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Compacta premium: quem sabe você ainda não vai ter uma? 5/5 (1)

obs: Antes de mais nada aviso que este artigo pode conter termos técnicos fontes de dúvidas entre iniciantes na fotografia. Para ajudá-los, existem links no fórum, em caso de necessidade – e podem perguntar lá!

Foi-se o tempo em que todo profissional empunhava uma câmera DSLR e todo amador tinha que se contentar com o investimento em uma singela compacta do tipo point-and-shoot (que há quem abrevie para PaS ou p&s). Os motivos são óbvios: as câmeras de lentes intercambiáveis (no tempo que eram as únicas chamadas assim) eram bem mais caras, não existiam celulares com câmera saindo a rodo e, por que não dizer, fotografia não era hype (a Apple que o diga…).

Hoje é bastante evidente que fazer fotografia é algo tão democrático quanto fácil, além de existirem inúmeros recursos, indo de câmeras de variados tipos a programas de manipulação e gerenciamento de imagens. Mais do que isso: existem modelos compactos que possibilitam produzir imagens com qualidade por vezes comparável à de câmeras “profissionais”*, com várias vantagens.

As vantagens com as compactas ditas premium são:

– Pode-se andar com uma ótima câmera sem o peso e o tamanho por vezes incoveniente (e chamativo) das DSLRs. E elas ainda são mais fáceis de guardar (ou carregar no pescoço, no ombro), ainda que seja ainda mais bacana andar com uma câmera fininha ou um smartphone, como um iPhone;

– Produzir ótimas fotos, com nível de ruído bem controlado mesmo em ISO alto, coisa que até relativamente pouco tempo atrás era um sonho em qualquer compacta acessível (mesmo entre profissionais, não é qualquer um que pode comprar uma Leica). E sem perder a definição, o que é muito importante, já que por vezes as marcas lançam modelos que tem menor ruído, mas abrindo mão da definição de imagem, ou seja, a câmera processa as imagens para não evidenciar ruído simplesmente borrando-as! O resultado são fotos que parecem por vezes terem sido tiradas no vapor de um bom banho quente. Felizmente isso não ocorre com as premium;

– São mais ergonômicas do que as compactas desenhadas para serem carregadas no bolso da calça e outros locais estreitos, o que evita o desconforto de tentar segurar firme e sem pôr dedos onde não deve nas câmeras fininhas ou nos smartphones;

– Possuem modos de prioridade abertura, velocidade e totalmente manual (A, S, M ou Av, Tv e M, dependendo da marca), o que é ótimo tanto para quem já utiliza DSLR explorando tais modos (excluindo quem compra câmera maior para ter fotos melhores sem estudar);

– Em sua maioria têm sapata hot-shoe para flash externo. No caso da Sony NEX-5, não existe esse encaixe, mas há um local para ser encaixado um flash feito para as NEX-5 e NEX-3. A diferença entre ter este tipo de possibilidade e não ter (como num celular com câmera) na maioria das situações é a diferença entre uma foto “fantasmagórica” e uma foto com luz mais natural, que não torna o fundo trevas do porão de Drácula, nem seu retratado na encarnação de Gasparzinho;

– Permitem fotografia em RAW, o que na maioria das situações é mais interessante que fotografar em JPG (entenda os porquês aqui);

– Configurações detalhadas, seja no menu ou no LCD ao preparar-se para uma foto ou um vídeo, e elas são mais acessíveis, pensadas de forma a funções mais utilizáveis ficarem logo à vista ou num dos primeiros tópicos do menu. Assim podemos facilmente tirar bastante proveito das possibilidades que a câmera oferece, ajustando rapidamente desde a abertura do diafragma e o tempo de exposição até a compensação de carga do flash ou outro ajuste fino, passando por controle de nitidez, tipo de arquivo e outros;

– Ao contrário dos tão afamados smartphones, mesmo as câmeras compactas têm rosca para que a máquina possa ser utilizada num tripé ou monopé – o que as torna perfeitamente aptas para longas exposições. Não é impossível fazer uma longa exposição com um bom smartphone, mas a falta de rosca para tripé pode dificultar bastante a realização deste tipo de foto, a depender das circunstâncias;

– Outro aspecto em que os smartphones falham é o design feito para ser primordialmente de celular e, mais casual e/ou emergencialmente, uma câmera, o que torna o ato de apertar o botão disparador da câmera bastante suscetível a tremores, e assim as fotos borradas tão comuns entre quem porta câmeras que necessitam priorizar velocidades baixas. Verdade que as aberturas de diafragma de alguns bons aparelhos está melhorando, o que ajuda, mas de modo geral usar seu celular para tirar fotos ainda passa longe do ideal.

 

Seguem alguns modelos interessantes, com seus preços de kit nas lojas Amazon americana e europeias e na novaiorquina B&H:

Fujifilm FinePix X100 – $1200 (Amazon e B&H)  / 895 € / £700

Com sensor de proporções APS-C e 12.3 megapixels, tem um nível de ruído consideravelmente baixo, definitivamente no mesmo patamar de boas DSLRs (obviamente não as topo de linha, mas as básicas e as médias, sim). A nitidez é impressionante, e o visual retrô dela encanta, incluindo na objetiva 23mm f/2, prateada assim como boa parte do corpo da câmera, lembrando a série M da afamada Leica.

Além disso, ainda tem um viewfinder híbrido (segundo a Fuji, é o 1º modelo com tal VF), modo de captura de panorama e 04 tipos de bracketing.

Os pontos contra este modelo são o preço e o monitor LCD de 2,8” (que pode desagradar a alguns acostumados com monitor de 3”).

 

Canon PowerShot G1X – $800 (Amazon e B&H) /  660€ / £560

Aguardadíssimo lançamento da Canon para o mundo das compactas, a sucessora da G12, tão amada por profissionais para uso como segunda câmera, ela “botou pra torar” com maior ISO, nível de ruído consideravelmente menor que sua antecessora (graças ao sensor bem maior que o da G12 e poucos megapixels a mais), além de agora gravar vídeos full HD, e não apenas em HD simples. É minha escolhida, e até já comentei os motivos aqui no DG.

O ponto fraco é não ter lentes intercambiáveis, ao contrário das outras aqui citadas. E para quem adora produtos com belo design, é o mais do mesmo da G12, apenas um pouco maior (ou seja, nada de visual retrô, corpo prateado ou coisa do estilo).

 

Panasonic Lumix GX1 – $780-950, a depender da 14-42mm*2 (Amazon e B&H) / 695€ / £550

 

Quase homônima à câmera da Canon, mas lançada anteriormente, a Panasonic Lumix GX1 também tem nitidez muito boa e bom nível de ruído em ISO alto (em bora fique um pouquinho atrás da G1X neste último quesito). Tem como vantagens ser um pouco menor que o modelo da Canon e ser de uma marca mais difundida que a Fuji em câmeras compactas (embora este último aspecto possa ser alterado pela demanda do mercado).

Outro ponto muito interessante é que este modelo não é dependente de flash externo para ter luz rebatida/angulada: o flash embutido da câmera tem ângulo variável, e assim pode ser rebatido, dando muito mais naturalidade às fotos. Ótimo para quem quer investir logo numa boa câmera e quer ter já uma boa luz com ela, mas não tem orçamento para investir já num flash externo, ainda que pequeno.

Sendo uma micro quatro-terços (micro four thirds, MFT ou m4/3), pode ser usada com as variadas opções de objetivas já existentes no mercado para este sistema (incluindo uma incrível 25mmf/0.95). A desvantagem de adotá-la é que não é lá tão fácil encontrar objetivas para o sistema aqui no Brasil, embora não seja difícil encontrar ofertas de adaptadores para utilizar objetivas da Canon, por exemplo, em câmeras m4/3 (ainda que com perda do autofoco e do controle de diafragma).

 

Sony NEX-5N e NEX-7*3 – $700 (Amazon e B&H) / 700€ / £550  e  $1700 (Amazon) / $1350 (B&H) / 1340 € / £1095

 Por elas eu parei de dizer que toda compacta da Sony é nojenta, uma encarnação do termo cyberxula (o qual nem lembro mais quem criou). Ainda acho a maioria meio ruim (pra não dizer detestável), mas as NEX me fizeram começar a mudar de ideia.

Era realmente curioso que a marca que faz boa parte dos sensores de câmeras avançadas não fosse lá muito boa na hora de fazer suas próprias. Quer dizer, as DSLRs da marca andam muito bem faladas, mas a Sony parecia não querer se dedicar muito às suas compactas. Com a série NEX as impressões minhas e do mercado mudaram: eles podem sim ter boas câmeras mais portáteis!

Começaram com as NEX-3 e as NEX-5, e algum tempo depois lançaram a NEX-7, que tem até sapata hot-shoe para flashes da Sony e controles mais dedicados e acessíveis de abertura e velocidade. Obviamente há uma diferença de preço entre elas, mas adquirindo uma NEX-5N já se tem uma câmera muito boa em mãos, se considerar o sensor APS-C com definição muito boa e nível de ruído bastante aceitável (a principal reclamação contra as cyberxulas é do alto ruído ao subir o ISO), além de ter uma pegada melhor que as compactas comuns da marca.

O ponto fraco está nas objetivas, que apesar de boas em qualidade ótica e da possibilidade de adquirir adaptadores para utilizar até modelos feitos para as DSLR, têm tamanho considerável, bem mais avantajado que as câmeras em que elas se encaixam. Não estamos tratando aqui de câmeras para colocar num bolso da calça, mas a considerar as objetivas da Lumix GX1 e da Canon G1X, ambas zoom (desconsidero a 23mm da Fuji, que é fixa), as objetivas NEX podem ser citadas como ponto negativo por quem busca qualidade mas com uma portabilidade bem atraente.

 

Samsung NX200 – $800 (Amazon) / $900 (B&H) / 670€ / £460

Outra empresa entrando com gosto do mundo da fotografia! Assim como a Sony, a Samsung nunca foi uma marca especializada em câmeras fotográficas, mas resolveu aproveitar a “onda” do mercado. Porém diferentemente de outras marcas como GE, Casio e afins, a Samsung está mostrando que quer levar a sério os amantes da arte do clique, e não apenas arrancar dinheiro de consumidores ingênuos que acreditam em “marca boa” e “marca ruim”, herança de um tempo pré-divulgação massiva de informações, em que um produto era classificado como bom mais pelas propagandas e a fama alcançada pela marca, e menos pelo produto em si.

Depois de uma tentativa interessante no terreno das compactas premium com a NX100, a Samsung se superou lançando a NX200, com melhor definição e um ruído que parece-me um pouco menor que o da antecessora (mesmo com o aumento dos megapixels de 14.6 a 20.3), além de agora possibilitar uso de maior ISO (lembrando que subir muito ISO tem suas consequências) e ter uma melhor fotometria (podem reparar que nas fotos mostradas no Comparometer feitas com a NX100 as cenas estão um pouco escuras).

O lado ruim é que a Samsung é uma marca ainda pouco difundida aqui no Brasil, em termos de acessórios e etc. Além do que, a NX200 tem vida útil de bateria mais curta que a da NX100: 420 cliques contra 320 da anterior. E as NX sofrem do mesmo problema de tamanho das Sony NEX: possui objetivas generosas em tamanho (felizmente a marca prioriza versões pequenas). Há também a leve “esquentada” que a mais nova dá nas imagens, mas isso é algo facilmente corrigível via software.

créditos das imagens:
imaging-resource.com

* profissional é quem empunha a câmera e ganha dinheiro com isso, mesmo que esteja sem sua ferramenta – que aliás, não passa disso (a despeito de marca, tamanho…).

*2 existem duas objetivas 14-42 para a série G da Panasonic: a G Vario 14-42 e a G X Vario PZ 14-42.

*3 este modelos diferem-se mais entre si no design e nos megapixels – as imagens são basicamente no mesmo nível, e a diferença mais substancial é na sapata para flash na NEX-7.

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Alexandre Maia

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