Home » Artigos » Dicas

Viagens e Fotografia 4.5/5 (2)

O fascínio de conhecer e desvendar novos mundos, de poder partilhar e experienciar novas emoções, sensações e culturas está enraizado em nós portugueses, desde a nossa gloriosa época dos descobrimentos.

É algo muito nosso e foi esse fascínio pelo desconhecido que nos moveu na descoberta de quase meio mundo, sem medo de desvendar e percorrer caminhos nunca antes trilhados, levando-nos de encontro a diferentes povos e culturas, sem saber muito bem o que esperar.

Como que uma herança, esse fascínio passou de geração em geração até aos nossos dias e eu não fujo à regra e sinto essa necessidade, essa tentação, esse desejo e sempre que me é possível, ponho a mochila às costas e aí vou eu de encontro a um país, a uma cultura que seja novidade para mim.

Este artigo irá servir essencialmente para dar algumas dicas e conselhos sobre fotografia de viagem, com base na minha experiência pessoal.

Parque Nacional de Auvergne – França

Saber gerir expectativas

Recordo com saudade a minha viagem à Suíça, não só pela beleza do país, um autêntico paraíso para os fotógrafos de paisagem, onde as montanhas, os lagos, os rios e as enormes cascatas entre outras belezas naturais, fazem as delícias de qualquer fotógrafo, mas também porque foi uma das lições mais duras que tive de enfrentar até hoje no que diz respeito à fotografia.

Tudo indicava que iria ser a viagem perfeita para regressar a casa com imagens de raríssima beleza. Confesso que elevei, e muito, as minhas expectativas com base em imagens que através da internet fui visualizando de fotógrafos locais e essa possibilidade fez com que tratasse da viagem ao detalhe, não descurando o mais ínfimo pormenor.

Ao fim de alguns dias na Suíça, e não foram precisos muitos, rapidamente percebi que dificilmente iria trazer as imagens com que meses antes tinha sonhado. Em primeiro lugar era difícil, para não dizer quase impossível estar na chamada “golden hour” nos melhores locais, sobretudo por questões de logística, depois e porque ao contrário do que acontece na nossa área de residência, não poderia voltar a muitos desses locais e repetir assim, a imagem que um dia antes não tinha ficado de acordo com o pretendido. Para finalizar, a luz que eu imaginara apanhar com base em imagens que anteriormente tinha visualizado, nem sempre acontecia apenas e só porque eu estava lá!

Após regressar da Suíça, nos primeiros dias foi difícil conviver com a triste realidade que do ponto de vista fotográfico os objectivos a que me tinha proposto tinham ficado longe de ser atingidos, mas retive três ideias essenciais para o futuro:

  • Não poder delinear objectivos com base em imagens de fotógrafos que estão num local o ano inteiro e que podem visitar e revisitar o mesmo local, vezes sem conta, tal e qual como eu faço por exemplo em relação ao Parque Natural Sintra Cascais;
  • Sendo eu um amante confesso da fotografia de paisagem, tive de aprender a tirar partido do que as situações do dia-a-dia nos podem proporcionar não ficando única e exclusivamente “preso” à espera do nascer e do pôr-do-sol para fotografar, passando assim a incluir no meu estilo de fotografia o mero registo documental;
  • Dar mais valor aos locais da minha área de residência e, ai sim, aumentar o nível de exigência em relação às imagens que obtenho.

Jaipur – Índia

O equipamento

Outra questão fundamental quando se prepara uma viagem, é o equipamento a levar na mochila.

Esta é uma questão pertinente para o fotógrafo. Ao contrário do que leio em muitos livros e revistas da especialidade, que aconselham que sejamos práticos e que levemos a nossa mochila o mais leve possível, eu levo sempre o meu material todo. É apenas uma questão de compromisso, mas prefiro ter mais peso na mochila do que me arrepender por não levar determinado equipamento.

Lista de equipamento que normalmente levo na mochila:

  • Se possível, deve-se levar duas câmaras. Por dois motivos: em caso de avaria existe sempre uma alternativa e ainda permite que em cada uma das câmaras tenha objectivas com diferentes distâncias focais;
  • Levar objectivas que cubram as distâncias focais mais comuns: grande angular (10-20 mm), lente intermédia (28 – 135 mm) e teleobjectiva (70 – 300mm);
  • Vários cartões de memória;
  • Pelo menos 2 discos portáteis para descarregar as imagens. Fazer sempre copia do mesmo cartão de memória nos 2 discos, garantindo assim que, se um dos discos portáteis avariar, existe sempre uma cópia de tudo o que foi fotografado;
  • Tripé, cabo disparador e filtros (polarizador, graduados e graduados de densidade neutra);

Guilin – China

Outras dicas

Para finalizar o artigo, deixo ainda uma pequena lista com algumas dicas que julgo úteis antes e durante a viagem.

Antes da Viagem:

  • Planear a viagem de forma a conhecer o melhor possível os locais com mais potencial fotográfico. Com a ajuda da internet e do inevitável Google Earth, quase que é possível conhecer um local sem nunca lá ter estado antes;
  • Analisar no Google Earth, qual a orientação do sol no nascer e pôr-do-sol;
  • Ter planos sensatos durante a viagem e não querer visitar e conhecer tudo, diminui e muito a probabilidade de se vir a obter boas imagens;

Durante a Viagem:

  • Não procurar fazer imagens apenas artísticas. Fazer também imagens documentais, permitindo assim ter um conjunto final de imagens bastante diversificado;
  • Procurar locais pouco fotografados e não ter medo de inovar, por vezes conseguem-se boas surpresas;
  • Levantar cedo e fotografar o nascer-do-sol, nunca se sabe o que realmente pode acontecer, desde que se tenha um plano prévio daquilo que se irá fotografar.
  • Consoante o local, ter um plano diário de locais para fotografar o pôr-do-sol;
  • Se necessário, contratar um guia / tradutor uma vez que facilita a descoberta de sítios mais recônditos e facilita também a comunicação com os locais;
  • Se possível, passar vários dias na mesma área, para melhor perceber como funciona a luz no nascer e no pôr-do-sol. Permite ainda corrigir eventuais erros que surjam numa 1ª tentativa;
  • Ter sempre presente que mais vale uma boa imagem de um determinado local, do que várias imagens razoáveis;
  • Não ter receio de abordar os nativos no sentido de os fotografar;

Ilha de Skye – Escócia

Texto e imagens por Nuno Luís, membro da equipa FOTONATURE.
www.foto-nature.com
www.nunoluis.net

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

Gosta de algum dos artigos abaixo?

  • Matheus Félix

    Boa tarde,

    Meu nome é Matheus, sou aluno do Curso de Turismo da UFMG, o meu grupo está realizando um projeto da faculdade de expedição fotográfica na cidade mineira de Morro da Garça. Eu acessei o site de vocês e percebi que vocês tem experiência no mercado. Se possível gostaria que respondessem as seguintes perguntas:

    1 – Qual é o perfil das pessoas que participam de uma expedição fotográfica? (Idade, Renda)

    2 – Qual é a duração média de uma expedição?

    3 – Qual é o valor que essas pessoas estão dispostas a pagar, considerando hospedagem, transporte, alimentação e inscrição?

    4 – Você possui pesquisas relacionadas a expedição fotográfica? Do mercado de fotografia? Pode disponibilizar?

    Obervação da N°4:Iremos referenciar tudo, peço isso, porque nossa professora é formada na área de Economia e gosta muito de gráficos e tabelas representando resultados

    5 – Quando é o preço médio de um orientador/fotógrafo por um final de semana? Quanto cobra-se por hora?

    6 – Quais são os estados que são mais procurados para a fotografia da paisagem,fauna e a flora? Existem pesquisas?

    7 – Qual é o estado de origem das pessoas que realizam expedição fotográfica? Saberia informar os 5 primeiros? Existem pesquisas sobre isso?

    Não temos muito conhecimento sobre o tema, outras informações sobre este assunto serão válidas.

    Muito obrigado pela atenção. Desde já agradeço.

  • Nuno Luís

    Olá Eduardo!

    Obrigado por ter perdido alguns minutos a ler o meu artigo.

    Na realidade o problema da insegurança é comum em todo o mundo e é um problema com o qual nós fotógrafos temos de conviver. Felizmente até aos dias de hoje ainda não tive qualquer tipo de problema, mas creio que voçê teve a atitude correcta, ou seja, em caso de dúvida mais vale ir embora.

    Abraço.

  • Eduardo

    O problema é conseguir fotografar durante viagens aqui no Brasil!!! Pelo simples fato de que vc pode levar o equipamento, mas conseguir voltar para casa com ele, já é uma outra história… Uma câmera SLR chama muita atenção, inclusive dos vagabundos de plantão, e as chances de ter o equipamento subtraído por um deles, é imensa!!! Certo dia, ou melhor, certa noite, fui fazer umas fotos no centro de Curitiba, e só não fui roubado porque fiquei perto de um posto policial. Haviam dois desocupados no local com os olhos bem interessados no meu equipamento. Na hora em que uma viatura saiu com os policiais, eu peguei minha Canon 50D, coloquei na mochila rapidamente e montei na bicicleta (o melhor meio de locomoção, em algumas ocasiões), tudo em questão de segundos, pois os 2 rapazes começaram a se aproximar e não pareciam ter boas intenções. Para confirmar minha suspeita, olhei para trás alguns metros depois, e eles foram para outra direção. Em resumo, já é dificil portar uma camerazinha point-and-shot no Brasil, quanto mais uma SLR…

  • ADOREI O POST!!! ESTOU COMPARTILHANDO! ;) ESPERO QUE NÃO SE IMPORTE…

  • catatau

    Belo texto!

    Agora, uma sugestão ao editor do site: essa janelinha de subscrição no site cada vez que acessamos ele é frustrante, realmente chata.

    Não se assina um blog antes de visitá-lo, mas só DEPOIS de apreciá-lo!

  • Gostei bastante do artigo, Nuno. Especialmente da parte que diz respeito à gestão das expetativas. Gosto tanto de fotografar como de viajar e, muitas vezes, estas duas paixões atrapalham-se uma à outra. É preciso saber gerir o tempo e não levar uma hora para tirar "aquela" fotografia… e outra, e outra, e outra. Provavelmente só vamos estar naquele sítio uma vez na vida. Mais vale disfrutar dele enquanto lá estamos em vez de o vermos apenas através das nossas próprias fotos já depois de voltarmos.

    Um abraço.

  • Eduarda

    Neste artigo consegues incluir a parte técnica sem ser aborrecida, e depois do workshop na Serra da Estrela da semana passada percebi como todos os detalhes são importantes. Que sorte tiveste com aqueles dois lindos cavalos a posar para ti. E o senhor chinês, custa a crer que é real, parece saído de um conto. Mas o que eu acho mais importante neste artigo é referires o facto de termos de nos adaptar às situações que nos surgem, é uma capacidade extraordinária do ser humano, mas que às vezes equecemos. Espero por ver novas fotos.

    Bjs

    Eduarda

  • Muito bom Nuno, gostei bastante. Sempre que vamos a novos lugares, já conhecido pela riqueza das imagens que podem nos proporcionar, elevamos nossas expectativas e por vezes ficamos frustrados.

    Abraços,

    Eduardo

  • Nuno,

    Este post só me fez ter coragem de andar carregada de um lado para o outro com o meu material. Por vezes perco oportunidades de fotos por não querer andar carregada…penso que adquirir este hábito é uma mai-valia.

    E obrigada por referires a parte de não podermos esperar o mesmo tipo de imagens de fotógrafos que têm imenso tempo para estudar o local. É algo que nunca me tinha lembrado e achei reconfortante ler.

    Ana.

    • Eduardo

      Se vc tiver a sorte de conseguir continuar com seu material, então faça isso mesmo… Em Curitiba, isso já não é mais possível, infelizmente… E acredito que na maioria das capitais brasileiras deve ser assim. Tirar uma SLR da mochila em alguns locais de Curitiba é pedir p/ ficar sem ela, e quem sabe ainda tomar uma ameixa voadora na cara…

  • Adorei as dicas. Eu tenho o hábito de carregar mochilas leves, para ter agilidade na locomoção. Mas confesso que já fui surpreendida pela falta de equipamento em situação que o exigia, entao concordo com sua opinião.

Abrir Chat
1
Close chat
Olá! Obrigado por nos visitar. Por favor, pressione o botão Iniciar para conversar com o nosso suporte :)

Iniciar