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O exato momento (e o “Shutter lag”)

Para não ficar muito na teoria nas primeiras colunas sobre fotografia de esportes, vou falar um pouco sobre a prática e vou alternando com dicas de equipamentos.

O que mais me fascina na fotografia (na maioria delas) é o exato momento em que a ação é capturada. Milésimos de segundos podem fazer a diferença.

Das modalidades esportivas em que eu relacionaria como mais ágeis e difíceis de fotografar estaria o futebol, vôlei e tênis. A explicação se dá em decorrência de que na maioria das vezes você tem que ter enquadrado a bola.

O bom fotógrafo esportivo também deve se familiarizar com a velocidade das ações de cada modalidade, pois a capacidade de explosão e a agilidade do atleta varia entre elas, incluindo a diferenciação das categorias e idades.

Uma das coisas em que não vou conseguir transcrever em números é o exato momento em que você deve pressionar o disparador.

Sorte é a soma de preparo e oportunidade”. Esta frase me marcou em 2010. O que tento descrever é que uma boa foto resulta de uma soma de situações. Um exemplo é na cobertura de um jogo de futebol, que você cobre basicamente 25% do campo.

Em uma comemoração de um gol, uma foto que transmite expressões de alegria, o jogador corre para comemorar com a torcida. Para fotografá-lo de frente, temos de estar na linha de fundo (local onde geralmente é o único possível para permanecer, onde se escolhe ficar de um lado ou de outro do gol), ou lateral do time em que fez o gol está atacando e estar do lado certo, pois ele pode correr para o seu lado oposto.

Quando se faz a cobertura do time visitante fica um pouco mais previsível, pois a torcida é menor, e há uma grande probabilidade do jogador que fez o gol correr para comemorar com ela.

Quanto antes, em que momento? Uma foto que gosto de fazer e é bem previsível no futebol é a bola no peito após uma cobrança de lateral. O quadro fica cheio, conseguimos fazer uma foto horizontal de meio corpo com dois jogadores, um de cada time, e a bola em disputa.

FOTO 1: Posicionado na linha de fundo, o lance proveniente de uma
cobrança de lateral (1/500s; f/6.3)

No tênis é mais difícil. A velocidade da raquete é muito rápida. Se você se posiciona ao fundo da quadra para fazer o tenista de frente se tem um maior tempo em que a bolinha permanece no quadro (Foto 2). Porém se você está na lateral este tempo em que a bola permanece no quadro diminui drasticamente.

Exemplificando o modo do futebol, podemos usar o motor-drive (sequência – que algumas câmeras chegam a fazer 10 fotos por segundo/”frames per second”-fps) e começar a disparar mais antecipadamente para não perder a cena. Usando esta opção você tem menos controle do exato momento, pois ele pode “cair” entre um frame e outro (Foto 4 e 5).

Já no tênis, na lateral é quase que certo que a foto da bola na raquete (“estufando” as cordas da raquete) não seja captada, ficando entre um quadro e outro (Foto 3 e 5).

FOTO 2: Maria Sharapova, US Open 2006: com o corte horizontal se
dá mais ênfase a expressão facial (1/640s; f/4.5)
FOTO 3: Sharapova: foto lateral (1/640s; f/5.6)
FOTO 4: Rafael Nadal, US Open 2006: na foto lateral, a fração de milésimos de segundos
pode ser exemplificada entre esta foto e a Foto 8 (1/500s; f/5)
FOTO 5: Nadal: foto lateral, com a bolinha estufando a raquete (1/500s; f/5)
* Notem que mesmo com velocidades de 1/500s e 1/640s a raquete não congela.

“Shutter lag”

Cada câmera tem o seu “time” (tempo) proveniente do “Shutter Lag” (demora), que é o tempo entre o fotógrafo pressionar o disparador e propriamente o obturador captar a imagem.

Exemplificando: na Canon esse tempo varia entre 0,107 segundos (300D Rebel) e 0,04s (1D Mark IIn); na Nikon fica entre 0,124 (D70) e 0,035s (D2Hs).

E se engana quem pensa que esta fração de segundos não faz a diferença. Faz e faz muita diferença quando se trata de um esporte de alto rendimento.

Se acostumar com o “retardo” de cada câmera é a complementação de seu “feeling” para cada diferente modalidade esportiva.

Você pode perder o exato momento se estiver distraído, ou ainda se não estiver acostumado com o “lag” de sua câmera, pois quando maior o “lag” mais antecipadamente terá de pressionar o disparador.

Cristiano Andujar

Cristiano Andujar, (Florianópolis, 1979), criou gosto pela fotografia em 1995. Formado em Jornalismo (2001), especialista em Gestão e Marketing Esportivo (2007). Atuou como assessor de imprensa no Figueirense FC (2001-2008). Também têm experiência em redação, é correspondente de agências de notícias, e seus trabalhos já foram publicados em revistas e periódicos de várias países. Os eventos esportivos mais importantes foram a final de NBA, US Open de Tênis, e Finais do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil de Futebol. Também já cobriu Vôlei, Automobilismo, Natação e Hipismo.

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