamento, há 10 anos atrás, as câmeras digitais tinham qualidade muito inferiores do que as atuais e mesmo assim o fotógrafo fez fotos incríveis que estão impressas no meu álbum.

Um grande e fraterno abraço !!!

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Claudio Castanhola

Cláudio Castanhola é formado em Análise de Sistemas, sendo pioneiro no mercado de impressão digital, fine art e fotografia, onde atua há quase 30 anos. Nasceu na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, mas é Deus quem abre suas portas pelo mundo. Atualmente passando uma temporada nos EUA para estudos tem se destacado em fotos de casamentos e ensaios de família, além de ministrar cursos presenciais e online.

18 Comentários

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  • Ótima matéria! Lembro que, em 2005, me preparando para entrar no mercado digital, a maior parte dos artigos citavam as relações de pixels se referindo a tamanhos máximos de ampliação “com qualidade”. Mas acabei tirando as dúvidas em uma palestra do fotógrafo Gladistone Campos, onde ele explicava sobre a relação tamanho / distância de visualização e deixava claro que utilizava uma câmera de 6 MP para produzir fotos que eram impressas em outdoors. Isso me encorajou a comprar minha primeira digital, uma Pentax 1* DS de 6 MP, compra excelente, tanto que em 2007 comprei também a Pentax K10, de 10 MP, que chegou a ser citada como referência devido aos recursos que trazia por valores bem menores que Canon e Nikon. Continuei utilizando as duas até 2010, quando tive que mudar para a Canon devido à falta de um bom representante da Pentax no Brasil. Hoje uso a Canon 70D, de 20 MP, tanto pra fotografia quanto para filmagens e não sinto nenhuma falta de um sensor Full-Frame, visto que raramente um casamento exige uma ampliação maior que 80×120 cm. E tenho consciência que, se necessário, posso ampliar para um outdoor sem preocupações.

    • Isso aí Robson, você falou bem… relação tamanho X distância de visualização.
      Fraterno abraço.

    • Olá Luiz, respondendo sua pergunta… NÃO!!!! rsrs

      Leia a resposta da Regina e veja se ficou mais claro o entendimento.

      Vou colocar uma observação para ser entendida após ler a resposta da Regina.

      Você já viu aqueles paineis fotográficos em lona tipo outdoor de 15metrosx 5metros? Pois é, qual câmera conseguiria gerar um arquivo nesse tamanho com 300dpi? Qual seria o tamanho em megabytes de um arquivo desse tamanho com 300dpi?

      Foi isso que quis dizer, impressões gigantes são para serem vistas de longe e não precisam de tanta dpi. Ok.

      Fraterno abraço.

      Fraterno abraço.

  • Apesar do excelente artigo, assim como a Regina Azevedo, não entendi muito bem o fato da resolução em 100 DPI, permitir impressões e formato maior que em 300 DPI.

    • Olá Carlos, obrigado pelas palavras e leia a resposta que escrevi para a Regina.
      Fraterno abraço.

    • Olá Regina,
      eu disse que para impressões de grande formatos é comum utilzarmos arquivos com o tamanho final para impressão com menos de 300dpi.
      Quando imprimos em gigantografia ou grandes formatos, normalmente estaremos vendo a impressão de uma distância maior e por isso podemos utilizar menos dpi. Também disse que as impressoras de grande formatos utilzam softwares de RIP que irão criar uma interpolação permitindo que arquivos com menos dpi tenham a sensação de possuirem mais dpi, criando novos pixels.

      No seu exemplo, se vc tem uma imagem de 30x30cm com 100dpi e uma imagem do mesmo tamanho de 30x30cm com 300dpi, obviamente a imagem com 300 dpi permitirá uma ampliação maior.
      Fraterno abraço.

  • muito esclarecedor era o que me faltava e acredito para muita gente tambem
    continue assim com esta didatica incrivel

  • Valeu meu xará. Muito bem explicado e útil este post. Concordo,pois comecei no digital com uma Mavica de 5 MPa 14 anos atrás e fazia fotos incríveis. Quando as abro na tela, fico admirado pela qualidade apresentada.

  • Olá Claudio!
    Espero que esteja bem!

    Parabéns pelo maravilhoso artigo!
    Eu diria que é o artigo mais simples e totalmente esclarecedor que já li. Perfeito!!!
    Você conseguiu transmitir as principais informações!

    Não resta dúvida alguma!

    Parabéns!!!
    Grande abraço!

    • Olá Mauro, obrigado pelas palavras e realmente não mencionei sobre o ISO, mesmo sabendo que tb tem influência no ruído e saída da impressão. Mas quem sabe numa próxima matéria.
      Fraterno abraço.

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