O outro lado da Fotografia 5/5 (1)

Muitas pessoas praticam a fotografia como um hobby, uma maneira de aliviar o estresse, de trazer recordações de suas viagens e acompanhar o crescimento dos filhos entre outros. São inúmeras as razões para que alguém fotografe e que tenha o desejo de aprimorar sua técnica através de cursos e leituras.

Nesse processo, muitos se envolvem de tal maneira com a fotografia que pensam em abandonar seus empregos em áreas como engenharia, contabilidade, medicina e tantas outras em favor desta atividade de eternizar frações de tempo.

Adotar a fotografia como profissão tem aspectos positivos e muitos inicialmente citarão questões como o fato de trabalhar com algo que envolva a criatividade, de ter controle sobre seus horários sem ter a obrigação de “bater cartão” em uma empresa, de não ter que aguentar aquele chefe chato que não valoriza seu trabalho, enfim, fazer o que gosta e ainda ganhar dinheiro com isso.

Tudo o que foi dito no parágrafo anterior é verdade, o que faz lembrar uma publicidade famosa aqui no Brasil, de um jornal, que dizia ser possível contar um monte de mentiras falando apenas verdades.

Não quero desmotivar quem tenha o interesse de ser fotógrafo profissional, muito pelo contrário, mas considero que seja útil mostrar um lado que muitos desconhecem e por ignorar as questões que tratarei logo abaixo alguns acabam se desiludindo com a vida profissional da fotografia, daí a necessidade de retirar alguns mitos que cercam a atividade.

O primeiro mito é o de que sendo fotógrafo profissional você tem controle sobre seus horários, então se quiser ir a um cinema numa quarta feira a tarde você poderá, algo impensável para um funcionário com um emprego “comum”. Este deve ser o mais falso dos mitos fotográficos. Digo isso pois do momento em que você é um prestador de serviços, você deve estar disponível aos seus clientes nos horários em que eles irão precisar de seu trabalho, isso acaba condicionando seu dia-a-dia e fazendo com que você tenha exatamente os mesmos horários que qualquer pessoa.

Além do que foi dito no parágrafo anterior, nos horários livres o fotógrafo deve se dedicar a vender seu trabalho, buscar outros clientes, melhorar o portfolio com cursos, leituras e muito treino. Achar que sobrará tempo para um cinema numa tarde qualquer é ilusão. Inclusive é comum ver fotógrafos com expedientes de trabalho de doze ou até quatorze horas por dia, muito mais do que vemos em empregos comuns.

Vamos ao segundo grande mito, o de que você não precisará aturar o chefe chato que não o valoriza. Ao se tornar fotógrafo você perde um patrão mas ganha dezenas ou centenas deles pois todos os seus clientes são seus chefes. Alguns serão boas pessoas, simpáticas e interessantes, outros serão inconvenientes e mal educados que não darão qualquer valor para o que você faz, pedirão dezenas de alterações e ainda por cima atrasarão o pagamento ao ponto em que você será obrigado a contratar um advogado e processar o cliente.

Algo que considero um meio mito é a questão de trabalhar numa atividade que envolve a criatividade. Muitas vezes isso será verdadeiro, mas sempre acontecerão trabalhos nos quais você terá tantas barreiras para suas idéias que acabará executando um serviço de forma burocrática apenas para entregar o mais rápido possível aquilo que o cliente quer. Sua criatividade será cerceada ou ignorada, as vezes combatida mas o fotógrafo acaba tolerando isso pois precisa do dinheiro. Isso passa após alguns anos de carreira, quando o profissional se torna mais conhecido e reconhecido por seu talento, mas o início de carreira pode ser especialmente frustrante nesse aspecto.

Há um outro fator importante. Quando você é fotógrafo assumirá também tarefas como a gerência de seu negócio, o papel do vendedor e do administrador também, entre outros, assim é importante ter consciência de que fotografar é uma pequena parte do trabalho, pois gastará horas no computador fazendo orçamentos, respondendo e-mails, ao telefone vendendo seu trabalho e montando planilhas enormes para calcular custos e descobrir o quanto terá de trabalhar para pagar as contas.

Sobra o fato de que você trabalhará com algo que gosta, isso é verdade, mas afinal, quando você escolheu ser dentista, engenheiro, médico, arquiteto ou seja lá qual outra profissão, você não gostava dela?

Eu sou fotógrafo profissional e gosto deste trabalho, se você, depois de pesar todos estes fatores, resolver ser fotógrafo, estude, treine muito, respeite seus concorrentes, aprenda a cobrar o valor justo por seu trabalho e seja bem vindo ao clube.

Ilustro este artigo com uma foto que fiz no Memorial da América Latina, local projetado por Oscar Niemeyer e que rende belíssimas imagens graças a sua arquitetura diferenciada e aos amplos espaços abertos, gosto muito desta fotografia, espero que vocês gostem também.

Agora que leu, avalie o artigo e deixe um comentário mais abaixo:

  • Caro Armando,
    Gostei muito do seu artigo, mas gostaria de uma dica quanto à formação de preço.
    No artigo colocaste que é importante respeitar a concorrência – acerca do quê concordo muito.
    Penso que esse respeito também envolve não praticar preços aviltantes.

    Nesse contexto, gostaria de aprender como formar preço para fotografia profissional, tanto para fotos em estúdio como para fotojornalismo freelance. Podes me ajudar nisso?

  • layza

    jente o que e pontos negativos da area fotografica…

  • Simone Estevo

    Olá, Armando achei muito importante o que disse sobre a profissão, pois tenho uma filha que se formou no Senac em bacharel em fotografia em 2012 e está sofrendo para conseguir oportunidades nesta profissão, fez alguns trabalhos free lancer e mais nada, manda currículos sem retornos, estamos vendo que realmente é difícil; Gostaria que se possível desse algumas dicas, do que ela poderia estar fazendo… porque as vezes sinto minha filha triste com a profissão

    • Armando Vernaglia Jr

      Olá Simone, boa noite. Veja, não há caminho direto ou simples, como em qualquer profissão a curva de entrada e subida no mercado é lenta. Uma pessoa, após formada, ainda é uma iniciante na prática da fotografia, desta forma as dificuldades do início são bastante normais.
      Uma das coisas que preciso dizer é que há poucas, pouquíssimas vagas de emprego nessa área, e as que existem sinceramente não vale a pena. A fotografia é uma atividade empreendedora, ela terá que empreender seu próprio negócio como fotógrafa, definir uma área de atuação e seguir dessa forma. Há uma série de artigos meus aqui no Fotografia DG sobre como ganhar dinheiro na fotografia, e na loja do Fotografia DG há um ebook meu nesse tema, é gratuito então fique a vontade para baixar sua cópia.
      Procure cursos na área de capacitação para empreendedorismo pois fotógrafo tem que saber brigar no mercado tanto quanto saber fotografar.
      Espero ter ajudado,
      []'s
      Armando

  • Queria saber qual maquina fotografica é boa e simples para começar, pensei em fazer um curso mas oque eu achei é caro e não quero virar uma profissional, quero apenas fotografar por hobbie,

    • Armando Vernaglia Jr

      Qualquer câmera é boa Julia, até a do celular. Você pode estudar pela internet, há boas opções de cursos online, alguns gratuitos, é questão de pesquisar, aí com sua evolução no assunto você vai saber que tipo de câmera irá suprir o tipo de fotografia que você deseja. Já tive alunos que fizeram cursos comigo e que fotografavam só com celular, portanto se preocupe menos com a câmera e mais com a parte artística disso, boa parte das fotos de um grande mestre como Henri Cartier Bresson poderiam ter sido feitas com câmeras muito simples, por isso, o que importa é estudar arte.

  • Eunice Ribeiro

    Muito bom artigo e bons comentários.

    Estou numa fase de decisão da minha vida profissional. Desiludida com a minha actual profissão, arquitecta, desempregada, encontrei na fotografia um refúgio e consolo sorridente. Estou a pensar seriamente em investir na fotografia como futura actividade. No entanto, reconheço que será uma luta diária e o recomeçar tudo de novo é uma ideia que incomoda muito. Mas gostando do que se faz é um caminho mais fácil de percorrer e sabendo que ainda continua a haver mercado para a fotografia, também.

    Concordo que conciliar um emprego mais estável com a fotografia poderia ser um princípio. Mas as outras actividades liberais (tal como arquitecta) estão a passar problemas iguais, ou se não piores. Pois vai sempre existindo publicidade e comunicação através da imagem, mas construção de edifícios….já não (falando exclusivamente de Portugal).

    O mercado da fotografia é muito competitivo… a opção será sempre marcar a diferença e inovar o mais possível…

    Eunice

  • Pois é Armando!!,faço minhas,as suas palavras!!. Vivo de fotografia desde os anos 80,já trabalhei em alguns jornais de porte e outros não!!,já fui freela de muitas Assessorias e muitas empresas,e posso dizer com certeza!!,se minha profissão fosse outra e meu hobby fosse a fotografia!!,ou mesmo se vivesse de outra profissão e usasse a fotografia como 2° opção,eu optaria por manter a outra profissão porque as decepções na área fotográfica são muitas e as glórias pouquíssimas!!.E agora com a chegada do fator digital,qualquer um pode ser um bom fotógrafo em pouco tempo,e aí tirar a chance de profissionais gabaritados de ganharem seu sustento.

    Saúde e paz!!

  • Armando Vernaglia Jr

    Olá pessoal, Helio, Ricardo e Dani, obrigado pelos comentários.

    Ricardo, ótima observação, as dificuldades que apontei no artigo são iguais para qualquer empreendedor, não importa a área, a paixão das pessoas pela atividade as torna um pouco cegas e desatentas, aí com o tempo vem a desilusão.

    Conheço muita gente, mas muita gente mesmo que desistiu da fotografia após uns 2 ou 3 anos no mercado, e em tempos de crise, como foi o ano de 2009, vi muita gente com mais de dez anos de carreira desistindo, pois as dificuldades são imensas, o empreendedor trabalha sozinho, ou quase sozinho, e no momento de crise a falta de apoio de um emprego, e de leis que o amparem é algo crítico.

  • Dani Antunes

    Belo artigo, pesei tudo e decidi optar pela fotografia, melhorei meu equipamento e com algumas idéias inovadoras predendo entrar pra valer nesse meio.

  • Armando Vernaglia Jr

    Olá Neuraci, a demora no retorno é verdadeira, mas se pararmos para pensar, é assim em qualquer profissão. Digamos que alguém resolva ser dentista, ou administrador, essa pessoa tem que ficar entre 4 e 6 anos em uma faculdade (conforme o curso e especialização), e quando sair da faculdade é só um iniciante. A fotografia não é diferente, após os primeiros 4 ou 5 anos, a pessoa é só uma iniciante e a falta de percepção disso faz com que as pessoas considerem que exista uma demora muito grande para entrar no mercado e se consolidar, mas o fato é que é como qualquer profissão.

    Eu estou no mercado há uns bons 15 anos (pouco mais que isso na verdade), e garanto que levou um bom tempo para construir a reputação e reconhecimento que tenho hoje, bem como a estabilidade com os clientes.

    []'s

    Armando Vernaglia Jr

  • Ricardo Araki

    Olá Armando,

    essas são questões muito bem colocadas. E como você disse na resposta ao comentário da Neuraci, essas dicas servem para todos as áreas. Na verdade eu diria que serve para qualquer um que queira começar um negócio próprio.

    O começo é frustrante porque normalmente o que acontece é termos somente respostas negativas, ou um índice de aprovação muito menor do que a mais pessimista das nossas projeções poderia ser.

    E tão importante quanto o fator "conhecimento técnico" é o fator "empreendedor" de cada um.

    []´s

    Araki

  • Estão aí umas boas dicas. Bom artigo Armando.

    Até ao próximo ;)

  • um ponto que deveria ser lembrado é a possível demora para um retorno real financeiro, a demora para construir um "nome" no meio fotográfico e o alto custo dos acessórios fotográficos…por ser uma fotografa iniciante estou apanhando bastante com as coisas citadas no artigo e com essas que eu estou dizendo no comentário. mas em nenhum momento penso em desistir de uma coisa que me faz tão feliz!

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