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Entrevista exclusiva com Mauricio Po 0/5 (1)

Mauricio Po, um dos maiores nomes do país em books fotográficos, fotografia de moda, editorial e catálogos, falou com exclusividade ao PORTAL PHOTOS sobre o amor pela profissão, a receita para o sucesso e o futuro dos books fotográficos. Po, que integra o seleto time de profissionais convidado para participar do Estúdio Brasil deste ano, contou ainda detalhes de sua participação no evento com o workshop “Book para Profissionais”. Confira!

Em primeiro lugar, como surgiu a sua paixão pela fotografia? Quando a paixão virou profissão?

Cresci dentro de um estúdio e a grande verdade é que nunca dei muita bola para a fotografia. Não tive esse período de “paixão” que todos sentem quando descobrem a fotografia. Foi tudo muito natural, quando dei por mim já trabalhava com isso. É estranho pensar nisso, mas não tenho uma linha do tempo muito clara na minha cabeça. Quando penso no passado tenho “flashes” de lembranças de alguns trabalhinhos do início, coisas bem simples, esporádicas e sem muito comprometimento – não com relação à qualidade ou responsabilidade -, mas no sentido de pensar “essa é a minha profissão, preciso/quero viver disso”. E, de repente, a lembrança mais recente que tenho já é de uma fase bem mais madura, já vivendo da fotografia. A fase do “amor” e não da “paixão”.

Em 15 anos de profissão você já produziu mais de 2000 books fotográficos. Qual a receita para tanto sucesso?

Difícil falar em receita, muito mais em sucesso! Acredito que é um conjunto de fatores. Determinação, paciência, humildade, vontade de aprender, planejamento, marketing e sorte, é claro!  Creio também que essa ausência da “paixão” tenha contribuído. É ótimo se apaixonar, mas a paixão nos cega. Acabamos fazendo as coisas sem se importar com o que, como, quando ou quanto. Tudo o que queremos é simplesmente fazer!

É lindo e maravilhoso quando duas pessoas se apaixonam. Mas quando essa paixão vem de um lado só o outro lado não aguenta. Paixão mútua só existe entre pessoas! Acho que a fotografia (assim como qualquer outra profissão) precisa de amantes e não de apaixonados. O amor é mais racional, Nós amamos o que fazemos, mas temos o pé no chão, não nos sufocamos, pensamos mais, vemos os erros e somos capazes de progredir sem trocar os pés pelas mãos.

O que mais te motiva a trabalhar com moda e com a beleza?

Muitas coisas. O contato com as pessoas, conhecer histórias, desejos, sonhos e fazer parte deles, trabalhar com o irreal. A fotografia de moda e de beleza é pura ilusão. Nada daquilo é real. A modelo que está na foto não é aquela mesma pessoa que chegou ao estúdio, o cenário não existe e, muitas vezes quando existe, é modificado pela produção. Trabalhar com essa realidade paralela é encantador, tenho muito dessa “realidade paralela” em mim. Por muitas vezes me pego “na lua”. [Risos].

O que você mais gosta de fazer book pessoal ou new face? E qual a diferença básica entre os dois tipos de trabalho?

Depende muito do dia e da pessoa que será fotografada. Tem sessões de fotos pessoais que são muito mais prazerosas que alguns trabalhos comerciais. É incrível pegar uma menina que não tem a menor pretensão em ser modelo e vê-la se doando completamente para a foto. A diferença é que o book profissional (modelo/ator) é mais técnico, existe um padrão de mercado. “Tem que mostrar assim, desse jeito, dessa forma…” o que acaba limitando um pouco a vontade própria do fotógrafo. O pessoal é livre, pode fazer o que quiser, da forma que quiser (desde que o cliente também queira!). Ambos tem seus prós e contras. Enfim, não tenho preferência por um ou por outro.

Você foi palestrante do Estúdio Brasil 2009 e, neste ano, irá participar do evento com o workshop “Book para Profissionais”. O que podemos esperar desse workshop?

Uma imersão total nesse mundo dos books. O Workshop é uma oportunidade de ver a coisa acontecer mais de perto, de poder fazer parte dela. A ênfase será na iluminação e na parte que mais “pega” a galera: a direção de modelos. Um assunto que é tão temido pelo simples fato de não existir uma fórmula ou um manual. Vai de cada um, cada fotógrafo tem que descobrir e desenvolver sua forma de dirigir. Vou bater muito em cima disso.

Os fotógrafos de moda ainda consideram a magreza como o ponto forte em uma modelo profissional ou isso tem mudado e outras características têm predominado?

Eu particularmente não defendo a magreza. Eu sou a favor de se respeitar o biotipo de cada uma. Existem modelos magrelas incríveis, assim como existem modelos com mais corpo igualmente incríveis. Acho que para a fotografia, o importante é a capacidade de a modelo passar a imagem da foto e não qual manequim ela usa (claro que estou falando dentro de uma margem).

Como você imagina o futuro dos books fotográficos?

Sou muito otimista. É um mercado que já cresceu e ainda tem muito a crescer. Quando comecei as pessoas não acreditavam, tanto que todo o foco do meu trabalho era para modelos. O brasileiro não tinha a cultura de ser fotografado e quando era, a produção do material era de péssimo gosto!

Hoje, esse cenário mudou. De uns dois anos para cá, mais da metade dos meus clientes são pessoas comuns querendo fazer um book para recordação, mas nos moldes dos books profissionais. Querem se sentir modelos, querem ter a foto “capa de revista” como dizem.

Para isso, é fundamental estar dentro do mercado da moda, o cliente está muito exigente. Tem muita gente oferecendo book – talvez hoje o mercado de book seja um dos que tenham mais fotógrafos atuando. Por outro lado, a grande maioria tem um estilo muito pobre, conhecimento “zero” de moda, de tendência, de tratamento e principalmente de linguagem.

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Diogo Guerreiro

Diogo Guerreiro é o fundador do Fotografia-DG e tem como objetivo a divulgação prática e profunda de técnicas, dicas e recomendações de novas tendências da área do mercado.

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