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Como compor de forma objetiva e consciente 4.67/5 (3)

Nesta série artigo sobre composição fotográfica, não pretendo apresentar soluções prontas para o fazer fotográfico, mas apontar possibilidades para este processo criativo, pois o que traz felicidade na fotografia é o ato em si de olhar no visor, enquadrar, planejar, controlar e fazer aquela foto que queremos. No mundo hodierno, poderemos, por vezes, sermos tentados a nos permitir fazer a foto e deixar tudo para o pós-processamento, pela facilidade que ele nos permite no que concerne ao reenquadramento e melhorias, claro que isso sempre foi feito desde o período analógico, mas concordamos que hoje se tornou mais fácil e prático. Dividiremos o artigo em duas partes, explicação sobre formas “tradicionais” de enquadramento e a segunda, as diferentes possibilidades de diálogo com o quadro da câmera.

Não podemos negar que por mais que tenhamos as possibilidades de pós-processamento, o quadro da câmera não poderá ser subestimado, ele sempre exercerá, sim uma influência na nossa forma de compor, organizar o assunto e o seu entorno. No momento em que começamos a entender o processo criativo da composição em fotografia, sabemos que fazemos todo o processo, na maioria das vezes, de forma intuitiva, então será necessário que nos acostumemos com a ideia de observação e internalização do processo de composição harmoniosa, intuitivamente.

Ao nosso dispor temos várias formas de compor uma fotografia harmoniosa, uma das primeiras lições que aprendemos é a regra dos terços, por se tornar mais prático e eficiente no exercício da profissão, já que trabalhamos mais a composição de forma intuitiva. Além dessa forma, temos a proporção áurea que surgiu a partir das divisões de Fibonnaci, como mostra as figuras abaixo. Claro que não pararemos para calcular, mas poderemos utilizar a divisão do quadrado como referência para novas experiências de composição fotográfica e se aproximar dele o mais intuitivamente possível.

Divisão de Fibonacci

 

Espiral da razão áurea

Obs.: A partir dessa divisão surgiu a espiral da razão áurea.

Enquadramentos mais utilizados

Vejamos o exemplo da fotografia do guitarrista e baixista, ao observar os dois nos palco, percebi que o baixista sempre se aproximava para interagir, foi uma boa oportunidade, fiz algumas fotografias até chegar o momento que esperava, ele se abaixar, por sorte, o guitarrista demorou um pouco a se abaixar também, foi uma fração de segundos até a foto está toda desmanchada com a dispersão dos dois, não estava na área reservada à imprensa, era uma oportunidade única já que havia um monte de gente dançando próximo a mim. Mas ambas as possibilidade de enquadramento se encaixam perfeitamente nela.

Imagem 1 – Divisão diamante ao centro. Imagem 2 – Regra dos terços.

Na outra fotografia, observei o fotógrafo oficial do evento, mais uma chance de fazer uma fotografia, como ele é um profissional, ele teria que fazer várias fotos por causa da dinâmica do evento. Aproveitei e fiz algumas fotos dele até conseguir chegar no enquadramento aceitável, outra fração de segundo única. Veja agora as possibilidades de enquadramento na qual a fotografia se harmoniza.

Imagem 1 – Divisão em triângulos. Imagem 2 – Regra dos terços. Imagem 3 – Baseado na divisão diamante ao centro.

Enquadramentos + diálogos com o quadro

O diálogo com o quadro da câmera também poderá ser utilizado para composição fotográfica, principalmente, nas fotografias de arquitetura. No exemplo abaixo, apresento uma forma em que a fotografia dialoga com o quadro, vejamos.

Embora a senhora seja o ponto de tensão visual, veja que o meu pensamento quanto ao equilibrio da fotografia encontra-se no ponto de fuga no horizonte e se alarga até os bancos da igreja. A intensão são as linhas que se formam dos bancos até a outra igreja na linha do horizonte. Os cantos inferiores do quadro são utilzados como apoio à base da fotografia a partir dos bancos. No entanto, há uma diálogo com o quadro. A senhora serve apenas de referência para dar vida a fotografia e contribuir com o equilíbrio.

Observe que a senhora se encontra dentro de uma das possibilidades de enquadramento.

O fato de olharmos a senhora como elemento principal, dar-se por uma seleção natural do nosso modo de ver e percorrer o quadro. Veja no exemplo abaixo. Nosso olho tende a observar o centro, depois percorrer os cantos, individualmente, ou por meio da nossa visão periférica, olhando-os ao mesmo tempo.

Na fotografia abaixo, uma landscape (paisagem), foi planejada, feita as 4:50h da madrugada. Veja que há uma linha diagonal a partir da barreira do açude no canto esquerdo formando um triangulo, uma linha curva no horizonte onde há as luzes artificiais e outra linha curva formada pelas nuvens, as linhas dialogam entre si e com o quadro. A decisão de torna-la preto e branco foi mais acertada, pois destacaria melhor as linhas e o diálogo com o quadro, objetivo da fotografia.

Conclusão

Dentro de tantas possibilidades, podemos perceber que o pensar sobre a fotografia e a intenção do fotógrafo, desde que consciente, é o que conta na hora de compor. No próximo artigo, trataremos sobre o preenchimento do quadro e o pensamento sobre três possibilidades práticas.

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Rinaldo Vitorinni

Rinaldo Vitorinni é graduado em arte pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba), pós-graduado pela Universidade Cândido Mendes. Músico, fotógrafo e professor de artes.

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