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Conheça o Flash Pop-Up 4.73/5 (22)

Artigo originalmente escrito por Karen Lynne Dejean, aluna do modulo 2 da Focus Escola de Fotografia.

O desacreditado Flash Pop-up. Para muitos fotógrafos, o pensamento de usar apenas o flash incorporado à câmera os faz franzir a testa – e por boas razões. Quando não alterado cuidadosamente, o flash pop-up emite uma luz dura e direta, que não é natural. As fotos ficam quase sempre planas porque a direção direta da luz apaga todas as sombras que teriam adicionado profundidade ou textura. Muitas vezes, o flash pop-up irá super-expor o tema se ele estiver muito próximo e a intensidade do flash não for ajustada de acordo. Tais deficiências são especialmente evidentes ao fotografar retratos.

Esses tipos de resultados negativos deram ao flash pop-up uma reputação ruim, mas há muitas situações em que esse recurso pode melhorar significativamente uma fotografia, e até mesmo ser um salvavidas. Ele é certamente um ótimo aliado para fotógrafos iniciantes, que talvez não estejam prontos para investir no equipamento que os profissionais usam. Neste caso, o ideal é tirar o máximo proveito do flash pop-up até poder fazer esse investimento. Mas, mesmo para profissionais, há situações inesperadas em que estão sem o devido equipamento, ou uma improvisação rápida é necessária. Saber usar o flash pop-up corretamente não só melhorará uma foto, mas também irá ajudar a tirar o máximo proveito das mesmas. Abaixo, serão apresentadas dicas que irão auxiliar neste processo usando apenas o flash pop-up.

1 – Conheça os limites

Figura 1: O alcance da maioria dos Flashes Pop-Up é entre 4 e 5 metros.

Ao contrário de um flash externo, o flash pop-up obtém a energia da própria bateria da câmera. Como está compartilhando esta fonte de energia com as outras funções da câmera, seu poder é consideravelmente limitado. Para não consumir a vida útil da bateria da câmera, o flash incorporado não é tão brilhante ou abrangente quanto o de um flash externo. Devido a essa limitação, é necessário estar ciente da faixa de trabalho do flash pop-up.

A maioria dos flashes pop-up tem um alcance de cerca de 4 a 5 metros. É preciso verificar no manual da câmera para saber o alcance específico do flash da mesma. Sem estar ciente desse alcance, pode ocorrer de tirar-se fotos em que o tema está fora do alcance do flash, fazendo com que o tema fique subexposto. Pode-se aumentar esse alcance aumentando-se o ISO ou alterando-se a compensação do flash.

Para temas extremamente distantes, como em shows ou eventos esportivos, é melhor desligar completamente o flash, aumentar o ISO e deixar a luz ambiente funcionar. Usar o flash em situações como estas só fará com que o grupo de pessoas imediatamente à frente da câmera fique iluminado e nítido, enquanto tudo o que gostaria que ficasse corretamente exposto estará mal ou nem um pouco iluminado. É preciso conhecer as limitações do flash, assim como quando é melhor permitir que as outras funções da câmera assumam.

2 – Use a Compensação do Flash

A compensação do flash é diferente da compensação da exposição. A compensação da exposição torna a foto mais clara ou mais escura, alterando a exposição que foi selecionada automaticamente pela câmera. A compensação de flash é semelhante, mas torna a fotografia mais clara ou mais escura ajustando a intensidade do flash em vez da exposição. Usar a compensação do flash irá ajudar a alcançar a exposição adequada e a superar as muitas limitações do flash pop-up.

A câmera nem sempre escolhe a potência ideal do flash ao disparar o flash pop-up. De vez em quando, pode-se querer aumentar ou diminuir a quantidade de luz do flash em relação ao que a câmera acha adequado. Se as fotos estão saindo com um assunto sobre-exposto, o ajuste da compensação do flash poderá alterar as partes estouradas em uma foto com a exposição correta.

A quantidade ajustada irá depender da iluminação ambiental e dos resultados que se deseja alcançar. Em geral, ao fotografar perto de um tema ou em um local escuro ou com sombra, é melhor diminuir a compensação para não sobre-expor. No entanto, no caso de fotografar-se ao ar livre com forte luz solar ou longe do tema, provavelmente será ideal aumentar a compensação.

Para ajustar a compensação do flash, será preciso fotografar no modo Manual, Prioridade de Abertura ou Prioridade do Obturador (M, A ou S na Nikon; M, Av ou Tv na Canon). A configuração de compensação do flash geralmente é marcada por um raio ao lado do símbolo +/-. É preciso consultar o manual para encontrar as configurações de compensação de flash específicas de cada câmera. Uma vez selecionada, será possível ajustar a iluminação do flash para cima ou para baixo. Tente diferentes configurações até alcançar a exposição que está procurando. Conhecer esse recurso na câmera é um grande recurso para tirar melhores fotos com o flash pop-up.

Figura 2: Localização da compensação de flash em uma câmera.

3 – O flash não é somente usado no escuro

O flash não é para ser usado somente quando está escuro. Uma das funções mais úteis do flash pop-up é a capacidade de usá-lo como flash de preenchimento, especialmente em plena luz do dia. Pode parecer estranho usar o flash quando o sol está alto no céu, mas é exatamente quando mais precisará usá-lo. Usar um flash de preenchimento pode realmente fazer a diferença nas imagens, iluminando sombras escuras, cores brilhantes e criando profundidade. É uma das técnicas mais fáceis de dominar, e dará um melhor aspecto às fotos sem ter que passar horas no Lightroom ou Photoshop.

Caso já tenha tirado um retrato ao ar livre com sol, deve saber o quão difícil é fazê-lo adequadamente. Em luz solar direta, as sombras escuras caem no rosto da pessoa fotografada, criando sombras escuras sob os olhos e escondendo importantes detalhes faciais. Em vez de passar para a sombra ou gastar horas com o pós-processamento, procure ligar o flash pop-up da câmera. Ao adicionar alguma luz com o flash, essas sombras são suavizadas, adicionando uma grande parte dos detalhes perdidos. Como bônus, o flash também adiciona um efeito brilhante de “captura de luz” nos olhos da pessoa.

Figura 3: Tema ao ar livre com apenas luz solar e com flash de preenchimento.

É preciso tentar usar várias potências diferentes do flash até obter a exposição correta. Em situações especialmente brilhantes, procure aumentar a compensação do flash em um ou dois f/stops a mais. Isso pode resultar no efeito adicional de escurecer o fundo por trás do tema, dando à foto um efeito mais dramático. Também é possível tentar combinar duas exposições – uma usando iluminação natural e outra usando o flash de preenchimento. Esta técnica permitirá que se altere a força do flash e o plano de fundo independentemente do tema, durante o pós-processamento.

Seu flash de preenchimento também é um salvavidas quando se trata de retratos retroiluminados. Tente tirar uma foto de alguém na frente de uma janela no modo Auto e acabará com uma silhueta (foto 4 abaixo). Isso ocorre porque a câmera pensa que a cena tem luz suficiente e seu assunto está bem exposto. Infelizmente, este não é o caso. Substitua essas configurações ativando o flash. Isso lhe dará um tema corretamente exposto e não uma sombra escura.

Figura 4: Retrato retroiluminado com e sem flash.

O flash de preenchimento é ótimo para tirar retratos, mas também pode ser usado em fotografia da natureza, adicionando maior cor e profundidade de campo (foto 5 abaixo). Tente usar o flash na próxima vez que estiver fotografando ao ar livre e observe a diferença que apenas um pouco de luz faz. Há muitos usos para o flash de preenchimento, tantos que nem todos podem ser cobertos aqui. Usar o flash pop-up como um flash de preenchimento é uma técnica fácil de aprender, e fará uma diferença significativa em suas fotos. Experimente na próxima vez que estiver tirando fotos ao ar livre e ficará feliz por tê-lo feito.

Figura 5: Foto de tema natural com e sem flash de preenchimento.

4 – Difusão e Redirecionamento

Uma das principais desvantagens do flash pop-up é a dureza e intensidade da luz. Isto é devido ao fato do flash se originar de uma área tão pequena. Quanto menor a área de onde a luz se origina, mais dura será a fonte de luz. Como o flash pop-up foi projetado para se encaixar de forma compacta dentro da câmera, é uma das fontes de luz mais duras que há. Existem ferramentas especiais projetadas para alterar e difundir esta luz, mas nem sempre elas estam disponíveis. Neste caso, é útil conhecer algumas dicas e truques para criar uma luz mais suave usando apenas o flash pop-up.

Figura 6: Uso de difusor para suavizar a luz.

Uma das maneiras pelas pode-se suavizar a luz é difundindo-a. Um difusor trabalha para aumentar o tamanho da fonte de luz, suavizando-a por consequência. É por isso que fotografa-se com guarda-chuvas ou as chamadas softboxes. Mas essas ferramentas são pesadas, e nem sempre estão à disposição. Nos casos em que se está apenas com a câmera, é possível improvisar um difusor usando-se papel de seda, algodão fino, papel velum ou qualquer material similar. Segure (ou prenda com cuidado) a imitação de difusor no flash e fotografe. Irá notar uma diferença instantânea ao fotografar com um flash difuso em oposição a um flash direto.

Ao fotografar com luz difusa, é importante notar que, como a luz está sendo diminuída, o mesmo ocorrerá com sua intensidade. Qualquer difusor utilizado diminuirá a luz, então será preciso experimentar a compensação do flash para obter os resultados desejados. Outra maneira de suavizar o flash é direcionando-o ao teto, transformando a sala em uma softbox gigante. A luz do flash atinge o teto, suavizando a luz ao espalhá-la pela sala. Esta técnica só funcionará em ambientes fechados e em salas menores, no entanto.

Figura 7: Redirecionamento do flash para o teto.

Enquanto o flash pop-up da câmera estiver parado, será possível também redirecionar a luz usando-se um pequeno cartão de papel branco. Deve-se segurar o cartão em um ângulo de 45 graus à frente do flash e fotografar. A luz atinge o cartão, saltando para o teto e espalhando-se em uma bela luz suave. É preciso experimentar com diferentes intensidades de luz e ângulos do cartão até obter os melhores resultados. Esta técnica não é perfeita mas, na maioria das vezes, irá funcionar na situação de falta de equipamento adequado.

Um dos problemas com o uso do flash pop-up da câmera é que a luz está muito próxima das lentes, o que significa que existe uma grande probabilidade de que a luz seja direcionada para a parte de trás do olho e para a câmera, criando o efeito bem conhecido dos olhos vermelhos.

Felizmente, a maioria das câmeras tem um modo de redução de olhos vermelhos para ajudar a resolver esse problema. Isso funciona disparando um pré-flash antes da exposição para que as pupilas do sujeito se fechem, reduzindo a quantidade de luz que passa pelas mesmas. Em muitos casos, isto reduzirá significativamente o problema. No entanto, caso se tenha uma imagem que ainda exiba o fenômeno, ele pode ser tratado de forma rápida e fácil na maioria dos softwares de edição de imagem. A difusão e redirecionamento do flash também ajudará a reduzir a probabilidade de olhos vermelhos.

5 – Flash de Sincronização Lenta

Tratamos do uso do flash de preenchimento para fotografar temas durante o dia, mas e quanto a fotografar à noite? Ao tirar fotografias com pouca luz, geralmente temos duas opções: usar o flash ou diminuir a velocidade do obturador. O uso do flash ilumina o stema, mas muitas vezes o deixa desbotado, super-exposto e muito plano. Ao disparar o flash, a câmera também alterará para uma velocidade de obturação mais rápida, não dando tempo para coletar iluminação ambiente suficiente, tornando o fundo muito escuro. A outra opção é desligar o flash e diminuir a velocidade do obturador. Esta pode ser uma solução aceitável caso se tenha um tripé e um tema estacionário, mas se o tema estiver em movimento ou não se tenha uma mão firme, a foto sairá completamente borrada. Então, como podemos alcançar um equilíbrio?

O flash de sincronização lenta é um meio possível para resolver isso. Com ele, o flash irá desligar juntamente com uma velocidade de obturação mais lenta. Isso significa que o flash é disparado, expondo bem o assunto, mas o obturador permanece aberto para que a luz ambiente tenha tempo de entrar e preencher o resto da imagem em vez de deixar o fundo escuro. Caso esteja-se usando o flash e as imagens estiverem planas e chatas, é interessante tentar usar o flash de sincronização lenta. A utilização desta configuração dará à foto dimensão e cor. Tente ajustar as configurações para ver o tipo de resultados que consegue obter diminuindo a velocidade do obturador ou alterando a compensação do flash.

Figura 8: Foto com utilização do flash de sincronização lenta.

6 – Formas de disparo do Flash Pop-Up

A maioria das DSLRs pode controlar a forma como o flash pop-up dispara durante uma exposição. DSLRs Nikon e Sony, por exemplo, fornecem pelo menos três opções – sincronização de cortina dianteira, sincronização de cortina traseira e sincronização de cortina lenta. Para DSLRs Canon ou outras marcas, a sincronização da cortina traseira geralmente é chamada de “2ª sincronização de cortina”.

  1. Sincronização de cortina dianteira – é a configuração padrão de todas as câmeras DSLR. O flash dispara um pré-flash para ´´entender´´ qual potência de flash deverá ser usada, e imediatamente dispara o flash principal no início da exposição.
  2. Sincronização da cortina traseira – a câmera dispara um pré-flash no início da exposição e, em seguida, aciona o flash principal no final da exposição. Se disparado nos modos Automático ou Prioridade de Abertura, as DSLR da Nikon diminuem automaticamente a velocidade do obturador para expor a luz ambiente.
  3. Sincronização de cortina lenta – a câmera dispara um pré-flash e o flash principal no início da exposição, semelhante à sincronização da cortina frontal. A diferença entre sincronização de cortina lenta e sincronização de cortina frontal, no entanto, é que a câmera diminui a velocidade do obturador ao usar a sincronização de cortina lenta nos modos Automático e Prioridade de Abertura.

Referências:

PRIMEIRO LIVRO DIDÁTICO SOBRE FOTOGRAFIA DIGITAL – 4. Edição. “FOTOGRAFIA DIGITAL – APRENDENDO A FOTOGRAFAR COM QUALIDADE”

Autor: Prof. Dr. Enio Leite, Editora Viena, São Paulo, Brasil, 2015

A Quarta Edição foi publicada em Fevereiro de 2017, com 530 páginas

Conheça o livro em:  https://www.fotografia-dg.com/produto/fotografia-digital-aprendendo-fotografar-com-qualidade/

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Prof. Dr. Enio Leite

Enio Leite Alves, Prof. Dr., Nasceu em São Paulo, SP, 1953 e atua na área de Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda e publicidade. Pesquisa e sistemas digitais. Sociólogo, jornalista, fotoquímico. inventor e professor universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973. Em 1975, funda a Focus - Escola de Fotografia. Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP. Doutor em fotoquímica e Fotografia Publicitária, em 1993, pela UNIZH , Suíça. livre docente, Massachusetts Institute of Technology, sistemas digitais, Estados Unidos, 1996 Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1994. Pesquisador e inventor Escritor, publicou o primeiro livro didático sobre fotografia digital, 2011, colabora com artigos e títulos sobre fotoquímica, fotografia e tecnologia e também filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte:Uol,03/ 2011)

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