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3 Segredos para começar na Fotografia de Surf 4.64/5 (11)

Olá leitores do Fotografia-DG.

Hoje vou comentar sobre alguns aprendizados que tive durante esses anos fotografando surf que se tivessem me contado antes, teriam me ajudado muito no início.

Caso ainda não tenham visto, sugiro que deem uma lida nestes artigos: Dicas sobre fotografia de surf – parte 1 e parte 2 e também dicas sobre caixas estanque.

Yashica-FX-2-e-Tele-400mm

Quando comecei a fotografar surf em 2006 eu acreditava que precisava de lentes teleobjetivas 400mm f/2.8 (uma nova hoje vale o preço de um carro 1.0 ), 600mmF/4 (idem), além de todos os teleconverters (x1.4, x2), Uma lente olho de peixe 10mm, uma 70-200mm f/2.8 e também uma 50mm F/1.4 e claro uma caixa estanque para todas essas lentes com todos os fronts possíveis e um corpo que fizesse 10 fotos por segundo e então eu estaria 100% preparado para fotografar surf em qualquer condição, não é verdade? Ou será que não? Será que não era apenas um sonho de consumo? Uma idéia de que fotógrafo de surf só viaja para lugares paradisíacos, vive uma vida regada a curtição?

Hoje eu volto meu pensamento alguns anos atrás e vejo que quando comecei tinha uma câmera analógica Yashica FX-2 (comprada pelo meu pai em 1977 e doada a mim em 2006) e uma lente 80-200mm com um teleconverter x2 da Kalimar ( Adquiridas usadas de um vendedor na Conselheiro Crispiniano em São Paulo, após muito suor e algum tempo juntando um dinheiro). Fotografava com filme Fujichrome Velvia 100 ou 50, que não dava margem pra erro! (Para quem estudou ou fotografou com cromo sabe do que estou falando).Imagine que o foco era no manual e tinha que clicar no instante exato. Eu percebi que o meu objetivo na época era aprender a fotografar o surf da areia e aos poucos investir em mais equipamento (migrando para o digital e também adquirindo as novas lentes para fotografar da areia e também dentro da água).

Mas percebi que eu estava enganado sobre equipamentos para fotografia de surf. Esse foi um aprendizado que eu deixo aqui aos leitores e a quem está começando nesse nicho da fotografia de surf. Antes de sair comprando corpo e lente, defina melhor qual será seu objetivo ao fotografar o surf, pois isso é o que irá definir qual corpo e quais lentes você irá precisar. Nem sempre você precisa de uma 400mm f/2.8 ou uma 600mmf/4. Muitos fotógrafos renomados de surf internacionais sequer tem essas lentes.

Fotografia de Surf

Qual o seu objetivo em documentar o surf?

Se você tem como meta de início de carreira vender fotos para os surfistas postarem para uso pessoal apenas, talvez uma câmera simples com superzoom com um tripé já sirva, ou se for fotografar dentro da água uma GoPro (não precisa ser o modelo mais recente), pode ser suficiente, pois muitos surfistas querem ter uma recordação daquele dia, daquele momento, daquela manobra e a maioria irá postar nas redes sociais (Facebook, Instagram) cuja resolução máxima nos dias atuais (novembro de 2015) é de aproximadamente 2 Megapixels.

Se a sua intenção for fotografar para revistas especializadas da área ou visando um mercado editorial / publicitário, ou campeonatos de surf você terá que se destacar e diferenciar, além de atender a exigências mais específicas de resolução de imagem. Nada que impeça de se alugar o equipamento, por exemplo.

No caso de um campeonato o foco principal é a ação dos surfistas de dentro da água, os momentos, as manobras. Em campeonatos você vê dezenas de fotógrafos (profissionais e amadores) fotografando as cenas de ação. Mas o surf vai muito além disso mesmo em um campeonato. Você pode por exemplo se especializar nos bastidores, na areia, nas pessoas, nas paisagens em volta. Ou focar nas emoções dos surfistas ao entrar e sair da bateria, ao ganhar, ao perder uma bateria. Procure conhecer o esporte, a história dos competidores, as competições e se antecipar para poder se posicionar melhor.

Ou então talvez você prefira esquecer essa idéia de multidão e competição e seguir um estilo mais voltado a cultura , a essência, a arte, ao lifestyle e a história do surf. (Fotografar os personagens do surf, shapers, comunidades, detalhes de pranchas etc…) com um foco mais documental ou autoral.

Surfista: Carlos Bahia / Foto: Ale Rodrigues
Surfista: Carlos Bahia / Foto: Ale Rodrigues

Há quem fale que está cada vez mais difícil encontrar novos ângulos para fotografar dentro e fora da água. Eu penso diferente. Hoje temos muito mais ferramentas disponíveis para o fotógrafo capturar novos ângulos. Temos drones. Temos jet-skis submersos com velocidades de 15km/h onde você pode seguir o surfista atrás da onda, temos câmeras super leves (GoPros e similares) que com adaptações você pode colocá-la onde sua imaginação couber. Então o que eu vejo hoje é que podemos trabalhar muito mais com nosso lado criativo, montando em nossa mente, visualizando, imaginando como seria uma imagem diferenciada, para só depois selecionar quais ferramentas eu preciso para mostrar isso que eu quero passar.

Se você já fotografa outros esportes ou eventos e quer fotografar surf utilize o equipamento que você já tem e procure inovar e ser criativo, pensando no que você pode produzir com o que tem em mãos. Vá conhecendo aos poucos as limitações e capacidades do seu conjunto (câmera+lente). Com bastante prática você irá descobrir naturalmente onde se sente mais confortável e o que mais te agrada e em função disso adquirir os equipamentos específicos que você precisa para esse determinado fim. (Vá vendendo o que não for mais utilizado e investindo no que você precisa para fazer o seu projeto ou trabalho)

Vejamos hoje trabalhos como por exemplo do fotógrafo Chris Burkard, ou Morgan Maassen , ou então do Todd Glaser (que fotografa com filme) e proponho que busquemos em fotógrafos de surf já renomados no mercado; o que diferencia eles do restante? Qual o estilo, mensagem, linguagem visual que estão utilizando? Você consegue descrever com poucas palavras o estilo de cada um deles?

O Chris Burkard, por exemplo, fotografa surf muitas vezes utilizando lentes grande-angulares, fotografando paisagens e o surfista como parte da composição, silhuetas e fotos atemporais. Ele decidiu se especializar em fotos assim, e ir além, em lugares remotos e muito frios. Existem fotógrafos de surf que se especializaram em fotos de ondas na beira-mar (Clark Little), criando verdadeiras esculturas líquidas  de ondas no Havaí. Ele é referência neste quesito. Outros preferem ficar mais próximos aos surfistas e tentar ângulos inusitados e mais arriscados, como por exemplo o australiano Leroy Bellet, de apenas 16 anos e que se utiliza de uma outra prancha, surfa atrás do surfista e consegue capturar ângulos por trás do surfista dentro do tubo iluminando com flash durante o nascer ou por do sol.

Estude bem e descreva o estilo pessoal destes fotógrafos e os que você mais se identifica. Ouço muitas pessoas dizerem que o mercado de fotografia de surf está saturado . Realmente, está saturado é de imagens semelhantes. Para não ser mais um na manada, estude e fotografe muito e concentre-se no seu estilo pessoal, inove e seja ousado. Acredito que se eu tivesse recebido e respondido estas perguntas no início de minha carreira teria poupado um bom tempo e dinheiro.

Para mais informações, dicas e técnicas em maior profundidade adquira o e-book manual de fotografia de surf.

Abraços a todos e até a próxima!

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Ale Rodrigues

Ale Rodrigues é formado em Engenharia Mecânica. Nasceu em São Paulo, Brasil; começou a fotografar com filme em 2006 numa câmera Yashica, um presente de seu pai. Trabalha com fotografia de paisagens, arquitetura, eventos corporativos e still. Possui material publicado em várias revistas do ramo e se especializou em criar imagens autorais utilizando de técnicas de longa exposição em que tenta passar uma mensagem para que as pessoas estejam conectadas no momento presente.

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