Home » Artigos » Dicas » Identidade. A sua fotografia tem?

Identidade. A sua fotografia tem? 5/5 (1)

Photoshop. Lightroom. Aperture. Três principais softwares de edição de imagens. Qual usar, realmente não importa. Entraríamos no velho mérito da discussão Canon x Nikon. Não importa com qual máquina você fotografa ou com qual software você edita suas imagens. O importante é o resultado obtido com o equipamento e conhecimento que você tem. Se o Photoshop é melhor ou não, também não quero entrar no mérito.

Quando escrevi o título desse artigo não me referi à identidade como estilo fotográfico. Isso cada fotógrafo tem o seu. Me refiro aqui à identidade como trabalho fotográfico editado. Um ensaio propriamente dito.

Quando vamos fazer um ensaio, ou qualquer outro tipo de trabalho que tenha um início, meio e fim, é preciso que ele tenha uma identidade. É preciso definir uma linguagem específica para o trabalho.

Se é um ensaio vintage, mantenha a edição com estilo vintage do início ao fim. Se vai criar ou usar uma Action no Photoshop, use uma única para um determinado ensaio. Ao invés de usar os presets do Lightroom sem qualquer critério, crie ou adote um como linguagem daquele trabalho. Não passe o mouse por cima dos presets até chegar em um que agrade naquela determinada foto para então depois sair procurando outro preset para a próxima foto. Se feito isso, o resultado que se tem é um carnaval, no verdadeiro sentido da palavra. Logo que o Lightroom 1 foi lançado eu o instalei e fiz exatamente isso. Era surreal a facilidade como o programa fazia tudo muito rápido. Mas o que eu obtive foi um trabalho sem identidade alguma. Cuidado!

Ver um ensaio sem identidade é como estar dirigindo em uma estrada num dia ensolarado e de repente tudo mudar para um dia nublado. É ir do outono para a primavera. É como estar num mundo e de repente pular para outro, sem ao menos ser avisado. Não tem nexo. Nós fotógrafos somos contadores de histórias. E uma história é narrada também da forma como você a edita. Você define a dramaticidade que quer dar ao trabalho.

O filme de Fernando Meirelles, Ensaio sobre a cegueira, baseado no romance do escritor português José Saramago, tem uma identidade visual muito forte. Criada pelo diretor de fotografia César Charlone, o filme é caracterizado por tons dessaturados, branco estourado e a predominância de cores frias. Já imaginou mudar essa identidade visual no meio do filme? Seria no mínimo estranho. É como ser desconectado do filme no instante em que essa identidade é alterada.

Eu poderia citar diversos fotógrafos que tem um excelente trabalho como referência. Mas eu vou citar uma referência que serve perfeitamente para esse exemplo. O Coletivo Cia de Foto. Cito eles porque além de fazerem um trabalho fantástico, é um caso onde existe mais de um fotógrafo e mesmo assim o trabalho final de um ensaio sai com uma única identidade. Uma das integrantes do Cia de Foto é quem faz o tratamento de todas as fotos do ensaio realizado. Ela cria a identidade e essa é seguida do início ao fim. Se um coletivo consegue, um fotógrafo que edita o seu próprio trabalho também pode e deve conseguir.

Há dois anos fiz um workshop com o antigo editor de fotografia da Time magazine, Jay Colton. Jay era um verdadeiro “rato” em saber como montar rapidamente um ensaio. Analisando um dos meus ensaios, ele perguntou por que eu havia feito uma determinada foto em PB. Eu achava aquela foto em PB maravilhosa. Foi quando ele me explicou em manter uma identidade visual no ensaio. Quer PB, faça do início ao fim. Um balde de água fria.

Na minha opinião não vejo problema em alternar na edição de um casamento fotos coloridas e PB, desde que ambas tenham uma identidade. Em meus trabalhos autorais tenho adotado identidades únicas do início ao fim, somente em cores ou somente em PB. Depende como vejo o trabalho, como me envolvo com a história e como me sinto no dia. Tudo isso reflete na edição e como vejo na hora de fotografar. Já fotografo pensando em PB ou em um determinado tom de cores. Quando em PB ou em cores, sempre com a mesma identidade visual, os mesmos tons, o mesmo contraste, e por aí vai.

Se você é um fotógrafo de casamento e administra outros fotógrafos e equipes, tenha um editor trabalhando com as fotos de forma homogênea. O casamento deve ser um trabalho coeso, independente de quem tenha fotografado. Assim como um ensaio de noivos, a cobertura da festa do seu filho, ou em qualquer outro trabalho que você tenha escolhido fazer, é preciso ter uma identidade única. Afinal, ninguém tem dois RGs.

Grande abraço!

Ajude-nos, avalie este artigo:

Renato dPaula

Renato dPaula é fotógrafo de casamento, vencedor de prêmios internacionais e reconhecido pelas três mais conceituadas associações internacionais de fotografia de casamento ISPWP, WPJA e AG|WPJA. No concurso Spring 2010 da ISPWP foi destacado entre os 20 melhores fotógrafos de casamento do mundo.
É um ávido estudante de fotografia, palestrante, professor e proprietário da dPaula PHOTO, agência de fotografia de casamentos que vem atendendo noivas e noivos do Brasil e exterior. Tem como paixão fotografar pessoas e momentos. Não economiza palavras para compartilhar toda sua experiência, paixão e amor pela fotografia.
Seu trabalho pode ser conhecido através do site www.renatodpaula.com.br

32 Comentários

Clique aqui para comentar

  • Renato,
    Eu sou uma apaixonada por fotografia e iniciante nesse mundo encantado.
    Seu post foi de muita ajuda, tenho certeza que não vou esquecer dessa dica…
    Muito obrigada por você compartilhar sua experiencia.
    Abraço,
    Eliz

  • From my experience being at the optimal weight for your body is an incredible experience. I find I have limitless energy, feel light, and my mind is more incredibly sharp. Getting up in the morning is easy and going to sleep at night is a snap. For me, once I experienced all this I never wanted to look back and continue a lifestyle of proper eating and exercise.

    [WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us ‘1110010368 which is not a hashcash value.

  • Excelente artigo, e se me permite posso copiar a sua frase em meu perfil?
    "Ver um ensaio sem identidade é como estar dirigindo em uma estrada num dia ensolarado e de repente tudo mudar para um dia nublado. É ir do outono para a primavera. É como estar num mundo e de repente pular para outro, sem ao menos ser avisado. Não tem nexo. Nós fotógrafos somos contadores de histórias. E uma história é narrada também da forma como você a edita. Você define a dramaticidade que quer dar ao trabalho."
    Abraços.

  • nem concordo nem descordo,muito pelo contrario, primeiro pq o processo q vc falo de sair clicando em varios presets ate achar um eh um processo natural didatico, pra se aprender eh necessario experimentar, nao to dizendo q vc deve entregar o ensaio um carnaval como vc disse, mas q experimentar eh fundamental na fotografia, ainda mais pra quem tah aprendendo, do jeito q vc falo o coitado do iniciante vai deixar de experimentar e aproveitar presets q ele poderia ver q fica bom em tal situacao e nao em outra,e digo mais, essa linguagem de carnaval como vc disse pode muito bem ser usada perfeitamente se convir, do mesmo jeito q vc acha q fica legal seguir um ensaio soh em PB, pode ter um determinado ensaio q o carnaval seja bem vindo, muito metodico este artigo, falou.

  • Olá… puxa fiquei encantada com seu artigo, suas dicas me iluminaram as idéias… amo fazer ensaios, procuro trabalhar as fotos de maneira a realmente transmitir arte visual nas imagens, uma verdadeira história com estética e beleza… Sou iniciante ainda como profissional, mas tenho um olhar diferenciado para clicar, procuro sempre deixar ver a alma da fotografia, como dizia Barthes. Tbém gosto do PB e sépia, mas agora vou fazer como suas dicas. Um grande abraço!

  • Olá Renato,
    Parabéns pelo post, e minha grande dúvida que tinha era exatamente a mesma do Kiko, que vc esclareceu muito bem.

    Você acha na questão de se trabalhar com máquinas diferentem, tipo Nikon e Canon é possível manter da identidade visual no programa de edição, ou realmente o ideal seria ma´quinas do mesmo modelo e marca.

  • Ola Renato,

    Sou um ex-fotografo profissional, hoje estou em outro ramo, trabalhei em grandes publicações. Hoje milito como apaixonado.

    Olha seu artigo foi sensacional ao dizer que uma foto tem de contar uma historia. Ouvi algo parecido do grande Osvaldo Maricato, um dos maiores fotografos que o Brasil ja conheceu, foi da Abtil e da Globo Rural até aposentar, ele dizia que uma foto tem de ter alma, tem de mostrar vida, no fundo é a mesma coisa, estamos falando de arte!

    E para finalizar, a garotinha é linda, o ensaio dela é SENSACIONAL eu estava lendo seu artigo e parecia estar ao vivo vendo uma palestra com as fotos passando.

    Valeu, PARABENS !!!!!!

    Continue assim incentivando a gente a continuar fotografando!!!

    Abração so Sergio Roberg

  • Renato, muito obrigado mesmo pela atenção e por compartilhar conosco um pouco de seus conhecimentos. Sua resposta pra mim realmente foi de grande valia, pois de agora em diante vou rever meu modo de trabalhar. Comecei este ano e sua dica já me ajuda a começar certo.

    Que sua vida continue trilhada de sucessos.

    Forte abraço,

    Kiko

  • Olá Kiko! Não vejo problema mesclar o pb e cor, mas ambos precisam ter uma identidade, um mesmo tom. Em meus livros pessoais eu utilizo somente cor ou pb. Eu gosto dessa linguagem do início ao fim. Já nos álbuns de casamentos eu uso cor e pb sim, mesclando entre as lâminas. Porém, em uma única lâmina uso somente fotos coloridas ou pb e não misturo-as.

    Essa é a minha forma de trabalhar hoje.

    Espero que tenha ajudado!

    Grande abraço

  • Renato, parabéns pelo post e sinceramente muito obrigado pelas dicas tão valiosas. Porém tenho uma dúvida: se eu começar um álbum em preto e branco eu tenho que fazer todo em preto e branco? Realmente não seria legal, por exemplo, na diagramação, em meio a uma foto colorida, colocar uma preto e branco? Se puder esclarecer um pouquinho mais, agradeceria muito.

    Obrigado,

    Kiko

  • Olá Renato,

    Entendi desde o principio o conceito da indentidade !!

    O que queria ressaltar e acho que não me expliquei muito bem, era justamente a questão "cliente" que você explicou muito bem em uma frase:

    Justificar o que se faz é a melhor forma de mostrar que você sabe o que está fazendo.

    É mesmo isso! Abraço e continuação de muito Sucesso !!

  • Mais um detalhe Sérgio. Se for o caso de abordar o tema com o cliente, aborde! Justificar o que se faz é a melhor forma de mostrar que você sabe o que está fazendo.

    Sucesso e grande abraço

  • Olá Sérgio! Não vejo complicação em conciliar isso já que quem faz a edição e tratamento das fotos somos nós e não o cliente. Muitas vezes nós é que queremos que seja diferente. O cliente recebe as fotos prontas, tratadas. Quem define o estilo é o fotógrafo. Cabe a nós termos um estilo.

    Quanto ao ensaio ficar tudo igual, só se as fotos forem muito parecidas. A questão é identidade visual. A fotografia em si é outro fator. Se não tivermos um ensaio com uma quantidade de fotos que contem a proposta definida, realmente vai ficar tudo igual. E nesse caso não adianta tentar fazer um ensaio pelo photoshop apenas mudando as cores das fotos. Em primeiro lugar temos que pensar na fotografia. A edição é só um dos passos. Se o primeiro falhar, todo o resto estará perdido.

  • Otimo Post Renato,

    Mas a questão é !?

    Somos um contador de historias, mas contamos a historia de alguem e por muitas das vezes para eles propios ok ?

    Será que nossos clientes iriam entender a questão da indentidade!?

    Será que nossos clientes estariam preparados para lerem o ensaio de forma a não acharem tudo muito igual ?

    Sei perfeitamente, que tudo depende de um trabalho vindo de trás para com o cliente, mas acho que devemos abordar o tema, pois eles de certeza não lêem como nos lemos e por vezes é complicado conciliar isso.

    Mas adorei o post!! Parabens e Sucesso !!

  • Otima mesmo esse Post Renato, eu me fez pensar muito sobre isso, tenho fotografado com temas bem centrados, para não se perder, mas na hora da edição, passo literalmente' o mouse sobres os presets, me fez pensar, Obrigado!

  • Ótima coluna, não sou fotógrafa e sim editora e sei bem como é isso. Nos meus trabalhos eu crio uma identidade para o casal, desde a tipografia, o tom do preto e branco e a coloring que eu vou usar. Não acho bonito ficar usando coisas diferentes no álbum, além do mais o menos é sempre o mais e um álbum de carnaval cheio de cores, fontes, geometrias são terríveis.

    Fica a dica para designer de álbuns.

  • Renato, adorei seu artigo… vou pôr em prática muitas dicas! Criar a identidade é fundamental no início no carreira!

  • Tem tudo a ver Alexandre! Olha essa frase do post dele: "O grande trunfo do artista está em registrar de modo preciso tantas culturas diferentes sem recorrer às cores, o que dá ao conjunto da obra bastante consistência."

    That's what I'm talking about! ;)

    Obrigado por compartilhar.

    Grande abraço

  • Oi Huaíne!

    De certa forma isso é algo simples. Ao ver um trabalho inteiro, muitas vezes não conseguimos diferenciar porque gostamos mais de um ou de outro fotógrafo. E isso envolve pequenos detalhes, que acabam fazendo grandes diferenças.

    Obrigado pelo comentário. Grande abraço

  • Adoro esses artigos meio curtos do FotografiaDG, que apesar de não serem extensos, dão um bom peteleco na noção que você tem de algo em fotografia.

    A última frase deste aqui mesmo é algo supersimples, mas tão fácil de cair!

    Valeu muito o toque, Renato!! =)

  • Excelente coluna, Renato. Eu mesma também já cometi esse erro de "desconectar" determinada foto do restante da sessão. Você tem toda razão em afirmar que deve-se manter o estilo, criar um clima e uma identidade para aquela sequência de fotos.

    Eu nunca tinha pensado mais profundamente sobre isso, mas você tem toda razão. Me abriu os olhos.

    Um abração. Até os próximos artigos.