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Fotografia de Moda: Direção de Modelos e Cuidados 4/5 (2)

Artigo escrito por Karen Lynne Dejean, Junho de 2017.

Inicialmente, este artigo trata do Book Fotográfico como ferramenta realmente necessária, e o fato de que um fotógrafo não poderá realizar um bom trabalho sem um profissional de maquiagem de qualidade. É preciso atentar para o fato de que não se deve contar apenas com um estilo de foto; é preciso variar as poses, roupas, estilos, olhares, movimentos, etc.

Por meio dele, produtores de revistas e publicidade, estilistas, clientes de moda e beleza avaliam o potencial, a fotogenia e a desenvoltura do modelo frente às câmeras. É ele quem vai “vender” a imagem do modelo e garantir sua seleção para um desfile, um editorial de moda ou mesmo um filme publicitário.

Figura 1: Exemplo de Book Fotográfico.

O Ensaio Fotográfico, por sua vez, é uma sessão de fotos, geralmente com um propósito comercial/publicitário e um tema específico, de onde são escolhidas as melhores fotografias (as de maior impacto), que serão ampliadas para a composição do Book propriamente dito, que pode conter fotos em cores ou em P/B.

Logo após, o texto trata da Modelo Fotográfico que, basicamente, precisa ter o físico adequado e uma atitude mental apropriada para o trabalho. São apresentadas informações sobre como se comportar no ambiente de trabalho, além de questões a serem levadas em consideração para tornar-se uma modelo de sucesso. São apresentadas as diferenças entre tipos de modelo fotográfico e de passarela, além de regras e sugestões para uma carreira na área.

Figura 2: Imagem de Ensaio Fotográfico.

Passa-se ao tema da Direção de Modelo, salientando-se que o fotógrafo observe o seguinte:

SENTIMENTOS

Tristeza, raiva, atração, alegria, surpresa, desprezo, pretensão, histeria, desespero, escárnio, introspecção, ódio, dor, enjôo, satisfação, ternura, amor.

CONCEITOS

Força, delicadeza, romantismo, sensualidade, divertimento, espontaneidade, dinamismo, movimentos, casualidade, elegância, agressividade, simpatia, conforto, devoção, frio, calor.

SITUAÇÕES

Estresse, tranqüilidade, bem-estar, briga, conflito, flerte, namoro.

O modelo deve ser compreendido pelo fotógrafo como um personagem que deve ser construído aos poucos. Sua expressão deverá ser espontânea, vir de dentro para fora. Uma das formas para se alcançar isto é pedindo para que o modelo lembre e comente uma situação que o deixou alegre ou triste. A expressão então virá naturalmente.

Outra maneira de se conseguir expressões naturais e marcantes é através da criação de um personagem pelo modelo (normalmente os profissionais), baseado livremente em método de atuação. O método de atuação é uma série de técnicas de treinamento e ensaio que procuram incentivar performances sinceras e emocionalmente expressivas. Essas técnicas são construídas sobre o “sistema de Stanislavski”, do ator e diretor russo Konstantin Stanislavski, a fim de se criar um personagem através de perguntas feitas a si mesmo e também pela improvisação de ações. O fotógrafo pode, desta forma, recriar este sistema de atuação em um ensaio, gerando, desta forma, as expressões mais sinceras e impactantes.

Abaixo temos as expressões a serem exploradas no estúdio. Este teste é importante para podermos estabelecer o perfil psicológico do modelo a ser fotografado, a fim de desenvolver um ensaio personalizado.

Enquadramento: Plano fechado e Close

Alegre, Assustado, Deboche, Desconfiado, Euforia, Medo, Pensativo, Preocupado, Raiva, Sensual, Sério, Tédio, Tranqüilo, Triste.

Figura 3: Exemplo de plano fechado.

A questão de quais poses serem feitas em um ensaio fotográfico pode ser sanada com uma rápida folheada em revistas de moda ou sites de grifes famosas, permitindo-se realizar o ensaio de forma satisfatória. Por vezes, no entanto, mesmo as referências publicadas nas referidas mídias podem conter pequenos erros de enquadramento e composição, algo comum quando o fotógrafo apenas cumpre o layout (referência) solicitado pela agência contratante.

Ideal seria se todo fotógrafo e demais profissionais envolvidos no ensaio fizessem um breve estudo sobre direção de modelos, poses, enquadramentos e composição, permitindo assim uma continuidade das fotos, mesmo quando o fotógrafo possa ter esgotado suas idéias.

Para que um ensaio fotográfico ocorra devidamente são necessários uma entrevista com os modelos, a direção destes por parte do fotógrafo, sugestões de poses durante o ensaio, além de cortes e composição adequados das fotos.

São apresentadas como dicas, quando em um ensaio fotográfico, as questões a seguir:

Ambiente do Estúdio – procurar manter o estúdio sempre arrumado e limpo, com música agradável, temperatura amena, água, frutas e café a disposição. Disponibilizar um espaço privativo onde os fotografados possam se vestir é fundamental.

Escolha do Equipamento – Lentes zoom acima de 300 mm fazem com que o fotógrafo tenha que se afastar muito do retratado. Isso implica em uma direção maior e o profissional tem que falar mais alto. A distância preserva a intimidade de quem está posando, mas pode parecer uma direção mais agressiva intimidando os mais tímidos.

Já as objetivas mais curtas (como as lentes normais e as grande angulares) aproximam o fotógrafo da cena, criando uma intimidade maior. Mas, um problema técnico inerente das lentes de distância focal curta é a distorção (mais aparente conforme se chega mais perto) que deve ser evitada a qualquer custo. Portanto, é ideal evitar trabalhar com lentes inferiores a 50 mm. A lente chamada de meia-tele ou tele curta é a mais indicada para retratos, tanto pela parte técnica (não distorce), quando psicológica, já que mantém o fotógrafo a uma distância respeitosa do retratado.

Estilo de Direção – Há várias tendências e escolhas na direção fotográfica. O mais inteligente é saber ajustar a direção à personalidade daquele que está posando para estabelecer uma empatia imediata. O importante é fazer com que o fotografado se sinta seguro. Outro atributo é saber estimular a vaidade com elogios, sem exageros.

Tempo da Sessão – Toda a sessão fotográfica tem um tempo próprio para acontecer com sucesso. Há a fase de aquecimento, o que pode ser mais ou menos longa dependendo do fotografado. A fase de pico, cujas fotos realmente boas vão ser capturadas. E ainda a fase de esfriamento, quando o cansaço chega e o fotografado perde o interesse pela sessão.

Exercícios Propostos – Para que o fotógrafo iniciante na direção possa treinar seus métodos, propõe-se uma série de exercícios com alguém conhecido para servir de modelo, utilizando toda a iluminação e produção típicas de uma sessão de retratos, e procurando tirar do fotografado sentimentos (tristeza, alegria, surpresa, etc.).

Passa-se, no capítulo 2 da apostila, à questão do Briefing. Este ocorre todas as vezes que uma informação passa de um ponto para outro e o propósito de organizá-lo corretamente é o de assegurar a passagem da informação certa – da pessoa certa para a pessoa certa – na hora certa, da maneira certa com o custo certo. O sucesso ou fracasso dessa operação dependerá de se saber o que é certo no contexto, pois o que é certo para uma situação pode não ser certo para outra.

Abaixo estão os pontos mais prováveis de serem questionados e discutidos durante o processo de reunião de informações para a realização do briefing. Nem todos serão relevantes ou igualmente relevantes numa situação particular. Os pontos de maior relevância vão se tornar claros à medida que o trabalho for sendo feito.

O Produto (ou Serviço):

  • Nome
  • Descrição
  • Propriedades
  • Histórico
  • Aparência física
  • Embalagem
  • Preço e tendência – Aumento, estabilização, redução
  • Custo x benefício
  • Vantagens – Única, principal, secundária
  • Desvantagens (e efeitos colaterais)
  • Como é usado? – Local e forma
  • Freqüência de compra e uso
  • Local de fabricação
  • Capacidade de produção
  • Disponibilidade – No presente e futuro
  • Concorrentes
  • Vantagens e desvantagens relativas aos concorrentes
  • Diferencial
  • Imagem e marca

O Mercado:

  • Canal (is) de venda da categoria
  • Importância relativa (se vendido em mais de um canal)
  • Como o produto é vendido (unidade, pacotes, grandes quantidades, varejo tradicional, auto-serviço, distribuidores exclusivos, revendas etc.)? Como o serviço é prestado (direta ou indiretamente, de forma centralizada ou descentralizada, pessoalmente, via telefone/internet etc.)?
  • Tamanho do mercado – Em volume e valor
  • Sobreposições de mercado
  • Influência e atitudes do atacado e varejo
  • Tendência das vendas – Do produto/serviço; da categoria; do mercado total
  • Influências: regionais (geográficas); sazonais; demográficas (raça, sexo, idade, profissões, padrão sócio-cultural etc.)
  • Distribuição
  • Organização do mercado
  • Influência da força de vendas (para a rede de distribuição e para os consumidores)
  • Efeitos da propaganda (promoção, merchandising etc.) no mercado
  • Investimentos em comunicação (total e de cada concorrente)
  • Concorrência:
  • Participação e tendências de evolução do share-of-market
  • Grau de organização (de cada um)
  • Participação e tendências de evolução do share-of-voice
  • Objetivos e estratégias de marketing e comunicação percebidas
  • Táticas de marketing e comunicação empregadas
  • Imagem de cada concorrente
  • Pesquisas – Disponíveis, regulares (que podem ser compradas) e AD HOC (que podem ser contratadas)

Os Consumidores:

Atuais, da Concorrência e Potenciais

(Os itens a seguir se aplicam a cada um dos três grupos acima, quando essa separação tiver sentido no caso específico)

  • Ocupação, profissão
  • Posição social e cultural
  • Quantidade
  • Nível de escolaridade média
  • Localização (onde moram, trabalham, passeiam etc.)
  • Grupos de idade
  • Sexo
  • Nível de renda
  • Segmentação psicodemográfica
  • Decisões de compra (formais e informais)
  • Influenciadores da compra (dentro da casa/empresa e fora delas)
  • Necessidade do produto/serviço (para o consumidor)
  • Atitudes racionais e emocionais com relação a preço, qualidade, utilidade, conveniência
  • Hábitos de compra e uso
  • Freqüência da compra e uso

Os Objetivos

  • Objetivos estratégicos da empresa
  • Objetivos de marketing (da empresa, linha, marca, produto ou serviço) em termos de volume, valor, participações, ampliação de mercado e rentabilidade
  • Objetivos de comunicação (quem e quantos atingir, o que comunicar que atitudes e respostas se desejam motivar a curto e longo prazo)
  • Problemas (que dificultam atingir os objetivos)
  • Oportunidades (que facilitam atingir os objetivos)

A Estratégia Básica

  • Ferramentas de comunicação sugeridas
  • Peças sugeridas e conteúdo básico
  • Posicionamento (como a empresa, linha, produto, serviço ou marca quer ser percebida no mercado)
  • Approach criativo (sugestões)
  • Pontos obrigatórios a serem destacados ou evitados
  • Target primário ou secundário
  • Mercados (regiões e segmentos) a serem cobertos
  • Meios de comunicação e veículos sugeridos
  • Período de veiculação desejado
  • Estilo (da empresa, linha, marca) a ser seguido
  • Verba disponível

Em seguida, o texto aborda exemplos e questões pertinentes a Editoriais de Moda. Além dos assuntos de maquiagem, cabelo e cuidados ao fotografar modelos amadores, com fotos ilustrativas destes processos.

Figura 4: Exemplo de ensaio fotográfico de moda.

Na Direção de Modelo, sinteticamente, deve-se:

  • SABER exatamente o que queremos que a modelo transmita;
  • CONHECER como desenvolver esta comunicação por meio da expressão corporal;
  • CONSEGUIR a expressão desejada do modelo.

São três os elementos principais da linguagem corporal, que deverá ser “lida” pelo fotógrafo:

  • Quantidade e posição das partes expostas do corpo;
  • Posição da cabeça;
  • Direção do olhar.

Deve-se levar em conta qual sentimento as posições da cabeça do modelo podem inferir:

  • Reta: encarar a outra pessoa em um plano de paridade.
  • Levantada: sugere sentimento de superioridade.
  • Abaixada: indica sentimento de submissão.
  • Inclinada lateralmente: mostra desejo de agradar.

Já a direção do olhar produz um elemento fundamental na comunicação corporal, podendo ser dividido em duas partes:

Ausência de contato ocular:

A pessoa não está olhando para o expectador. Essa situação cria o menor nível de tensão, pois torna os expectadores observadores despercebidos. Junto com esta condição de tranqüilidade se instaura uma prazerosa sensação de voyeurismo.

Dependendo da direção do olhar e da expressão do rosto da modelo, podemos caracterizar uma atitude. Alguns exemplos:

  • Reflexiva, intimista: olhar longe e expressão sonhadora;
  • Descontraída: olhar focalizado em um objeto e expressão atenta;
  • Concentrada: olhar focalizado em um objeto e expressão concentrada.
Figura 5: Exemplo de ausência de contato visual.

O contato visual estabelecido pode ter uma função convidativa, agressiva, exploradora.

Figura 6: Exemplo de contato visual estabelecido.

Na Direção de Modelos, são questões relevantes ainda a considerar:

– Antes de começar a sessão fotográfica é útil explicar sinteticamente o trabalho e como é o estilo de fotografar do profssional;

– A proximidade física, ótica e emocional que se ativa entre fotógrafo e modelo requer alguns cuidados na hora de fotografar. Precisando arrumar roupa ou cabelos do modelo é melhor chamar o profissional adequado para fazer isso. Caso seja o próprio fotógrafo a arrumar (por simplicidade, rapidez, etc.), deve-se pedir licença ao chegar perto e tocar o modelo;

– Indicando a pose a assumir o ideal é conversar, só no último caso mostrar a pose pessoalmente. Evitar tocar o modelo para compor uma pose;

– A pose indicada deve ser natural. Se depois de ter assumido uma posição indicada esta parecer antinatural, deve-se pedir para o modelo repetir sozinho a pose sugerida.

A Apostila trata igualmente do chamado movimento simulado, que nada mais é do que o ensaio de um movimento natural, sendo talvez o mais comum a modelo jogar os cabelos para um dos lados bruscamente e o fotógrafo clicar, como numa típica propaganda de shampoo. Muitos fotógrafos optam por fotografar modelos correndo na praia ou pulando.

No quesito Enquadramento, é importante saber em qual ponto pode-se cortar uma foto sem deixar a imagem com um aspecto estranho, parecendo que alguma coisa está faltando, há abaixo um diagrama que nos permite entender melhor os lugares que são possíveis cortar uma imagem.

Figura 7: Cortes de enquadramento.

Os riscos verdes são os locais onde é possível fazer cortes e a foto se apresentará natural; entretanto, os riscos vermelhos mostram as regiões que, quando cortadas, criam uma aparência estranha na foto.

Referências:

PRIMEIRO LIVRO DIDÁTICO SOBRE FOTOGRAFIA DIGITAL – 4. Edição. “FOTOGRAFIA DIGITAL – APRENDENDO A FOTOGRAFAR COM QUALIDADE”

Autor: Prof. Dr. Enio Leite, Editora Viena, São Paulo, Brasil, 2015

A Quarta Edição foi publicada em Fevereiro de 2017, com 530 páginas

Conheça o livro em:  https://www.fotografia-dg.com/produto/fotografia-digital-aprendendo-fotografar-com-qualidade/

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Prof. Dr. Enio Leite

Enio Leite Alves, Prof. Dr., Nasceu em São Paulo, SP, 1953 e atua na área de Fotografia educacional, fotografia autoral, fotojornalismo, moda e publicidade. Pesquisa e sistemas digitais. Sociólogo, jornalista, fotoquímico. inventor e professor universitário. Fotografo de imprensa desde 1967, prestando serviços para os Diários Associados e professor do Sesc e do Curso de Artes Fotográficas Senac Dr. Vila Nova, São Paulo. Fotografo do Jornal da Tarde em 1972 -1973. Em 1975, funda a Focus - Escola de Fotografia. Professor de fotografia publicitária da Escola Superior de Propaganda e Marketing, (ESPM), 1982 a 1984. Mestre em Ciências da Comunicação em 1990, pela Escola de Comunicação e Artes, USP. Doutor em fotoquímica e Fotografia Publicitária, em 1993, pela UNIZH , Suíça. livre docente, Massachusetts Institute of Technology, sistemas digitais, Estados Unidos, 1996 Professor convidado pela Miami Dade University, Flórida, 1994. Pesquisador e inventor Escritor, publicou o primeiro livro didático sobre fotografia digital, 2011, colabora com artigos e títulos sobre fotoquímica, fotografia e tecnologia e também filosofia da imagem para publicações especializadas nacionais e internacionais. (Fonte:Uol,03/ 2011)

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