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Como fazer fotos de céu estrelado

- Última Atualização a: 12/11/2015

Passo-a-passo e macetes para você conseguir uma boa foto nas primeiras tentativas.

 

Venho colaborar com o FOTOGRAFIA-DG escrevendo um passo-a-passo para conseguir fazer belas fotos de noites estreladas e suprir qualquer carência de informação sobre esse assunto.

Participo de vários grupos em redes sociais relacionados à fotografia. Há meses atrás eu ficava admirado (e ainda fico!) com fotos de profissionais e amadores em que a Via-Láctea era mostrada de forma bem destacada, num lindo céu receado de estrelas. Eu me perguntava: “- Como esse colega fez essa foto?”.

A minha curiosidade me fez ir atrás de informações sobre como conseguir esse tipo de fotografia. O próprio pessoal das redes sociais davam algumas dicas, porém, minhas tentativas eram bastante frustrantes.

Um dia, ao ver uma foto de um amigo próximo, contei a ele sobre a minha vontade de tirar essas fotos. Combinamos a data, o horário e o local e partimos em direção a São Bento do Sapucaí-SP, uma cidade muito acolhedora que fica na Serra da Mantiqueira, próxima a divisa do estado de Minas Gerais.

Como meu amigo já conhecia bem o processo de fotografia de céus estrelados, não tive grandes dificuldades naquela noite, como vocês podem conferir o resultado na foto abaixo.

(Pedra do Baú, São Bento do Sapucaí-SP. Foto por: Rodolfo Alvarenga. Exif: Canon T5i, lente Sigma 10-20mm, f3.5, 30s.)
Pedra do Baú, São Bento do Sapucaí-SP. Foto por: Rodolfo Alvarenga. Exif: Canon T5i, lente Sigma 10-20mm, f3.5, 30s

 

No momento em que estávamos admirando aquela noite e fazendo as fotos, percebi que as teorias encontradas na internet eram boas, porém um pouco carente dos macetes para se tirar essas fotos. Essa carência de informações foi o que me motivou a escrever esse artigo para a FOTOGRAFIA-DG.

Ao verem essa foto, o primeiro questionamento que me fazer é: “- Qual câmera você usou?”.

Questionamento normal que todo fotógrafo está cansado de ouvir, mas quando eu digo que fiz essa foto com um Rebel T5i da Canon, percebo uma leve expressão de espanto no rosto dos mais entendidos de equipamentos fotográficos.

A seguir, faço um relato de como se preparar e como proceder no momento da fotografia. São dicas importantes para tirar (ou minimizar) qualquer dúvida que possa existir. Vamos lá!

1 – EQUIPAMENTO NECESSÁRIO

Leve o estritamente necessário para esse tipo de fotografia. Lembre-se você irá fotografar no meio da noite e talvez tenha que caminhar um pouco para achar um ponto ideal para conseguir uma boa imagem.

Lista essencial:

1.1 – Câmera DSLR: pode ser com sensor APS-C ou Full Frame, mas tem que ser uma DSLR. Claro que a última se comporta melhor ao se fotografar com ISSO alto, mas isso não necessariamente é um problema nas câmeras de sensores APS-C. Claro, as fotos com esse tipo de câmera apresentação um nível de ruído, mas você deverá conhecer o seu equipamento para usar o ISO mais adequado ao seu nível de aceitação, mas ponha uma coisa na sua cabeça: ruído faz parte!

1.2 – Lente grande angular: as distâncias focais menores são mais apropriadas para esse tipo de fotografia, pois permite que você componha a sua imagem com elementos situados na terra juntamente com uma boa parte do céu, que é o objeto principal dessa foto.

Peço a atenção especial para a o foco. Se sua lente possui a marcação de foto infinito, ótimo, pois ela facilitará muito na hora da foto. Agora, se você pretende usar a sua lente do kit (18-55mm), preste a atenção nessa dica:

Focando no infinito com a lente 18-55mm

Esse tipo de lente não possui a marcação do foco infinito (pelo menos eu nunca vi!). Nesse caso, deve-se escolher a distância focal que irá fotografar (sugiro que seja 18mm) e montar a lente num tripé. Em seguida, foque, no modo automático, um objeto que esteja a uma distância de, pelo menos, 8 metros. Quando você obtiver o foco nessa condição, a sua distância hiperfocal se projetará no infinito e as estrelas ficaram nítidas.

Caso você esteja no escuro, use uma lanterna para iluminar o objeto a ser focado.

1.3 – Tripé: leve um que não trepide em casos de noites com ventos. Caso o seu tripé não seja muito robusto, leve algo que possa colocar para fazer um peso e mantê-lo mais estável. Tome cuidado com a capacidade de carga do seu tripé.

1.4 – Controle remoto de disparo: é um item dispensável. Caso você não tenha, use o temporizador de sua câmera.

1.5 – Lanterna ou luz de LED: pense que no escuro você irá precisar enxergar os botões de acionamento e regulagem da sua câmera, ver por onde pisa ou até mesmo localizar algum objeto (tipo a chave do carro…rsrsrsr) que tenha caído no chão.

Além disso, você pode iluminar algum elemento que você queira incluir na cena.

2 – PREPARAÇÃO

Fotografar céus estrelados requer um planejamento. Isso pode evitar que você se decepcione caso saia de casa e volte sem uma foto sequer. Portanto, seguem algumas orientações.

2.1 – Escolha uma data próxima a Lua Nova: o dia em que a Lua está nessa fase, ela se ausenta na noite. Isso faz com que seu brilho não ofusque as estrelas, deixando as mais visíveis e fáceis de serem captadas. Sugiro que você se programe entre os 3 dias que antecedem a Lua nova e os 3 que a sucedem, pois a visibilidade dela será muito pequena.

2.2 – Consulte a previsão do tempo: após definir a data, consulte o site de meteorologia de sua preferência. É importante que o céu tenha poucas nuvens na noite escolhida ou, de preferência, nenhuma.

2.3 – Escolha um lugar distante dos grandes centros: a poluição luminosa das cidades atrapalha, e muito, esse tipo de fotografia. Se você mora numa cidade desenvolvida ou com mais de 100.000 habitantes, dirija-se a um lugar distante, ao menos, 50km.

Lugares mais altos também podem fazer a diferença, mas não é obrigatório.

Importante: SEGURANÇA!!!

Esse, sem dúvida, é o item mais importante desse tipo de fotografia. Escolha lugares seguros.

2.4 – Aplicativos de celular: não são itens essenciais, mas você pode baixar o Star Chart ou ainda usar o Google Sky, apenas para ter uma ideia de quais estrelas estão acima de você.

Quando você está em meio a escuridão, olhe para o céu e deixe seus olhos se acostumarem com aquela condição. Após uns 30 segundos, procure por uma faixa menos escura onde se concentram um maior número de estrelas, pois lá está a Via-Láctea.

3 – FOTOGRAFANDO

Você se programou para uma linda noite, chegou no local com o equipamento e identificou a Via-Láctea. E agora?

Fazendo Nova Gokula, Pindamonhangaba-SP. Foto por: Rodolfo Alvarenga. Exif: Canon T5i, lente Sigma 10-20mm, f3.5, 30s
Fazendo Nova Gokula, Pindamonhangaba-SP. Foto por: Rodolfo Alvarenga. Exif: Canon T5i, lente Sigma 10-20mm, f3.5, 30s

 

3.1 – Monte o tripé em um lugar estável.

3.2 – Para compor a fotografia até chegar no alinhamento de horizonte ideal você precisa fazer uma foto superexposta. Você deve usar um ISO muito alto nesse momento (6.400, 12.800), a maior abertura da sua lente e uns 20 segundos de expoxição. Isso vai te ajudar a compor a sua imagem de forma correta. Ilumine a cena com uma lanterna, isso ajuda muito.

3.3 – Agora você já tem a cena pronta, é a hora da foto.

Escolha um ISO da sua máquina que dê pra fazer as fotos sem que apareça muito ruído. Eu tenho uma Canon T5i e uso ISO 3200. Lembre-se: o ruído faz parte!

Importante!

O fotômetro, nesse tipo de fotografia, não serve nem mesmo como uma referência. Você irá observar que os parâmetros usados para se obter uma exposição correta das estrelas indicará uma superexposição de mais de 3 pontos no fotômetro. Simplesmente desconsidere-o, pois considera-lo é o maior erro nesse tipo de fotografia.

3.4 – Experimente os seguintes parâmetros:

– Função de “Travamento de Espelho”: consulte no manual da sua câmera como acionar essa função. Isso fará com que o espelho não vibre na hora do disparo.

– Função “Redução de ruído para longa exposição” (vide manual): use-a em uma ou outra foto para testar o efeito.

– ISO: use 3200 ou maior (no caso de câmeras resistentes ao ISO alto). Você também pode utilizar ISO 1600, mas perceberá que a foto ficará mais escura. Faça a sua escolha.

– Abertura: use a máxima da sua lente.

Se a sua lente tiver abertura máxima de 2.8 você terá um bom resultado com ISO 1600. Caso a f máxima seja 3.5, recomendo o ISO 3200.

– Tempo de exposição: use de 25 a 30 segundos e depois varie esse tempo conforme a sua necessidade. Evite tempos acima de 35 segundos, pois as estrelas formarão pequenos rastros devido à rotação terrestre.

Caso você queria fazer fotos que evidenciem o rastro das estrelas, use o modo BULB, como controle remoto de disparo para iniciar e interromper a exposição. A foto abaixo foi feita com 24 minutos de exposição.

Zona Rural, Taubaté-SP. Foto por: Rodolfo Alvarenga. Exif: Canon T5i, lente Sigma 10-20mm, f3.5, 24min.
Zona Rural, Taubaté-SP. Foto por: Rodolfo Alvarenga. Exif: Canon T5i, lente Sigma 10-20mm, f3.5, 24min.

 

Se você seguirem essas orientações, tenho certeza que irão conseguir ótimos resultados. Atualmente, pelo menos um dia por mês, eu me programo para fazer esse tipo de fotografia e fico torcendo para que o tempo colabore.

Virou uma paixão!

Após alguns meses fotografando céus estrelados eu decidi criar um projeto autoral chamado “caçador de Estrelas”. Essa é mais uma maneira de me motivar a sair a noite para admirar o céu.

Bem, espero ter ajudado. Aguarde a próxima Lua Nova e boas fotos!

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Rodolfo Alvarenga

Sou natural de Taubaté, São Paulo, Brasil. Casado, pai de família.
Graduado em Engenharia Mecânica e um apaixonado por fotografia que decidiu se profissionalizar. Fazer o que realmente ama nos traz um novo sentido à vida. Vivo buscando conhecimento na área com o objetivo de não ser só mais um fotógrafo. Gosto de saber que fui importante em um momento na vida de alguém por ter registrado seus melhores momentos com muita dedicação e carinho. Quero fidelizar as pessoas através das minhas imagens e da boa companhia.
Tenho um projeto autoral em que uno o ato de fotografar com um momento de reflexão. Gosto de contemplar as noites de céus estrelados e tentar obter bons cliques da Via-Láctea.

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