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Brassaï e as noites parisienses

O que faz um fotógrafo à noite em Paris? Clica a sugestiva Cidade Luz, claro! E assim Brassaï o fez, e bastante.

Brașov (pronuncia-se Brá-chov) é uma cidade que já foi do reino húngaro e hoje pertence à Romênia, é povoada por romenos, húngaros, alemães e outras etnias. Dentre tantos, dois habitantes que essa província já abrigou ficaram mais conhecidos: foram eles Vlad III e Gyula Halász. O primeiro ficou conhecido como Vlad Tepes (que na língua local significa Vlad, o Empalador); o segundo tornou-se o fotógrafo Brassaï (“de Brassó”, grafia húngara de sua origem). Enquanto um rendeu origem a um personagem que dependia da noite para viver (o famoso Drácula, de Bram Stoker); o segundo foi ele próprio um amante da noite, embora não no sentido vampiresco.

Brassaï, filho de mãe armênia e pai húngaro, mudou-se com eles ainda aos três, quatro anos para Paris, onde ficaram por um ano. Esse foi o primeiro longo contato com a capital francesa, mesmo que mais tarde ele certamente não tivesse lembranças claras do período. O pai era professor de francês e evidentemente foi quem mais o fez sonhar com a França no decorrer de sua juventude. No entanto, o sonho logo foi (temporariamente) abortado, quando  Brassaï teve que servir no exército austro-húngaro e, sendo de país inimigo, foi proibido de morar em terras francesas.

Após estudar desenho, pintura, escultura e arquitetura em academias de artes de Budapeste e de Berlim, mudou-se mais uma vez para a cidade da icônica Torre Eiffel após a Primeira Guerra Mundial. Começou na sonhada cidade, porém não como fotógrafo, e sim trabalhando como jornalista, graças a amizades que ele criava com facilidade. Assim trabalhou para um jornal local e colaborou com publicações da Alemanha, da Hungria e da Áustria.

Quatro anos após sua segunda mudança para Paris — definitiva em termos artísticos e em termos de vida, morando lá até vir a falecer — recebeu um pedido de redatores-chefe no jornal: que as crônicas que ele buscava pela cidade passassem a ter o acompanhamento de fotos. Assim sendo, passou a explorar a área num mini-estúdio em seu quarto, montado com ajuda de amigos. Foi estimulado inclusive por André Kertész, que o disse para dedicar-se às fotos, e Eugène Atget, um dos pioneiros na fotografia de rua (retratou a mesma Paris depois extensamente clicada por Brassaï).

Tendo já um bom background de estudos artísticos, além da pequena ajuda de seus amigos do ramo, Brassaï não encontrou maiores dificuldades em fazer grande uso das possibilidades da fotografia. Assim produziu com calma e um fresco olhar de turista ótimas imagens das noites de Paris. Noites que poderiam povoar até os sonhos de um vampiro solitário em seu castelo na Transilvânia.

Conheçam um pouco da obra daquele que Henry Miller apelidou de “O olho de Paris”:

Alexandre Maia

Clico, viajo, olho, analiso, converso, e repito — em qualquer ordem!

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