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De Iniciante para Iniciante

Tenho pensado ultimamente sobre as minhas primeiras fotografias… E logo me veio em mente uma pressa que acomete a todos os fotógrafos iniciantes: a vontade de eclodir no meio fotográfico como profissional.

Em busca de matar essa sede pelos likes, views, comentários famigerados, prêmios e idolatrias entre fotógrafos, nós, simples, sedentos e verdíssimos iniciantes, acabamos quase que sempre metendo os pés pelas mãos, e nessa busca enlouquecida acabamos nos perdendo da nossa própria poética, da nossa visão e portanto nosso estilo de trabalho.

Fotografia feita no meu primeiro ensaio - Projeto Minhas Cores Meu Amor - observando bem, você vai conseguir encontrar uma série de erros comuns entre iniciantes
Fotografia feita no meu primeiro ensaio – Projeto Minhas Cores Meu Amor – observando bem, você vai conseguir encontrar uma série de erros comuns entre iniciantes

 

Algo muito comum e constante é logo após comprar uma boa câmera (com a lente do kit, claro), o cidadão já cria uma página com seu nome, oferecendo o seu serviço  e cobrando por isso, às vezes oferecendo serviços que ele ainda, seja por limitação técnica ou ferramental, não consegue executar. Grande erro, pois o primeiro contato com o mercado deve provavelmente ser investigativo, especulativo. Precisamos treinar bastante, conhecer os pilares da fotografia, estudar história da arte, participar de encontros com fotógrafos, conhecer as áreas de atuação dentro da fotografia, ter um bom relacionamento com nossos possíveis clientes (não vou nem sequer citar a tudo o que diz respeito a responsabilidade, ética e respeito com o cliente que provavelmente o iniciante ainda não domina), para posteriormente pensarmos em nos inserir com confiança em alguma área.

O segundo passo: o iniciante que conseguiu passar bem pela fase do “criei uma página e não meti os pés pelas mãos oferecendo serviços que não consigo realizar” busca referências de fotógrafos que trabalham com um estilo ou temática parecida com o que ele objetiva trabalhar, e é nesse ponto que inicia-se (ou não!) a bola de neve: a busca por fotógrafos super renomados, aqueles premiados, respeitados, reconhecidos internacionalmente, disputando vagas nos workshops desses fotógrafos, realizam os workshop e já saem de lá copiando perfeitamente o fotógrafo! Em seguida procuram por fotógrafos do mesmo estado, associam-se a grupos dentro das redes sociais – o que é uma excelente iniciativa – além de claro, o iniciante engole vorazmente livros, artigos, revistas, torna-se viciado em vlogs sobre fotografia!! É um grande desespero, porque afinal de contas a sociedade cobra a todo profissional e a todo e qualquer estudante ou aspirante a algo que ele precisa ser perfeito em tudo. Ele simplesmente não pode errar, o tempo de errar o é negado, e com ele vão embora todos os aprendizados que poderiam ter vindo após os erros.

Tudo, claro, em busca do estilo perfeito, do cliente perfeito, dos likes, dos views, da integração ao meio.

O próximo passo: aos que conseguiram passar pelos erros e logo em seguida obtiveram acertos, aqui o iniciante já começa a se sentir seguro a de fato se inserir no mercado e aí entra mais uma grande problemática e um grande motivo de afogamento na classe dos fotógrafos: o iniciante está obviamente engatinhando, mas ele não se dá conta disso, afinal ele já leu, treinou várias vezes, fez workshops, comprou equipamentos sofisticados e ficou devendo até a alma! Enfim, ele é competente!!

Grande engano, iniciante.

Não pela sua competência ou falta dela, mas pela sua inexperiência e capacidade absurda de absorver todo e qualquer conteúdo imagético, ou não, que seja relacionado ao universo fotográfico que apareça na sua frente: quando se trata de preços e pacotes o iniciante raramente sabe o que fazer, pois na grande maioria, ele não sabe que o trabalho dele tem um grande custo, e não apenas o preço que ele acredita merecer pelo serviço oferecido, e aí já viu tudo: surgem os “bons” e velhos “pacotes promocionais” que em grande maioria, configura o famoso “pagar para trabalhar”.

Por fim, e triste fim, o iniciante se frustra por não ter conseguido os resultados e clientes que desejava, mesmo depois de tanta pesquisa e esforço, mesmo depois de tantos ensaios realizados – em permuta, claro – mesmo depois de tantos likes e compartilhamentos, o nosso querido iniciante frustrado, abandona a carreira e parte para outra.

A classe de fotógrafos maduros chora pois poderíamos ter ganhado um excelente olhar, um excelente profissional, mas perdemos, perdemos pela pressa da sociedade, da pressão do iniciante, pelo medo da concorrência, perdemos mais uma vez.

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Priscila Santos

Priscila Santos é Pernambucana, nascida em Recife, aos 24 anos tornou-se ilustradora de livros infantis, após a conclusão do seu curso de Artes Visuais pela UFPE. Não tendo esquecido sua paixão pela fotografia, hoje além de ilustradora atua também como fotógrafa na área de retratos, pessoas, casais e moda. Seu objetivo é contar histórias de amor e ódio por trás dos olhos das pessoas, tornando suas histórias visíveis e reais para elas próprias e para o mundo.

2 Comentários

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  • Para tudo, antes de considerar-se com esse ou aquele rótulo, uma minoria segue com humildade por anos até considerar-se, no caso, fotógrafo. Vejo uns e outros com equipamentos invejáveis e que nem ao certo dominam o que tem e muito menos o tripé da fotografia…usam no automático…e pior prostituem o mercado.

  • penso em como um desabafo belo comentario e acredito que nao pela sociedade e sim pelo iniciante querer ser proficional antes mesmo de ser iniciante as vezes a preça de aprender o joga degrau acima e nao ESTAMOS peparados para tal .estou iniciano mas meus pensamento sao de nada proficionais simplesmente pazer de fotografar .somente mais um hoby
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