A fotografia documental espanhola está na UTI!

Há anos vemos semanalmente notícias sobre a crise econômica mundial que afetou, principalmente, os EUA e a Europa, porém, um dos países que está cada vez mais imerso nesse colapso financeiro é a terra das touradas, da paella, do flamenco. A Espanha. O que poucos sabem é que a crise não afetou apenas as grandes empresas, mas também o mundo cultural e, conseqüentemente, editorial. A fotografia documental espanhola está na UTI!

O desejo de todo fotógrafo é fazer belos ensaios com lindas publicações em revistas, jornais e editoriais especializados, certo? Na Espanha não é diferente! Fotógrafos clássicos espanhóis como Cristina García Rodero, Gervásio Sanchez e Txema Salvans demonstram grandes ensaios realizados em seu país na última década e publicados por todo o mundo! Porém, nos últimos anos, pouco a pouco, as redações dos jornais foram cortando os editores de fotografia e obrigando seus fotógrafos a reportarem diretamente ao repórter/editor de texto das matérias que estavam realizando, fazendo com que, conseqüentemente, as reportagens especiais dos suplementos dominicais fossem perdendo espaço, perdendo importância! Sem contar a qualidade/relevância de suas histórias que, claro, também começou a ter seus dias contados…

Mas e agora? O que fazer com a fotografia documental espanhola? A saída encontrada pela grande maioria foi trabalhar para grandes empresas! Sim! Multinacionais e grandes corporações que procuram por artistas que ‘ilustrem’ seus anuários, que proporcionam todos os anos apoio financeiro à projetos culturais, a exposições e confecções de livros e distribuição dos mesmos. Mas será que são tantas assim as empresas que estimulam à fotografia na Espanha? Não… É aí que entra a enorme competição entre convocatórias de todo o país e começam a crescer os projetos dos coletivos fotográficos que trabalham incessantemente com inscrições de projetos em programas do governo e de grandes empresas.

Hoje, os coletivos fotográficos espanhóis que mais se destacam são o ‘No Photo’, ‘Piel de foto’, ‘Blank Paper’ e ‘Tierra de Ningu’. Juan Valbuena é um dos fotógrafos do coletivo ‘No Photo’ e um grande ‘caça projetos’ do país! Ela encontrou aí a saída de continuar fazendo o que ama, vivendo financeiramente com isso e sem depender da imprensa espanhola. Juan inscreve anualmente projetos individuais ou com companheiros do coletivo e acredita que essa é a única maneira de manter-se na fotografia documental espanhola. Há aqueles que são um pouco mais radicais e crêem que não adianta mais tentar ganhar a vida no país que nasceram e ‘vêem luz’ apenas no exterior. Esses se encaixam perfeitamente no novo perfil de documentaristas, que passam a maior parte de seu tempo laboral inscrevendo projetos em concursos de todo a Europa buscando reconhecimentos em outras terras.

Pois é… O mundo da arte mergulhou com a crise. Será que mesmo com o principal prêmio de fotojornalismo mundial, o World Press Photo, tendo sido dado ao fotógrafo espanhol Samuel Aranda as coisas seguirão iguais pelas terras da castanhola? Infelizmente, parece que sim…

Veja alguns trabalhos dos fotógrafos citados acima:

Cristina Garcia Rodero
Txema Salvans
Gervasio Sanchez
Juan Valbuena (Coletivo No Photo)

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Anna Carolina Negri

Jornalista que sempre se dedicou ao fotojornalismo e que está se especializando em fotografia documental.

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